Mostrando postagens com marcador Anga Mazle. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anga Mazle. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Pela rua dourada



Anga Mazle   .    .    .  

Venho voltando da casa de minha madrinha que acaba de falecer.
Voltando da casa de minha madrinha pela rua dourada de casas antigas,
trajeto que sempre  fiz esses anos todos, mesmo depois que, aos 12 anos,
deixei de morar com ela.
Da casa de minha madrinha só me resta um tesouro: os olhos daquele garoto
que morava numa das casas douradas desta rua. De minha madrinha, agora
só me lembro da doçura com que me disse “é um bom menino, estudioso,
de família honesta e trabalhadora, mas ainda é muito cedo para vocês, não é
não, querida?” Cedo era, mas nem por isso apagou-se a lembrança do coração
disparando todas as incontáveis vezes em que, indo ou vindo por esta rua,
meus olhos tropeçaram nos dele, fixos em mim, iluminando-lhe o rosto
emoldurado pela  janela de sua casa dourada. É tarde para lembrar, mas não
esqueço nem a tola cumplicidade da nossa timidez, seus olhos a escorrerem
juntos com os meus até o chão da rua, bem ali adiante, onde ainda está a casa
dourada em que ele morava. Ao passar em frente a ela, sou fisgada pelos 
mesmos olhos que me seguiram esses anos todos. O meu coração dispara 
enquanto, pela primeira vez, nossos olhos se mantêm interligados, sem 
escorrerem até o chão da rua. Mas os dele não me reconhecem, e os meus 
também não reconhecem o dono deles. Pouco importa. Venho voltando da 
casa de minha madrinha pela rua dourada de casas antigas, tão dourada 
como no tempo em que a vida morava aqui.
.
          Fonte da imagem: daijoji.blogspot.com

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Sentido

.
 

. . ..  . . . . O que podes querer da vida,.
. . . . .. . . . se nela, poeta, tentas plantar
. . . . . . . . o que dela mesma colheste? .
 . . . . . . . Que rumo há de ter sentido .
 .   . . . . . . se não expressares somente .
  . .  .  .  .  .  . palavras que te constituem?. . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Anga Mazle

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Amor em gotas

. . . . .REPUBLICANDO...

.



Anga Mazle . . .. .
 
Uma união estável. Ele: “Não chega a ser uma prisão.” Ela: “No máximo, um zoo.”
Dos nossos pontos em comum, relevantes eram só os das cicatrizes.
– Ela só sabe gritar comigo, dizem os vizinhos. Quanto a mim, bendita surdez.
– Ele só quer o que eu nunca tive ou o que já me levou.
Não transavam nem dormiam sem antes apagar todas as estrelas. Para isso, não poupavam baixezas.


Era o casal e seus fantasmas. No começo. Depois, eram só os fantasmas.
Dava para levarem bem o casamento. Ele era um saco. Ela, uma mala.
Tinha tanto homem na festa que ele, até lhe liberarem sua esposa, deu para uns dez.
Ele a comia como a uma uva. Hoje, passa.
A cada sapo que ela engole, ele vira um príncipe.



Ótimos de cama. Transam todas as noites em sonho.
Um homem tão dedicado que até pulga pro cão da esposa passava.
Uma mulher tão fiel que nunca traiu seus amantes com o marido.
A surra, ela perdoaria. O beijo depois, jamais.
Era um amor tão infantil que, no 69, um chupava o dedão do pé do outro.


. . . . . ... . . ... .Imagem 1: http://thehottestshit.blogspot.com/
. . . . . ... . . ..Imagem 3: www.robertoferri.net/gallery

.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Abaixo as cores inimigas!

.

Anga Mazle e Teopha

O fanatismo de muitos torcedores de futebol produz , freqüentemente, pérolas de boçalidade. É o caso de uma parte da torcida do Botafogo (nosso time!), que vem protestando contra a pintura das cadeiras do estádio alvinegro – o Engenhão – com as cores vermelha e branca de um patrocinador. Na visão (?) desses torcedores, o vermelho lembra um grande rival (ou a metade dele, se não nos falha a aritmética), o rubro-negro Flamengo, e por isso cobram da diretoria botafoguense que mude as cores, pouco importando os prejuízos decorrentes dessa mudança..

A situação não é nova, já aconteceu com outros clubes, e certamente vai continuar acontecendo. Afinal, ser boçal é lindo, né não?.

Fiéis à nossa missão de bem desinformar seletivamente, apresentamos algumas sugestões para incrementar essa onda colorida de boçalidade:

1. . . . Extintores personalizados – para botafoguenses, corintianos e demais alvinegros que não suportam o vermelho – do Flamengo, do São Paulo etc.



.

2. . . . Campo com grama cor de rosa – para são-paulinos, cruzeirenses, fluminenses e demais torcedores que têm chilique quando vêem o verde do Palmeiras, do América mineiro etc.



.

3. . . . Máscaras vermelhas – para jogadores e torcedores brancos do Flamengo, Atlético paranaense, Vitória e outros clubes rubro-negros que odeiam a mistura de brancos e pretos, que lembra os times alvinegros.



.

4. . . . Sangue azul – para os gremistas e demais torcedores alérgicos à cor vermelha.


.

5. . . . Céu nublado – para torcedores que abominam o Cruzeiro e outros times azuis (como é o caso do poeta Marcantonio Costa, que apresentou esta sugestão, ainda ressacado da trauletada que o celeste Avaí aplicou no seu Flamengo lá na Ressacada!)

.

domingo, 5 de junho de 2011

A Beleza, enfim!

.


Anga Mazle . .

procurava a Beleza

nas ruas

nas lojas

no horizonte

na noite interminável

.

procurava a beleza

colorida

luminosa

extasiante

infinita de felicidades

.

encontrou-a por acaso

murcha

desbotada

triste porém plena

na ária que um livro assobiava

.

o . . . . o . . . . o

.

Imagem: cena do filme Morte em Veneza, de Luchino Visconti, baseado na novela homônima de Thomas Mann e que tem como música tema o Adagietto da 5ª Sinfonia de Gustav Mahler.

.