terça-feira, 5 de março de 2013

O Grande Desfile de Pin-ups - V




Penetra no desfile
Esse sujeitinho aí invadiu os camarins das pin-ups querendo desfilar na marra. Eu disse não, no ato. Mas a trupe dele é da pesada, integrada por gente (?) que vai do Popeye ao Superman, da Swat à... Ku Klux Klan! Tive de recuar, e propus então (com apoio da KKK) que ele passasse pó de arroz nas fuças e desfilasse de Michael Jackson. Nada feito também. Daí que o cara entrou na passarela desse jeito mesmo, e ainda fui obrigado a prometer que ele poderá desfilar de novo, vestido de baiana: Barakarajé Baianobama.

A Bettie Page dos pampas

A estréia de Bettie Page neste desfile só poderia mesmo ser dar através da Andrea De Godoy Neto. Se Bettie é uma das principais pin-ups de todos os tempos, Dea é uma das grandes divas gaúchas da blogosfera e do feicebuque. Na sua última visita ao Rio, fui testemunha ocular de sua popularidade entre a gauchada “carioca”. Estive com ela no Café Lamas, tomado por uma manada gaudéria que incluía gente que há muito tempo não entrava naquele tradicionalíssimo templo da boemia carioca. Lá estiveram, afundando o pé na melancia (não existe jaca no Rio Grande do Sul) aos goles de caipirinha de chimarrão, celebridades como Gisele Bündchen, Xuxa, Daiane dos Santos, Fernanda Lima e Isabelita dos Patins; os três últimos técnicos da Seleção Brasileira (Dunga, Mano Menezes e Felipão), além de Paulo Roberto Falcão e do grande João Saldanha; a dupla rancheira Ronaldinho & Renato Gaúcho; os compositores Lupicínio Rodrigues e Teixeirinha; o Barão de Mauá; os atores Paulo José, Glória Menezes, Paulo Cesar Pereio, Walmor Chagas, Lilian Lemmertz e sua filha Julia; os escritores Mario Quintana, Lya Luft, Caio Fernando Abreu, Moacyr Scliar, Érico Veríssimo e seu filho Luís Fernando; e os ex-presidentes Getúlio Vargas, João Goulart, Médici, Geisel e Costa e Silva – os três últimos, felizmente, barrados na porta por Leonel Brizola.
           Blog da Andrea: Olhar em versos e inversos

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A caneca favorita do Jesuíno .  .  .  . 

Marilyn Monroe não tinha muito crédito com o artista plástico e meu grande amigo Hélio Jesuíno. Mas Silvia Maria Camargo Rocha tinha crédito de sobra, tanto que ele jamais conseguiria pagá-lo, mesmo que tivesse a decência de não partir tão cedo. Eles tinham suas diferenças, como todo casal, mas tinham também, além de três filhos gente fina, um hábito que me causava inveja: era freqüente saírem para beber juntos. Às vezes com outras pessoas (inclusive comigo), às vezes só os dois. E varavam madrugadas consumindo álcool e fantasias, combustíveis indispensáveis para todos que como eles nasceram com a alma enluarada.

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Parada na esquina .  .  .  .

Nina Rizzi está parada na esquina. A esquina não fica entre duas ruas. As ruas estão desertas, porque toda a cidade saiu de casa ao mesmo tempo. O tempo corre tão rápido quanto o espaço. O espaço não significa mais nada. Nada é tudo o que o mundo inteiro sabe agora. Agora ninguém tira os olhos da maldade. A maldade é doce e grudenta como melado. O melado escorre dos corpos assolados pelo verão. Um verão inclemente como a verdade. A verdade não passa de uma miragem. A miragem é Nina Rizzi, parada em todas as esquinas.
    Blog da Nina: Quandos

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Angelina Jolie made in Cissa .  .  .  . 

Sofia Feijó não é menos bela que a mãe, Cissa. Só que ainda arranjou, não se sabe com quem, lábios tão carnudos como os da Angelina Jolie, porém mais delicados, e um par de olhos orientais que desorientam qualquer um que a encare. Fiquei sabendo do nascimento da Sofia na ocasião, mas só fui conhecê-la aos 6 anos. Temi alguma eventual hostilidade, afinal eu era o primeiro namorado da mãe desde que ela se separara do pai da Sofia. A menina não dizia nada, só mantinha aqueles olhões fixos em mim, me estudando. De repente, falou: “Quer ver a minha imitação de pulga?” E saiu pulando de quatro, mais para rã do que para pulga. E, pronto, fiquei amigo para sempre da pulga rã, que atualmente dá seus pulos na Áustria. Ou na Noruega, ou em Bornéu, ou em Madagascar, ou... sabe-se lá para onde pula uma sifonáptera batráquia.

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             .  .   .   .    ..   .   .   Minha obra prima em 27º grau?       .  .  .                       .   .   .   .   .   .   .

Segundo acurada investigação que fiz na minha árvore genealógica, Patriccia Zamagna é de um ramo da família que eu não tenho a menor idéia em que galho fica. Ela disse que é minha prima (sabe-se lá em que grau longínquo), mas disse através do feicebuque, e o que é dito pelo FB não se escreve, né? Vai que o Zamagna dela não seja da Itália, mas do Paraguai... Bem, pouco importa. Mais vale um Zamagna falsificado que um legítimo Berlusconi. Além disso, a Patriccia parece ser uma grande pessoa, talvez do tamanho da Vênus de Milo. E com braços!
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                                                                                                       .      .       .       .    .       .   .      .      .      Dada Jenny Paulla e Dada Jey Cassidy  .  .  .  .  .  . 

Jenny Paulla (à esquerda) e Jey Cassidy são frutos do neodadaismo fornicatório entre Jennyfer Galdino e, respectiva ou concomitantemente, o cantor Benito de Paula e o mocinho do cinema norte-americano Hopalong Cassidy. (O “L” dobrado de Paulla é uma homenagem de Jennyfer a Leuñub Siul, seu rinoceronte de estimação, cujo nome é uma inversão anagramática de Luis Buñuel, nome de seu diretor de cinema predileto.) Jennifer produziu dezenas de outras neodadafilhas, com parceiros os mais variados, tais como Pablo Picasso, Boris Karloff, Einstein, Chacrinha, Edgar Allan Poe, Muhammad Ali, Zé do Caixão, Don Quixote, Bento XVI e Tiririca. Infeliz ou felizmente, todas elas pereceram soterradas durante uma erupção vulcânica no sótão da Mansão Galdino, em Rio Grande, Missouri.

         Blog da Jenny Paula: Neodada.ismo         
         Blog da Jey Cassidy: Arque-tipos
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Pinapos do dia

O pinapário de Lord Rai .  .  .  .   . Maria Arlete Gonçalves, a Lelépida (à esquerda), e Shirley Fioretti são duas das pouco mais de duzentas pin-ups que integram a coleção particularíssima de Lord Raimundo Bandeira de Mello. Uma distinção e tanto, porque para o Rai não basta que uma mulher seja bonita e sensual, tampouco sensível e inteligente. É necessário bem mais: as eleitas precisam ser deusas – e com no mínimo cinco anos de experiência comprovada na carteira de trabalho. Exagero dele? Excentricidade? Frescura? Não, não e não. Várias décadas antes de partir há cerca de um ano, esse gentleman radical já sabia que só divindades poderiam freqüentar a simples porém aconchegante maloca que mandou construir em Passárgada, onde não é amigo do rei mas é “assim” com a rainha.

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 Friedrichantonio, o transformerista .  .  .  . 

Friedrichantonio transformaterializou-se durante a leitura da tradução alemã das obras completas de Marcantonio Costa por Friedrich Nietzsche, mais precisamente numa estrofe (abaixo) do poema Garten. Os dois já se conheciam fazia algum tempo, quando o poeta consultara o filósofo após tentar seguir, sem sucesso, a fórmula de evolução prevista em Also sprach Zarathustra: passar de camelo a leão e de leão a criança. “Meu problema – disse Marcantonio na ocasião – é iniciar o processo, porque o mais próximo de um camelo que consegui ser foi um tamanduá com bico de ornitorrinco”. “Você devia tentar prosseguir assim mesmo, meu rapaz.    Quem sabe não chegará a um resultado final até melhor?” – disse Nietzsche. “Ah, eu bem que tentei – disse, desolado, o poeta – e de tamandurrinco passei a texugo e de texugo a uma barbie.” “Eureka!” – exclamou, com falso entusiasmo, o filósofo, e ato contínuo entregou a Marcantonio um cartão de visita no qual se lia: “Sigmund Freud – PSICANALISTA”.
A estrofe de Garten que gerou Friedrichantonio:   .     .    
Ein Novum:
Der neue Architekt (die den alten Stil hasst
Und in einem Manifest gegen die Tradition
Daedalos schickte die zehn Finger in den Arsch schieben)
Phlegmatiker ist die Gestaltung ein Labyrinth gewidmet
Von Hecken
Die, wenn sie genau, wird als sapo springen
In die Freiheit.

Tradução:
Uma novidade:
O novo arquiteto (que detesta o estilo antigo
E num manifesto contra a tradição
Mandou Dédalos enfiar os dez dedos no cu)
Dedica-se fleumático a projetar um labirinto
De cercas vivas
Do qual, se preciso, pulará como um sapo
Para a liberdade.
        
           Link do poema do Marcantonio: Drei Gedichte Oktober
           Blog do FredrichantonioTemporäre Blaue

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O Grande Desfile de Pin-ups (nos camarins)



A pianista Thais Costa está, como vocês podem ver, ensaiando exaustivamente para se apresentar na próxima etapa do Grande Desfile de Pin-ups.




Silvia Maria Camargo Rocha oxigenou os cabelos para desfilar de Marilyn. Agora só falta decidir que peças do vestuário vai vestir ou despir.



Lily Guimarães está me deixando maluco com a sua proposta ousada para desfilar. Imaginem vocês que ela pretende fazer um striptease em plena passarela. Que os anjos virtuais me protejam!



 

A exuberante Bettie Page finalmente vai estrear no desfile. 
Adivinhem que beldade amiga irá encarná-la:

                                                     a) Nina Rizzi 
                                                     b) Márcia Luz
                                                     c) Iracema Buscácio
                                                     d) Andrea De Godoy Neto
                                                     e) Paulinho Saturnino




Nôra Marino Duarte  é um problema ainda maior que a Lily. Além de pretender se despir na passarela, ela também deseja que isso seja feito por um homem. Se é que se pode chamar de homem o Tonhão Barata Cascuda, um camaradinha dela que tem, como qualquer inseto, seis membros. Sem contar os três pênis.




Enquanto isso, a irmã gêmea de Nôra, Eleô Marino Duarte, treina para o desfile até desmaiar. Literalmente. É que, atendendo recomendação da mana sacana, Eleô está mexendo as cadeiras. Da maneira parva que a caracteriza, é claro.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O Grande Desfile das Pin-ups - IV

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.......A faxineira de ouvido de elefante

Maria José Pasti, a Zeza, é há 30 anos minha principal referência afetiva na região de Ribeirão Preto. Não sei se ela já limpou ouvido de elefante, mas não duvido que ela se preste a isso, porque é uma das pessoas mais prestativas, generosas e afetuosas que conheço. Seus próprios ouvidos, isso eu sei, estão sempre limpos, prontos a ouvir e socorrer a todos que necessitem: parentes, amigos, seus pacientes e até aracnídeos como eu (Aranha é meu apelido por lá).
Ir a Ribeirão ou a Santa Rosa de Viterbo e não conhecer a Zeza é como ir a Roma e não conhecer o Papa. Com a diferença que ela jamais renunciará.

........ (Agradeço à Patriccia Zamagna e à Ligia Saldanha que me enviaram, por coincidência na ........
mesma semana, e-mail com cópia de cerca de uma dúzia de magníficos postais como esse.)


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.......Mexicana made in Bahia


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 Minha querida Tania Contreiras precisou desfilar duas vezes seguidas, porque não conseguiu decidir como se apresentar, se num clima caseiro, quando vive em P&B, sob o domínio de sua paixão por Humphrey Bogart e todo o cinema noir; ou se no seu estilo noturno, em que Oxalá faz aflorar o branco de sua alma baianíssima, realçando-lhe os tons apimentados da pele. E tem é pimenta nisso! Tanto que lhe cai muito bem um sombrero, a incrementar, mexicanamente, ainda mais o ardor de sua lírica roxo-violeta.

            Blog da Tania: Roxo-violeta  

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.......La Roseteira

Ana Laura Fioretti Monteiro de Castro veio ao mundo para duas coisas: rosetar e me atazanar, não necessariamente nesta ordem. Em 1985, eu estava confortavelmente agregado ao lar de meus velhos amigos Dulcino e Shirley, quando ela resolveu ser filha deles e nasceu, o que me obrigou a picar a mula para ceder-lhe o quarto que vinha ocupando. Desde então, dedica-se de corpo e alma ao roseteio, atividade que só interrompe quando torna-se imperioso me pentelhar. Eu podia citar mil exemplos dessa pentelhação, mas basta um. Certa noite, há alguns anos, precisei entrar na Lagoa Rodrigo de Freitas para pescá-la. É que, desgostosa com uma paixão não correspondida, Aninha resolveu dar cabo à vida. Mas só dos joelhos para baixo, já que perpetrou o gesto extremado em águas de menos de dois palmos de profundidade. Além de convencê-la a sair (argumentando que a água estava infestada de coliformes fecais, bactérias altamente patogênicas, mosquitos da dengue e, principalmente, folhas peçonhentas da árvore natalina bradesca), precisei também dispersar a multidão de caminhantes, corredores e ciclistas que pediam autógrafos a La Roseteira, por confundi-la com a então famosa capivara da Lagoa.

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.......Minha xerife predileta

Maria Ines Castelo de Teves, a Marquesa de Teves, é uma presença forte na minha vida há muitos anos. Sua especialidade é intervir quando me meto em problemas ou, o que é mais comum, os problemas se metem comigo. Ela é dessas figuras que você pode procurar na hora do aperto e nem precisa explicar do que se trata. Sussurrou socorro, ela logo aparece munida de um verdadeiro container de primeiros socorros. Tem de tudo: de remédio pra mil doenças a despacho de macumba em spray; de sopinhas em pó e barras de chocolate a simpatia pra trazer de volta, viva ou morta, a fedaputa da mulher amada.
E dessa correria toda ela consegue dar conta tendo de carregar ainda uma virtude anatômica de peso. Não deu pra mostrar aqui, mas quem quiser conhecer é só pegar qualquer folder sobre as principais atrações turísticas do Rio que encontrará, entre fotos do Pão de Açúcar, do Corcovado e do Maracanã, pelo menos uma da bunda da Marquesa.

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.......Não é a Minnie

Suzana Guimarães não tem nada a ver com a namorada do Mickey, a não ser pelo fato pouco relevante de morar nos EUA. Ela é mineira, não minnieira (perdão, não resisti!). Então suponho que a Su esteja pinapeada como uma preá, simpático e saboroso roedor cotó que vive nas áreas rurais de Minas e de alguns outros estados. Eu pretendia que ela desfilasse de quimono, em alusão à sua forte relação com o jiu jitsu, mas encontrei este desenho e achei que era a cara dela, a mesma elegância delicada, embora certamente não tão sensível.
Como, leitor? Se eu conheço a Suzana pessoalmente? Não, não, meu caro. Eu a conheço de muito mais perto que pessoalmente. Faz três anos que dou meus passeios – e às vezes até me hospedo! – no imenso coração que ela partilha com todos em seus três blogs e no Facebook.
Em tempo: jiu jitsu (柔術) quer dizer, em português, arte da suavidade. 

         Blog da Suzana: O medo de Suzana

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.......A maior reserva de titânio do Brasil

Itanhaém, no interior de São Paulo, é atualmente a maior reserva brasileira de titânio. Graças à Sil Antunes, que vem acumulando toneladas do valioso metal em seu corpo. Tudo começou há alguns anos, pela coluna vertebral, trocada por um verdadeiro zíper de titânio. A partir daí, nossa amiga ziperada pegou gosto pela coisa e não parou mais de titanizar-se. No último Natal, ela presenteou-se com uma réplica em titânio do nariz da Clarice Lispector. E não pretende ficar nisso, já tendo agendado para logo depois do carnaval uma siderurgia plástica que a deixará bem mais reluzente: trocará os longos cabelos por uma titânica careca do Caio F. Abreu.

            Blog da Sil: Entre aspas  

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.......Uma asa movida a traças

Carolina Suriani Caetano é uma asa. Transparente, quase invisível, é impulsionada por duas sublimes traças que batem, batem incansavelmente, para arrastá-la pelos céus escritos por Carla Diacov e chafurdá-la nos mares desenhados por Larca Viadoc. Às vezes, Larca desenha céus e Carla escreve mares, mas a asa Carolina fica um tanto incomodada com essa troca. É que os ventos estrábicos dos céus de Larca despenteiam as sobrancelhas das traças e os mares sanguinorrápidos de Carla são infestados de polvos que passam a mão na bunda delas.

           Blog da Carolina: Carolina Caetano

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.......A indelével Daniela

Daniela é Delias, segunda pessoa do singular do pretérito imperfeito do indicativo de delir, esse verbo excomungado pelos nerds que criaram o  'deletar' do jargão  informático. Sim, porque delir é delete em português, e desde os primórdios do idioma, oriundo do latim delere. Só no século XV o vocábulo chegou ao francês e ao inglês, através do particípio deletus. O fato de delir ser pouco conhecido não justifica a adaptação esdrúxula, porque são inúmeros os seus sinônimos conhecidos – como apagar, descartar, eliminar, desfazer, cancelar, excluir, anular, invalidar, banir, liquidar, destruir, matar etc.
Não se trata de xenofobia ou de ranzinzice de um velho gagá (não que eu não o seja). Defender e preservar o nosso idioma é um dever que transcende o patriotismo. O imperialismo econômico-cultural norte-americano vem devastando línguas pelo mundo afora, e muitíssimo mais rápido do que fizeram os impérios macedônico, romano, sarraceno, britânico, francês, espanhol, holandês, otomano... e o próprio império português. E a cada língua que desaparece, a cultura humana fica mais pobre. Já são centenas (!) os idiomas e dialetos que caíram em desuso ou desapareceram ao longo da história, muitos silenciados na garganta de seus usuários, cortada por conquistadores que DELIRAM  nações inteiras. Cabe à Daniela, como a cada um dos ainda milhões de nós que lidamos com essa língua deliciosa, bem tratá-la e divulgá-la, mormente na escrita, para repassá-la, rica e vicejante, às gerações futuras.
(Pin-up é uma exceção absolutamente justificável. Uma expressãozinha simples e apetitosa.
 E, no nosso caso pelo menos, não cairia bem traduzi-la, como pendurada ou dependurada, que além de soar deselegante nos remete àquele rapaz – cabeludo, barbudo e Xavier como eu – que foi DELIDO na forca em Vila Rica.)

            Blog da Daniela: Do lado de cá

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.......Ethel e Vina, avós de Eleô e Nôra 

As incompatíveis gêmeas Eleô e Nôra Marino Duarte tem a quem puxar. Suas avós (também gêmeas) Ethel e Vina, mães de seu pai (!), são a cara e o caráter de nossas duas amigas. Ethel é tão ou mais palerma que Eleô, se é que isso é possível. O fato é que a pobre velha acredita em tudo, absolutamente tudo o que diz a nefanda Vina. Como no caso dessa absurda dupla maternidade. Quando Ethel ficou grávida do marido, caiu na conversa de que o filho era dela, Vina: “Deus o fez germinar no teu útero para preservar a minha santa virgindade!” – disse a víbora para a lesma, uma das raríssimas pessoas no mundo que Vina nunca levou pra cama. O marido da pamonha, que até hoje pinta os canecos de Baco com a cunhada safada, confirmou a versão estapafúrdia. E Ethel até hoje relembra feliz da vida a magnanimidade de Vina, que lhe permitiu constar na certidão de nascimento como co-mãe do futuro pai de Nôra.
Sim, agora o pai, assim como a mãe, é só de Nôra, pois na semana passada ela convenceu a irmã de que foi gerada sozinha no útero materno. “Tu, Eleô, não é filha deles pra valer, porque mamãe te pariu pelo fiofó!”

Blog da Ethel: Um beijo no coração
Blog da Vina: Um pontapé na bunda 

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................Um pinapo nato ......

Wellington Wellington Barbosa Barbosa Barbosa Barbosa Gonçalves Gonçalves – ou simplesmente Wellington Barbosa Barbosa Gonçalves – adentrou os estúdios fotográficos engatinhando. E sempre ia logo tirando a fralda e fazendo poses. Aos seis meses de idade já era uma celebridade em sua cidade natal, Governador Valadares, onde ganhou todos os concursos de beleza para nenéns: Bebê Jonhson, Pimpolho Grapette, Gotozim Dulcora, etc. 
De uma hora para outra, porém, o pinapinho foi relegado ao ostracismo. Não por ter perdido seu charme e beleza, mas porque a cidade toda se mandara para os States. Como não sabia inglês (mal falava gugu-dadá em português), Wellington preferiu mudar-se para Cachoeira Paulista, São Paulo, onde morava uma sua ex-noiva que conhecera na creche. Teve de recomeçar do zero, sem dinheiro até para comprar chupeta. Mas logo daria a volta por cima, empregando-se num parque de diversões como flanelinha de carrinhos de bebê. Um emprego sólido, que lhe abriu as portas para um futuro novamente glamoroso que hoje é presente.


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.......O Usain Bolt da Tijuca


Desde o tempo em que ambos morávamos na Tijuca e estudávamos no mesmo ginásio em Vila Isabel, Horacio Coelho Da Costa Ferreira corre uma barbaridade. E corre na contramão do tempo, pois continua sendo o mesmo gentleman bonito e jovial. Ele jura que não corre mais, só caminha, mas acho que diz isso por compaixão, para não humilhar seus amigos gastos e amarfanhados como eu.
Essas pernas, meninas, não são as do Horacio. As dele são mais caprichadas. E se não mostram o que existe entre elas, a culpa não é minha: quem as cruzou foi ele mesmo, talvez por timidez, talvez por puro charme...

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