domingo, 1 de fevereiro de 2015
Gabriel Caraminholador
sábado, 28 de janeiro de 2012
Um navio no canavial
E agora eu estava ali, trabalhando no bar, mas doido para sair correndo, me esconder num canto e chorar com meus botões. Era pouco mais de meia-noite, dois ou três bebuns no balcão e as mesas vazias, os empregados me pressionando para irmos embora e eu querendo manter o horário mínimo que estabelecera para fechar, que era duas da manhã. Sustentava meus escombros apoiando os cotovelos na caixa registradora quando, de repente, pude distinguir lá fora, atravessando a rua escura e deserta em direção ao bar, um ser todo de preto, das botas de cano curto ao chapéu de abas largas. Era a salvação, pensei, porque se não fosse o Hopalong Cassidy ou O Paladino do Oeste, heróis do meu faroeste infantil, só podia ser o Paulo Emílio. E era ele mesmo, o herói do meu faroeste adulto. Entrou, seríssimo, com aqueles olhos penetrantes e perscrutadores cravados nos meus. Não falou comigo, mas com o copeiro: “Duas cervejas, dois copos e dois traçados de conhaque com cinzano. Ah, e diz pro seu chefe que mandei ele fechar logo essa espelunca e ir lá pra minha mesa.” Em menos de um minuto despachei os empregados, baixei a porta corrediça e fui pra mesa dele: a última, uma das seis que ficavam numa área a céu aberto, sob uma amendoeira centenária ou quase. Paulo Emílio gostava dessa mesa por ser a mais discreta e por ficar bem junto ao rio Maracanã, que ladeava o bar em todo o seu comprimento. “É a mais confortável. A gente não precisa correr ao banheiro para vomitar.” Bebemos as duas cervejas, os traçados e depois mais quatro ou cinco cervejas, sem que eu desse um pio sobre o que me afligia. Ele não me deu chance: falou besteira atrás de besteira e quando viu que eu já estava bem melhor, mas muito bêbado (aqueles porres quase instantâneos de quem está mal), falou: “Vamos para casa”. O que significava irmos pra minha casa, porque isso – uma casa pra chamar de sua – ele já não tinha havia alguns anos.
Acordei com o apartamento inundado de cheiro de ensopado de carne com batata baroa (a mandioquinha dos paulistas), um dos pratos que o Paulo Emílio mais gostava de fazer e, sobretudo, o que eu mais gostava de comer. Isso me fez levantar com uma disposição bem rara naquele período. Já me imaginava à mesa devorando o ensopado e falando, com serenidade, tudo que eu não falara de madrugada. Qual o quê! Não falei uma vírgula sequer sobre o assunto com ele. Nem durante o almoço nem jamais. Porque toda a angústia que eu vinha sentindo me pareceu tolice, coisa miúda, ao chegar na sala e me deparar com a mesa que meu amigo acabara de pôr. Toalha branca de linho com guardanapos combinando, panela de barro com o ensopado, travessa de arroz com seis ou sete ovos fritos por cima (iguaria especialíssima para nós dois), garrafa de vinho tinto poruguês e, no centro da mesa, imponente feito uma jarra de cristal da Boêmia, o copo do liquidificador exultando de rosas brancas.
NATUREZA VIVA – João Bosco e Paulo Emílio
domingo, 25 de setembro de 2011
Dicas para as provas do Enem
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1 – Por que há mais mulheres do que homens no mundo?
R.: Porque os homens engravidam menos.
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2 – Onde fica o hipotálamo?
R.: Na água, como todo mamífero aquático.
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3 –. Para os pintos saírem dos ovos, o que faz a galinha?
R.: Chupa eles.
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4 – Qual é o polígono com menor número de lados?
R.: O círculo.
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5 – Por que o coração é associado ao amor?
R.: Porque, se ele pára, a gente broxa.
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6 - Como morreu o Bispo Sardinha?
R.: Enlatado
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7 – Por que Vênus é chamada de estrela?
R.: Porque ficou rica e famosa fabricando camisinha.
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8 – Para que servem as amígdalas?
R.: Pra agarrar pentelho.
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9 – Que animais dependem das guelras para viver?
R.: Os militares.
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10 – O que é piroga?
R.: O marido da jojota.
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segunda-feira, 4 de abril de 2011
Poemas com bula, já!

A Assis Freitas, António Cabrita,
Marcantonio e tantos outros poetas
que têm a mania de escrever
versos desconhecidos.
. . . . . . . . . . . . . . . . ..Há muito tempo pastava eu aqui à espera
. . . . . . . . . . . . . . . . ..de uma hora para a gente conversar
. . . . . . . . . . . . . . . . ..sobre um tema de grande relevância:
. . . . . . . . . . . . . . . . ..a mania que certos poetas têm
. . . . . . . . . . . . . . . . ..de só escrever versos desconhecidos,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..a fim de causar desentendimento
. . . . . . . . . . . . . . . . ..às pessoas mal analfabetizadas.
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. . . . . . . . . . . . . . . . ..Além disso, essa turma toda emprega
. . . . . . . . . . . . . . . . ..um monte de palavras que ninguém
. . . . . . . . . . . . . . . . ..sabe – só pra complicar ou falar
. . . . . . . . . . . . . . . . ..de coisas que não precisam ser ditas,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..pois não fazem a gente se sentir
. . . . . . . . . . . . . . . . ..um passarinho com o coração
. . . . . . . . . . . . . . . . ..cheio de alpiste, uma flor com os óculos
. . . . . . . . . . . . . . . . ..a cintilar de ferroadas de abelhas,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..ou uma multidão de estrelas no céu
. . . . . . . . . . . . . . . . ..se amando ardentemente – sem ky,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..mas com camisinha à prova de bala.
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. . . . . . . . . . . . . . . . ..Ora, se querem versejar assim,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..tudo esquisito e desumano, lasquem,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..depois do fim, ao menos uma bula,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..feito a que a gente só lembra de ler
. . . . . . . . . . . . . . . . ..quando já atura o toró do purgante
. . . . . . . . . . . . . . . . ..que tomou... contra uma dor de cabeça!
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. . . . . . . . . . . . . . . . ..No mais, bem diz, salvo engano, Bilac:
. . . . . . . . . . . . . . . . .. “Mesmo vocábulos de uso comum –
. . . . . . . . . . . . . . . . ..tal como fildras, neiroga, berdúnsculo,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..vungarinvongal e estralhimblogênico –
. . . . . . . . . . . . . . . . ..só devem ser aplicados em versos
. . . . . . . . . . . . . . . . ..se a lira mais romântica o exigir,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..e com toda possível sutileza,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..de modo a que no leitor se inoculem
. . . . . . . . . . . . . . . . ..não por injeção ou xarope amargo,
. . . . . . . . . . . . . . . . ..mas por meio de spray ou supositório.”
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Teopha . . . . . . . .
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Faça Você Mesmo - II
. . . . . . . . . . . . . . Prof. Edson Rocha Braga
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Dito chistoso
Pegue um dito comum, condensado e de peso reduzido. Ou seja: pegue leve.
Examine o dito cujo cuidadosamente por todos os lados, de modo a assegurar-se de que esteja completamente destituído de sujeiras ou duplo sentido.
Acrescente ao propriamente dito um adjetivo sonoro, porém incolor, inodoro e de transparência leitosa. Apare bem as pontas, com uma lixa de unha.
E voalá! Está pronto o seu Dito Chistoso. Moderno, limpo, inédito e personalíssimo.
Usado apropriadamente, irá render-lhe saúde, prosperidade, poder, fama e total satisfação sexual, embora sempre com o risco de um ou outro incômodo cachação no pé-do-ouvido. Enfim, nada é perfeito.
Importante: para nunca ter que dar o seu dito por não dito, use-o somente após lavar a boca com sabão de coco e bombril. E dedique-o à sua querida mamã, com um beijo no coração.
Esta postagem é patrocinada pelo CONCUCOPERBRARB – Conselho dos Cupinchas de Copo do Prof. Edson Rocha Braga no Rio-Brasília. O bar, o conselho, o professor e os copos (sempre cheios de cerveja geladíssima) ficam na Av. Nossa Senhora de Copacabana, em frente à Rua Inhagá, em Copacabana.
(Este patrocínio garante aos quatro diretores do desinformação seletiva a bagatela anual de 2 (duas) cervejas, per capita, no pendura!)
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Faça você mesmo
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Prof. Edson Rocha Braga
Bomba doméstica
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Primeira fase:
Pegue um cano de plástico (pode ser Tigre ou Amanco) com três metros de comprimento. Serre as duas extremidades, de forma a deixar um cotoco do tamanho de uma banana de dinamite comum (dessas de pedreiras) ou de três bananas caturras, de vez, enfileiradas.
Deite as sobras no lixo reciclável e reserve o cotoco.
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Segunda fase:
Serre duas placas de polimetil-metacrilato (acrílico) nas dimensões: 48cm x 33com. Ou 29cm x 18cm (é mais barato). Espessura, a gosto.
No meio de cada uma das placas, trace um círculo com o mesmo diâmetro do cano de plástico e serre, de modo a obter duas rodelas. Separe as duas rodelas. Deite as sobras no lixo reciclável.
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Terceira fase:
Cole uma das rodelas (com Super-Bonder ou genérica --- a Pritt não serve) em uma das extremidades do cotoco.
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Quarta fase:
Encha o cotoco com a seguinte mistura: 2kg de chumbo em grãos, 1kg de enxofre em pó, 4 colheres (de sopa) de cloreto de sódio (NaCl), ou sal de cozinha (tem sempre em casa), e meia xícara (de chá) de pó de âmbar de baleia.
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Quinta fase:
Tampe o cotoco recheado com a segunda rodela e enfie-o debaixo do travesseiro.
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Sexta fase:
Coloque na mesa de cabeceira um rádio-despertador com controle remoto.
E está pronta a sua Bomba Eletrônica Plástica Doméstica. Barata, prática e absolutamente segura, pois nunca explode.
Dá um excelente porrete contra ladrão. Ou então...
Deixa pra lá.
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Imagem:
A bomba aparece em postagens culinárias de diversos blogs e sites, nenhum deles do Irã nem da Coréia do Norte.
O pavio, em: www.coxacreme.com.br
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