sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Gabidão e a Vilha do Gabeda

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Mais uma fabula bufala de

Falasbu Bulafas Lafasbu

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A fábula a seguir integra o livro !ALBUFAS SAFUBLA! – do qual já falamos na recente postagem da primeira fábula (leia aqui).

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Não custa repetir: o texto está traduzido para o portugárabe castiço, porém quem souber português pode optar pela versão original, que vem logo depois, devendo clicar no quadro para ampliá-lo.

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O gabidão e a vilha do gabeda
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Nenhum rabaz de Zanda Zezília da Vardura arrangava dandos zusbiros das mozas zoldeiras guando o gabidão Azev Nigolau Azev. Bougo imbordava gue voze um zezendão e zó diveze das bernas as gojas, zem valar na vaze margada bor brovunda zigadriz gue ia do dobo da gabeza adé o gueijo, bazando bela visda esguerda e belo nariz – os guais berdera, jundo gom as ganelas e os bés, em gombade gondra as drobas do Imbério Odomano. Zua vama de badrioda gondegorado desberdava, guase dando guando zeu bolbudo zoldo de herói milidar, o indereze de doda vamília gue dinha em gasa alguma vilha no bondo de gasar, ou já dizo basada e zovrendo de engalhe grônigo.

Bois o gobizado ovizial revormado do Exézido zírio não dava drela a gualguer das zendenas de bredendendes da zidadezinha e de oudras brózimas. Valava-ze à boga beguena gue ele zó gueria zaber de Zalede, a goguede e bem vornida esbosa do Musdavá, brobriedário do únigo azougue logal. “Bagamos brezos asdronômigos bor belangas” – gonsbiravam nos bodeguins os vovogueiros – “e o miligo esdrobiado gome de graza o vilé mignon.”

Mal zabia o bovo vardurenze gue o bior esdava bor agondezer. E guando agondezeu voi gom doda bomba e zirgunsdância, durande o esbalhavadoso desvile dos indegrandes do Esdubevaziende Zirgo Ban-arábigo, agombanhados bela músiga esdridende da vanvarra da gombanhia. Endre as adrazões anunziadas bor megavone, esdava uma abresendazão esbezial, numa barraga à barde, gujo ingrezo gusdava o driblo do gue era gobrado belo esbedágulo no bigadeiro. Guando o logudor a anunziou, os babéis zoziais inverderam-ze: as mulheres valaram grozo, em brodesdo, e os homens esganizaram, hisdérigos. Dradava-ze de um jow de sdrib-dease!

Zobre uma dosga e drôbega garroza doda enveidada, bujada bor um bangaré vandasiado de balhazo – gom garega, sabados imenzos e maguiagem -, lá esdava a esblendorosa sdriber Zulamida Guivouri. Vesdia drajes dão índimos, dão ínvimos gue dona Gazilda, bresdigiosa gosdureira de Zanda Zezília, vez zeus gálgulos e gongluiu: “Ze jundar dudo, não dá uma doalhinha de mensdruazão.”

Endão deu-ze o inesberado. O gabidão, zendado em zua gadeira de rodas, gravou gom volúbia zeu únigo olho na esdondeande esdrela zeminua, a bondo da moza berzeber e, vazeiramente, redribuir engarando-o a zorrir e zobrando-lhe um beijo.

Zerga de guarenda minudos abós o enzerramendo do desvile, exblodiria o esgândalo.

– Aguela vilha do gabeda fugiu gom o gabidão! – zaiu drombedeando bela zidade indeira a dona Zamarida, a vujigueira de blandão.

Dodas as mulheres de Zanda Zezília gaíram em brando, inglusive as gasadas. Dodas, ezedo Zalede, gue mandou às vavas o azougueiro e o amande gue a drogara bor Zulamida, dradando de vazer zua drouja e gair vora dambém. Jundo gom zua novízima baijão: Biboguinha, o brinzibal balhazo do zirgo.

Zendado no meio-vio em vrende ao azougue, Musdavá jorava veido grianza. Zamuel, zeu badrinho do gasamendo agora em vrangalhos, gorreu a gonzolá-lo: “Galma, avilhado. Não há de lhe valdar uma oudra esbosa”.

– E vozê aja, Zamuga, gue eu esdou jorando bor gausa de Zalede? Aguilo é zó garne, e garne Musdavá zembre zoube gonseguir vázil e barado!

– Gomo azim, Musdavá?

– Izo mesmo gue vozê esgudou. Berder esbosa não é broblema. O gue me dói no gorazão – bem vundo, no gorazão do bolzo – é berder os drês gondos de réis gue o gabidão me bagava bor ela doda derza, guinda e zábado.

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Lizão da vábula: Nunga negozie badrimônio zeu zem babel bazado em gardório!

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Texto em português. Clique para ampliá-lo.

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12 comentários:

Tita disse...

Muito engraçado, Tuca, como a primeira. Voce é descendente de árabes?

Nino disse...

Hahahahahahahaha, um esbedágulo, Duduga! O comentário da "dona Gazilda" é uma "bérola": "Ze jundar dudo, não dá uma doalhinha de mensdruazão". Virei "vã das vábulas", hahahaha.
Abrazão.

Marcel Zaner disse...

Incrível, Tuca, essa "vabula" é ainda melhor que a primeira. Fico muito honrado em você ter me incluído, naquele e-mail, entre as pessoas a quem dedicou este post. Os personagens são engraçadíssimos e a figura do capitão Assef é um achado! Mais uma, mais uma!!!

Celinha H disse...

Demais, Tuca! Não consigo parar de rir quando penso no pobre "bangaré" vestido de palhaço. Eu devia ter deixado pra ler esta fábula de noite, na hora da insônia. "A gaminho de Gambinas" me fez dormir rindo...

Thiago Thi disse...

Já estou ficando craque em portugárabe. Que venha a próxima aula desse idioma que a gente aprende dando gargalhada!

Layla Simão disse...

Eu ia falar do bangaré vandasiado de balhazo e da dona Gazilda, mas a Celinha e o Nino falaram primeiro. Falo então da vujigueira de blandão. Que figuraça!... Faço coro com o Thiago: mais uma, mais uma!

Tuca Zamagna disse...

Descendente próximo não sou, não, Tita. Mas devo ter umas gotinhas do sangue de um trisavô de sobrenome Moura, nascido na região de Portugal por onde andaram os sarracenos.

Valeu, grande Nino, fiel Marcel, Celinha bem dormida, Thiago nota 10 e Layla "leidora de blandão"!

Lupe disse...

Tô com o Marcel e a Layla no coro: Mais, mais, mais!

Reynaldo Veras disse...

kkkkkk Essas "fabulas bufalas" são de rolar de rir! Sofri muito na primeira, mas nsta do Gabidão já li fácil em portugárabe. Ainda bem, porque meu português é "pécimo"...

Maria Regina Lemos disse...

Ótima sacada escrever em portugárabe. E essa Zulamida da foto? Era mesmo uma striper?

Tuca Zamagna disse...

Estamos providenciando, Lupe.

O meu também, Reynaldo. Já o meu portugárabe é um pouco menos "pézimo".

Mais ou menos, Regina. Era na verdade uma dançarina, embora muito ousada para a época - cerca de 100 anos atrás. É a Mata Hari, saca? Foi fuzilada ao final da I Guerra Mundial, acusada pelos franceses de espionagem. Dizem que, paralisados pela sua beleza, alguns soldados do pelotão de fuzilamento não conseguiram atirar. Prefiro a versão que virou piada: a de que Mata Hari, na hora da execução, levantou a roupa e deixou todo o pelotão paralisado, tendo ela morrido em consequência de ferimentos produzidos por estilhaços de botões de braguilha.

LUFE disse...

Tuca,
Muito bom!
Valeu a pena a indicação.
Melhor ainda que vem com tradução quase simultânea...rs
Falei na resposta ao seu comentário, sobre Piacatuba.
Um grande abraço.