terça-feira, 22 de março de 2011

Perto do coração mofado

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Caio F. Lispector. . . . .

. . . . . . . . “Amanhã eu não mais serei quem hoje sou,

. . . . . . . . porque já não consigo ser aquele que ontem fui,

. . . . . . . . desde que, ao procurar por mim no anteontem,

. . . . . . . . de mim me perdi pra sempre no trás-anteontem.”

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . & . . . . . &. . . . . &

. . . . . . . . “A dor que me pode causar um estranho

. . . . . . . . é igual à causada por aquele que me ama,

. . . . . . . . porque o primeiro pouco sabe do que sou

. . . . . . . . e o segundo sabe demais do que finjo ser.

. . . . . . . . Daí que ambos são capazes de me acertar,

. . . . . . . . com o mesmo fervor, marretadas na cabeça.”

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . & . . . . . &. . . . . &

. . . . . . . . “Meu amor é um belo passarinho

. . . . . . . . que voa, voa, voa... até encontrar

. . . . . . . . a gaiola onde viverá a alpiste e água.”

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . & . . . . . &. . . . . &

. . . . . . . . “O que se reflete em mim é uma criança mimada,

. . . . . . . . é um moço parvo, uma dona frívola, um velho burocrata que mantém,

. . . . . . . . arquivadas num aquário, dúzias de pares de dentaduras postiças,

. . . . . . . . entre piabas cariadas e sardinhas com gengivite.

. . . . . . . . Às vezes, o que se reflete em mim é também um cão sarnento que mia,

. . . . . . . . uma avesinha de asas, pernas e cabeça quebradas,

. . . . . . . . um pirilampo com soluço a traçar, pirilampeiro,

. . . . . . . . luminosos eletrocardiogramas na noite.

. . . . . . . . O que se reflete em mim é tudo, tudo exceto eu...

. . . . . . . . eu e talvez um espelho fêmea que, tal como eu, se pergunta o tempo todo:

. . . . . . . . Como posso amar, se um eventual objeto amável só pode refletir

. . . . . . . . também o nada que a miserável condição espelhar nos impõe?”

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . & . . . . . &. . . . . &

. . . . . . . . “Trata todas as tuas mágoas pessoais

. . . . . . . . como as folhas que varres do teu quintal.

. . . . . . . . E evita esbarrar nos que de ti se aproximarem:

. . . . . . . . quem sabe assim eles parem de desfolhar tanto!”

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . & . . . . . &. . . . . &

. . . . . . . . “Uma vez eu vi o amor.

. . . . . . . . Ele flutuava no ar como uma pluma de colibri,

. . . . . . . . embora fosse tão grande quanto a distância

. . . . . . . . que me separava da meiga anciã .u.zbequistanesa

. . . . . . . . que o despertara via internet por conexão discada.

. . . . . . . . Ah, era um amor tão claro e nítido como a lua no céu!...

. . . . . . . . Ah, era um amor mais escuro e fosco que um céu nublado!...

. . . . . . . . Ah... sei lá! Quando vi o amor,

. . . . . . . . faz tanto tempo que nem mais me lembro

. . . . . . . . se eu estava de óculos ou com uma baita conjuntivite.”

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . & . . . . . &. . . . . &

. . . . . . . . “Ó céus, como fico radiante quando sinto

. . . . . . . . a tal da. "auto-estima". estatelada no chão.

. . . . . . . . Isso permite que a raiva desande a crescer em mim,

. . . . . . . . até o ponto de me fazer destruir a pontapés esse maldito conceito idiota.”

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . & . . . . . . .. & . . . . . . .. &. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . .Esta é uma singela homenagem às centenas de “autores” internéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . de Caio F. Lispector – inclusive, às vezes, Caio Fernando Abreu e. . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Clarice Lispector. . . . . . . . . ... . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . (Teopha)

32 comentários:

Lily disse...

Teopha,

Boa colheita tu fizeste!
Mas, a Clarice ficou feia um tanto, deve estar se estrebuchando lá no céu, de raiva.

Fiquei sabendo, ou melhor, fiquei lendo que a Sil andou constipando muita gente com dor nas costas, inclusive tu. E aí, melhorou, meu querido? O Tuca disse que o troço é transmissível via Net.

Beijos carinhosos,

sua querida (olha só a intimidade!),

Suzana/LILY

Zélia Guardiano disse...

Bom!
Muito bom!
Pra lá de bom!
Assustadoramente bom...
Um abraço bem forte, amigo.

Sam. disse...

uuuiiii....essa doeu!! Kkkkkkkkkkk

Tadinha da Clarisse (isso mesmo, Clarisse com dois SS, encontro tanto escrito por ai, que começo a ter dúvidas)...

Esse post retrata bem a prostituição das obras desses dois... apesar de achar válido postar alguns trechos e frases retirados de suas obras, ao qual nos identificamos...

o problema mesmo... é qdo esses mesmo fãs, acham que "Macabéa” é uma marca de geléia de morango... que Clarice era nordestina, ou que sabe, carioca... que “O mistério do coelho pensante” seria algum capítulo de Alice no País das Maravilhas... que aquele rosto “estranho” é o resultado de alguma cirurgia plástica mal sucedida...e por ai vai...

Parabéns pelo post!!

Perola disse...

Bela homenagem meu querido,gostei muito do poema e para ser franca ñ o conhecia apesar de gostar muito de poesia.
Parabéns pela postagem.
Um beijo grande.

J.Guimarães disse...

Homenagem muito gratificante.

Poesia com versos sinceros e esclarecedores.

Faz a gente mergulhar na imaginação sem fim.

Parabéns pelo blog.

Tuca Zamagna disse...

Teopha, seu pacóvio. Este seu tiro vai acabar saindo pela culatra. Já tem leitor acreditando que estes trechos são mesmo de Caio ou de Clarice. Não demora, eles estarão circulando pela net como sendo deles ou mesmo desse híbrido que você inventou, misturando-se à enxurrada de textos deturpados dos dois e aos falsos que pessoas inescrupulosas inventam e atribuem a eles. O que mais me preocupa é que esta "foto" tenebrosa da Clarice com as sobrancelhas, a testa e a careca do Caio também acabe virando verdade!

Marcantonio disse...

Rsrsrsrs! Rapaz, assim você fica impopular!

Eu, um quase alienígena, confesso que jamais li Caio Fernando Abreu. Sou incompetente, portanto, para separar o joio do trigo. Rs.

Poxa, mas o Caio F. Lispector da foto lembra o Marcos Palmeira!

Abraço.

Marcantonio disse...

Rsrsrsrsrs! Este é para o comentário do Tuca Zamagna!

Sam. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Elaine Berti disse...

Meu coração selvagem amou essa postagem;
Meu coração mofado...
Ah, como fui feliz lendo essa mistureba aqui. Depois de gargalhar passado alguns segundos mantenho aquele sorriso débil no rosto, aquele de quem riu e não quer mais parar de achar graça!
Beijos e beijo e beijos!!
Teophanio não liga para as preocupações do Tuca não, tá? Ele não sabe o que é ter um coração mofado! Hahahahahahaha.

Lily disse...

Eu pensei que você havia misturado frases, trechos de textos dela com frases e trechos de textos dele. Confesso que conheci o Caio na blogosfera e quanto à Clarice, li poucos livros dela. Dos que li, ficaram em minha memória (forever), "Hora da estrela" e um livro que não me lembro mais o título (está guardado em caixas no Brasil), de crônicas, aquelas que ela escreveu enquanto trabalhou para o Jornal do Brasil. Pensei num mix.

Beijos,

Suzana/LILY

P.S.: que cacofonia! trechos, textos dela e trechos de textos...

Lily disse...

Eu pensei que você havia misturado frases, trechos de textos dela com frases e trechos de textos dele. Confesso que conheci o Caio na blogosfera e quanto à Clarice, li poucos livros dela. Dos que li, ficaram em minha memória (forever), "Hora da estrela" e um livro que não me lembro mais o título (está guardado em caixas no Brasil), de crônicas, aquelas que ela escreveu enquanto trabalhou para o Jornal do Brasil. Pensei num mix.

Beijos,

Suzana/LILY

P.S.: que cacofonia! trechos, textos dela e trechos de textos...

Tania regina Contreiras disse...

hehehehehehehe

Americo Gentil disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Americo Gentil disse...

Excelente, Teopha. O texto do espelho e o do "uma vez eu vi o amor" são sensacionais. Os demais são muito engraçados também.

♪ Sil disse...

Teopha, seu pacóvio (To copiando o safado do Tuca, que anda espalhando por ai que eu to distribuindo a praga do ziper kkkkkkkk, to uma usina nuclear).

Como eu amoooooooo Caio F e Clarice (meu Caio F de saias), me divertiiiiii lendo tudo isso kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
ÓÓ céus, tem misericória, que Caio nesse momento deve estar falando com Clarice, numa mesa de bar no céu, pensando em te rogar umas pragas. Já não basta sua espinhela caida, coisas que aliás, o Tuca disse que eu sou culpada kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Mas ficou um must o tópico.
Tu é o CARA (pra quem pensa que o cara é aquele metido do Romário).
Um beijooooooooo, e melhora essa coluna, porque se piorar o Tuca me processa hehehehehehehehe

Izabel Lisboa disse...

Que mistureba mais macabra! rs

Valéria Sorohan disse...

Empate! Para dos dois.
São os meus prediletos.

Gostei do seu poema. Se tivesse eu que sobreviver de amor, eu os tomaria em conta-gotas. Para que pudesse durar. Em todos os tons.

BeijooO*

Lily disse...

Meu querido,

Vou continuar a "conversa via e-mails" aqui. Com licença, já puxei a cadeira e vou me sentar. Para tua alegria, digo-lhe: você é o primeiro da minha lista enorrrrrme de visitas por fazer.

Voltando ao tema, leituras:

Sabe, meu querido, eu nunca li nada nesta vida a título de sair por aí me gabando de que sou entendida em fulano ou dona maria das quantas.

Li por toda a minha vida, digo no passado, pois encontro-me atualmente com dificuldades para continuar esse hábito, por motivos técnicos, leia-se agenda lotada.

Li mural de avisos, papel de bala, aquele russo de nome complicado porque meu pai dise que o livro sobre a vida dele na prisão era fantástico e meu pai estava certo. Aproveitei e li alguns contos dele, além daquele outro livro famoso, da culpa. Li Bianca, Júlia e Sabrina. Li aquele depravado da mesma época de Sidney Sheldon, aquele que escrevia leituras pegando fogo. Li jornal velho com o xixi dos cachorros da minha irmã em cima, agachada no chão da área de serviço. Li 90% das obras de José de Alencar e Machado de Assis. Ah, "Desirée, o grande amor de Napoleão Bonaparte", um tijolo de livro, quando eu tinha 12 anos. Encontrei Krisnamurti numa livraria em BH, quando eu tinha 19 anos de idade. Ele mexeu com conceitos em mim que eu nem sabia que existiam. Li "Vergonha dos pés", fabuloso, mas os outros seguintes, nem tanto e o mesmo aconteceu com aquele livro que falava de um velho ano passado e depois o bala na agulha ficou a desejar... fui lendo o que aparecia, o que chegava às minhas mãos. Conheci Isabel Allende na biblioteca da faculdade, e me encantei para sempre, após ler "Casa dos Espíritos" e chorei muito ao ler "Paula". Amei os contos de Gabriel Garcia Marques e entendi a repetição de nomes e inclusive gostei muito daquilo, naqueles cem anos de muita solidão.
Fiquei sabendo da metamorfose de Kafka durante um sermão de um padre, numa igreja católica, no Prado, em BH. Li tudo que sempre encontrei, em potes, na pia do banheiro, adooooro ser entendida de componentes de um xampu, creme corporal e creme dental. Li a Luft e vi bem de perto aqueles olhos azuis, tão tristes...

Li dezenas e dezenas de livros jurídicos e isso atrapalhou muito as minhas outras leituras. Li livro de medicina legal por puro prazer sórdido de me ver fazendo cara de nojo.

Bom, é isso! Não me doutorei em ninguém, quase, quase, em José de Alencar e Machado de Assis. Ah!, li Paulo Coelho, of course. De todos os que li, dele, ficou na minha memória "Na margem do rio Pietra eu sentei e chorei". Um livro fino, simples, que não fez sucesso.

É isso! Li e reli as crônicas da Clarice, escritas para o jornal do Brasil e fiquei sabendo de sua vida. Não conhecia o Caio, mas parece que foi um bom camarada. Leio os salmos da bíblia, desde os 15 anos de idade, e carrego comigo a mesma encadernação, um presente de uma colega no colégio Pitágoras, em BH.

Graças a Deus eu não me doutorei em ninguém, porque senão seria hoje uma grande tola a sair por aí me achando.

Beijos!

P.S.: Vou salvar este meu comentário e guardar em meus arquivos, gostei da minha empolgação.

Vocês 4 são uma honra ao meu coração e aos meus olhos. Um e-mail de vocês faz meus olhos brilharem de felicidade.

Mais beijos,

Da sua sempre querida,

Suzana/LILY

Alvaro Dorneles disse...

Genial, Teopha. Você iluminou meus caminhos, me convencendo a fazer o que eu já devia ter feito há muito tempo. Mandar pro espaço a pontapés essa tal de auto-estima!

Obrigado, mestre!

Aline Chaves disse...

Adorei o seu Caio Lispector, Teopha! Os textos são deliciosos e a foto uma "gracinha"!

Beijos, cachorrão querido!

Aline Chaves disse...

Adorei o seu Caio Lispector, Teopha! Os textos são deliciosos e a foto uma "gracinha"!

Beijos, cachorrão querido!

Wilden Barreiro disse...

Quero deixar bem claro que não concordo nem um pouco com o uso politicamente incorreto que o senhor faz dos intocáveis nomes de Caio F. Abreu e Clarice Lispector, sr. Teopha. Por isso mesmo, o aplaudo entusiasticamente: Clap! Clap!! Clap!!!

Tatuagem disse...

Lindos versos!

Beijos!

Emoções disse...

Para ser poeta basta ser sincero, escrever o que sente, amar o que realmente deseja, e esquecer a beleza superficial das palavras que formam a poesia, pois se verdadeiro é o seu sentimento, puro será seu coração...e lindas serão suas palavras!

Clara Belisario disse...

Arrasou, Teopha. Só espero que os milhares de "autores" dos Caio e da Clarice poupem o seu pescoço! Bjs

Tita Nasc disse...

Vou morrer varrendo o quintal. Vivo cercada de gente que não depende de esbarrões pra desfolhar. São outonais em tempo integral!

Beijos

Antonio Alves disse...

O Wildem tem razão, Teopha. Suas postagens politicamente incorretas são intoleráveis. Só não paro de te ler porque comigo você é sempre muito respeitoso, me chamando até de senhor... "senhor afrodescendente paraguaio"... rs

H disse...

Hola!
Me gusta mucho tu blogg!
Gracias por tu visita.
un abrazo desde México.

Por que você faz poema? disse...

Tuca,
Brilhante explanação.
A diferença entre "Pense em Mim" e "Como vai Voce" está apenas nos versos emblemáticos, enquanto esta diz "Preciso tanto ME fazer feliz", aquela fala "Vamos pegar o primeiro avião com destino a felicidade" - ao menos, esta, está no plural.

cerâmica é... disse...

Tá tudo lindo;) Senso de humor afiadissimo. Eu não teria tanta coragem assim de macular o nome da minha querida Clarisse, vai que uma barata resolve entrar voando pela sua janela... hAUHAUhuahUU
Parabéns, voltarei mais vezes;)
Bejo ao grupo
Peinha

cerâmica é... disse...

OPs... Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Clarice...Em repetidas vezes como penitência.
Bejo
Peinha