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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ao botafoguense, esse ser trágico


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(sem título)  .  . . ..  . ..  .  .  .  . . .  .  .  .  .  .  .  .  .  .

Lúcio Cardoso      .   .  . ..  .  .

Ó Estrela, carne fulgurante, rosa do mar,
guia do solitário navegante, amante dos heróis
–– .que nesta hora plena tua alma nos conduza
à amplidão sem fim, perpetuamente recomeçada,
onde o perigo fala, e tu, Estrela,
apascentas o rebanho noturno das vagas.

Ó Estrela, dá-nos a morte da surpresa,
o alfange erguido como o castigo,
a recompensa dos fortes, o teto puro
do céu desdobrado sobre o mar...

Dá-nos a glória do naufrágio.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Abaixo as cores inimigas!

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Anga Mazle e Teopha

O fanatismo de muitos torcedores de futebol produz , freqüentemente, pérolas de boçalidade. É o caso de uma parte da torcida do Botafogo (nosso time!), que vem protestando contra a pintura das cadeiras do estádio alvinegro – o Engenhão – com as cores vermelha e branca de um patrocinador. Na visão (?) desses torcedores, o vermelho lembra um grande rival (ou a metade dele, se não nos falha a aritmética), o rubro-negro Flamengo, e por isso cobram da diretoria botafoguense que mude as cores, pouco importando os prejuízos decorrentes dessa mudança..

A situação não é nova, já aconteceu com outros clubes, e certamente vai continuar acontecendo. Afinal, ser boçal é lindo, né não?.

Fiéis à nossa missão de bem desinformar seletivamente, apresentamos algumas sugestões para incrementar essa onda colorida de boçalidade:

1. . . . Extintores personalizados – para botafoguenses, corintianos e demais alvinegros que não suportam o vermelho – do Flamengo, do São Paulo etc.



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2. . . . Campo com grama cor de rosa – para são-paulinos, cruzeirenses, fluminenses e demais torcedores que têm chilique quando vêem o verde do Palmeiras, do América mineiro etc.



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3. . . . Máscaras vermelhas – para jogadores e torcedores brancos do Flamengo, Atlético paranaense, Vitória e outros clubes rubro-negros que odeiam a mistura de brancos e pretos, que lembra os times alvinegros.



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4. . . . Sangue azul – para os gremistas e demais torcedores alérgicos à cor vermelha.


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5. . . . Céu nublado – para torcedores que abominam o Cruzeiro e outros times azuis (como é o caso do poeta Marcantonio Costa, que apresentou esta sugestão, ainda ressacado da trauletada que o celeste Avaí aplicou no seu Flamengo lá na Ressacada!)

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Office, sweet Office

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Sei que todos vocês, leitores, estão com a atenção voltada para o formoso cão que passa em primeiro plano na foto acima. Mas, com algum esforço d'olhos, talvez seja possível notar que, como pano de fundo desta enternecedora cena, há um escritório – e repleto de trabalhadores concentrados em sua árdua tarefa de observar os fatos corriqueiros da vida pelo prisma de um copo atrás do outro atrás do outro atrás do outro...

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É um lugar simples, sem ar condicionado, chope, quitutes exóticos e outros luxos comuns em boa parte dos locais de trabalho do Rio de Janeiro. É nele – ou nela, porque chama-se Adega da Praça – que exerço as minhas múltiplas atividades profissionais quando não estou aqui, em frente ao computador, brincando de escrever para levar à falência os meus clientes, ou para encher a paciência de vocês. Nessa farra doméstica, entretanto, tenho de aturar a paisagem que invade o tempo todo a minha varanda: a da belíssima e escultural, porém frígida, Lagoa Rodrigo de Freitas.

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A praça, no caso, é a São Salvador, situada no bairro que leva o inapropriado nome de Flamengo, malgrado meu patriótico empenho em convencer diversos políticos cariocas a apresentar um projeto de lei que vise a livrar a população local do peso karmático de tal nome de baixo calão, estabelecendo a anexação de toda a área ao vizinho e GLORIOSO bairro de Botafogo. Aliás, a praça fica pertinho do campo minado ­– por unhadas, gritinhos e paetês – do Fluminense. O que só reforça a necessidade ­urgente de mudar-se, além do nome do bairro para Botafogo, também a localização do referido campo, uma vez que a área apresenta uma altíssima concentração de botafoguenses. E somos gente estranha, meio louca, meio anti-social, sempre insensível à manifestação de carência dos tricolores, toda hora nos pedindo colinho.

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Bem, falei que falei e pouco falei do meu escritório. Me perdoem. É que não falo de trabalho fora dele. Não que não goste, mas sofro de amnésia quando não estou trabalhando. Até tentei trabalhar um pouco ainda agora, pra ver se me lembrava de algumas aventuras profissionais lá pela praça, mas falta-me material de trabalho adequado em casa. A única bebida alcoólica que me resta aqui é uma garrafinha de álcool em gel. Restava, digo, pois acabei de tomá-la inteira. A colheradas. E nem assim me lembro de nada. Não é que a papinha de álcool deixou-me com memória de bebê?

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Gugu-dadá a todos!

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Fonte da imagem: Tire as mão do meu pé sujo (http://meupesujo.blogspot.com), blog cuja redação funciona (até cair) numa das escrivaninhas da Adega da Praça.

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sábado, 10 de julho de 2010

El loco y el psicópata

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Cada um veste a camisa alvinegra que merece.!

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. . . . . . . . . .O carismático Sebastián “El Loco” Abreu, ao lado de seus companheiros da Seleção do Uruguai, mostrou na África do Sul o que é o verdadeiro futebol sul-americano. O 4º lugar conquistado --- . com técnica e muita garra --- . vale como título de campeão para essa seleção que nas eliminatórias sul-americanas ficara apenas na 5ª colocação.

. . . . . . . . . .Parabéns, Loco! Parabéns, Uruguai!

. . . . . . . . . .Para comemorar a conquista, exibo o vídeo do gol de pênalti marcado por Abreu que garantiu ao Botafogo o título de Campeão Carioca deste ano. Foi feito com a mesma frieza e categoria que ele mostrou no gol que deu ao Uruguai a classificação para as semifinais, no jogo contra Gana.

. . . . . . . . . .A essa altura, esse gol tem um sabor ainda mais especial, porque El Loco o fez contra o goleiro Bruno, o psicopata que mandou trucidar a mãe de seu próprio filho. Veja abaixo a humilhação do facínora --- . e a glória do herói!



quinta-feira, 13 de maio de 2010

A pátria de chuteiras... de chumbo!

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Não queria comentar aqui no blog sobre a Seleção Brasileira. Não sou bom cronista esportivo; e de maus cronistas esportivos a grande mídia já está abarrotada. Nem do título de campeão carioca recém-conquistado pelo Botafogo, meu time, eu falei aqui. Mas não consegui amordaçar todos os meus nove cotovelos (pelas minhas modestas contas; meu amigo Hélio Jesuíno diz que são bem mais). Tarefa impossível, diante das asneiras ditas pelo Dunga por ocasião do anúncio oficial da sua pífia lista de jogadores convocados para a Copa.

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Não que falar asneira seja algo incomum na curta carreira de treinador do ex-cabeça de bagre canarinho. Pelo contrário, emitir zurros é um hábito que ele cultiva com esmero, tanto que fez questão de ter como auxiliar-técnico o Jorginho. Sim, aquela cavalgadura carola que, tempos atrás, ao assumir a direção técnica do time do América, propôs a excomunhão do tradicionalíssimo símbolo do clube – o diabo –, sugerindo, para substituí-lo, a celestial imagem da águia norte-americana!

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Mas o que me incomodou mesmo, dentre as várias besteiras proclamadas em tom patriótico pelo Dunga, foi aquela tentativa de justificar os seus critérios de convocação afirmando que só sabe daquilo que presencia e que, portanto, não poderia dizer, exemplificou, “se a ditadura militar foi boa ou não”. Valei-me, todos os mártires da quartelada! Devo deduzir que o católico Dunga, provavelmente de braço dado com seu evangélico assistente exorcista, testemunhou a crucificação e a ressurreição de Cristo?

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Ora, mano Caetano (este é o segundo nome – altamente sugestivo, não? – do treinador que fala tanta bobagem), você nasceu no ano anterior ao do golpe de 64. Como conseguiu passar toda a infância e adolescência sem tomar conhecimento de que vivíamos sob um truculento regime militar? Além do mais, como jogador e treinador de Seleção, você é um dos filhos da grande mãe de todos os treinadores que passaram pela Seleção em Copas do Mundo nos últimos 40 anos: Zagallo, o que trouxe, no auge das trevas ditatoriais, a Taça Jules Rimet de vez para nós – ou melhor, para os ladrões que a derreteram e venderam o seu ouro.

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(Obs.: Telê Santana não passou pela Seleção; a Seleção é que passou por Telê Santana em duas Copas, sem guardar, infelizmente, as lições de futebol que ele deixou.)

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Sim, Dunga, você é um zagalídeo (trocadilhando com o Dr. Toledo, por favor), como Parreira, Coutinho, Lazaroni e Felipão. Uma gente que gosta pouco de futebol e demais de resultado. Uma gente cheia de teorias e crenças duvidosas, como essa de que o importante é o grupo, ou a de que jogador precisa ser testado com a camisa amarela antes de ir a uma Copa do Mundo.

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As teses fundamentais do futebol de resultado

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Citei essas duas teses, especificamente, porque ambas foram lançadas na Seleção por Zagallo. A do “grupo" tem como referência o grupo campeão de 70, que o vaidoso e arrogante “vencedor de quatro copas” diz ter sido criado por ele. Mentira. Ele herdou o grupo que João Saldanha havia convocado para a Copa e fez o possível para piorá-lo, cometendo as seguintes barbaridades:

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. . . . . - Convocou o trombador Dario, para satisfazer o ditador Médici, ficando com dois homens de área típicos (o outro era Roberto) e nenhum reserva com as características de Pelé e Tostão;

. . . . . - Cortou o ponta-direita Rogério, machucado, e convocou um terceiro goleiro, Leão, deixando Jairzinho sem reserva;

. . . . . - Encaixou Rivelino no time, o que foi ótimo, mas levou para o México os dois pontas-esquerdas convocados por Saldanha, porque não teve peito para cortar o Edu e enfrentar a fúria dos paulistas;

. . . . . - Cortou o grande Dirceu Lopes, deixando Gérson sem substituto, e levou dois reservas (Joel e Fontana) para o improvisado quarto-zagueiro Piazza, o que fez também com que Clodoaldo não tivesse quem o substituísse. Dizem que o cortado seria o Fontana, como era mais lógico, mas que o violento zagueiro do Vasco, ao ser comunicado de seu corte, deu um soco na mesa e ameaçou matar o Zagallo, fazendo-o voltar atrás e cortar o meia do Cruzeiro. Há pouco tempo, o próprio Dirceu Lopes confirmou essa versão, dizendo ainda o seguinte: “Eu era muito tímido, não sabia bater na mesa.”

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E esse foi o grupo que inspirou a “tese do grupo”...

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A amarelinha e o amarelão

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Quanto à outra tese, a do teste com a “amarelinha”, ela tem o seu fundamento mais importante forjado lá mesmo, na Copa de 70, com a “amarelada” do jovem lateral-esquerdo Marco Antonio. O fato é notório, indiscutível. Só que Marco Antonio amarelou não porque tivesse pouca idade, mas porque era naturalmente complicado, tanto que continuou amarelando durante toda a carreira. E mais: Clodoaldo e Paulo Cesar, que eram tão pouco experientes quanto o amarelão, não amarelaram. Como Edu, que tinha a mesma idade de Marco Antonio, não teria amarelado se tivesse sido escalado: quem estreou no time do Santos com 16 anos, jogando ao lado de Pelé e Coutinho e comendo a bola, só amarelaria de vergonha, por não ter a menor chance de ser titular naquela seleção - como não teria em qualquer time dirigido por Zagallo, que não gostava de ponta-esquerda muito ofensivo, só dos que jogavam recuando para marcar, à imagem e semelhança da “formiguinha” de 58 e 62.

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E o fantasma do amarelão passou a assombrar uma sucessão de treinadores frouxos, fechando as portas da Seleção para inúmeros jovens talentosos que podiam ter reforçado o time do Brasil em várias Copas de lá para cá. Alguns exemplos retumbantes:

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. . . . . - Em 74, Zico. Mesmo após a contusão de Leivinha, Zagallo não convocou a maior revelação do futebol brasileiro da época. Preferiu chamar o Mirandinha, que chutava com a canela mas tinha experiência. E não é que Zagallo até hoje se gaba de ter “descoberto” o Zico, lançando-o no time do Flamengo em 72?

. . . . . - Em 78, Júnior e Falcão, já então titulares absolutos no Flamengo e no Inter, respectivamente. Claudio Coutinho preferiu improvisar Edinho, ótimo zagueiro mas lento como lateral-esquerdo, e levar o grandalhão e violento Chicão, abrindo mão do futebol refinado dos dois “inexperientes” craques.

. . . . . - Em 94, Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos. Ronaldo só foi à Copa porque Parreira, pressionado por toda a imprensa e opinião pública, convocou-o para o último amistoso preparatório. Lançou-o em campo no final do segundo tempo, só para não dizerem que não dera chance ao garoto. E não é que o raio do artilheiro inexperiente entrou e comeu a bola, fazendo até gol? Ah, mas naquela final que a Itália estava pedindo para perder não cabia lançar o craque. Melhor era botar o pesado Viola, que era medíocre mas tinha experiência. Quanto a Roberto Carlos, considerado por todos o melhor lateral-esquerdo do Campeonato Brasileiro daquele ano, perdeu a vaga para o velho “homem de grupo” Branco, que mesmo contundido foi convocado para ser o reserva de Leonardo – o jovem mas experiente jogador que fez aquela lambança no jogo contra os Estados Unidos e foi excluído da Copa. Por sorte nossa, parece que os holandeses ignoravam que Branco não estava 100% e que tinha chute forte e preciso, quase tão forte e preciso quanto o do inexperiente Roberto Carlos.

. . . . . - Este ano, Paulo Henrique Ganso – o melhor dentre os armadores jovens, habilidosos e inteligentes que surgiram ultimamente, todos mais criativos do que os que fazem parte do “grupo”. Ou alguém que torce para um clube grande sonha em ver brilhando no meio-de-campo do seu time “craques” como Elano, Felipe Melo, Ramires, Kleberson, Julio Batista etc. São tão medíocres que não será nenhuma surpresa se os dois laterais reservas (Daniel Alves e Gilberto) acabarem ganhando uma vaguinha ali no meio.

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Li há pouco que o Botafogo já acertou com o Hoffenheim, da Alemanha, o retorno do Maicosuel. Tomara, porque taí outro “inexperiente” que joga mais bola que toda a cambada de meio-campistas do Dunga, com exceção do Kaká, é claro.

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A colagem que ilustra este artigo foi feita a partir de outra – esta, abaixo, de John Heartfield, um dos precursores da técnica.



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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Para não dizerem que não falo do Fogão

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Que venha logo o maior
maria-chutador do mundo!

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Quem conhece a história do Botafogo sabe: sempre tivemos grandes cachaceiros, chincheiros e até cafungadores vestindo a camisa gloriosa. Não tenho nada contra as opções de cada um, desde que o cara consiga dribar a rebordosa e os adversários. Prefiro mil vezes um Garrincha tomando todas e arrasando joões do que certos "atletas exemplares" que, parece, mandam pra dentro um sonífero antes de entrar em campo.

Acho, inclusive, uma hipocrisia das mais hipócritas – e também das mais anti-Hipócrates! – essa coisa de médicos (coniventes com as autoridades esportivas) considerarem dopping o consumo de maconha e cocaína. Imaginem o que aconteceria se um time entrasse em campo com um apoiador cheiradaço e o goleiro maconhado.

Primeiro, o apoiador iria correr uma barbaridade nos primeiros 15, 20 minutos de jogo, marcando em cima até os bandeirinhas e os gandulas, e depois sumiria em campo. A não ser que pedisse e o juiz autorizasse: "Posso ir rapidinho no vestiário pra dar uma cafungada de reforço?"

Segundo, o goleiro passaria o jogo todo besteirão. No primeiro peteleco ao seu gol, o cara iria olhar pra bola e pensar: "Pô, lá vem ela... lá vem ela... tá chegando... e vem bem em cima de mim... chegando... chegou... Ih, entrou que entrou... bem pelo meio das minhas pernas!"

Em resumo, a proibição é (i)moral – do mais reles moralismo cristão! –, e não esportiva. Tanto que, se pintar traços de álcool no sangue do jogador sorteado para o anti-dopping, não dá nada pra ele. A não ser, talvez, se em vez de traços aparecerem travessões, o que indicaria que o cara encheu o pote pouco antes de entrar em campo. Mas isso, que eu me lembre, só foi feito por um juiz europeu, há meses, gerando um espetáculo bizarro, gravado em vídeo que vaga pela internet até hoje, quase tão bêbado quanto o seu protagonista.


Estou falando disso tudo, a propósito de uma notícia que li hoje sobre a tentativa alvinegra de contratar o Ronaldinho Gaúcho, notório consumidor compulsivo de marias-chuteiras. Considero a compulsão sexual – em termos futebolísticos, pelo menos – um vício mais grave que todos os acima citados. Não sei o que os médicos acham disso, e nem quero saber. Gosto de futebol, assim como não aturo gente que só diz asneira. Sobretudo quando usam – indevidamente, na maioria dos casos – o título de doutor.

Mas se os dirigentes do Botafogo acreditam que o maria-chuteirismo é um mal que vem para o bem, que tratem logo de ir atrás do melhor na especialidade. Que deve ser, com certeza, um descendente do italiano Francesco Lentini (foto). Frank, prenome que adotou depois que emigrou para os States, tinha três pernas funcionais, e batia um bolão. Apresentava-se em circos fazendo o diabo com a bola, chegando também a dar aulas para jogadores de soccer. E o mais importante: tinha um potencial excepcional para a prática do maria-chuteirismo, uma vez que possuía dois pênis, ambos também funcionais!

Por isso, rogo à diretoria do Fogão que procure por aí um neto ou bisneto do Frank que tenha puxado o avô ou bisavô. Vai que eles encontrem um Lentini de cinco ou seis pernas e três ou quatro pembas ativas. Pronto, estaria muito melhor atendida essa demanda de um super maria-chutador. E, de quebra, resolveria um problema que vem afligindo bastante a torcida alvinegra. O da falta de pernas do time.
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