sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pólen Radioativo


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Para Adriana Araújo .
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 pólen de urânio
bomba de gerânio
primaver.(amar).anhão
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Hoje tem bolo e muito reggae no blog da poeta maranhense, aqui.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Musas da minha vida obtusa


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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A de morte
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Ser eu uma lesma
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . É a sua sorte.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Sem o meu aporte,
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A pequena de morte
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Mataria a si mesma.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A santa
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A santa madre
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Do pau oco.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A cada milagre
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Me embriaga um pouco
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Com vinagre.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A muda
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Para que palavra?
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . É o seu mutismo
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A única lavra
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Que funda e agrava
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . O meu abismo.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A Senhora
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Seu maior dote
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . É o meu reinado.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . E seu mote,
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Arame farpado
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . No meu desejo-lote.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A faz tudo
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Por ser assim,
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Não dá trabalho:
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Me sangra sem fim
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . E ainda afaga em mim
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A arma do talho.
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domingo, 25 de setembro de 2011

Dicas para as provas do Enem

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Elza Magna
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1 – Por que há mais mulheres do que homens no mundo?

R.: Porque os homens engravidam menos.

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2 – Onde fica o hipotálamo?

R.: Na água, como todo mamífero aquático.

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3 –. Para os pintos saírem dos ovos, o que faz a galinha?

R.: Chupa eles.

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4 – Qual é o polígono com menor número de lados?

R.: O círculo.

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5 – Por que o coração é associado ao amor?

R.: Porque, se ele pára, a gente broxa.

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6 - Como morreu o Bispo Sardinha?

R.: Enlatado

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7 – Por que Vênus é chamada de estrela?

R.: Porque ficou rica e famosa fabricando camisinha.

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8 – Para que servem as amígdalas?

R.: Pra agarrar pentelho.

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9 – Que animais dependem das guelras para viver?

R.: Os militares.

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10 – O que é piroga?

R.: O marido da jojota.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pra dizer tudo e mais alguma coisa

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Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela (…). Quem não se arrisca não pode berrar.

Torquato Neto

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Só conheci Torquato de vista e, claro, de lê-lo e de, por outras vozes, ouvi-lo. Por duas vezes o vi, sozinho, bebendo num bar que eu passara a freqüentar no final da adolescência – e que, anos mais tarde, eu acabaria comprando. Não podia imaginar que a grande importância que ele tinha na minha vida naquela época se tornaria tão maior com o tempo.

Lembrei-me do poeta ainda há pouco, ao acordar meio deprimido. Não sei bem por que, sempre me levanta o astral ouvir a sua – e de Edu Lobo – tristíssima “Pra dizer adeus”. Talvez porque soem como as "últimas palavras" mais suntuosas que alguém já deixou, finamente embaladas musicalmente e ditas e repetidas até hoje nas vozes sensibilíssimas de intérpretes como o seu parceiro, como Nana Caymmi, Elizeth Cardoso, Orlando Silva, Bethania e, sobretudo, como Elis, que partiu tão cedo também.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Abaixo as cores inimigas!

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Anga Mazle e Teopha

O fanatismo de muitos torcedores de futebol produz , freqüentemente, pérolas de boçalidade. É o caso de uma parte da torcida do Botafogo (nosso time!), que vem protestando contra a pintura das cadeiras do estádio alvinegro – o Engenhão – com as cores vermelha e branca de um patrocinador. Na visão (?) desses torcedores, o vermelho lembra um grande rival (ou a metade dele, se não nos falha a aritmética), o rubro-negro Flamengo, e por isso cobram da diretoria botafoguense que mude as cores, pouco importando os prejuízos decorrentes dessa mudança..

A situação não é nova, já aconteceu com outros clubes, e certamente vai continuar acontecendo. Afinal, ser boçal é lindo, né não?.

Fiéis à nossa missão de bem desinformar seletivamente, apresentamos algumas sugestões para incrementar essa onda colorida de boçalidade:

1. . . . Extintores personalizados – para botafoguenses, corintianos e demais alvinegros que não suportam o vermelho – do Flamengo, do São Paulo etc.



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2. . . . Campo com grama cor de rosa – para são-paulinos, cruzeirenses, fluminenses e demais torcedores que têm chilique quando vêem o verde do Palmeiras, do América mineiro etc.



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3. . . . Máscaras vermelhas – para jogadores e torcedores brancos do Flamengo, Atlético paranaense, Vitória e outros clubes rubro-negros que odeiam a mistura de brancos e pretos, que lembra os times alvinegros.



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4. . . . Sangue azul – para os gremistas e demais torcedores alérgicos à cor vermelha.


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5. . . . Céu nublado – para torcedores que abominam o Cruzeiro e outros times azuis (como é o caso do poeta Marcantonio Costa, que apresentou esta sugestão, ainda ressacado da trauletada que o celeste Avaí aplicou no seu Flamengo lá na Ressacada!)

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Palavra de especialista

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Teopha . . . .
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Pescador, por circunstância;

analfabeto, por vocação.

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Poesia, ele pesca fácil,

como o pai, o avô, o bisavô:

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“A palavra é só um peixe

com escama até na língua.”

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ato de Protesto e Solidariedade

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Meu mano Paulinho Saturnino postou no Facebook uma foto de um grupo de mocréias alcoolfóbicas. Indignadas, ninfas lá do FB fizeram uma passeata (pelos bares) em protesto contra o cardume de dragões – e também em solidariedade a minha querida Shirley Fioretti, que foi proibida de beber pelo médico, uma revoltante atitude desumana.
Para registrar o excelso evento, fiz as devidas correções na velha foto (que reproduzo abaixo, com a legenda do Paulinho). Eis o timaço das alcoólfilas: da esquerda pra direita, Katinha Saturnino e Raíssa Balela (ao fundo); Emily 'Monalisa' Vaz, Lelépida Lelepidóptera, Shirley, Quadrúpede Latinte (representando Lelena Camargo, a Bípede Falante), Adriana Radioativa e Yula Leroy (em segundo plano), e as Feijó Catita (mão no queixo), sua avó Ceci, sua irmã Cissa e sua mãe Sofia.
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terça-feira, 26 de julho de 2011

Ela (!) e ele (?)

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Presença

A nudez da vizinha de frente logo se tornaria mais constante em sua vida do que sua própria sombra.
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A barreira

Seria dele ou seria dela mesma a invisível barreira que a impedia de se aproximar de mais?



A única

Ela era tantas – e todas tão irresistivelmente sedutoras ­– que, no fundo, a única unidade que a ele restara era a de sua própria solidão.

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Eu sou neguinha?

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Você alguma vez já se pegou cantando uma música da qual não gosta? Isso acontece muito comigo. Mas esta manhã, meu inconsciente exagerou, e eu acordei cantarolando:

“... eu tava rezando ali completamente/ um crente, uma lente, era uma visão/ totalmente terceiro sexo/ totalmente terceiro mundo, terceiro milênio/ carne nua nua nua nua nua nua nua/ era tão gozado/ era um trio elétrico, era fantasia/ escola de samba na televisão/ cruz no fim do túnel, becos sem saída/ e eu era a saída, melodia, meio-dia dia dia/ era o que dizia:/ Eu sou neguinha? Eu sou neguinha? Eu sou neguinha?...”

Sai pra lá, abacaxi... tomei leite!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Bueiros Aires

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O inferno tem muitas bocas.

Por elas, cospe fogo

e, às vezes, uma ou outra alma fibrosa

que lhe fica entalada entre os dentes.

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O inferno tem cara para infinitas bocas.

E essa cara, hoje, com certeza é o Rio.

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Gol de poeta

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Bissolcleta
A onze. poetas rubro-negros
Raul defende com o pé, de verso,
e serve a Domingos da Guia
que passa, de letra, para
Carlos Alberto Torres, que toca
bola bem redondilha
para Leandro inverter o jogo,
em passe alexandrino para Júnior,
que dispara em velocidade
e rima com Andrade,
que faz uma trova chistosa,
com caneta, num rival
e passa para Geraldo assoviar
um soneto, antes de lançar
para Zico, que aplica
um hacai que derruba
dois adversários e encontra,
em verso livre, Dida, que centra,
alto como uma elegia, na área.
Leônidas da Silva tenta uma
bicicleta, metrificada nas nuvens,
e não alcança a bola, mas
Marcantonio não perde o mote:
chuta o sol para o fundo da rede.
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Este poema e a ilustração eu fiz para uma postagem coletiva, no blog da Cris de Souza, em homenagem ao aniversário do poeta Marco Antonio Costa. Como a Cris me pediu para inserir na imagem fotinhas dos participantes, precisei fazer outra ilustração (e outro texto), guardando a Bissolcleta para o DS.
Parabéns, Marcantonio! Parabéns, Cris! E parabéns, também, Tânia Contreiras, que organizou uma excelente entrevista com o poeta.
Abaixo, as ilustraçoes que fiz para a entrevista e para a postagem coletiva, mais os links dos três:




A postagem coletiva, no Trem da Lira
A entrevista, no Roxo-violeta
Blogs do Marcantonio: Azul temporário e Diário extrovertido.
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