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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ninguém é de ferro

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Quem com ferro ferra, com ferro será ferrado.

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.............. .Caça à raposa

.............. .............. ... ....... ..... (João Bosco e Aldir Blanc)

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.............. .O olhar dos cães, a mão nas rédeas

.............. .E o verde da floresta

.............. .Dentes brancos, cães

.............. .A trompa ao longe, o riso

.............. .Os cães, a mão na testa:

.............. .O olhar procura, antecipa

.............. .A dor no coração vermelho

.............. .Senhoritas, seus anéis, corcéis

.............. .E a dor no coração vermelho

.............. .O rebenque estala, um leque aponta: foi por lá.

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.............. .Um olhar de cão, as mãos são pernas

.............. .E o verde da floresta

.............. .Oh, manhã entre manhãs

.............. .A trompa em cima, os cães

.............. .Nenhuma fresta

.............. .O olhar se fecha, uma lembrança

.............. .Afaga o coração vermelho:

.............. .Uma cabeleira sobre o feno

.............. .Afoga o coração vermelho

.............. .Montarias freiam, dentes brancos: terminou

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.............. .Línguas rubras dos amantes

.............. .Sonhos sempre incandescentes

.............. .Recomeçam desde instantes

.............. .Que os julgamos mais ausentes

.............. .Ah, recomeçar, recomeçar

.............. .Como canções e epidemias

.............. .Ah, recomeçar como as colheitas

.............. .Como a lua e a covardia

.............. .Ah, recomeçar como a paixão e o fogo

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Eus, em nome da vida que resta

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Oremos pelos seres repulsivos criados

por Deus à sua imagem e semelhança

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Que sejamos eus um homem simples e bom. Que gostemos eus das folhas verdes nas quais não pisaremos nem mesmo quando, já amarelecidas pelo sol a cada verão mais causticante, quedarem-se todas ao chão de uma vez para sempre. Que sigamos eus em procissão sem rumo com os besouros lacraias minhocas baratas pulgas sanguessugas percevejos lesmas escorpiões... eles e eus que somos tementes ao deus que nos criou à sua imagem e semelhança. E logo, posto que não haverá de tardar para que as condições propícias à vida humana se esgotem neste planeta cujo nome se perderá junto com a memória do derradeiro homem – eus –, haveremos de nos elevar em oferenda ao pasto das espécies por ventura ou desventura escolhidas pela natureza para perdurarem, ainda que por brevíssimo tempo, tão-somente graças à nossa alma humana divinizada e à carne divina humanizada que elas devorarão em êxtase dionisíaco. Em nome da vida, pela eternidade da morte. Amém.

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Ilustra esta postagem o quadro Methusalem, do genial George Grosz (1893-1959).

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