terça-feira, 13 de julho de 2010

Mar à beira-pia

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. . . . . . . .. . . . ... . . . . .. . Descoberta fiada

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . Anga Mazle

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Não sei se você se lembra

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Nem tenho mais como lhe perguntar,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Mas foi ali, naquela conversa

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Fiada à pia da cozinha de

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Nossa amiga, enquanto eu picava

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Alho para temperar o frango

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . À passarinho,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Que fiamos, com nossas mãos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sob a água da torneira,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A fonte do mar

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Infinito da vida que,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dali, juntos, desfiamos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Anos a fio.


. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Inefável trama de intensa

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sensualidade,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Você a tecer em sentimentos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Que não se deve usar sabão

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Para tirar da pele o cheiro

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Do alho;

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Nosso mútuo dedilhar de dedos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Na água, no ritmo, na profundidade,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Nua e crua,

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Da descoberta.

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Fonte da imagem: http://art-niyt-iyidir.blogspot.com . . . . . . . .

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38 comentários:

Tuca Zamagna disse...

Ô Anga, sua romântica incorrigível! Quantas vezes já não lhe falei que postagens como esta não podem ser marcadas na categoria "Ruídos incidentais de sexo"? Querer que alguém veja sexo nesta ladainha lírica é exigir demais da imaginação dos leitores. Se pelo menos você informasse que a torneira estava erecta...

Helcio Maia disse...

A cumplicidade, o tempero, água rolando, sensualizando, descobrindo intenções e outras ações.
Abraço fiado!

AC disse...

Postagem desanuviada, com leve sabor a frango à passarinho.
:)
Abraço

Malena disse...

Tecendo um fio de intimidade debaixo dos fios de água!
Muito bonito! :))
Bjs

A minha essência disse...

Quando se sente com a alma, tem outro sentido!

Bem-vinda ao Roupa Prática! ;)

Aloisio Trobinski disse...

Adorei, Anga! Manda o Tuca plantar batatas... das pernas magrelas que anda arranjando por aí!

reltih disse...

muy disiente tu escrito. me gusta.
un abrazo

Leo Mandoki, Jr. disse...

na verdade...ando melhor de bicicleta do que escrevo. E pelo que vi, tu tens uma bicicleta antiga bem interessante. Seria um prazer andar nessa tua bicicleta antiga.
bjs

Anga Mazle disse...

Não se meta nos meus textos, Tuca. MEUS LEITORES me entendem! E quanto à torneira, se você a quer imaginar erecta, que assim seja - e faça bom uso dela!

É isso mesmo, Helcio. Beijos (a)fiados!

Obrigada, AC. Abraço

A vida está sempre por fio, Malena, para quem se arrisca a tecê-la a dois e multiplicá-los. Bjs

Anga Mazle disse...

Obrigada, Essência. Você será sempre muito bem-vinda aqui também.

Acho que ele está preferindo plantar torneiras, Aloisio. Onde, eu não sei...

Obrigada, Reltih. Um abraço

Modéstia sua, Leo. Suas narrativas de viagem são interessantíssimas. A bicicleta, na verdade é uma moto do final do século XIX, e quem entende desse assunto é o Teophanio, que fez aquela postagem. Ou você está se referindo à bela bicicleta dourada da Marilyn, de uma postagem mais recente, também do Teopha? Bjs

Vera, a Loira disse...

Muito bonito e profundo.

Tita Nasc disse...

O poema é muito bonito, Anga, mas eu entendo o Tuca. Ele tá querendo é viajar naqueles textos mais explicitamente eróticos que às vezes você posta.
Bjs

Raposa disse...

Um pequeno relato de uma intimidade soft, que por vezes nos passa despercebida no dia a dia.
Bjs
Raposa

María Beatriz disse...

Hermoso poema!
Te felicito

Saludos

Paula Laranjeira disse...

Usar o cotidiano é algo q gosto muito. E no caso da cozinha, me lembrei de Cora Coralina, q estrai dos seus afazeres a poesia. Claro, q há algo escondido nas palavras, uma outra possibilidade de intenção...

Abraços

Renata (impermeável a) disse...

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não.
A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Adelia prado.

Sua poesia me fez lembrar desta.
vou voltar sempre.

Por que você faz poema? disse...

De conversas gratuitas
nasce poesia.

Michiamomari, e disse...

? tudo bem..?
não gostou de minha pergunta?

São disse...

Poema leve, mas que me agradou muito.

Boa noite.

Angela Dal Pos - Morena de Pintas disse...

Oi Anga, adorei a visita ao Morena de Pintas e principalmente o comentário e as dicas. Vou correndo baixar Bodas de Sangue. E parabéns pelo blog, gostei muito e voltarei sempre.

lidia disse...

amiga paso a saludarte y deserte que lo pases bien,gracias por escribirpoemas!!!!!!
un abrazo
lidia-la escriba

lidia disse...

gracias por acercarte a mi blog!
te deseo buena semana, y comparto lo que decis!
un abrazo
gracias
lidia-la escriba

Denise Albuquerque disse...

Lindissimo, Anga! Você devia dá um chega pra lá no resto da galera aí e postar mais, né?

lidia disse...

hola y gracias,por tener en cuenta,es importante saber,de donde sale y de quien es la info...por aca está a la orden del día...
gracias que tengas un buen finde
un abrazo
lidia-la escriba

Micheline matos disse...

Adorei seu blog virei sempre por aqui!

Márcia Luz disse...

Ah! A sensualidade! Quanto ela precisa de poesia! Sexo não precisa ser explícito: fiar e desfiar já diz tanto da tecitura de dois corpos em inefável trama...

Maravilhoso!

E obrigada pela dica do blog do Paulinho. Gostei muito!

Um beijo.

Anga Mazle disse...

Obrigada, Vera. Vou dar uma passada no "Também quero meu blog" assim que conseguir escapar da avalanche de tarefas que me soterrou nesses últimos dias.

Tá nada, Tita. O Tuca gosta é de me atazanar! Bjs

Gostei da definição, Raposa. Bjs

Obrigada, Maria Baatriz. Salutos

Anga Mazle disse...

Que comparação honrosa pra mim, Paulo. De fazer corar... Abraços

Caramba, Renata, você e a Paula querem me matar de emoção com essas comparações. Cora é um delícia de poeta, e Adélia, a maior de todas!

Certamente, caro "Por que você não faz poemas?". Assim como de conversas pagas nasce a corrupção!

Gostei sim, Mari. E já deixei dois comentários sobre ela no seu blog.

Obrigada, São. Boa noite pra você também.

Anga Mazle disse...

Legal, Angela. E se gostar de "Bodas de Sangue", corra depois atrás de "Carmen" e "Amor Bruxo", os outros dois filmes que compõem a trilogia do Saura. Antonio Gades, Cristina Hoyos também estão entre os bailarinos protagonistas. Esqueci de falar: vi um vídeo de 2008 sobre a Cristina. Ela está bem gorda e idosa para dançar o flamenco pra valer, mas conserva a elegância nos gestos e a expressividade facial.

Eu é que agradeço, Lidia, por suas palavras de incentivo.

Obrigada, Denise. Com gente como você me apoiando, já já vou rodar a baiana aqui e assumir o comando das postagens. Bjs

Anga Mazle disse...

Boa semana, Lidia.

Obrigada, Micheline. Venha mesmo. Amanhã devo aparecer no seu.

Eu diria, Márcia, que uma não existe sem a outra. E falando nisso, cuidado com o Paulinho! Aquilo é um perigo, seduz a todas - e a todos, inclusive aos seres inanimados! Beijo

Zélia Guardiano disse...

Anga
Foi muito bom encontrá-la no rol de seguidores. Muito bom!
Vim correndo para agradecer, para retribuir e adorei este espaço.
Virei sempre.

"Mar à beira-pia" é um show!
Inspiradíssimo!
Adorei.


Grande abraço

Anga Mazle disse...

Obrigada, obrigadíssima, cara Zélia! Um beijo

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Sugiro você adicionar camarões a esse alho manipulado por mãos de gourmet, certamente.
Poema estupendo.
De verdade.
Exala sensualidade.
Destaco:
"Na água, no ritmo, na profundidade,
Nua e crua,
Da descoberta."
Vi que tem mais blogs.
Aos poucos lhe degustarei.
Bjs e obrigado pela visita o frio Nariz de Defunto.

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Anga, a foto remeteu-me à "Morte em Veneza", do mestre Visconti.
Mais bjs.

Anga Mazle disse...

Os camarões entram mais tarde nessa história, Paulo Jorge, e com uma intensidade que, suponho, você pode imaginar. Suponho, não; tenho certeza. A sua perspicácia em relação à foto, não deixa dúvida. Pois foi exatamente em "Morte em Veneza" que pensei quando encontrei esta foto! Impossível esquecer aquela cena final: Aschenbach, agonizante, olhando embevecido para Tadzio que, no mar, aponta para alguma coisa além... e isso tudo com a maravilhosa sinfonia de Mahler ao fundo! Um filme perfeito, um dos melhores da história do cinema.

Maria disse...

Gosto das suas poesias, Elza Magna,
digo, Anga Mazle. Gosto muito!

Anga Mazle disse...

Obrigada, Maria. Beijo

ev disse...

Hola de nuevo
Sé que el traductor automático no es el mejor aliado pero ésta poesía me pareció muy sensual. Toda una imagen la escena el el fregadero.
Saludos