sexta-feira, 8 de abril de 2011

Do Diário das Traças

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Tive um amigo anão.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Ele cresceu, eu não.

@ . . . . . . @ . . . . . . @.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .O garfo

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .com que grafo

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .em persa

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . tua pressa. (*)

@ . . . . . . @ . . . . . . @.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Dispensar, nem pensar!

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Despensar, sim, porque,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .penso, é desimpensável.

@ . . . . . . @ . . . . . . @.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .– Lembra do Ari da escola?
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .– Lembro, é claro. Morreu?
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .– Sei lá. Não lembro dele, não.

@ . . . . . . @ . . . . . . @.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Pediu-me algum trocado.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Dei-lhe uma nota de cem.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Depois, bati-lhe a carteira.

@ . . . . . . @ . . . . . . @.

O relógio marcava dez e dezessete, e nada dela chegar. Esperei que esperei que esperei. Cansei, decidi ir embora. Mas vou esperar mais um pouco: o relógio marca dez e dezessete.

@ . . . . . . @ . . . . . . @.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Meu coração, des' que te viu,
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sorri, pisca o olho, faz fiu-fiu...
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .E tu, criatura, nem o notas.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Agora, vai dar cambalhotas.

@ . . . . . . @ . . . . . . @.

(*) Garfado, em meda, da gaveta do Wilden Barreiro.

.

21 comentários:

Domingos Barroso disse...

eu vi algumas traças sorrindo
de soslaio
...

hehehehehe

Massa!

Cris de Souza disse...

“ Meu coração, des' que te viu,
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sorri, pisca o olho, faz fiu-fiu...
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . E tu, criatura, nem o notas.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Agora, vai dar cambalhotas. “

oba, o circo tá armado!

beijo, figurassa.

(noto toda a sua graça)

Sam. disse...

Era meia noite, o Sol brilhava no horizonte, um careca cabeludo, sentado em pé, calado dizia: prefiro morrer do que perder a vida...

Tuca, nesse momento invoco as sandálias da humildade, e me obrigo a tolice de dizer que não entendi patavinas desse post... ;)

Um beijo, queridão!

Assis Freitas disse...

aqui na bahia Nildão, cartunista, escreveu um livro porreta chamado Me segura que vou dar um traço, Leminski acho que disse O que vier eu traço, e nada tem a ver com a traça que rói, será: eu também não cresci não,

a
braço

Ana Claudia disse...

Tuca, vim dizer de novo que gosto dos teus breves.
Um beijo, Ana Claudia

Maria Janice disse...

ahNão!a_não ser que ele tenha crescido pros lados, tu não.

Uma vez pensado, se despensa? Não. Logo, despensar, não!

Ari? Se fosse o Mário seria mais fácil a lembrança. Aquele, sabe, que passam os anos e não sai do armário.

Punguista honoris causa, com direito à sela especial.

Bah!Duviiuudo, guriãã! Tu aaachas meeeesmo que um coraçãããão, assim triiii-especiaaal, passaria desapercedido meeesmo? Bah, tchê, impossível!
[bem que tentei forçar meu portoalegrês, vê se lê direito aí]

PS: Tuca, tu também andas devagar, venho aqui e nada de te achar... não vem reclamar, pópará. E outra coisa, referência feminista... Só se for pelos bons olhos do teu lado Jean-Paul. Ass. Simone, psicografa.

Saudade de ti guri, beijo grande!

Renata (impermeável a) disse...

estes esquecidos no fundo da gaveta, são sempre assim, ternos e despretensiosos!

Jorge Manuel Brasil Mesquita disse...

Belas traças. Espantoso como elas sabem da poda, da escrita, é claro.

Márcia Luz disse...

O meu relógio anda parado. Não sei se de esperar ou se desesperar. Mas, de vez em quando, dou uma sacudida pras traças não se instalarem em definitivo.

Izabel Lisboa disse...

serial killer

a traça comeu
o Pessoa
o Machado
o Rosa
o Bandeira
a Lispector
e após comer o Aurélio
morreu
deve ter ido para o inferno
a maldita
e eu
comprei de novo
o Pessoa
o Machado
o Rosa
o Bandeira
a Lispector
o Aurélio
e naftalinas

Izabel

Through The Lens disse...

Lovely blog! :D
all the best from Denmark :)

www.mycameraslens.blogspot.com

cirandeira disse...

Já tá tudo traçado, re-traçado,
tratado e RE-tratado, dominado, e
apoiado nos considerandos:
tu é "mermo" demaisAÕ, não, Tuca?
Lembrei-me a mulher que bateu no filho da vizinha pq ele a chamou de gorda:
"- e você acha que vai emagrecer
batendo no meu filho?"

beijão

Rita Santana disse...

As traças devoraram meus livros. Grandes leitoras! Gosto mesmo do seu humor! Às vezes parece coisa de criança como essa pidadinha do você lembra, eu também não. Outras vezes vem essa coisa lírica da pressa para a chegada do amor: tão curto o tempo, tão grande o desespero! E esse fragmento das cambalhotas: que delícia! A fotografia me remete diretamnte aos livros comidos. E ela é interessante com esse fundo datilografado (remetendo a lembranças ma minha Remington amarela). Sei que o que completaria o texto foi devorado por ela. Fazer o quê???? Inteligente leveza! Grata! Beijos!

Ana Claudia disse...

Olá, Tuca, já acordado? Espero que tenha hoje um bom domingo e que meu espaço tenha podido distraí-lo um pouco da insônia.

1)Quanto a oito/oitenta, fez o teste com os ventiladores (?), pode ser que melhore ;-)
2)Eu presto atenção a algumas coisas pouco importantes, como a cor das frinchas de falésias, como os tapetes de folhas secas do outono. Há entretanto, outras coisas essenciais às quais não dou a mínima atenção. Escapam.
3)Depois de S.T., escuto um bonde até hoje em Humaitá, na Tijuca ou em Oswaldo Cruz...
4)Gosto de abobrinhas!
5)Minhas onze horas estão com um parasita e vacilo entre sacrificá-las ou deixá-las ir lentamente. A vida...

Abraço,
Ana Claudia

Zaratustra disse...

Muito bom!

♪ Sil disse...

Tuca,

Nem me fale em traças, que eu estou jogada a elas faz um tempão hehehehe!

Mas ó: To achando que vou ter que pegar a bula vezenquando pra te ler!

Um beijoooo, queridão do meu coração.
(Té rimou)

Americo Gentil disse...

Gosto dessa salada. Microcontos, diálogos ligeiros, aforismos, fragmentos de poemas... tudo bem temperado por sua ironia sempre picante.

Um abraço

Frederica disse...

Era magra ou gorda, obesa ou esquelética a carteira do mendigo?

Também cresco menos que os anões...

Bjs

Clara Belisario disse...

Ô Sil, as bulas já eram, é lógico.
Elas são o prato de entrada das traças.
Eu tenho aqui em casa umas que dormem há meses. Comeram uma bula inteira de Dormonid!!!

Antonio Alves disse...

Tô aqui travado, Tuca, impensando uns despensamentos desindispensáveis...

Vanessa disse...

Tuca, não sei como vcs me encontraram mas, agradeço. Não conhecia este blog de alto conteúdo desinformante. Adorei.

abraço!