segunda-feira, 2 de maio de 2011
domingo, 14 de novembro de 2010
Paulista de cabeça chata
Teophanio Lambroso . .
Meu parceiro Tuca Zamagna anda todo empolgado com o novo CD de sua amiga Simone Guimarães, cantora e compositora de Santa Rosa de Viterbo, megalópole paulista cuja periferia abrange cidades como Franca, Sertãozinho e Ribeirão Preto. Para o Tuca, o disco, que será lançado em dezembro, é um dos mais bonitos que ele ouviu nos últimos tempos. Disse que ficou muito comovido com a escolha do repertório, todo ele de músicas cearenses, compostas por um tal de Isaac Cândido e letradas por diversos poetas, todos também cabeças-chatas da terra do Fagner – que aliás dá as caras (a tapa?) nessa bolachinha, intitulada Cândidos.
Nem ouvi o CD e já não gostei. Minha indisposição já começa pelo título. Por que Cândidos? Esse nome lembra o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que passou a vida toda mais preocupado com os índios do que com os inúmeros deveres de um graduado oficial na caserna. Lembra também o João Cândido, arruaceiro naval cognominado o Almirante Negro, por liderar a famosa Revolta da Chibata. Ora bolas, se era para homenagear alguma alta patente militar indisciplinada, que o CD se chamasse Castelos brancos, que além de soar muito mais poético homenagearia um indisciplinadíssimo marechal cearense – Humberto de Alencar Castelo Branco, primeiro ditador empossado pela trupe de trapalhões golpistas de 1964.
Pra piorar, o Tuca ainda veio me dizer que o Isaac Cândido é um puta talento, compositor de melodias sofisticadas e harmonias ousadas. Ah, sai pra lá. Talento pra mim têm os compositores de funk, pagode e forró eletrônico, que fazem as tchutchucas e preparadas sacudirem o esqueleto bem forrado de filé mignon e abanarem o abundante rabinho, encachorradíssimas pra cima do Teopha aqui. Isso, sim, é sofisticação e ousadia que tocam o coração e outros órgãos pulsantes do canalha do bem que vos bloga!
Não estou nessa, não, meu caro Tuca. Vão você e o (Brigadeiro?) Isaac procurar sua turma, que é essa com a qual a Simone Guimarães vive metida, nos palcos, nos discos e nas parcerias: Milton Nascimento, Dori Caymmi, Francis Hime, Ivan Lins, Toninho Horta, Guinga e outras estrelas que não brilham nem jamais brilharão no céu enluarado de mulheres lindas e gostosas do universo teophânico!
Pra não dizerem que não sou justo
A paulista Simone Guimarães nega a "raça", ao seguir na contramão da última moda em São Paulo, que é atacar ferozmente o povo nordestino, o qual, segundo uns autonomeados porta-vozes da classe média de Sampa, estaria eclipsando a cultura paulista e brecando o desenvolvimento político-econômico de seus próprios e superiores umbigos.
No entanto, para ninguém dizer que estou sendo injusto com a moça, psicografei de próprio punho uma mensagem (não do Além, que pra defunto não dou essas intimidades) da Simone Guimarães quando criança (essa da foto lá em cima). Pedi a ela, naturalmente, autorização para publicar o manuscrito aqui. Como a cantora me garantiu que nunca disse nem escreveu o que está no texto por mim recebido do passado, façamos de conta que a mensagem é mera ficção. (Mas, cá entre nós, leitor(a) amigo(a): veja como a garotinha já dava toda a pinta de que um dia trairia, com ímpios nordestinos, a casta casta mediana paulista de cujo ventre a ingrata nasceu!)
Mensagem do Aquém
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Humoristas tentando o Doutorado?


Os comediantes Tiririca (ao alto), Batoré, Pedro Manso e Dedé Santana (acima) são profissionais que levam muito sério o humor. Os quatro são candidatos a deputado nas próximas eleições, o que denota que estão empenhados em enriquecer (seus conhecimentos humorísticos, é claro) estudando com a galera mais engraçada deste país.
Ou então... eles estão apenas fazendo a melhor piada de suas vidas e o tapado aqui é que não está entendendo mais nada!
.(Teophanio Lambroso)
Alguns Catedráticos do Humor no Congresso Nacional
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Ministério do Serra já está formado!

O blog do Professor Hariovaldo Almeida Prado (foto ao lado e link no rodapé) divulgou, em primeira mão, a relação dos nomes praticamente já escolhidos pelo futuro Presidente da República, José Serra, para compor o seu Ministério. Os leitores do blog, sempre bem informados pelo próprio mestre, apresentaram outros possíveis integrantes do primeiro escalão do próximo Tucanaço.
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Segundo a mais recente pesquisa do Instituto Tuca-nos, a possibilidade de a lista ministerial ser mesmo esta é de 69,96%. (Como em todas as pesquisas do infalível instituto, a margem de erro é de 96,69 pontos percentuais.)
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Eis a lista do Prof. Hariovaldo e de seus leitores:
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Relações Exteriores: Fernando Henrique Cardoso –– Defesa: Nelson Jobim –– Justiça: Gilmar Mendes –– Banco Central: Salvatore Cacciola –– Comunicações: Ali Kamel –– Saúde: Cacá Rosset –– Economia: (Serra está em dúvida entre Sardenberg e Leitão)
Segundo sugestões dos homens bons que freqüentam este sítio noticioso, poderemos ter também as seguintes pessoas nos ministérios indicados:
Minas e Energia: David Zylbersteyn –– Cultura: Arnaldo Jabor –– Trabalho: Chiquinho Scarpa –– Turismo: Maitê Proença –– Ministério do Acarajé: Cira de Itapuã –– Ministério da Juventude: Soninha –– Instituto Federal de Reeducação Social Henning Boilesen: Jair Bolsonaro –– Previdência Social: Georgina de Freitas –– Igualdade Racial: Demétrio Magnoli –– Reforma Agrária e Agricultura Familiar: Kátia Abreu –– Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres: Rogéria –– Articulação Política: Índio da Costa –– Esportes: Ricardo Teixeira –– Pró-Álcool: Lucia Hipolitro –– O IBGE será gerido pelo Datafolha –– O Diário Oficial será substituído pela Folha de São Paulo. –– A chefia da Casa Civil ficará com a Condoleesa Rice, pois é assunto muito sério pra ser tratado por brasileiros. –– O Instituto Rio Branco passará a se chamar Ronald Reagan Institute.
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FURO! FURO! FURO!
(Quem tem, tire-o da reta!)
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Sendo eu, Teophanio Lambroso, tucano desde colibrizinho, sinto-me no dever de meter o bicão nesse Ministério do Serra que tão habilmente vem sendo montado pelo eminente Prof. Hariovaldo.
Urge transformar o Bolsa-Família num programa decente, através da criação do Ministério do Mala-Família, a ser encabeçado pelo Sr. Arnaldo Jabor.
Com o remanejamento deste senhor para o novo ministério, o Ministério da Cultura teria o seu titular escolhido via renhida disputa toma-lá-dá-cá-o-meu-neurônio entre as senhoritas Hebe Camargo, Ana Maria Braga e Luciana Gimenez.
Meus parceiros Tuca, Elza e Anga não se furtaram à obrigação de participar dessa cruzada patriótica, e também indicaram ministros para o Presidente virtualmente eleito.
Tuca:
Ministério do Meio Ambiente: Ronaldo Caiado
Elza:
Ministério da Produção de Celebridades: Pedro Bial
Anga:
Ministério das Defesas e Indefesas: goleiro Bruno
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Fonte do texto: .http://hariprado.wordpress.com
Ilustração: .Colagem paint-ada, a partir de imagem extraída do site www.bicodocorvo.com.br
domingo, 6 de junho de 2010
Maravilhas do Mundo Animal
Este é Pelé, um das cães mais populares da orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Como você pode ver, trata-se de um indivíduo canino de excelente caráter, pautando sua vida por um comportamento sempre politicamente correto. Tanto que já recusou inúmeras propostas de políticos que procuram, neste ano de eleições, alguém capaz de limpar toda a merda que vêm fazendo na carreira.
. . eu precisava para ser meu vice!. . . . . .
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Brasília: mineiríssima idéia de gerico!
Meu mano Paulinho Saturnino (belorizontino desde mui d’antes de caparem do Curral Del Rey esse belo nome cheirando a gado e, acima de tudo, na opinião dos republicanos, fedendo a água de colônia do então recém-banido império) postou no seu blog uma ótima crônica sobre a cinqüentona Brasília. A seguir, uns trechos:
“Há exatos 50 anos, lembro-me, menino, excitado com aquele dia da inauguração de uma cidade meio maluca que ocupava todos os assuntos e revistas ilustradas, como O Cruzeiro e Manchete, das quais eu era viciado leitor. Arquitetura revolucionária, Juscelino, festas badaladas da mais fina elite, lamúrias por um Rio de Janeiro usurpado em seus sentidos e vocações, cenas de um cerrado então exuberante, entrevistas com brasileiros que haviam acorrido de todos os rincões em busca da nova vida que a cidade prometia. (...)
“Brasília vingou como cidade e como monumento tombado pela admiração mundial. Mostrou-se profundamente brasileira ao gestar nos seus entornos um cinturão de pobreza, mesmo de miséria, depósito daqueles a quem se reservou só despojos do sonho imenso. Nos rastros de sua breve história se arrasta uma dúvida insanável: o que teria significado a nova capital para nossa convivência política, para nossa vida republicana, se metade de sua existência não tivesse se passado sob os tacões da ditadura militar, com suas regras tão próprias para a organização do poder, para a distribuição de benesses e para cevar “lideranças” viciadas e carcomidas?
“Penso Brasília como sonho e pesadelo. Linda sob aquele céu azul, emoldurada pelo infinito de seus horizontes, nela floresceram fartos espaços sombrios, aparentemente adequados à política safada e aos negócios escusos. O que lhe falta, não como cidade, mas como capital do Brasil, já que esse era seu desenhado destino? Porque, ali, parte preponderante dos agentes políticos sentem-se tão desobrigados dos temores devidos à pressão popular numa democracia que se queira moderna? Quando ela se tornar secular, quase adulta, os de vocês que porventura ainda pelejarem por aqui, talvez tenham arrancado dessa Brasília de todos nós alguma resposta, quem dera até alguma transformação positiva. (...)”
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Também fico até hoje meio dividido em relação a Brasília, Paulinho. Mas cada dia menos; o fiel da balança pendendo cada vez mais para o prato vazio – porém pesado por si mesmo – da inutilidade, do desperdício, do oco do delírio. Uma capital que nos custou uma fortuna, e continua custando até hoje. A vida dos que a justificam (os políticos e seus assessores, apaniguados e asseclas, além de boa parte da imensa corte de funcionários públicos) não finca raizes lá, e nós pagamos os custos das passagens e de outras mordomias. Sem falar nos custos, muito mais altos, que foram impostos pela Constituição de 88, penalizando a todos nós, brasileiros, com o pagamento pela União das despesas com educação, saúde e segurança da capital do Cerrado. Brasília não passa, modéstia de mineiro que sou à parte, de uma grande idéia de gerico tipicamente mineira, uma reedição do que foi a criação da sucessora de Ouro Preto, não na já então capital de fato – Juiz de Fora –, mas num curral de montanhas plantado nos ermos ferríferos das Geraes.
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No início da década de 1890, quando o governo de Minas resolveu criar a nova capital, os ventos republicanos sopravam forte em busca do progresso, um progresso vislumbrado pelo prisma estrábico do positivismo. As minas de ouro cuspiam suas últimas reservas do precioso metal ainda extraído a médio custo, o café instalara-se de vez
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Havia uma vantagem, e muita cara ao sentimento “nacional” do mineiro: em valores imediatos (ou seja, sem contar os ganhos a médio e longo prazo) saía muitíssimo mais barato. Partindo do princípio de que era preciso sediar a capital numa cidade moderna e bonita, mania republicana que nortearia também as grandes reformas urbanísticas que logo se dariam no Rio e
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Outra vantagem apontada por alguns historiadores era a localização da capital num local potencialmente rico para a mineração, vocação que o mineiro já traz no próprio gentílico. Ou seja, se o ouro já era, ferro na boneca! Não duvido que tenha rolado um caixa dois nessa história, por iniciativa de possíveis interessados na exploração das ricas jazidas de ferro daquela região. Mas, mesmo nesse caso, precisavam plantar a cidade em cima de solo ferrífero? Não faz sentido, a não ser que se invoque mais uma vez o gosto apurado que o mineiro tem por um dinheirinho a mais. O raciocínio seria mais ou menos este: “O cumpádi tá meio apertado, o murundu de grana debaixo do colchão já quase não tá incomodando a espinha dele mais a da muié. Antão ele garra a picareta e vai pro quintal pru mode colher uns pedregulhim de ferro pra vender na feira, uai!”
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Mas, voltando ao Planalto Central, não pensem, por favor, que menosprezo o talento de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Discordo de determinadas concepções dos dois, mas não compartilho a perspectiva dos que, de nariz torcido, apontam na criação deles influências de arquitetos e urbanistas europeus. Acho que ambos foram bem além dessas influências que, de fato, assimilaram. Mas se não tivessem ido além, qual seria o problema? Antes isso do que a cafonice glacial dos pensadores do espaço urbano norte-americanos, incensados e seguidos por levas de arquitetos e urbanistas brasileiros. Sou velho, talvez obsoleto, tanto que a tristeza me invade quando me lembro, por exemplo, do belíssimo Hotel Avenida, uma das muitas pérolas geradas pela reforma do Rio por Rodrigues Alves e Pereira Passos. Assumidamente, o hoje já centenário projeto urbanístico foi inspirado, assim como o de São Paulo e o da construção de Belo Horizonte, nas concepções de Haussmann para a grande reforma de Paris. Daí que a minha tristeza nada tem a ver com saudosismo: sobrevivo bem sem o velho hotel e a adorável Galeria Cruzeiro que funcionava sob ele – mais conformadamente do que sobrevivo sem o Palácio Monroe, vingativa e criminosamente derrubado pelos militares golpistas, que viam na antiga sede do Senado um símbolo da democracia. O que me entristece, o que não dá para suportar é a visão do monstrengo de 34 andares que ergueram no lugar do hotel, aquela ianquíssima estrovenga de esquadrias de alumínio e vidro, verdadeiro monumento ao bom gosto e ao bem viver desaparecidos.
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Em relação a Brasília, especificamente, o conjunto da obra não me agrada. Talvez me falte a megalomania, que o patriotismo exacerbado proporciona, para ver na cinqüentona capital beleza semelhante à que muitos cariocas fanáticos por futebol conseguem ver naquele imenso cinzeiro sessentão chamado Maracanã. Não me seduz nem um pouco a imensidão das formas em concreto armado, a começar pelo Cristo do Corcovado, com quem cruzo na rua só de longe mas a toda hora: acho-o tão feio quanto qualquer santo de madeira feito por artesão pouco criativo. Essa imensidão de cimento e ferro, no caso de Brasília, é elevada à enésima potência – ou impotência, no meu caso –, um festival de petrificadas continências orgásticas tentando amainar a solidão gerada pelos imensos espaços abertos. Tudo tão longe! Se lá morasse, imagino, eu teria de pegar táxi para beber no boteco do outro lado da rua – se lá existissem botecos do outro lado da rua...
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Ah, eu já ia cometendo, por esquecimento, uma injustiça federal com o nosso Distrito idem! Brasília tem a maior renda per capita do país e uma das maiores da América Latina. Essa avaliação deve ser lá deles mesmos, brasilienses, sempre muito modestos, humildes nessas questões que envolvem dinheiro embolsado. Mas eu, que de comum com a nossa capital só tenho o fato de ter nascido em Minas, posso retificar com certa isenção: UMA DAS MAIORES RENDAS PER CAPITA DO PLANETA!... Sim, se contabilizarmos, naturalmente, a grana preta que rola por debaixo do pano – seja ele toalha de mesa, lençol, cueca, meia, sutiã etc.
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Leia na íntegra a crônica do Paulinho Saturnino, aqui.
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