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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Vadia Lorcca

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 .  .ninguém vai poder dizer que eu não disse –– sob   .  .  .os primeiros cascos do dia  ––  a tua cidade noturna
                                                                                                                                                                  Carla Diacov    

tua cidade é teu armamento
veja os espíritos em neon
o silêncio relativo ao silêncio engarrafado e vendido
beneficência onde tudo é concreto
tua cidade é teu armamento veja os espíritos sob as manhãs vermelhas
beneficência onde tudo é decreto
tua cidade é teu sexo teu armamento
veja

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vizinha
a distância é a cidade uma ou duas ou três bicicletas após o teu nariz
queridinha
a distância é a cidade

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uns lugares servem aos outros: a cidade formiga: uns lugares carregam os outros. não há esmola. tua cidade é trespassada pelos teus rastros: não há esmola.

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a cidade se perde dentro de casa. você me olha. o hidrante no meu olho destorce a periferia. preciso cortar tuas unhas e você me olha torto. segundo o mapa não há retorno: a cidade se perde entre as tuas veias.

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dizes AH!: em tudo um filme lindo metido na tua cidade.

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as prostitutas da tua cidade. uma vez minhas, as mães e as igrejas da tua cidade. e num beco qualquer uma condição: alguém estará soprando a poeira de um vinil do banguela chet. os gatos todos da tua cidade e um pequeníssimo susto: alguém acende um apartamento inteiro da tua cidade.

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as janelas e a pronúncia das janelas da tua cidade. as linhas presas nas linhas da tua cidade, os sapatos nos fios, os fios e os sapateiros. o caminho ao largo. o largo passeio. os sobreviventes e os pioneiros e uns mascotes. .barulho de cascos: é a tua cidade: that old feeling e seguimos.atravessando banguelas estações.

sábado, 28 de setembro de 2013

Poema inédito de Lispector?

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Eu, uma brasileira
Clarice Lispector   .  .  .  .  .  .  .  . . .  . .  .  .  .  . 
Uma russa de 21 anos de idade
E que está no Brasil há 21 anos
Menos alguns meses.
Que não conhece
Uma só palavra de russo
Mas que pensa, fala, escreve
E age em português,
Fazendo disso sua profissão
E nisso pousando todos
Os projetos do seu futuro,
Próximo ou longínquo.
Que não tem pai nem mãe –
O primeiro, assim como as irmãs
Da signatária, brasileiro naturalizado..
E que por isso não se sente
De modo algum presa ao país
De onde veio,
Nem sequer por ouvir relatos sobre ele.
Que deseja casar-se com brasileiro
E ter filhos brasileiros.
Que, se fosse obrigada a voltar
À Rússia, lá se sentiria
Irremediavelmente estrangeira,
Sem amigos, sem profissão,
Sem esperança.

(Trecho, “poemado”, de carta da escritora ao Presidente Getúlio Vargas, datada de 3 de janeiro de 1942)
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Fac simile da carta de Clarice Lispector

Importante: Embora existam dezenas de “poemas de Clarice Lispector” circulando pela internet, a escritora jamais publicou qualquer texto em versos. Tais poemas são, como este aqui, textos em prosa quebrados em versos por gente irresponsável como eu... ou, pior, poemas de outros autores a ela atribuídos.

sábado, 21 de setembro de 2013

Migalhas, ciscos e pó

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Antônio Rebouças Falcão

   .. ... .    Nessa madrugada, a solidão dos galos cujos cantos não receberam respostas.
          O descaminho da formiguinha que se perdeu da linha viva de suas parceiras.
          Os destinos da lima e da banana que, recusadas, vão apodrecer únicas nos cantos das gôndolas.
          O endereço do dente de leite que se perdeu nos ínfimos recônditos do chão.
          A carta de amor nunca enviada que a mocinha esqueceu no ponto de ônibus.
          O lençol branco com monogramas exclusivos, no quarto reservado pelos nubentes que despencaram do céu na noite de ontem.
          O falso documento de identidade de um tal Josias dos Santos, esquecido no banco da praça.
          A última palavra escrita com aquela caneta, atirada ao piso da avenida central.
          O passageiro que desapareceu no aeroporto, sem ter nunca chegado ou partido.
          Um quarto de dicionário que retinha a atenção do mendigo à sombra do oiti.
          O telefonema que, nesse instante, me recusei a atender.

Blogue do autor:  Dilema paulistano  



sexta-feira, 24 de maio de 2013

A predadora

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Meu coração até é vegetariano,
mas a razãocarnívora, não freia
minha predadora libido onívora.

Tonhuca


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Amor desenhado


 

O amor... ah, o amor!...
Quanto mais por ela eu me desdobro em traços,
Mais ela me aponta dor.

Tonhuca


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Nem doer nem matar



 . . .
. . . . . . .Caio Lispector*

Posso beber champanha
como quem come pereba,
lamber sabão
que nem eu masco mulher.

Posso abrir meu coração
como a champanha,
forçando lentamente a rolha
até que o estampido anuncie
meu sangue todo a jorrar.

Acalmem-se,
não vai doer nem matar
 a mim ou a qualquer outro,
exceto, naturalmente,
os que me criaram e me recriam
dia após dia, noite após noite,
até que a morte virtual,
a grande diva on line,
os anoiteça ou amanheça.


. . . . . . . . . *Autor fraudulento exclusivo deste blog e do Falsidade Ideológica !

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