sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tainha curra dedão no elevador!

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Dez coisas que sei, ou penso que sei, sobre o Rio alagado

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1 – Originalmente, o Centro e a Zona Sul do Rio de Janeiro, tirante os morros, eram formados por areia e muita água: praias, ao sul, norte e leste; rios, lagoas, boqueirões de mar e alagados. Terra, a nível do mar, praticamente só a que descia com as chuvas, a caminho do mar – e era muito pouca, até começarem a desmatar os morros para produzir lenha e, sobretudo, para plantar café.

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2 – O chão era tão encharcado e insalubre que nele só moravam os pobres e os escravos não encarregados de serviços domésticos. O ricos, esses ocupavam os morros – um luxo, a salvo das águas infectas e das inúmeras moléstias que elas causavam. Depois, quando pobres e escravos deram um jeito no chão, os ricos desceram e os mandaram à puta que pariu morro acima.

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3 – Acho graça quando os jornais responsabilizam os últimos governantes da cidade pelas tragédias atuais causadas pelas chuvas. Problemas graves desse tipo começaram, se não me falha a memória (eu era pequeno na época), ali pelo início do século XVIII, quando os monges franciscanos drenaram a Lagoa de Santo Antônio, abrindo espaço para a ocupação do que é hoje o Largo da Carioca. A vala que os religiosos mandaram escavar ia em direção Norte, da lagoa até a Prainha, nas imediações da atual Praça Mauá, num percurso de cerca de 800 metros. Se cavassem para o Sul, encontrariam o mar a menos de 150 metros. Sim, os monges eram em sua maioria portugueses, mas de burros não tinham nada. Sabiam que a vala seria útil para despejo de excrementos humanos, e o trajeto escolhido margeava uma área que concentrava o grosso da população urbana que tinha dificuldade de lançar seus dejetos no mar. Daí, imaginem o que acontecia com a vala nos períodos de chuva forte... Do banho de bosta só escapavam os bem de vida, encastelados no Morro do Castelo.

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4 – Não se escandalizem com a nojeira que era o “novo sistema de esgoto” do Rio setecentista. À época ainda era comum – na Europa, sobretudo – se livrar dos excrementos da forma mais simples: jogando pela janela. Por esse tempo, não havia banheiro em muitos dos mais requintados castelos do Velho Mundo, e cagar no mato só era, como ainda só é, possível nos dias menos frios – os quais, no caso do Norte da Europa, resumem-se a uma meia-dúzia por ano. (A cidade de São Paulo, nesse quesito sanitário, era originalmente muito bem-dotada, porque além do valão-mor até hoje bastante utilizado – o Tietê –, tinha ainda, a céu aberto, os riachos Anhangabaú e Tatuapé, ambos, a certa altura, receptores de uma quantidade de cocô que excedia a capacidade de transporte do seu fluxo de água. Segundo tese de uma amiga paulistana, esses dois cursos d’água contaminada entraram pelo cano apenas por causa de seus nomes: o Anhangabaú, porque os cidadãos de São Paulo “nunca metiam nele o acento que preferem meter naquela palavrinha que com ele rima e que, embora fique no assento, não tem acento”; já o Tatuapé, diz minha amiga, tornou-se obsoleto e até surreal: “A pé, em Sampa, nem tatu, meu!”)

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5 – Por volta de 1765, o Vice-Rei Antonio Álvares da Cunha fechou a vala dos franciscanos, surgindo em seu lugar a Rua da Vala, atual Uruguaiana. Mas os problemas com as chuvas persistiram. O Rio, que, graças a negociações bem sucedidas de Cunha com a Coroa Portuguesa, passara a ser a capital do país, crescia muito rápido, e já beirava os manguezais do Saco de São Diogo, grande invaginação de mar que chegava até o Campo de Santana. Na época das chuvas as áreas circunvizinhas eram alagadas, e as doenças grassavam mais forte. Um dos males mais comuns, então, era a tenebrosa – e muitas vezes fatal! – conjuntivite.

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6 – Luís de Almeida Portugal Soares de Alarcão d'Eça e Melo Silva Mascarenhas, o Marquês do Lavradio, Vice-Rei de 1769 a 1778, era obcecado com as constantes inundações que atormentavam a vida do carioca. Mandou aterrar toda a área alagadiça do Centro compreendida entre o Caminho de Mata-Cavalos (atual Rua do Riachuelo) e o Saco de São Diogo, que posteriormente seria quase totalmente aterrado, dele só restando desde então o filete de água, hoje putrefata, conhecido como Canal do Mangue. A obsessão de Lavradio, mais do que política, talvez fosse pessoal: o marquês contraíra uma ziquizira das brabas, seu corpo vivia coberto de erupções que ardiam e coçavam, obrigando-o a passar o máximo de tempo completamente nu. E no verão, a coisa piorava muito, exigindo o uso contínuo do melhor ar condicionado então disponível: um escravo bem disposto e equipado com abanador.

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7 – Foi Lavradio quem “resolveu” uma questão trágica que as chuvas impunham aos cidadãos livres de então: a do Cemitério dos Pretos Novos, onde qualquer aguaceiro mais forte trazia à flor da terra os corpos enterrados em covas rasas. Não era uma questão humanitária, ninguém estava preocupado com a dignidade de mortos tão reles, assim como não estava preocupado com o sofrimento e a morte, a cada ano, de algumas centenas de escravos recém-desembarcados no porto do Rio, uma conseqüência natural da longa viagem e das péssimas condições de alimentação e higiene a bordo dos navios negreiros. O problema era o mau cheiro daquelas carcaças expostas. E disso Lavradio cuidou, transferindo o cemitério do Largo de Santa Rita, no Centro, para o Valongo, uma área próxima à praia da Gamboa. Claro que logo a cidade se expandiria até lá, e o desenterro de corpos promovido por chuvas fortes voltaria a ser um problema. Mas aí já não era com o marquês, que deixara o Vice-Reinado e, pouco depois, a própria vida – em Portugal, onde foi enterrado a sete palmos do chão, como determinava a lei para os homens livres e com dinheiro, lá como cá.

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8 – A questão do tópico anterior se assemelha, me parece, à grande tragédia que vem ocorrendo no Rio e em Niterói com as chuvas dos últimos dias. O que realmente incomoda a maioria da população que não mora em favelas penduradas em barrancos é o “mau cheiro”, a constatação de que por trás da tragédia há o dedo podre da incompetência e negligência dos políticos. A grande mídia não vacila: “A culpa é deles!” E a classe média reflete profundamente durante um segundo e meio e conclui: “É, a culpa é deles!” E pronto, assunto resolvido; morto e enterrado – como a tragédia de Angra dos Reis/ Ilha Grande, para citar uma bem recente. Mas aí, de repente, cai outro toró e desenterra de novo esse assunto fedorento. “Precisamos reagir”, já deve estar dizendo uma parcela “politizada” da classe média, aquela que sempre cria um slogan contundente quando lhe dá na veneta promover ações guerrilheiras de vanguarda, como o “Chega!” – o “Basta!” – o "Cansei!” Quero até sugerir, para essa possível nova campanha dos Sem Saco, um bom slogan para a sua árdua luta contra tragédias diluvianas: “Guarda-chuva!”

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9 – Queria falar ainda de muitas outras tragédias cariocas causadas por temporais, antigas e recentes, mas o espaço não dá. Tragédias como a tempestade ocorrida por volta de 1870 (nem fui conferir o ano exato) que revelou a precariedade do Porto da Praça Quinze, com um saldo de dezenas de navios seriamente avariados ou a pique. Mais do que a dor e os grandes prejuízos causados pela intempérie, o que me marcou quando me enfronhei neste caso atráves do pesquisador naútico Elísio Gomes Filho foi a informação de que entre as toneladas de cargas afundadas e desaparecidas no fundo lodoso daquele trecho da Baía da Guanabara estava uma múmia, uma múmia portuguesa, o corpo mumificado de um fidalgo português acondicionado num esquife de cerâmica e embarcado para ser enterrado em sua pátria. A família não recebeu o corpo, é claro, assim como nem ela nem ninguém se interessou em procurá-lo no fundo da baía. Fico imaginando a múmia lá embaixo, quieta nas profundezas do mar há 140 anos, matutando “Esta nau não chega nunca, ó Jesus. Parece-me justo começar a suspeitar de que o comandante esteja a andar em círculos para deixar o taxímetro a correr!”

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9,5 – Queria falar também, se espaço houvesse, das tragédias que foram, para mim, pessoalmente – criançamente! –, saborosíssimas. Como as grandes enchentes da Praça da Bandeira, onde morei durante toda a infância, e vivenciei farras de arromba por vários dias, em todos os verões, proporcionadas por qualquer chuva mais forte que gerava, via decreto baixado por meus pais, férias escolares de emergência, sempre que o verão começava na primavera ou terminava no outono. Dei muita sorte: nos treze anos que ali morei, nunca completei um ano letivo sem pelo menos dez faltas motivadas por alagamento da rua! Loucura, ir à escola com água até pescoço! Loucura, faltar, na travessa ao lado, também alagada, à pelada de sempre que virava water-pólo!

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10 – Vou falar então, sucintamente, mas não posso deixar de falar, do problema específico do lugar em que moro: a Lagoa Rodrigo de Freitas, aquela da breguíssima estrovenga arbórea natalina abracadabradescamente iluminada. Como serei sucinto, não vou falar dos diversos absurdos cometidos por vários cidadãos e entidades, com o aval das autoridades, da grande mídia e até de grande parte da população. Só de um, para exemplificar. A lagoa tinha, em frente a seus dois canais de ligação com o mar, dois bancos de areia que aumentavam ou diminuíam e variavam de lugar, conforme as suas necessidades de fazer face às mares, aos ventos, às cheias causadas pelas chuvas, etc. Hoje, um hoje de várias décadas, os bancos de areia não mudam de lugar nem diminuem. Só aumentam, e não conforme as necessidades da natureza, mas de acordo com o interesse de dois clubes que os ocupam: o Caiçaras, uma associação recreativa da classe média alta; e o Piraquê, que é ligado à Marinha! Sim, à Marinha, que é responsável por zelar pela integridade de todos os mananciais de água do país. Sim, à Marinha, que recebe, por direito adquirido através de lei sancionada em 1833, uma taxa anual de (des)aforamento de todo ocupante de terreno situado a até sei lá quantos metros do espelho d’água. No meu caso, que moro num bom quarto e sala, a União me cobrou, no ano passado, modestos 500 reais.

Bem, agora posso encerrar esta chuvarada dos meus cotovelos que já deve está causando uma baita enchente de saco. Só preciso, me perdoem o abuso, deixar uma pergunta no ar, ou melhor, no mar das ruas:

Se a União tem o direito de me cobrar pelo usufruto das inegáveis qualidades da localização do imóvel em que moro, ela reconhece a recíproca do dever inerente a este direito? Ou, mais direto: de que forma ela cogita me compensar pelos prejuízos causados em decorrência de sua omissão na prevenção e na resolução dos freqüentes problemas que me são causados em função dessa localização? Ou, de uma forma mais prática: se a lagoa transborda, inunda a portaria do meu prédio e uma tainha pega o elevador junto comigo, dá na marra pro meu dedão do pé e engravida, quem paga o parto é o pato aqui?

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34 comentários:

Paulinho Saturnino Figueiredo disse...

Tutuca é cultura. Êta texto danado de bom. Protesto que merecia ser colado nos postes, e plantado num jornalão. E, caso nasça, estou me candidatando a padrinho desse taindão.

Luz disse...

surpreendente!
quase um Maurício de Abreu.
portanto, melhor. devido sua capacidade criativa de inovar palavras e conceitos. adorei! uau! isso é bem melhor que um ano letivo inteiro de história e geografia.

Tita Nasc disse...

Porra, Tuca, que loucura! Eu não tinha a menor idéia de quase tudo que você informa neste texto tragicômico. Se entendi bem, o tal Cemitério dos Pretos novos era reservado só aos escravos que morriam logo que chegavam aqui, e não aos escravos jovens, né? Ainda existe algum resquício desse cemitério infernal?

Flora Braga disse...

eu to com sérias dúvidas sobre esses "fatos" serem verdadeiros ou não... você brinca muito... hehe
e além disso... é difícil crer q todas essas barbaridades sociais e ambientais foram cometidas ao longo da "colonização" do país...

aqui no acre também está alagando... desbarrancando e coisa e tal. claro que não ocorreu nada parecido com as tragédias daí, mas não deixa de ser ruim o transtorno das ruas "rachando" e do rio encher e secar costantemente...
vamos ver no que dá né...

ou "viva la revolución"?
hahahaha

bjos e adorei o texto!

Aline Chaves disse...

Caramba! Que chuva de informação Tuca! E que texto delicioso, apesar das tragédias todas que narra. Mas, concordo um pouco com a Flora, essa "múmia portuguesa" não será uma invenção sua?

Clara Belisário disse...

Tô besta, chapada, com isso tudo que vocô contou, Tuca. Por que os jornais não falam dessas coisas? Por que fazem tando alarde em torno de fatos tão graves, mas aprofundam tão pouco nas análises? Leio sempre sobre os muitos problemas que acontecem com a nossa Lagoa e nunca li nada a respeito da ocupação dos bancos de areia, nem sabia que aquelas ilhas eram de areia!

Mendonça disse...

Excelente post, Tuca!
Pela referências que você dá, o trecho alagado que o Marquês do Lavradio aterrou inclui até a área em que atualmente se situa a rua que leva o nome dele, certo?

Celinha H disse...

Valeu, Tuca! Não li na enxurrada de material produzido pela grande imprensa sobre a tragédia das chuvas no Rio nada que tivesse a importância, a intensidade de tudo que você expõe nessa postagem. Triste constatar que as circunstâncias mudam, os tempos são outros, mas a hipocrisia e o descaso com a vida permanecem. Achei de início que vocês estivesse exagerando ou até criando fatos nunca ocorridos. Fui checar. E tudo que consegui encontrar batia: nomes, datas e situações. Que coisa este país!

heliojesuino disse...

CLAP, CLAP, CLAP, CLAP!
Texto escorreito, cheio de informações e gostoso de ler.
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conhecia embucetar, rebuceteio, por aí.Invaginação não, achei que vc tinha inventado mas tá la no houaiss.

Wilden Barreiro disse...

Arrasou Tuca! Melhor coisa que li relacionada às enchentes do Rio. Pesquisei sobre o Marquês de Lavradio, e encontrei uma crônica do Joaquim Manoel de Macedo sobre ele. O cara era mesmo uma figuraça!

Eliane F.C.Lima disse...

Tuca,
Eu, que faço pesquisa amadora do Rio antigo e conheço a maioria das histórias aqui contadas, me deliciei. Nada do que li me deu esse humor. E tudo trazido para o presente, justificando o momento atual. Seu texto merecia mesmo ser usado por um professor de história.
A múmia portuguesa foi demais, dei boas gargalhadas.
Esperamos mais.
Eliane F.C.Lima

Regina Conde disse...

Gosto muito do seu blog, Tuca. Da forma como você pauta suas postagens, num caos aparente, no investimento em assuntos de qualidade tratados sempre com um humor muito especial. E nesse post você se superou, juntando a qualidade e o humor à atualidade. Genial!

Americo Gentil disse...

Seu depoimento comove e faz rir, Tuca. Fico imaginando essa gente idiota que faz política vendo novela e BBB pendurando faixas nas varandas e janelas: "Guarda-chuva!"... Muito bom!

Lupe disse...

Uau, demais, Tuca. Já tinha lido sobre o Cemitério dos Pretos Novos, mas nunca sobre essa trágedia absurda causada pelas chuvas. E a comparação que você faz com as tragédias vividas pelos que hoje moram sob risco permanente nas encostas é perfeita. De que adianta, o tal do progresso se a consciência das pessoas continua a mesma bosta?!

Ana Franzeri disse...

Logo que aconteceu a tragédia das chuvas no Rio, pensei em você!
Adorei este seu texto, pois mostra bem as conseqüências dos atos do ser humano.
Um verdadeiro terror e quase sem consciencia.
Repassei o texto a umas amigas que também ficaram chocadas com a situação do Rio.
Beijos,
Ana Lucia
PS: A "sua" foto no orkut está sumpimpa!

Thiago Thi disse...

Sensacional, Tuca!!!
Mas... "Um dos males mais comuns, então, era a tenebrosa – e muitas vezes fatal! – conjuntivite."... Isso é exagero seu, confessa!

Salvador Pirajá de Abrantes disse...

Porra, Tuca, nem vem com essa desculpa escrota de enchentes... Comeste a tainha e pronto! Para quem já encarou dragão às 3 h no Baixo Gávea, Lamas e outras plagas, uma tainha em dia de chuva é pinto... Porém, se toda vez que você comer alguém fortuitamente (digamos assim...)resolver dar aula de história, avise-me, pois gosto desta espelunca que é o seu blog... salta um chopp !

Marta Mendes disse...

Já morei na Rua Barão de Iguatemi, perto da Praça da Bandeira. Qualquer chuva mais forte alagava tudo. Minha avó diz que isso acontece há pelo menos 70 anos e que muita gente, principalmente crianças já morreram afogadas nas enchentes ali!
Por que nenhum governante fez nada esse tempo todo? Por que os moradores aturam esse descalabro?

Anna Tiso disse...

como faz falta essa sua sábia loucura!! deveria contaminar, inundar as mentes que não pensam..
vc é surpreendente pra melhor rsrrsrs a cada crônica, é como descobrir um novo continente!
gracias por partilhar sua santa lucidez comigo!
aula de historia....vou repassar pras minhas netas contarem na esola!
vc virou historia!!! rsrsr
abraços abraçados!!

Marcel Zaner disse...

Cara, mandou bem! Um dos melhores posts que você já fez! Fico me perguntando porque as grande mídia não fala dessas questões...

Luís Paulo Quintela disse...

Num único post, Tuca, você oferece com leveza e humor uma variedade de pautas para os jornalões, que vivem repisando as mesmas questões de sempre, e com um viés mais sensacionalista que informativo. Agora, então, num ano eleitoral, a mesmice é acentuada pelo jogo político calhorda dos reis da mídia. Viva a DESINFORMAÇÃO SELETIVA!!!

Beto Saraiva disse...

Pô, meu irmão, que bela porrada! Você não imagina o prazer e o alívio que me deu ler um texto assim no meio da enchente de bobagens que os jornais "criam" para fazer render o noticiário da tragédia. E sendo um texto seu, melhor ainda! É o velho Tutuca que quanto mais envelhece mais rejuvenesce, com a sua irreverência de moleque crônico.

Abração!

Chico Expedito disse...

Maravilha, Bela postagem.

Vera Andrade disse...

Valeu, Tuca, ri muito! Mas agora, você está me obrigando a repensar muita coisa a respeito das tragédias e do modo como são tratadas pela imprensa e pelas pessoas... inclusive eu!

Leticia disse...

Beleza, Tuca, muito bom mesmo. Você devia tratar mais vezes de atualidades. Gosto das coisas que você posta, do seu gosto literário e da sua irreverência. Mas tem pouca gente com a sua capacidade crítica e com esse senso de humor corrosivo para analisar o dia a dia.

Roberta disse...

Marcinho me deu toque sobre o seu blog. Adorei! Principalmente este post e o do seu Juca sem Fio. Tudo muito criativo e engraçado!

Paulinho Saturnino Figueiredo disse...

Um depoimento pessoal sobre Tutuca e as tragédias. Quando em 1971 (chequei a data no Google)o Rio, consternado, se espantava com a queda de bom trecho de Elevado Paulo de Frontin, Tutuca teve a humorada pachorra de me enviar um telegrama (o email de então, informo aos quase recém-nascidos). Moro em Beagá, e acompanhava a catástrofe pela TV. Chega o carteiro e me entrega o papelzinho, onde se lia: PAULINHO, EU SABIA QUE O VIADUTO SERIA INAUGURADO. SÓ NÃO ESPERAVA UMA PEDRA FUNDAMENTAL DESSE TAMANHO pt TUTUCA. Dá prá esquecer?

Paulinho Saturnino Figueiredo disse...

Em tempo: por sorte do Aldir Blanc, ele não se antecipou na criação do verso genial... "caía a tarde feito um viaduto"

Tuca Zamagna disse...

Caramba, não estou acostumado com tanto comentário!

Primeiro você, Paulinho, que comentou três vezes. O futuro bebê tainha já tem padrinho acertado, mas sei que você será uma excelente madrinha. Tinha me esquecido desse lance da pedra fundamental do viaduto. O que não me esqueço sobre aquela tragédia foi que fiquei de papo no ponto e perdi o 415 que virou lata de sardinha sob o viaduto. Peguei o seguinte, que parou no engarrafamento. Saltei e fui olhar. Nunca vou esquecer aquele ônibus reduzido a pouco mais de um metro de altura...

Luz, minha marechala predileta (que a Tati não nos ouça!), muito bom ouvir isso de uma museóloga e historiadora.

Tita, o cemitério foi encontrado há cerca de dez anos, durante obras no quintal de uma moradora da Gamboa. Consulte o site http://www.pretosnovos.com.br/

Flora, minha querida Albuminável Mulher das Neves Acreanas: saiba que peguei leve, as tragédias que mencionei tiveram cores muito mais sanguinolentas. No Cemitérios dos Pretos Novos, por exemplo, chegaram a enterrar muito escravo ainda agonizante!

Aline, não entra na da Flora, não. A múmia existe (ou existiu) mesmo. Consta no registro da carga de um dos navios naufragados durante a tempestade. Elísio Gomes Filho, o pesquisador que me deu essa informação, me contou que um mergulhador conhecido dele encontrou o que parece ser o que restou de um dos navios, um que tinha uma carga valiosíssima. Talvez comecem a a escrafunchar o fundo ba baía na área da Praça XV - e quem sabe a múmia não aparece, lépida e fagueira?

Gente, vou dar uma paradinha. Ando sem preparo físico para responder tanto comentário. Mas eu volto, que tem muita coisa que vocês comentaram que quero analisar.

Nelson Leme disse...

Uma maneira genial de analisar os fatos e apresentar fatos correlatos!
Parabéns, cara!

Deco disse...

Gosto muito da história do Rio. Ainda mais com o seu jeito engraçado de abordar os assuntos.

Tuca Zamagna disse...

Acho que já li essa crônica, Wilden. Deve ser uma que fala do lado mulherengo do Marquês. Macedo a escreveu no fim da vida.

Valeu, mestra Eliane! Sua opinião é valiosíssima. Sempre que puder, darei meus pitacos históricos. Aliás, tenho um post em que faço uma viagem no tempo, mas nao é tão simples como este aqui. Para quem conhece a história do Rio - e da literatura - como você, não deve ser nada complicado. Veja em: http://tucazamagna.blogspot.com/2009/12/agoras-de-outrora-e-vindouros.html

Regina Conde, Américo e Lupe, obrigado pelo apoio constante.

Ana Lúcia, que bom tê-la aqui. Espero que suas amigas gostem também.

Não é exagero, não, Thiago. Qualquer infecçãozinha não tratada pode ser fatal. E a conjuntivite cegou e matou muita gente até 150, 200 anos atrás.

Pirajá de Abrantes? Que sobrenome, hem, Salvador!

Já foram feitas muitas obras para tentar resolver os problemas de alagamento da Praça da Bandeira, Marta. Mas aquilo ali é um angu de caroço,ponto de convergência do Canal de Mangue e de quatro rios: Maracanã, Joana, Trapicheiros (os três já em galerias subterrâneas) e Comprido. Qualquer dia falo disso aqui no blog.

Caramba, Ana Tiso, você me deixa até constrangido. E que papo é esse de netas? Você nem me avisou que já havia casado... Beijos beijados!

Pare de se perguntar, Marcel. Você já sabe a resposta, né?

É isso aí, Luís Paulo. Desinformemo-nos!

Grande Beto! Gostei do "moleque crônico". Tomara que já seja mesmo incurável.

Obrigado, Chico. Li seu post sobre seu sobrinho. Que a exposição dele balance todo o Ceará!

Valeu, Roberta. Abração no Marcinho.

Anna Tiso disse...

Caramba falo eu!!! vc não sabe que pra ter netos não precisa casar??enorme vantagem!! tente!
e eu que só soube que pra ter filhos não precisava tambem, mas já tinha dito sim !!
vivendo e aprendendo...
e se vc for responder a todas minhas postagens vai passar a vida aqui na pagina rsrsr que eu vou...mas volto!quero desbravar esse continente agora que o descobri!!
beijo beijado!

tem muita gente de bom gôsto por aqui....turminha boa !!!!rsrsrs

Tuca Zamagna disse...

Caro Mendonça, acabei não te respondendo. Sim, o aterro feito pelo Marquês do Lavradio abrangeu inclusive toda a área ocupada pela rua que leva o seu nome. Ruazinha movimentada essa! Foi uma das mais badaladas do século XIX, concentrando a maioria das casas de espetáculo cariocas.

Obrigado, Nelson e Deco!

Ana Tiso, comente quantas vezes quiser. Passarei esta vida e tantas mais quantas forem necessárias para responder os seus comentários. Beijos abraçados!