Garota de Ipanema
Saiu
nua do mar, cruzou a faixa de areia, a calçada e a ciclovia da
Vieira Souto.
Sem aplausos nem vaias, só uma buzinada, já na pista, antes do baque fatal.
Sem aplausos nem vaias, só uma buzinada, já na pista, antes do baque fatal.
O colecionador
Coberto
de borboletas, o cactus não tem flores para lhes dar. Só espinhos.
Boa noite
Antes de se deitar, ele põe as dentaduras no copo d’água, a peruca no cabideiro,
o pé mecânico sob a cama e o resto de si janela afora.
Cheia
Acordou
com um palavrão vindo do céu. Era a lua, cheia.
Saudade
No
velório do marido, a viúva deu de acariciar-lhe o pênis. “Pare com isso,
mãe,
ele está morto!” E a velha, nostálgica: “E eu não sei? Faz mais de 25 anos.”
Muito além do horizonte
Diante dela, o mar se estende além, muito além do horizonte, até completar
a volta ao mundo e armar a onda que quebra e a atinge pelas costas, tragando-a.
João de barro
Desenganado,
o passarinho ergueu, em barro, a sua última morada.
O time
A enfermeira saiu à sala de espera com o recém nascido no colo: “Quem é
o pai do bebê de dona Isolina?” Junto com o marido, gritaram “eu” o cunhado,
o encanador e oito vizinhos.
O duelo
Encostados,
de costas um para o outro, pistolas empunhadas, os duelistas
aguardam o
sinal do juiz para que caminhem dez passos, virem-se e disparem.
Aguardam há meses, anos, séculos...
Morte após a morte
Leitor
assíduo de obituários, certo dia leu, com profundo deleite, o seu próprio.
Beijo
Nossos olhos fechados, nossos lábios e línguas nos dizendo:
ó céus, como brilham os nossos olhos!
.





































