quinta-feira, 1 de abril de 2010

Beidos gom beidos, bode?

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Aqui vai mais uma história de !ALBUFAS SAFUBLA! – Fabulas bufalas, de Falasbu Bulafas Lafasbu. Desta vez, para contemplar os poucos que sabem português, oferecemos o texto original neste exótico idioma em extinção acompanhando, parágrafo por parágrafo, a tradução para o portugárabe.

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Beidos gom beidos, bode? . . .. . . .. . .

. . . . . .. . .(Peitos com peidos, pode?)

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A brinzibal adrazão durísdigo-arguidedôniga da beguena e bagada Gonzeizinha do Mado Vora era o zeio esguerdo de Zavira Galavadi. A zegunda, naduralmende, era o direido, gue não vigava muido adrás do oudro em bobularidade. Mas zó em bobularidade, borgue a vormosa e rejonjuda imigrande de Dasmasgo o dinha esdrábigo, e em dal grau gue o bigo e boa barde dele vigavam esgondidos zob o esguerdo.

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(A principal atração turístico-arquitetônica da pequena e pacata Conceicinha do Mato Fora era o seio esquerdo de Safira Kalafati. A segunda, naturalmente, era o direito, que não ficava muito atrás do outro em popularidade. Mas só em popularidade, porque a formosa e rechonchuda imigrante de Damasco o tinha estrábico, e em tal grau que o bico e boa parte dele ficavam escondidos sob o esquerdo.)

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Guando Zavira zaía de gasa o drânsido barava. Vorza de exbrezão, regonhezo, bois a zidade neza éboga gondava zomende gom drês garros em zirgulazão. Mas os bedesdres, dodos, zem ezezão, esdagavam zembre, esdubevados com aguela desgomunal obra-brima do Griador – ou do Gão, gonvorme diziam muidas vêmeas vísiga ou bziguigamende desbeidadas.

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(Quando Safira saía de casa o trânsito parava. Força de expressão, reconheço, pois a cidade nessa época contava somente com três carros em circulação. Mas os pedestres, todos, sem exceção, estacavam sempre, estupefatos com aquela descomunal obra-prima do Criador – ou do Cão, conforme diziam muitas fêmeas física ou psiquicamente despeitadas.)

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A vormidavelmende vornida moza, endredando, garezia de velizidade, de dando zer gomida abenas e dão-zomende gom os olhos. Gombromizo zério, ou um gasinho rábido gue voze, nenhum majo de Gonzeizinha ou vorasdeiro gueria gom ela. E o modivo deze desindereze era um zó: Zavira zovria de gonsdandes e inguráveis azezos de vladulênzia, gue broduziam um jeiro zimblesmende inzubordável. Nem o Zalomão da varmázia, gue não bazava um zó dia zem gomer lendilha, badada doze e rebolho, era gabaz de zoldar buns dão vedorendos.

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(A formidavelmente fornida moça, entretanto, carecia de felicidade, de tanto ser comida apenas e tão-somente com os olhos. Compromisso sério, ou um casinho rápido que fosse, nenhum macho de Conceicinha ou forasteiro queria com ela. E o motivo desse desinteresse era um só: Safira sofria de constantes e incuráveis acessos de flatulência, cujo cheiro era simplesmente insuportável. Nem o Salomão da farmácia, que não passava um só dia sem comer lentilha, batata doce e repolho, era capaz de soltar puns tão fedorentos.)

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De rebende, guando a inveliz suber-beiduda beidorrenda barezia devinidivamende gondenada à zolidão, a sorde lhe zorri de vorma inusidada e zudil. Eis gue jega à zidade o Bidágoras, esbezialisda em desendubimendo de esgodos; um rabaz begueno, muido begueno, guase migrosgóbigo, gom zeus oidenda e zingo zendímedros de aldura. Vardado bara drabalhar, borém, vigava um bouguinho menos baijo, bor gausa do gabazede do esgavandro gue usava em zuas ingurzões belas dubulazões zanidárias.

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(De repente, quando a infeliz super-peituda peidorrenta parecia definitivamente condenada à solidão, a sorte lhe sorri de forma inusitada e sutil. Eis que chega à cidade o Pitágoras, especialista em desentupimento de esgotos; um rapaz pequeno, muito pequeno, quase microscópico, com seus oitenta e cinco centímetros de altura. Fardado para trabalhar, porém, ficava um pouquinho menos baixo, por causa do capacete do escafandro que usava em suas incursões pelas tubulações sanitárias.)

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Voi baijão à brimeira visda. No insdande em gue gruzaram-ze na Braza da Madriz, Bidágoras esdaziou-ze não zó gom as imenzas dedas da zíria, mas dambém, gomo broglamou aos sede vendos, zem dabar as vendas: “Oh, zéus, o bervume da brimavera jegou em bleno oudono!” E Zavira, bor zeu durno, ao esgudar balavras dão gordeses, voi brovundamende vlejada bor Gubido, dando gue de brondo begou no golo o migro-majo e garregou-o bara gasa.

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(Foi paixão à primeira vista. No instante em que cruzaram-se na Praça da Matriz, Pitágoras extasiou-se não só com as imensas tetas da síria, mas também, como proclamou aos sete ventos, sem tapar as ventas: “Oh, céus, o perfume da primavera chegou em pleno outono!” E Safira, por seu turno, ao escutar palavras tão corteses, foi profundamente flechada por Cupido, tanto que de pronto pegou no colo o micro-macho e carregou-o para casa.)

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E voram velizes bara zembre. Azim dambém doda a zidade, borgue, não ze sabe gomo, a vladulênzia grôniga de Zavira bazou a imbregnar o ambiende gom as mais esblendorosas vragânzias vlorais. As desbeidadas de blandão, dodavia, não zozegaram o vajo, drombedeando gue Bidágoras lhe deria desendubido a dubulazão indesdinal, de esgavandro e dudo.

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(E foram felizes para sempre. Assim também toda a cidade, porque, não se sabe como, a flatulência crônica de Safira passou a impregnar o ambiente com as mais esplendorosas fragâncias florais. As despeitadas de plantão, todavia, não sossegaram o facho, trombeteando que Pitágoras lhe teria desentupido a tubulação intestinal, de escafandro e tudo.)

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Lizão da Vábula: Ze a velizidade não lhe abareze bela vrende, begue-a bor drás.

.(Lição da Fábula: Se a felicidade não lhe aparece pela frente, pegue-a por trás.)

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Leia mais fabulas bufalas aqui e aqui!

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8 comentários:

Nino disse...

Porra, Tutuca, ri aos peidos com esta. E, andes gue eu me esgueza, obrigado bor me gondemblar gom o dexdo em brimeira mão.
Bor gue não rola uma bubligazão de dodos ezes dexdos num buda e únigo volume? Zeria um zuzezo edidorial, gom zerteza.
Abrazos,
Nino.

Thiago Thi disse...

Zenzazional Duga! De beidar de rir!!!

Americo Gentil disse...

Maravilha, Tuca. A idéia é perfeita, não só pelo sotaque como pela forma de narrar, que lembra mesmo a retórica dos "turcos".

Luisa Queiroz disse...

Ri muito com as duas primeiras fábulas búfalas, mas essa é melhor ainda. Hilário esse caso de amor surreal!

Tita Nasc disse...

Esse escafandrista de esgotos... genial o Bidágoras!

Aline Chaves disse...

HAHAHA Meu tio tinha um vizinho, seu Farah, que falava bem assim!

Marcos Paulo disse...

Muito bom! Engraçadíssimo!!

Tuca Zamagna disse...

Não tem de que, Nino. Você é meu leitor número 1 em portugárabe. Quanto à publicação, isso é com o Lasufba Ab'Fusal. Eu apenas traduzi para o portugárabe as estórias orais do Falasbu que ele, Ab'Fusal, transformou em textos.

Aline, eu tive vizinhos e contraparentes falando portugárabe durante a minha infância toda.

Valeu, Thiago, Americo, Luisa,Tita e Marcos Paulo!