quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Ato de Protesto e Solidariedade
terça-feira, 27 de abril de 2010
Limpar as unhas e pôr os cornos ao Diabo
Prometi para mim mesmo no último domingo: vou passar semanas sem falar no meu mano Paulinho Saturnino lá no blog, ando pegando demais no pé dele. Mas aí recebi ontem à tarde um e-mail da nossa mana Rachel – somos, os três, filhos do mesmo vizinho ciscador. Na mensagem, ela falava uma enormidade de três ou quatro palavras lindas sobre uma postagem minha, logo ela que é capaz de passar semanas, meses, anos sem falar nada, nadinha, nem mesmo sobre o Paulinho ou sobre outras coisas irrelevantes. Entrei em êxtase, levitando séculos pelo teto – até aproveitei para atarraxar direito a lâmpada da sala que vinha piscando desde a festa funk que o meu vizinho de cima deu no Ano Novo.
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Quando aterrissei, me sentia leve, de bem comigo, de bem com a vida, de bem até com a morte – desde que não fosse a minha, é claro. Fui até a varanda, vi a tarde cair salpicando lilases sobre a lagoa, e me emocionei, feliz, muito feliz, tanto que gritei para um bando de gaivotas que ia passando: “Alô, amiguinhas, querem ir comigo lá no blog do Paulinho pescar alguma coisa para sacaneá-lo?”.
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Biquinhos de amor,
Fodinhas Quentes,
Punhetas de bacalhau,
Tique-taques no Redondo,
Corninhos de Marcha Lenta,
Vanico de Ronca,
Cu de Galinha Recheado
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e mais umas duas dúzias de iguarias menos convencionais, porém dessas que a gente encontra fácil em qualquer bordel de beira de estrada.
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Fiquei tão contrariado com essa postagem do mano que decidi fazer um texto chumbo grosso sobre ele. Mas não é que, justo nesta hora, o espertinho entra aqui no blog e deixa um comentário altamente envaidecedor no mesmo post que a mana Rachel já havia elogiado?
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Em vista disso, resolvi não falar nada sobre o Paulinho Saturnino hoje – e, em sua homenagem, publicar também uma lista, a qual me foi enviada, coincidentemente, por Rachel, há cerca de 25 anos, no penúltimo e-mail que dela recebi. É uma lista lusitana também, não tão apetitosa quanto a do mano, porém bem mais profunda, ungida pelo espírito cristão que agrega a la grega essa família composta por Rachel, Paulinho, eu e o vizinho – o funkeiro, não o ciscador. Ei-la (clique sobre ela para ampliá-la):
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quarta-feira, 24 de março de 2010
Assédio obriga Paulo Coelho a usar peruca!
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Depois que, involuntariamente, o citamos aqui, o legítimo Paulo Coelho (foto) foi obrigado a cobrir a careca com esta peruca ridícula e a vestir uma camiseta do América mineiro, para tentar sair pelas ruas de Belo Horizonte sem ser notado, driblando o assédio sexual de suas devotas (a maioria) e a fúria unhenta e dentoza das discípulas do Paulo Coelho genérico. Que o venerável bruxo nos perdoe, não era essa a nossa intenção.
. . . .Na última segunda-feira, a coisa passou dos limites, segundo nos informou hoje cedo dona Katinha, a favorita do harém do santo homem: “Depois de sofrer dezenas de ataques de tietes ensandecidas, meu Coeizim chegou em casa todo arranhado, esfarrapado, batonzado e fedendo a uma mistura de perfumes baratos e creolina francesa.” O pior, contou dona Katinha, é que até a cadeira de rodas espacial do mago ficou avariada, e agora anda muito macambúzia – a 200 quilômetros por hora, pelas paredes e tetos da casa.
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. . . .Nos perdoe, repito, grande pajé. E se lhe servir de consolo, informo que também estamos sendo afetados por minha imprudente menção ao nome e à imagem de sua ectoplasmática pessoa. Muitos amigos e leitores do blog têm me acusado de ter inventado a sua existência – inclusive Vossa Bruxolência mesma, em comentário feito aqui no desinformação seletiva.
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. . . .E para os que ainda acreditam que ando meio delirante (a 200 quilômetros por hora, pelas paredes e tetos do blog), a autenticidade da foto que ilustra esta postagem pode ser comprovada no Nirvana Clitoriano (aqui), blog do "Arcaico Bruxo da Grão Mogol", como ele próprio se entitula.
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Atenção, e-leitor: Não esqueça de votar na nossa enquete (canto superior esquerdo desta página) para escolher as próximas postagens do blog. Você pode votar em mais de uma pauta. Se quiser saber mais besteira sobre cada pauta, tecle aqui.
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Salve Paulo Coelho – o legítimo!
Este senhor que aparece aí na foto – a intrometer o cavanhaque baitolo no desenho que fiz para ele, em comemoração aos nossos 40 anos de amizade – é o único Paulo Coelho que vale à pena ser lido. Porque é o legítimo, o que sabe escrever, cravejado que é de genes garimpados nas mais ricas lavras de magia das Geraes, mormente em Codisburgo, pátria adotiva de uma leva de imigrantes de Saturno, seus antepassados maternos, e feudo do bruxo Guimarães Rosa e seus matutos alquimistas.
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Este Paulo, mais do que Paulo, é Coelho de verdade, como todos os torcedores (ele e mais dois) do América, o glorioso decacampeão mineiro que atualmente chuta bola de meia lá pela décima divisão do futebol boliviano – ou vietnamita, guatemalteco... por ali.
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Ontem, dia 14 de março, este xamã de pedigree completou um ano de vida, a terceira ou quarta que encarna – direto, sem tirar de dentro! Por isso, publico aqui um de seus textos, colhido no Rindo de Nervoso, o blog de sua vida imediatamente anterior. Por isso, também e sobretudo, faço aqui, de público, uma confissão que a ele não fiz (a bruxos lá carece que se fale o que sua audição de raios X capta no eco do oco anímico dos mortais?): a obra da foto não foi uma simples homenagem à nossa longa amizade: bem mais do que isso, foi – e continua sendo – a tradução visual de um apelo candente, desesperado, histérico: “Não ouse morrer, mano véio fedaputa!”
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E vamos, sem mais delongas piegas, ao texto do mestre transcendental:
De porta em porta
Paulinho Saturnino Figueiredo
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Aos tantos amigos, alguns
hoje já mortos, que me
carregaram nas escadas dos
bares da vida, e muitas
outras que tais.
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Diz-se que os que habitam esse território ornado por montanhas feridas precisam de razões relevantes, quase nobres, para não ocuparem, com disciplinada constância, um bom lugar no boteco de escolha. Pensando assim, de sopapo, me ocorreram três dessas razões: falta de dinheiro, crise de desamor pelas surpresas da vida, e barreiras arquitetônicas e urbanísticas, que é a razão que ora mais me interessa. Às duas primeiras razões, com as quais quase todos um dia conviveram, dirijo umas palavrinhas.
Lamento a morte covarde do fiado e do pendura, verdadeiras instituições da convivência cordial que expunham, para constrangimento ou gáudio dos assuntos da freguesia leal, nas cadernetas ensebadas ou nos papeizinhos espetados, depoimentos vivos sobre as penúrias ou as falhas de caráter de algum parceiro de copo. Quem os matou foi a banca, com seus tristes e indispensáveis cartõezinhos de plástico – ¿ débito ou crédito, senhor? –, que transferiram tais assuntos para seus cofres e sigilos inescrutáveis. Da razão ligada ao desamor pela vida, não cabe aqui tratar. Paradoxalmente, é assunto bom para mesa de bar, amainadas a mágoa e a dor.
Mas, sei dessas coisas aí mais por ouvir contar, pois os botecos de aqui, em sua grande maioria, hoje são cruéis com os de minha laia. Já não sei em quantos deles tentei aportar e fui expulso pelas impossibilidades ambientais, rabicho entre as pernas. Andando com muletas até à beira dos 50 anos de idade, numa Beagá amena por boa parte desse tempo, apesar dos percalços pude transitar de modo razoável pelos botecos da cidade. Em especial nas décadas de 1960 e 1970, foi na efervescência de suas mesas que desenhei o principal de minha vida, de meus rumos, e o perfil de meus amigos.
Hoje, regredido para cadeirante há já uns 8 ou 10 anos (11 ou 13, atualiza este blogueiro), no que deveria ser o gozo da aposentadoria, só vi as coisas se complicarem. Os amigos pensam em te convocar, mas sabem que naquele boteco, ou naquele outro do torresmo perfeito, cadeira de rodas não chega, e não entra.
Proponho um raciocínio de ordem capitalista, pragmático (sem fricotes humanitários ou cidadãos, posto que isso parece irritar os donos do negócio e as autoridades concernidas): devagarinho, os deficientes vêm ascedendo às classes consumidoras, por outro lado vemos os velhos rejeitando a morte, e, ao esticar a vida, reabastecendo com freqüência as legiões de deficientes. Estamos sendo empurrados para os shoppings centers e derivados, espaços onde não floresceram botecos de qualidade, talvez por alguma incompatibilidade inata entre o beberico e a conversa mansa, de um lado, e as tsunamis de homens e mulheres ensacolados, e crianças urrando seus mais baixos desejos, de outro.
Pensando bem, o acesso adequado a botecos de bom nível merecia ser tratado como uma questão básica de cidadania, direito inalienável. Ainda comemoraremos essa idéia, então vitoriosa, num boteco de boa bebida, bons petiscos e bons acessos.
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Nota (fúnebre porém edificante) de Teophanio Lambroso:
Se mudar de idéia, seu pacóvio pajé cadeirento, e resolver empacotar pra valer, tome aí (de graça, garruchão!) o mais singelo dos 150 itens do meu (já à venda!) Catálogo Lambroso de Epitáfios do Caralho!:
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Salve o Bom Velhinho Safado de Beagá
Luzinhas chinesas na boca
de minh'alma nada natalina

Sobre a postagem Lembranças não são pensamentos, de 23 de dezembro. Aos que curtiram o humor sombrio, lírico e surreal do mano Paulim, de Belo Horizonte, recomendo a leitura da postagem de Natal no seu blog Rindo de nervoso... ainda.
Luzes na boca do beco é outra pérola grafite que esse Papai Noel sem saco tirou sei lá de onde. E uma pérola bem mais brilhante, é claro, claríssimo, porque dedicada a este Tu(tu)ca, devidamente bukowskiado.
Meu melhor presente deste e de centenas de outros Natais.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Lembranças não são pensamentos
Alguém ainda sabe a diferença
entre um avestruz e um colibri?
Meu mano caçula escreve bem como o quê. Mas, despretensioso e pachorrento como sempre foi, raramente investe na ficção. Há tempos meu alçapão para aves silvestres bem nutridas e saborosas estava armado na pequena mas densa mata do quintal de seu blog mineiro (Rindo de nervoso... ainda), na esperança de pegar um macuco, uma jacutinga, um mutum ou mesmo um modesto chororó (divorciado do xitãozinho, naturalmente!)... Hoje, enfim, pude ouvir o pleft! da tampa do alçapão se fechando. E era só uma pequena saíra. Mas de uma espécie surreal, que alguns especialistas consideram extinta há séculos, enquanto outros asseguram que ela sequer existiu! Notem o misterioso fulgor de suas 17 cores em tons claríssimos, quase transparentes... em sintonia com os matizes das lembranças por ela cantadas seguindo o mote:
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Pois lembrar é quase só o que me resta. Era uma noite particularmente triste e lenta, a cabeça tão moída por dores e queixas que o corpo decidiu – já tentara antes! – abandoná-la.
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Levou consigo a mulher amada, isenta de pudores.
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Faz tempo.
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Mas, quando chegam as algaravias dos finais de ano, a lembrança dói. Embora cada vez menos.
Paulim Saturnino Figueiredo Zamagna ¨
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Quem não tem cisne caça com marreco
Tudo sobre o que não aconteceu
numa sexta-feira de céu nublado
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Manhã cinzenta de sexta-feira. Da varanda, tento ver a nesguinha de Lagoa Rodrigo de Freitas que integro à minha paisagem se me debruçar bem no parapeito, a milímetros de me estabacar no playground do prédio, três andares abaixo. Quase sempre consigo, como agora; raras vezes me estabaquei.
A pista de pedestres e ciclistas que circunda a lagoa está deserta, posso ver, espionando por entre as copas da dúzia de altíssimos paus-rei que moram bem em frente ao meu prédio, lá no lado ímpar desta Av. Epitácio Pessoa, habitado somente por árvores, gramados, postes, lixeiras públicas, quiosques às moscas ou falidos, cisnes-pedalinho e cocôs de cachorro.
Os pedalinhos estão estacionados lado a lado à beira d'água, de frente para cá e, portanto, de costas para a lagoa. Pensei em pegar minha câmera digital e registrar esse momento singular: os cisnes cabisbaixos, sem crianças pedalando suas vísceras para fazê-los nadar, todos de bunda para aquele monstrengo natalino muquirana que chamam de árvore, a essa hora meio árvore mesmo, descomunal pinheiro seco fincado na água.
Perdi a foto, porque o sol resolveu dar as caras e estragar tudo, alegrando de maneira revoltante a paisagem. Mas já estava perdida de todo jeito, porque câmera digital é um dos 21 bens de primeiríssima necessidade que ainda não comprei, nem ganhei – olha aí, gente que ainda me atura, meu aniversário e o Natal já estão na porta tentando tocar minha campanhia muda!
Para não postar a seco (tão seco como o monstrego apagado) esse texto típico de quem está sem assunto, surrupiei a foto abaixo do fotolog do meu amigo Paulim Saturnino, de Beagá.
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Simpáticos esses marrecos, não? Tão tranqüilos, tão fraternais, assim abraçadinhos à beira da Lagoa da Pampulha. Ou não será a Pampulha? Provavelmente não, pois lembra uma pia. E a Pampulha, dizem amigos de lá, já anda que nem a Rodrigo de Freitas, mais para vaso sanitário que para pia.
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terça-feira, 24 de novembro de 2009
Portadores de necessidades sexuais
pode causar câncer na musa?
Estava procurando certa carta do meu irmão Paulim Muleta, da época em que ele se internou na Universidade de Louvein para fazer o mestrado em Comunicação Social ou enlouquecer de melancolia naquela cidade que, quando tem uma meia-horinha de sol, o pessoal passa semanas e mais semanas de céu fechado enchendo a cara para celebrar o grande dia que fez sol. Não achei a tal carta, mas achei outras dele, todas enormes, quatro folhas pelo menos, datilografadas dos dois lados numa letrinha desgraçada, de máquina que deve ter sido feita para redigir bula de remédio. Comecei a reler uma história sobre o baita a perigo dele, então há meses batalhando para descolar uma mulher disposta a dar para um brasileiro durango, gordo, barbudo e paraplégico – digo, deficiente físico – digo, portador de necessidades especiais – digo... alguém sabe a última asneira politicamente correta que inventaram para dificultar ainda mais a compreensão do que seja um aleijado?
Bem, me lembro que no final Paulim acabou arranjando uma tranqueira alemã que o comeu cru, com casca e tudo – a roupa e as armações de ferro que sustentavam suas pernas no caminhar de muletas. Não me lembro se a fräulein voraz livrou a cara das muletas, nem cheguei a tirar essa dúvida, porque, de repente, do meio das folhas da carta, saltou um poeminha escrito num tasco de embalagem de roliúde (alguém sabe se alguma nova lei anti-fumo proíbe que se toque nesses nomes cancerígenos via net? ou se o Dráusio Varela já disse na grobo que poema escrito em papel de cigarro causa câncer de mama na musa?)
Me lembro da noite em que eu o escrevi. Estava no Lamas, mandando ver no chope com genebra, como vinha fazendo há semanas, para comemorar um dia de meia-horinha de sol dentro de mim. Eis o poema, que espero não tenha lambuzado de câncer a musa da ocasião:
Eu sabia que não devia olhar de novo
Mas a mulher tinha um olhar desses que reduzem a pó qualquer senso de dever,
Olhares que pousam na gente com ternura e de repente se fecham como alçapões
Abocanhando nossos olhos, lábios, língua, coração, sexo, conta bancária...
Nem pensar, nem pensar!
Não pensei, e a encarei.
Seus lindos olhos refletiam uma alegria tão intensa
Que, no ato, fiquei cego de paixão.
E a amei loucamente por vários chopes,
Até perceber que ela apenas flertava
muito fiel – mas quem o é?
Essa figura de ar apalermado e afrescalhado que desenhei não tem muito a ver com o Paulim. Ele é bem pior que isso. A touceira à esquerda, que parece maconha, é maconha. Mas é da vizinha dele em BH, uma prussiana hoje octagenária que veio da Bélgica na cola do mineirrinho charmosa e vive em concubinato com as muletas do mano há mais de dez anos, desde que ele se tornou cadeirante. (Ô palavrinha mais adequada, sô. Deve elevar bastante a auto-estima do usuário de cadeira de rodas, afinal rima com escada rolante. E com tratante, ignorante, elefante, traficante...)