quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Musas da minha vida obtusa


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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A de morte
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Ser eu uma lesma
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . É a sua sorte.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Sem o meu aporte,
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A pequena de morte
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Mataria a si mesma.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A santa
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A santa madre
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Do pau oco.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A cada milagre
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Me embriaga um pouco
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Com vinagre.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A muda
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Para que palavra?
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . É o seu mutismo
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A única lavra
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Que funda e agrava
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . O meu abismo.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A Senhora
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Seu maior dote
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . É o meu reinado.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . E seu mote,
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Arame farpado
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . No meu desejo-lote.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A faz tudo
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Por ser assim,
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Não dá trabalho:
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . Me sangra sem fim
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . E ainda afaga em mim
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . A arma do talho.
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domingo, 25 de setembro de 2011

Dicas para as provas do Enem

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Elza Magna
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1 – Por que há mais mulheres do que homens no mundo?

R.: Porque os homens engravidam menos.

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2 – Onde fica o hipotálamo?

R.: Na água, como todo mamífero aquático.

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3 –. Para os pintos saírem dos ovos, o que faz a galinha?

R.: Chupa eles.

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4 – Qual é o polígono com menor número de lados?

R.: O círculo.

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5 – Por que o coração é associado ao amor?

R.: Porque, se ele pára, a gente broxa.

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6 - Como morreu o Bispo Sardinha?

R.: Enlatado

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7 – Por que Vênus é chamada de estrela?

R.: Porque ficou rica e famosa fabricando camisinha.

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8 – Para que servem as amígdalas?

R.: Pra agarrar pentelho.

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9 – Que animais dependem das guelras para viver?

R.: Os militares.

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10 – O que é piroga?

R.: O marido da jojota.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pra dizer tudo e mais alguma coisa

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Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela (…). Quem não se arrisca não pode berrar.

Torquato Neto

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Só conheci Torquato de vista e, claro, de lê-lo e de, por outras vozes, ouvi-lo. Por duas vezes o vi, sozinho, bebendo num bar que eu passara a freqüentar no final da adolescência – e que, anos mais tarde, eu acabaria comprando. Não podia imaginar que a grande importância que ele tinha na minha vida naquela época se tornaria tão maior com o tempo.

Lembrei-me do poeta ainda há pouco, ao acordar meio deprimido. Não sei bem por que, sempre me levanta o astral ouvir a sua – e de Edu Lobo – tristíssima “Pra dizer adeus”. Talvez porque soem como as "últimas palavras" mais suntuosas que alguém já deixou, finamente embaladas musicalmente e ditas e repetidas até hoje nas vozes sensibilíssimas de intérpretes como o seu parceiro, como Nana Caymmi, Elizeth Cardoso, Orlando Silva, Bethania e, sobretudo, como Elis, que partiu tão cedo também.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Abaixo as cores inimigas!

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Anga Mazle e Teopha

O fanatismo de muitos torcedores de futebol produz , freqüentemente, pérolas de boçalidade. É o caso de uma parte da torcida do Botafogo (nosso time!), que vem protestando contra a pintura das cadeiras do estádio alvinegro – o Engenhão – com as cores vermelha e branca de um patrocinador. Na visão (?) desses torcedores, o vermelho lembra um grande rival (ou a metade dele, se não nos falha a aritmética), o rubro-negro Flamengo, e por isso cobram da diretoria botafoguense que mude as cores, pouco importando os prejuízos decorrentes dessa mudança..

A situação não é nova, já aconteceu com outros clubes, e certamente vai continuar acontecendo. Afinal, ser boçal é lindo, né não?.

Fiéis à nossa missão de bem desinformar seletivamente, apresentamos algumas sugestões para incrementar essa onda colorida de boçalidade:

1. . . . Extintores personalizados – para botafoguenses, corintianos e demais alvinegros que não suportam o vermelho – do Flamengo, do São Paulo etc.



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2. . . . Campo com grama cor de rosa – para são-paulinos, cruzeirenses, fluminenses e demais torcedores que têm chilique quando vêem o verde do Palmeiras, do América mineiro etc.



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3. . . . Máscaras vermelhas – para jogadores e torcedores brancos do Flamengo, Atlético paranaense, Vitória e outros clubes rubro-negros que odeiam a mistura de brancos e pretos, que lembra os times alvinegros.



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4. . . . Sangue azul – para os gremistas e demais torcedores alérgicos à cor vermelha.


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5. . . . Céu nublado – para torcedores que abominam o Cruzeiro e outros times azuis (como é o caso do poeta Marcantonio Costa, que apresentou esta sugestão, ainda ressacado da trauletada que o celeste Avaí aplicou no seu Flamengo lá na Ressacada!)

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Palavra de especialista

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Teopha . . . .
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Pescador, por circunstância;

analfabeto, por vocação.

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Poesia, ele pesca fácil,

como o pai, o avô, o bisavô:

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“A palavra é só um peixe

com escama até na língua.”

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ato de Protesto e Solidariedade

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Meu mano Paulinho Saturnino postou no Facebook uma foto de um grupo de mocréias alcoolfóbicas. Indignadas, ninfas lá do FB fizeram uma passeata (pelos bares) em protesto contra o cardume de dragões – e também em solidariedade a minha querida Shirley Fioretti, que foi proibida de beber pelo médico, uma revoltante atitude desumana.
Para registrar o excelso evento, fiz as devidas correções na velha foto (que reproduzo abaixo, com a legenda do Paulinho). Eis o timaço das alcoólfilas: da esquerda pra direita, Katinha Saturnino e Raíssa Balela (ao fundo); Emily 'Monalisa' Vaz, Lelépida Lelepidóptera, Shirley, Quadrúpede Latinte (representando Lelena Camargo, a Bípede Falante), Adriana Radioativa e Yula Leroy (em segundo plano), e as Feijó Catita (mão no queixo), sua avó Ceci, sua irmã Cissa e sua mãe Sofia.
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terça-feira, 26 de julho de 2011

Ela (!) e ele (?)

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Presença

A nudez da vizinha de frente logo se tornaria mais constante em sua vida do que sua própria sombra.
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A barreira

Seria dele ou seria dela mesma a invisível barreira que a impedia de se aproximar de mais?



A única

Ela era tantas – e todas tão irresistivelmente sedutoras ­– que, no fundo, a única unidade que a ele restara era a de sua própria solidão.

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Eu sou neguinha?

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Você alguma vez já se pegou cantando uma música da qual não gosta? Isso acontece muito comigo. Mas esta manhã, meu inconsciente exagerou, e eu acordei cantarolando:

“... eu tava rezando ali completamente/ um crente, uma lente, era uma visão/ totalmente terceiro sexo/ totalmente terceiro mundo, terceiro milênio/ carne nua nua nua nua nua nua nua/ era tão gozado/ era um trio elétrico, era fantasia/ escola de samba na televisão/ cruz no fim do túnel, becos sem saída/ e eu era a saída, melodia, meio-dia dia dia/ era o que dizia:/ Eu sou neguinha? Eu sou neguinha? Eu sou neguinha?...”

Sai pra lá, abacaxi... tomei leite!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Bueiros Aires

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O inferno tem muitas bocas.

Por elas, cospe fogo

e, às vezes, uma ou outra alma fibrosa

que lhe fica entalada entre os dentes.

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O inferno tem cara para infinitas bocas.

E essa cara, hoje, com certeza é o Rio.

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Gol de poeta

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Bissolcleta
A onze. poetas rubro-negros
Raul defende com o pé, de verso,
e serve a Domingos da Guia
que passa, de letra, para
Carlos Alberto Torres, que toca
bola bem redondilha
para Leandro inverter o jogo,
em passe alexandrino para Júnior,
que dispara em velocidade
e rima com Andrade,
que faz uma trova chistosa,
com caneta, num rival
e passa para Geraldo assoviar
um soneto, antes de lançar
para Zico, que aplica
um hacai que derruba
dois adversários e encontra,
em verso livre, Dida, que centra,
alto como uma elegia, na área.
Leônidas da Silva tenta uma
bicicleta, metrificada nas nuvens,
e não alcança a bola, mas
Marcantonio não perde o mote:
chuta o sol para o fundo da rede.
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* . . . . . . . * . . . . . . . *
Este poema e a ilustração eu fiz para uma postagem coletiva, no blog da Cris de Souza, em homenagem ao aniversário do poeta Marco Antonio Costa. Como a Cris me pediu para inserir na imagem fotinhas dos participantes, precisei fazer outra ilustração (e outro texto), guardando a Bissolcleta para o DS.
Parabéns, Marcantonio! Parabéns, Cris! E parabéns, também, Tânia Contreiras, que organizou uma excelente entrevista com o poeta.
Abaixo, as ilustraçoes que fiz para a entrevista e para a postagem coletiva, mais os links dos três:




A postagem coletiva, no Trem da Lira
A entrevista, no Roxo-violeta
Blogs do Marcantonio: Azul temporário e Diário extrovertido.
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terça-feira, 14 de junho de 2011

Parabéns, Fernandinho! – 2

O Hermé, com seu traço enxuto que contraria a moda da caricatura tridimensional e segue a trilha dos maiores craques do desenho de humor, postou no Facebook três charges em comemoração aos 123 anos de Fernando Pessoa. Esta é uma delas, gentilmente cedida para publicação no desinformação seletiva. Obrigado, Hermé; obrigado, Pessoa!

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Parabéns, Fernandinho!

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Fernando António Nogueira Pessoa . .

13 de junho de 1888 . .. . .. . .

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Sou, em grande parte, a mesma pessoa que escrevo. Desenrolo-me em períodos e parágrafos, faço-me pontuações, e, na distribuição desencadeada das imagens, visto-me, como as crianças, de rei com papel de jornal, ou, no modo como faço ritmo de uma série de palavras, me touco, como os loucos, de flores secas que continuam vivas nos meus sonhos.

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Bernardo Soares Livro do Desassossego

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Teopha. .

Obs.: .O Tuca sugeriu que eu citasse um texto de cada heterônimo. Argumentei – e ele concordou – que, se estou citando um trecho da Bíblia, não preciso citar mais nada.

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terça-feira, 7 de junho de 2011

Diálogo

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Agora, sim

A palavra da mulher nunca fez parte do cotidiano do casal. Mas desde que enviuvou, ele ouve tudo o que ela tinha a dizer.

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Esforço

Os dois bem que se esforçavam para entender o que o silêncio do outro queria dizer. Em vão: ambos os silêncios eram mudos.




Consolo

Perdeu a fala num AVC, coitada. Por sorte, tinha o cão, que sempre ouviu o que ela pensa.



Crescente

De repente, parou de falar com os amigos. Depois, parou de falar com a mulher e os filhos. Hoje, não fala nem com seus botões.

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Ilustrações: Hélio Jesuíno (extraídas de seu blog, aqui).

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