segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O Grande Desfile das Pin-ups - IV

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.......A faxineira de ouvido de elefante

Maria José Pasti, a Zeza, é há 30 anos minha principal referência afetiva na região de Ribeirão Preto. Não sei se ela já limpou ouvido de elefante, mas não duvido que ela se preste a isso, porque é uma das pessoas mais prestativas, generosas e afetuosas que conheço. Seus próprios ouvidos, isso eu sei, estão sempre limpos, prontos a ouvir e socorrer a todos que necessitem: parentes, amigos, seus pacientes e até aracnídeos como eu (Aranha é meu apelido por lá).
Ir a Ribeirão ou a Santa Rosa de Viterbo e não conhecer a Zeza é como ir a Roma e não conhecer o Papa. Com a diferença que ela jamais renunciará.

........ (Agradeço à Patriccia Zamagna e à Ligia Saldanha que me enviaram, por coincidência na ........
mesma semana, e-mail com cópia de cerca de uma dúzia de magníficos postais como esse.)


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.......Mexicana made in Bahia


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 Minha querida Tania Contreiras precisou desfilar duas vezes seguidas, porque não conseguiu decidir como se apresentar, se num clima caseiro, quando vive em P&B, sob o domínio de sua paixão por Humphrey Bogart e todo o cinema noir; ou se no seu estilo noturno, em que Oxalá faz aflorar o branco de sua alma baianíssima, realçando-lhe os tons apimentados da pele. E tem é pimenta nisso! Tanto que lhe cai muito bem um sombrero, a incrementar, mexicanamente, ainda mais o ardor de sua lírica roxo-violeta.

            Blog da Tania: Roxo-violeta  

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.......La Roseteira

Ana Laura Fioretti Monteiro de Castro veio ao mundo para duas coisas: rosetar e me atazanar, não necessariamente nesta ordem. Em 1985, eu estava confortavelmente agregado ao lar de meus velhos amigos Dulcino e Shirley, quando ela resolveu ser filha deles e nasceu, o que me obrigou a picar a mula para ceder-lhe o quarto que vinha ocupando. Desde então, dedica-se de corpo e alma ao roseteio, atividade que só interrompe quando torna-se imperioso me pentelhar. Eu podia citar mil exemplos dessa pentelhação, mas basta um. Certa noite, há alguns anos, precisei entrar na Lagoa Rodrigo de Freitas para pescá-la. É que, desgostosa com uma paixão não correspondida, Aninha resolveu dar cabo à vida. Mas só dos joelhos para baixo, já que perpetrou o gesto extremado em águas de menos de dois palmos de profundidade. Além de convencê-la a sair (argumentando que a água estava infestada de coliformes fecais, bactérias altamente patogênicas, mosquitos da dengue e, principalmente, folhas peçonhentas da árvore natalina bradesca), precisei também dispersar a multidão de caminhantes, corredores e ciclistas que pediam autógrafos a La Roseteira, por confundi-la com a então famosa capivara da Lagoa.

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.......Minha xerife predileta

Maria Ines Castelo de Teves, a Marquesa de Teves, é uma presença forte na minha vida há muitos anos. Sua especialidade é intervir quando me meto em problemas ou, o que é mais comum, os problemas se metem comigo. Ela é dessas figuras que você pode procurar na hora do aperto e nem precisa explicar do que se trata. Sussurrou socorro, ela logo aparece munida de um verdadeiro container de primeiros socorros. Tem de tudo: de remédio pra mil doenças a despacho de macumba em spray; de sopinhas em pó e barras de chocolate a simpatia pra trazer de volta, viva ou morta, a fedaputa da mulher amada.
E dessa correria toda ela consegue dar conta tendo de carregar ainda uma virtude anatômica de peso. Não deu pra mostrar aqui, mas quem quiser conhecer é só pegar qualquer folder sobre as principais atrações turísticas do Rio que encontrará, entre fotos do Pão de Açúcar, do Corcovado e do Maracanã, pelo menos uma da bunda da Marquesa.

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.......Não é a Minnie

Suzana Guimarães não tem nada a ver com a namorada do Mickey, a não ser pelo fato pouco relevante de morar nos EUA. Ela é mineira, não minnieira (perdão, não resisti!). Então suponho que a Su esteja pinapeada como uma preá, simpático e saboroso roedor cotó que vive nas áreas rurais de Minas e de alguns outros estados. Eu pretendia que ela desfilasse de quimono, em alusão à sua forte relação com o jiu jitsu, mas encontrei este desenho e achei que era a cara dela, a mesma elegância delicada, embora certamente não tão sensível.
Como, leitor? Se eu conheço a Suzana pessoalmente? Não, não, meu caro. Eu a conheço de muito mais perto que pessoalmente. Faz três anos que dou meus passeios – e às vezes até me hospedo! – no imenso coração que ela partilha com todos em seus três blogs e no Facebook.
Em tempo: jiu jitsu (柔術) quer dizer, em português, arte da suavidade. 

         Blog da Suzana: O medo de Suzana

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.......A maior reserva de titânio do Brasil

Itanhaém, no interior de São Paulo, é atualmente a maior reserva brasileira de titânio. Graças à Sil Antunes, que vem acumulando toneladas do valioso metal em seu corpo. Tudo começou há alguns anos, pela coluna vertebral, trocada por um verdadeiro zíper de titânio. A partir daí, nossa amiga ziperada pegou gosto pela coisa e não parou mais de titanizar-se. No último Natal, ela presenteou-se com uma réplica em titânio do nariz da Clarice Lispector. E não pretende ficar nisso, já tendo agendado para logo depois do carnaval uma siderurgia plástica que a deixará bem mais reluzente: trocará os longos cabelos por uma titânica careca do Caio F. Abreu.

            Blog da Sil: Entre aspas  

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.......Uma asa movida a traças

Carolina Suriani Caetano é uma asa. Transparente, quase invisível, é impulsionada por duas sublimes traças que batem, batem incansavelmente, para arrastá-la pelos céus escritos por Carla Diacov e chafurdá-la nos mares desenhados por Larca Viadoc. Às vezes, Larca desenha céus e Carla escreve mares, mas a asa Carolina fica um tanto incomodada com essa troca. É que os ventos estrábicos dos céus de Larca despenteiam as sobrancelhas das traças e os mares sanguinorrápidos de Carla são infestados de polvos que passam a mão na bunda delas.

           Blog da Carolina: Carolina Caetano

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.......A indelével Daniela

Daniela é Delias, segunda pessoa do singular do pretérito imperfeito do indicativo de delir, esse verbo excomungado pelos nerds que criaram o  'deletar' do jargão  informático. Sim, porque delir é delete em português, e desde os primórdios do idioma, oriundo do latim delere. Só no século XV o vocábulo chegou ao francês e ao inglês, através do particípio deletus. O fato de delir ser pouco conhecido não justifica a adaptação esdrúxula, porque são inúmeros os seus sinônimos conhecidos – como apagar, descartar, eliminar, desfazer, cancelar, excluir, anular, invalidar, banir, liquidar, destruir, matar etc.
Não se trata de xenofobia ou de ranzinzice de um velho gagá (não que eu não o seja). Defender e preservar o nosso idioma é um dever que transcende o patriotismo. O imperialismo econômico-cultural norte-americano vem devastando línguas pelo mundo afora, e muitíssimo mais rápido do que fizeram os impérios macedônico, romano, sarraceno, britânico, francês, espanhol, holandês, otomano... e o próprio império português. E a cada língua que desaparece, a cultura humana fica mais pobre. Já são centenas (!) os idiomas e dialetos que caíram em desuso ou desapareceram ao longo da história, muitos silenciados na garganta de seus usuários, cortada por conquistadores que DELIRAM  nações inteiras. Cabe à Daniela, como a cada um dos ainda milhões de nós que lidamos com essa língua deliciosa, bem tratá-la e divulgá-la, mormente na escrita, para repassá-la, rica e vicejante, às gerações futuras.
(Pin-up é uma exceção absolutamente justificável. Uma expressãozinha simples e apetitosa.
 E, no nosso caso pelo menos, não cairia bem traduzi-la, como pendurada ou dependurada, que além de soar deselegante nos remete àquele rapaz – cabeludo, barbudo e Xavier como eu – que foi DELIDO na forca em Vila Rica.)

            Blog da Daniela: Do lado de cá

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.......Ethel e Vina, avós de Eleô e Nôra 

As incompatíveis gêmeas Eleô e Nôra Marino Duarte tem a quem puxar. Suas avós (também gêmeas) Ethel e Vina, mães de seu pai (!), são a cara e o caráter de nossas duas amigas. Ethel é tão ou mais palerma que Eleô, se é que isso é possível. O fato é que a pobre velha acredita em tudo, absolutamente tudo o que diz a nefanda Vina. Como no caso dessa absurda dupla maternidade. Quando Ethel ficou grávida do marido, caiu na conversa de que o filho era dela, Vina: “Deus o fez germinar no teu útero para preservar a minha santa virgindade!” – disse a víbora para a lesma, uma das raríssimas pessoas no mundo que Vina nunca levou pra cama. O marido da pamonha, que até hoje pinta os canecos de Baco com a cunhada safada, confirmou a versão estapafúrdia. E Ethel até hoje relembra feliz da vida a magnanimidade de Vina, que lhe permitiu constar na certidão de nascimento como co-mãe do futuro pai de Nôra.
Sim, agora o pai, assim como a mãe, é só de Nôra, pois na semana passada ela convenceu a irmã de que foi gerada sozinha no útero materno. “Tu, Eleô, não é filha deles pra valer, porque mamãe te pariu pelo fiofó!”

Blog da Ethel: Um beijo no coração
Blog da Vina: Um pontapé na bunda 

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................Um pinapo nato ......

Wellington Wellington Barbosa Barbosa Barbosa Barbosa Gonçalves Gonçalves – ou simplesmente Wellington Barbosa Barbosa Gonçalves – adentrou os estúdios fotográficos engatinhando. E sempre ia logo tirando a fralda e fazendo poses. Aos seis meses de idade já era uma celebridade em sua cidade natal, Governador Valadares, onde ganhou todos os concursos de beleza para nenéns: Bebê Jonhson, Pimpolho Grapette, Gotozim Dulcora, etc. 
De uma hora para outra, porém, o pinapinho foi relegado ao ostracismo. Não por ter perdido seu charme e beleza, mas porque a cidade toda se mandara para os States. Como não sabia inglês (mal falava gugu-dadá em português), Wellington preferiu mudar-se para Cachoeira Paulista, São Paulo, onde morava uma sua ex-noiva que conhecera na creche. Teve de recomeçar do zero, sem dinheiro até para comprar chupeta. Mas logo daria a volta por cima, empregando-se num parque de diversões como flanelinha de carrinhos de bebê. Um emprego sólido, que lhe abriu as portas para um futuro novamente glamoroso que hoje é presente.


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.......O Usain Bolt da Tijuca


Desde o tempo em que ambos morávamos na Tijuca e estudávamos no mesmo ginásio em Vila Isabel, Horacio Coelho Da Costa Ferreira corre uma barbaridade. E corre na contramão do tempo, pois continua sendo o mesmo gentleman bonito e jovial. Ele jura que não corre mais, só caminha, mas acho que diz isso por compaixão, para não humilhar seus amigos gastos e amarfanhados como eu.
Essas pernas, meninas, não são as do Horacio. As dele são mais caprichadas. E se não mostram o que existe entre elas, a culpa não é minha: quem as cruzou foi ele mesmo, talvez por timidez, talvez por puro charme...

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22 comentários:

Andrea de Godoy Neto disse...

Tuca, tô adorando esse desfile de Pin-ups, todas maravilhosas. Mas preciso dizer, nesta leva o Horácio está imbatível...rsrs.
Adorei a "minnieira" :))

e entre todas as Pin-ups, tenho que dizer, a Lelena arrasou na sensualidade.

beijoooo, querido!

Assis Freitas disse...

um abre alas com direito a rainhas de bateria e mestres salas,


abraço

gagau disse...

Tuca,gratidão pelo carinho amigo ficou muito bom.

gagau disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Eleonora Marino Duarte disse...

nada se compara, em termos de alegorias e adereços, ao seu desfile de pin-ups! Tuquinha, espetacular!!! mas preciso te dizer que os textos, homem de deus, como você pode ser tão criativo??? são um capítulo à parte, bons, bons, bons de mais da conta!!!!

parabéns, mestre.

um beijo imenso.

Lily disse...


Tuca,

Amanhã, virei comentar, quero ler todos os posts.

Beijos! Amei, obrigada pelo carinho!

Suzana Guimarães, a Lily.

Clara Belisario disse...

Um luxo só, Tuca. Imagens e textos bonitos e muito divertidos. Beijos

Daniela Delias disse...

rs rs rs...amei! estamos todos lindões, Tuca! E o texto genial, como sempre!!! beijão!

Antonio Alves disse...

Ficaram lindas as pin-ups, minha preferida é a Carolina, muito engraçada. Os textos estão primorosos, Tuca!

Abraços

Tuca Zamagna disse...

Andrea, Assis, Gagau, Eleô & Nôra, Suzana, Clara, Daniela e Antonio,

Obrigado pelos comentários.

A Lelena/Louise Brooks também é meu xodó, Andrea. E a Carolina, Antonio, é meu conjunto imagem/texto preferido.

Beijos e abraços

Oz disse...

Hola Tuca, gostei muito do seu Blog, desculpe meu portuñol. Felicitaciones y un gran saludo de Oz desde:
http://leyendas-de-oriente.blogspot.com/

Anjopoesia Anp disse...

Parabéns pelo belo espaço aqui...gostei...

silvia maria camargo rocha disse...

Tô adorando tudo isso... muita diversão pros meus primeiros dias de descanso!
Bjão, Silvia M. Camargo Rocha

Aline Chaves disse...

A Ines está o máximo de xerife! Mas todas e todos estão ótimos. Ri muito com os textos, principalmente os do Wellington e da Carolina!

Tô adorando esse desfile e louca pra ser convocada também!!!

Beijos

Márcia Luz disse...

Difícil até de comentar - até porque nos últimos tempos tenho perdido as palavras... Esse desfile está magnífico! Show!

Adri Aleixo disse...

Amei!!! Lindos meus amigos e amigas nessas versões.

Beijo e parabéns!

Tania regina Contreiras disse...


Tuca, você não tem ideia do que está fazendo com a gente! Quando a gente se olha pelos seus olhos acaba querendo explorar nossas facetas desconhecidas! :-) As duas versões minhas me deixarm na dúvida, não sei qual gostei mais... Se esse desfile fosse para as ruas, heim???? Valeu, querido. Quase me apaixono por mim...:-)

Beijos,

marlene edir severino disse...

Tuca, esse desfile tá de uma suntuosidade excessiva!
Adorei todos, mas a Lelena é imbatível!

(... E as pernas do Horácio?)

Abraço, Tuca!

Bípede Falante disse...

Pessoal, eu sei que é "feio" puxar brasa para o próprio assado, mas eu também voto na minha!!! rsrsrs
Que o Tuca me promoveu ao céu!!

beijoss

Tania regina Contreiras disse...


Tsc tsc tsc...eu adorei a minha, Lelna! rs Voto em mim...:-) Beijos

Americo Gentil disse...

Sensacional, Tuca. Suas amigas são todas lindas e possivelmente mais ainda com esses corpos de pin-ups. Os textos também estão ótimos como sempre.
Abraço

Carla Diacov disse...

Despindo a mulé alheia!

Desgrama!

Vai ter troco!