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. . . . . . .Caio Lispector*
Posso beber champanha
como quem come pereba,
lamber sabão
que nem eu masco mulher.
Posso abrir meu coração
como a champanha,
forçando lentamente a
rolha
até que o estampido anuncie
meu sangue todo a jorrar.
Acalmem-se,
não vai doer nem matar
a mim ou a qualquer
outro,
exceto, naturalmente,
os que me criaram e me
recriam
dia após dia, noite após
noite,
até que a morte virtual,
a grande diva on line,
os anoiteça ou amanheça.
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