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domingo, 10 de novembro de 2013

Pin-up com soneto

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.         .    ,     , Soneto indignado

.         .    .         .   ,Para Suzaney Guimarãpburn e seu pai

.         .    ,     , Por que partem os pais, me diga, pai?
.         .    ,     , Dez anos, e ainda espero a sua resposta.
.         .    ,     , Partir não era um direito seu, uai!...
.         .    ,     , Não é coisa de quem da gente gosta.

 .         .    ,     , (Sua partida, no Dia desta República –
.         .    ,     , Que marcha... tropeçando no cadarço! –,  
.         .    ,     , Pelo menos foi uma escolha bem lúcida,
.         .    ,     , Para quem nasceu num 31 de março.)
  
.         .    ,     , O que é, quando já não é, o pai da gente?
.         .    ,     , Eu que não creio em céu (nem em inferno)
.         .    ,     , Não tenho onde buscá-lo, pai ausente.

.         .    ,     , Só o que me consola é saber, sentir que
. .         .    ,    ,Perda é passado, e o convivido... eterno:
. .         .    ,   , Você aqui está quanto mais não está aqui.

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                                                                      Imagens fontes


 .

terça-feira, 12 de março de 2013

O Grande Desfile de Pin-ups - Especial Cris de Souza


.

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                                    Tiro os pés do chão
                                    as mãos do espaço
                                    e o tempo diz
                                    que a dor não pousa

                                    Nada existe, não
                                    enquanto faço
                                    constelações de giz
                                    na noite lousa

                                    Só passarão
                                    ávidos pássaros:
                                    os olhos de Cris
                                    no céu de Souza 

   Blog da Cris: Trem da lira         

                                             ------------------   Imagens fontes ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------



sábado, 9 de março de 2013

O Grande Desfile de Pin-ups - Especial Su Guimarães



Rio de Janeiro, 9 de março de 3013   .
Querida Suzana,

Não estou bem certo se tenho o direito de escrever a você para externar sentimentos que dizem respeito ao momento atual – o meu, o seu e, antes de tudo, o nosso. Esse receio é das pouquíssimas coisas que mudaram na minha nova vida. A morte não tem o poder, como a maioria das pessoas acredita, de mudar tudo. E tanto faz que seja a morte definitiva ou, como no meu caso, a morte com direito a vale-ressurreição.

Parece contraditório eu fazer esse preâmbulo tão delicado, tão íntimo, e tornar pública esta carta, em vez de enviá-la pelo correio com a rubrica top secret no envelope. Acontece que não faz parte do meu receio o julgamento de qualquer pessoa além de você. Não me atinge o que os outros venham a pensar, nem me preocupa que você possa se sentir exposta. Sem chance. Quem lê os seus blogs – e eu os leio desde a primeira postagem! – sabe que ninguém tem a necessária competência para lhe expor mais do que você mesma. Essa sinceridade radical e a capacidade de bem expressá-la são o que mais cativam a todos que a leem. A todos, sim, mesmo àqueles que supostamente não dão valor ao que você escreve, mesmo àqueles que aparentam, demonstram ou dizem não gostar de você. Nos quatro casos o que pesa, posso lhe garantir, é a frivolidade, o despeito, a inveja e... o medo... O MEDO DE SUZANA! Cristo, Ghandi, Luther King, Lennon... não morreram em decorrência dos eventuais defeitos que alguns viam neles, e sim porque eram amados. O amor, querida, é a pior das afrontas ao estofo estéril dos infelizes por vocação

Alguém escreveu:

Meu tio morreu de amor. Eu não quero morrer de amor, mas quero morrer amando. Amo mais o amor que o amado. Amados são vários, passam. O amor é que me faz leve, tranquila ou sobressaltada. É ele que justifica eu tão abstraída,  parada num trânsito caótico, esperando ser atendida pelo médico, numa viagem longa que não termina nunca. O amor me faz permanecer na fila de um banco o tempo que for, sem nem perceber. É ele que me distrai quando estou no supermercado, fazendo compras, lavando o carro, limpando a casa. É ele que me faz aturar aquela festa chata, aquela gente chata. O amor tira os meus pés do chão. Há quem tenha medo dele, eu não. Nem um pouco. Há quem diga que amar faz ferida, deixa cicatriz, mágoas, mágoas... pode até ser. Mas há tanta coisa nesta vida que faz o mesmo em nós e nem por isso ficamos nos esquivando delas, pois se esquivar do amor é dar as costas para a existência.(...)

O mesmo alguém escreveu também:

por ter acreditado, colhi todas as maçãs
amorosamente fatiadas
por ti
a mim ofertadas com votos de bem amada

e assim, caminho
pelas manhãs...

[não são tantas as alegrias
mas tenho sempre a ti
a velar na chama ardida
curar minhas feridas
das paixões mais vãs]

em amanhãs

Até amanhãs, querida. Todos, sempre!

Com amor em beijos,

Teopha

 P.S.: Não há erro de digitação na data desta carta. Posso perfeitamente lhe escrever daqui, de mil anos à frente do seu dia de hoje. O tempo não conta para nós, somos atemporais enquanto os nossos sentimentos assim o determinarem.

Blog da Suzana: O medo de Suzana

                        ------------------   Imagens fontes -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------                  .      .      .      .     .     .                   .      .      .      .     .     . 


sábado, 5 de fevereiro de 2011

De alguém que não sabe onde está



Já é amiga querida, umas das belas amizades que nasceram através do blog. Vínhamos trocando alguns e-mails, ela bem-humorada como sempre. De repente, a bomba:


Um... bigo

tuca

digo que preciso descontroladamente que você compreenda a minha atual necessidade de não me comunicar por emails . . .. . . eu não sei o porquê da invasão explícita de um fluxo de consciência que me faz querer escrever um livro de farwest desde as 15 hs de hoje e também um desejo incontrolável de lhe escrever um carta que não seja virtual pois eu não sei misturar o mundo virtual com a realidade . . .. . .pode ser que estejam implicitamente unidos mas eu ainda não achei a união . . .. . ..o kierkegaard disse que é o eu que vem de deus mas eu acho que seja um eu infinito e por isso eu não sei ligar coisas materiais às fibras da nanotecnologia . . .. . .é porque eu impacientemente preciso de letras em um papel com tinta sem impressões modernas a laser e eu preciso de fungadas doídas por cada palavra escrita porque a dor de existir é tão linda no papel e eu preciso de dor e de desespero manchados em letras de forma ou de desenho e também preciso de qualquer outra vida que seja incrivelmente interessante e me faça esquecer de mim e me faça me largar completamente . . .. . ..como a janis dizia se você pode fazer isso então faça . . .. . .eu vou para a amazônia e tenho até amanhã pra lhe enviar a carta se você não desistir de recebê-la . . .. . .e quer saber? eu até lhe diria o meu endereço mas eu não sei mais onde eu estou e não é perdição é encontro . . .. . . escreva seu endereço que eu não mandarei cães assassinos ou bandidos de bang-bang embora eles estejam fervilhando na minha cabeça

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Amazona Alongada

P.S. meu: A carta ainda não chegou. Minha amiga prometeu que junto enviaria uma grande surpresa, algo que guarda há tempos. Minha curiosidade multiplica a expectativa. Já nem vou conferir na caixinha de correio. Aguardo o porteiro interfonar informando que chegou para mim um volume que não passa no portão do prédio.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eis tudo

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. Anga Mazle

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sem meias

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sem meias palavras à mão,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sem fecho

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sem fecho éclair nos lábios.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Com força

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Com força de expressão certeira

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Do medo

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Do medo de acertar o erro:

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O pouco que ainda és

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . No nada que te tornaste,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O mínimo que me tornei

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . No tudo que podia ter sido.

.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eis a sombra monstruosa que me segue

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Será a do teu corpo poderoso e indefeso?

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Será a da minha alma enrugada de ausência?

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eis esse corpo e essa alma indistintos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Entrelaçados pelo desejo de seguir

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A passos de macabro minueto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Na celebração desmedida do fim

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Que não haverá, que não poderá haver

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Até que eu enfim te diga:

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eis o sonho de amor, eis o sexo

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eis o que queremos quando já não o temos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eis o meu coração, eis o meu nariz, eis a dona deles

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eis escancarada a porta de entrada

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Para duas novas vidas possíveis.

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Imagem: a atriz Barbara Stanwyck, c. 1935.


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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Altíssimos

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.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . .. . . . . . . . Para Lily & Suzana

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eras tão grande, tão grande

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Que todo o meu imenso amor cabia,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Livre e saltitante, aos pés desnudos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . De teu pequenino corpo

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Solar,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Centro de minucioso universo de cores

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . E brilhos femininos,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A atrair-me e lançar-me em órbita

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Majestosa, jupteriana – a mim,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Justo a mim, indistinto grão

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . De tua cósmica poeira.

. . . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Então, Cinderela, achaste

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aqueles antigos sapatos...

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os tais que em boa hora perderas.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . E os malditos, altíssimos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Como deuses,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Te recriaram, em barro borrado,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Quase do meu tamanhão

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Físico, cavalgaduramente físico,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Porém nada, nadinha

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Comparável à densa infinidade

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . De estrelas, cometas e luas

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Que agora se faziam, em debandada,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Gélidos, sorumbáticos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Batráquios... alados

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Por tua frívola arrogância de somar

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Uma pitadinha ou duas, talvez três

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . De centímetros de não ser.

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ¬ ¬ ¬ ¬ ¬ ¬ ¬¬¬

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Imagem: um pé de sapato da Gaby – http://coisasdemulher.blogspot.com –, dois do blog http://não-sei-que-lá-em-grego e, como os demais, totalmente perdidos de suas donas no limbo da minha desorganização. (Quem se sentir descalça de um desses pés de sapatos, por favor, grite que eu dou o crédito!)