. . . . . . . . . *Também conhecido como Cesinha, é um vira-lata, autor do livroPoemas de um cão sem dono.
GLOSSÁRIO
Trêfego- Manhoso, ardiloso;Oste- Osso, em grego;Impávido- Destemido, sem medo;Glossário- Vocabulário em que se explicam palavras mortas ou
agonizantes.
Quando a vi de costas, nua, percebi que nada do que meus olhos
haviam lhe dito até então era assim tão intenso, tão despido de romantismo
hipócrita.
A gosto
A casa em
chamas. Resolveu entrar e pegar a gaiola do curió que vira
pela janela. O passarinho era bem como ele gostava: . mal
passado.
Glória em vida
Aos 60 anos, doía-lhe ser visto como velho.
Aos 70, ser ignorado por todos. Aos 80, enfim a glória em vida: . ser considerado
um saudoso falecido.
Sintonia
– Boa noite, sol – ela disse, em sintonia com o fuso horário do
mundo da lua em que vive.
Rei
Ali era um reino? Nele havia súditos? Soube que não e não. Então
comprou o terreno e nele fundou o reino onde, para sempre, foi rei só de si.
Boa fé
– Já matei 87 pessoas. De boa fé, é claro. Que culpa tenho eu se
elas se aproximam do inimigo, indiferentes à minha notória má pontaria?
A mulher perfeita
Bela, culta, sensível, sexi, sem papas na língua
nem tatuagens.pelo .corpo. Parecia perfeita. E era, como descobri
quando a pedi em casamento e ela recusou.
Anjo brevíssimo
Sentou o braço num até sentir pena. Noutro, sentou o outro braço
até morrer de pena. E voou, para onde não precisasse ter pena nem asas.
Dois coelhos
O que era pior: apanhar do marido ou aturar a mãe dele defendendo-o?
Um dia, em legítima defesa, empurrou-o
janela abaixo e acertou, por acaso, a sogra, matando os dois.
Sem cura
. . . . . – Sabe
o que mais me dói quando eles partem?
.. . .
. . – O
quê, amiga?
.. . . . . – Uma dor sem cura que só o ser amado é capaz de causar ou agravar.
Um
navio no canavialé o título do único livro que o poeta e compositor Paulo Emílio
(da Costa Leite)escreveu – sem contar “Eu e meu cavalo”, uma série de poemas que
ele pretendia ampliar e também transformar em livro. Embora o
“Navio” pareça pronto para navegar no canavial, ele nunca o deu por terminado.
De meados dos anos 70, quando li os originais pela primeira vez, até julho de
90, quando ele os deixou na minha casa ao mudar-se de lá para a praia niteroiense
de Piratininga (onde veio a contrair, cinco meses depois, perto do Natal, a
doença que o mataria antes do Ano Novo), o único acréscimo feito à obra foi o
título, surgido à época (82 a
87) em que o poeta morou em
Santa Rosa de Viterbo – SP, principal "porto do mar
canavieiro" dos Matarazzo. Mas alguns trechos das dezenas de poemas
encadeados que compõem o livro ganharam vida pública, musicados. O melhor
exemplo surgiu na letra do samba “Made in Brasil”, com João Bosco, que continha
pelo menos um verso de um dos poemas do “Navio”. A música foi feita em 78,
especialmente para um show que o compositor mineiro faria no Japão. Não chegou
a ser gravada em disco, porque João voltou a trabalhar com Aldir Blanc, e os
três fizeram o LP “Linha de passe”, cuja música-título era uma nova versão de
“Made in Brasil", acrescida de uma segunda parte letrada por Aldir. A
diferença entre os versos dos dois letristas é grande e, para enfatizá-la,
confronto trechos feitos por cada um deles com a letra de “Cobra criada” (só do
Paulo Emílio com o João), que estilisticamente só tem a ver com a
primeira metade de “Linha de Passe”. Senão, vejamos:
Linha
de passe / Paulo Emílio:Toca de tatu, lingüiça e paio e boi zebu/ Rabada com angu, rabo-de-saia/
Naco de peru, lombo de porco com tutu/ E bolo de fubá, barriga d'água / Há um
diz que tem e no balaio tem também/ Um
som bordão bordando o som, dedão, violação (...)
(Em itálico, o verso que provém de um dos poemas de “Um
navio no canavial”.)
Linha
de passe / Aldir Blanc:Já era Tirolesa, o Garrincha, a Galeria/ A Mayrink Veiga, o Vai-da-Valsa,
e hoje em dia/ Rola a bola, é sola, esfola, cola, é pau a pau/ E lá vem Portela
que nem Marquês de Pombal/ Mal, isso assim vai mal, mas viva o carnaval/ Lights
e sarongs, bondes, louras, King-Kongs/ Meu pirão primeiro é muita marmelada
(...)
Cobra
criada:Suco de sururucu/ Diga lá
jacu/ Cutia comadre/ Posta de pirarucu/ Diga lá caju/ Barata cascuda/ Gruta de
viúva negra/ Caranguejeira/ Saúva coruja/ Rastro de jararucu/ Jararacoral/ Piranha
calunga/ Diaba de banda retrai/ De carataí/ Traíra de dente de dá/ E cada
dentada que dá/ Cascudo cará/ Purus Juruá/ Mordida no maracujá/ De cobra criada
no mar/ Chocalha no cadê você/ Sussurra no bote que dá/ Curare de cobra/ Suga e
sai/ Picada de cobra/ Amor não dói.
A aventura no ‘mar dos canaviais”,
Paulo Emílio a justificava com o desejo de morar num lugar mais tranqüilo, onde
pudesse terminar o livro e cuidar da saúde, debilitada por um princípio de
cirrose diagnosticado em 81. Se não terminou o livro, como eu já disse, da saúde
ele tratou foi com muita cerveja e pinga, que é impossível ficar sóbrio num
lugar apinhado de boêmios “24 horas” e doidos com pós-doutorado. Como se não bastasse, a
cidade tem quatro ou cinco botequins por metro quadrado (exagerei: são só três
ou quatro!). Eu mesmo, nas mais de dez vezes em que estive em Santa Rosa de Viterbo, só não tomava
dois porres por dia quando tomava três. Isso, se não emendasse uma bebedeira
na outra para, no mínimo, poder dizer à família e aos amigos abstêmios daqui do Rio que estive
em Santa Rosa –
durante três semanas, por exemplo – e só tomei um porre!
Psicoterapia
floral com cheiro de mandioquinha
Chega de falar de Santa Rosa de
Viterbo, que esse é um dos capítulos mais longos (se é que tem fim) da vida do
Paulo Emílio. Chega de post, inclusive,
que já vai enorme e ainda tenho de acrescentar pelos menos dois vídeos de músicas
do poeta cantadas por suas intérpretes prediletas: Elis e Clara Nunes. Mas
preciso dizer mais três coisinhas:
1 – Nunca publiquei nada sobre o
Paulo Emílio nesses 21 anos sem ele. Não sei bem o motivo desse silêncio.
Talvez se deva ao fato de me bastar manter com ele conversas em momentos que não estou entendendo
o que se passa comigo. E isso acontece a toda hora... Posto agora em razão do aniversário dele, o que soa bem absurdo, como se tivessem se passado vinte anos sem o dia do aniversário dele. Que aliás foi anteontem, 26 de janeiro. Meu atraso é por culpa da Net, que ontem e hoje deu duas bandas certeiras na
minha cada dia mais estreita banda larga.
2 – Não consegui escrever alguns casos do Paulo Emílio que achava essencial contar aqui. Mesmo depois de tanto
tempo, relembrá-los me emocionou a ponto de o coração engruvinhar e as mãos travarem. O que se segue, por exemplo, escrevê-lo foi quase um parto natural de quadri ou pentagêmeos.
3 – Num dos piores dias da minha
vida, eu estava trabalhando no Bar da Pombas, negócio maluco inventado por
alguns amigos que, sensatamente, acabaram desistindo
da idéia. Mas o pacóvio aqui foi em frente e o comprou, no início de 78. O bar em si até que ia muito bem: 20 meses após a compra chegávamos àquela fase em que se começa a ter lucro. Mas meus dois sócios
estavam de saco cheio e queriam vendê-lo. Minha mulher estava de saco cheio e
queria que eu o vendesse. E meus pais, meus amigos, meu cachorro... o mundo inteiro estava de
saco cheio do Bar das Pombas. Menos eu, que não tinha um saco pra encher: o meu
estourara havia meses e, em meio a tanta demanda alheia, não me sobrava tempo
nem para arranjar outro saco. E agora eu estava ali, trabalhando no bar, mas doido para
sair correndo, me esconder num canto e chorar com meus botões. Era pouco mais de meia-noite, dois ou três bebuns no balcão e as
mesas vazias, os empregados me pressionando para irmos embora e eu querendo manter
o horário mínimo que estabelecera para fechar, que era duas da manhã. Sustentava
meus escombros apoiando os cotovelos na caixa registradora quando, de repente, pude
distinguir lá fora, atravessando a rua escura e deserta em direção ao bar, um ser todo de
preto, das botas de cano curto ao chapéu de abas largas. Era a salvação, pensei,
porque se não fosse o Hopalong Cassidy ou O Paladino do Oeste, heróis do meu faroeste
infantil, só podia ser o Paulo Emílio. E era ele mesmo, o herói do meu faroeste
adulto. Entrou, seríssimo, com aqueles olhos penetrantes e perscrutadores cravados
nos meus. Não falou comigo, mas com o copeiro: “Duas cervejas, dois copos e dois
traçados de conhaque com cinzano. Ah, e diz pro seu chefe que mandei ele fechar
logo essa espelunca e ir lá pra minha mesa.” Em menos de um minuto despachei os
empregados, baixei a porta corrediça e fui pra mesa dele: a última, uma das
seis que ficavam numa área a céu aberto, sob uma amendoeira centenária ou quase. Paulo
Emílio gostava dessa mesa por ser a mais discreta e por ficar bem junto ao rio
Maracanã, que ladeava o bar em todo o seu comprimento. “É a mais confortável. A
gente não precisa correr ao banheiro para vomitar.” Bebemos as duas cervejas, os
traçados e depois mais quatro ou cinco cervejas, sem que eu desse um pio sobre
o que me afligia. Ele não me deu chance: falou besteira atrás de besteira e
quando viu que eu já estava bem melhor, mas muito bêbado (aqueles porres quase
instantâneos de quem está mal), falou: “Vamos para casa”. O que significava
irmos pra minha casa, porque isso – uma casa pra chamar de sua – ele já não tinha
havia alguns anos. Acordei com o apartamento inundado de cheiro de ensopado de
carne com batata baroa (a mandioquinha dos paulistas), um dos pratos que o
Paulo Emílio mais gostava de fazer e, sobretudo, o que eu mais gostava de
comer. Isso me fez levantar com uma disposição bem rara naquele período. Já me
imaginava à mesa devorando o ensopado e falando, com serenidade, tudo que eu não
falara de madrugada. Qual o quê! Não falei
uma vírgula sequer sobre o assunto com ele. Nem durante o almoço nem jamais. Porque toda a angústia que eu vinha sentindo
me pareceu tolice, coisa miúda, ao chegar na sala e me deparar com a mesa que meu amigo acabara de pôr. Toalha branca de linho com guardanapos combinando, panela de barro com o
ensopado, travessa de arroz com seis ou sete ovos fritos por cima (iguaria especialíssima
para nós dois), garrafa de vinho tinto poruguês e, no centro da mesa, imponente feito uma jarra de cristal da Boêmia, o copo do liquidificador exultando de rosas brancas.
O poeta,
o pescador e o peixe de Itu
Paulo
Emílio, em Santa Rosa
de Viterbo, com o nosso querido Dito Cervi, que mostra o tamanho da piaba que pescou no rio
Pardo. Admirador de uma boa mentira ("A inteligência é burra e a verdade, dissimulada!"),
o poeta, sempre alerta, faz um de seus gestos mais peculiares: essa mão com o
dedo médio apontado para cima, o anular para frente, o mindinho para baixo e o
polegar e o indicador em pinça, prontos para pegar e saborear os microscópicos tesouros
infinitos de cada pessoa, as migalhas de felicidade compartilháveis, a lingerie
das moléculas do imponderável.
COBRA
CRIADA – João Bosco e Paulo Emílio
.
NATUREZA VIVA – João Bosco e Paulo Emílio
.
NAÇÃO –
João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio
.
.
Um tema bem adequado para o fim do mundo
“Eu quero me confessar
Antes da barca afundar:
Sei ondeguardam o rum
E
a vida é uma casca de noz.”
. . . . . .
(De uma das últimas canções que o Paulo Emílio fez – letra e música. Esses versos iniciais se encaixam bem na
atual moda de fim do mundo, não? Pois a continuação, que infelizmente não
lembro direito, é o próprio apocalipse!)
Este Samba do Avião do Crioulo Doido não vai além desse
verso-título. Creio que por insuficiência de carioquice, pois ele é mineiro, no
máximo mineiroca, tal qual o crioulo doido desbotado aqui. E o avião? Ah, esse
decolou do Maranhão para vir sobrevoar, bem a jato, essa cidade maravilhosa que
as autoridades e a grande mídia – junto com a encagaçada maioria de sua
população – tentam a todo custo difamar, esvaziar e destruir. Não conseguiram,
ainda, de modo que sobrou até bastante para o deleite do avião, que atende pelo
nome de Adriana Araújo (mas se chamá-lo de Pólen Radioativo, nome do seu angar
blogosférico, ele pousa sem reclamar dos buracos na pista).
.
A noite em que falei mais do que eu mesmo!
Olha o avião durante um pit
stop para reabastecimento de chope numa adega do Largo do Machado. A foto, eu
a tirei mentalmente no instante em que, ainda no táxi que me levou até o local,
olhei para as mesas e logo pude identificar o aparelho, cuja fuselagem e interior eu fora conhecer
pessoalmente. Não esperava localizá-lo tão rápido, porque passava das 23 horas
e, à noite, não distingo nada a mais de três metros de distância. Só que assim
que cheguei o sorriso do supersônico maranhense espocou numa radioativa polinização,
iluminando tudo e revelando em minúcias a alma de todos – exceto a do
desalmado cavalheiro sentado à primeira mesa à direita.
As não mais de duas horas que ali passamos foram de muita tensão e
ansiedade para mim (levando-me a falar mais do que todos os fregueses e
funcionários da casa juntos!); primeiro, porque fiquei sabendo que o nosso
encontro seria muito breve, e isso sempre me deixa tenso; segundo, porque a
presença daquele sinistro senhor por pouco não me asfixiou de angústia.
Um pneumático e erundino cachorrão
Eis um instantâneo mais aproximado do avião, que aí preparava a aterrissagem em mim, para o nosso primeiro abraço ao vivo. Ana Claudia, sua amiga que aparece na foto anterior,
acho que foi ao banheiro nessa hora. Ou tirar satisfação com o cavalheiro
sinistro, que não parava de nos incomodar. Ô sujeitinho mais inconveniente! Cochichou-me que o Hélio Jesuíno morava a poucos metros dali, mas que de casa não
viria mais, nunca mais:
– No máximo, aparecerá para um chopinho bem rápido, preclaro Tuca. Isso... se eu
me dispuser a providenciar um indulto em caráter especialíssimo.
À Ana Claudia, o ensebado atazanava lembrando que ela deveria
cuidar de não perder o vôo para São Luiz na manhã seguinte, numa evidente e pérfida alusão
ao enterro de sua tia, que se fora naquele dia em circunstâncias trágicas.
– Garçom, conhece esse chato?
– De vez em quando ele dá as caras. Sempre assim, sozinho.
Mas costuma sair daqui acompanhado.
– Mulher?
– Mulher, homem, criança...
– Sabe o que ele faz?
– Tem um freguês, poeta, que o conhece. Disse
que ele é um... acho que um... um pneumático e erundino professor de latir!
O bico de pena é do livro Pecados Imortais, que Hélio Jesuíno escreveu (em parceria com Sérgio Oiticica, entre outros) e ilustrou. Conheça a obra, aqui.
Fazer, com o Hélio Jesuíno, algum trocadilho ou outro tipo de
associação entre o seu primeiro nome e o astro-rei era garantia de receber uma trauletada
firme nos cornos da alma. E o título desta postagem foi gerado justamente a partir de uma conversa
que tivemos, ali pelos idos do século XVIII, na qual cometi a besteira de chamá-lo de “ensolarado amigo”. Hélio não passava de
um sujeito tosco e rude para quem não conseguia ou não se interessava em
perceber o ser extremamente sensível e generoso que habitava o corpanzil daquele
“andarilho quirguiz” – na boa definição de uma amiga anônima que comentou na postagem
anterior. Ao conhecê-lo, em 76, cheguei a pensar que estivesse tendo o privilégio
de conhecer, em carne e osso, o Derzu Uzala, do filme de Kurosawa que eu vira havia poucas semanas. Não, o privilégio foi maior, muitíssimo maior,
como vim a saber em alguns anos: com o “cacique boliviano”, como eu preferia
defini-lo – sem jamais dizer a ele! –, caminhei muito mais léguas eletrizantes que
as percorridas pelo agrimensor militar russo guiado por Derzu no cinema, no
livro e na vida real. Foram praças, avenidas, ruas, ruelas e becos sem fim, sempre à
caça de um boteco bem fuleiro que oferecesse toda a nobreza que importava aos
nossos olhos e à nossa convivência.
Minha última conversa tête-à-tête com Hélio Jesuíno – que jamais
eu poderia imaginar fosse a derradeira – deu-se no quintalzinho da casa de
vila em que ele morava desde que se casou com a Silvia, sua primeira e única
mulher, há quase 40 anos. Bebemos cerveja, beliscamos azeitonas, implicamos com a Sílvia que mesmo gripada não parava de arrumar a casa, falamos de nossos projetos em parceria, falamos da
vida... e até da morte. Sarcasticamente, é claro. Mesmo assim, lá pelas tantas
ele me interrompeu: “Pára, para já, que estão mandando.” Era a voz do eu místico
desse ateu à toa que nem eu – botafoguenses os dois, simpatizantes do candomblé,
ele bem mais que isso, embora eu não hesite em afirmar que, se há alguma
sabedoria real nas religiões mais conhecidas, ela concentra-se praticamente
toda nesse culto que os negros trouxeram da África e souberam conservar mesmo
sob pancadas pesadas de seus “donos”, fiéis seguidores do deus católico. Oxalá,
meu amigo –SOLAR,ENSOLARADO e SOL-SEMPRE-NASCENTE, sim! –, Xangô continue contigo.
(Na imagem ao alto, duas das páginas do livro-quadro“Em carne e osso”, que fecha
a Suíte Iconoclasta, última grande série de trabalhos que Hélio Jesuíno expôs –
no salão de exposições da Academia Brasileira de Letras, com irrepreensível curadoria
do poeta, historiador e crítico de arte Alexei Bueno, um dos mais abalizados e
entusiasmados admiradores de seu trabalho. Na foto encaixada, Hélio aponta seu
"santo de cabeça" numa estante do ateliê, conforme se vê por inteiro no vídeo que encerra
essa postagem, todo ele sobre a Suíte Iconoclasta, inclusive e sobretudo o "único exemplar" do que chamo, um tanto impropriamente, de livro-quadro,
sua obra que mais fundo me toca.)
*O romancista e teatrólogo
Flávio Braga é amigo do Hélio Jesuíno há milênios – embora o artista plástico certamente
dissesse que isso é um certo exagero típico de escritores: “Só nos conhecemos
há séculos!”
Meu
velho amigo e parceirão de boemia e criações mirabolantes Hélio Jesuíno (só não digo que você me paga, seu puto, porque não pretendo morrer para
cobrar-lhe!) criou, desenhou e aplicou sobre as imagens filmadas de “Dógui, o cão
da globalização”, curta de Júlia Martins, o protagonista e demais animais e
pessoas que participam da trama. "Uma trabalheira do cão, mas que valeu a
pena", como ele disse. Se valeu! O filme é uma delícia, com cenas e
seqüências antológicas, como a perseguição noturna do cão a um gato
pelas ruas desertas e sombrias. É do Jesuíno também a voz do cachorro velho que
cantarola "Pobres moços", de Lupicínio Rodrigues.