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Enfim, eis a nossa fantástica receita para fazer um delicioso prato de lula à milanesa substituindo o molusco cefalópode por luvas de cozinha. Como informamos na postagem anterior, tivemos um pequeno probleminha com nosso parceiro Teophanio, que precisou ser internado numa UTI depois de ingerir algumas garfa.das da excelsa iguaria criada por nós.
Queremos tranqüilizar a todos vocês, nossos queridíssimos leitores: as luvas de borracha passam bem. Já o Teopha, está meio tonto como sempre, mas já deixou a UTI, onde foi comprovado que seu delicado estado de saúde nada tinha a ver com uma possível indigestão causada pelas luvas. Os exames constaram que seu sangue apresentava elevadas dosagens de groselha, querosene, creolina e álcool gel. Parece que o vinho que compramos para acompanhar o prato não era dos melhores.
E vamos à receita:
Lula à Presidenta
Ingredientes e apetrechos
– Um par de luvas de cozinha. (À venda nas melhores lojas de R$1,99. Pra economizar mais um pouco, você pode usar esse par que tem aí na sua cozinha, essa nojeira que já devia ter ido pro lixo há tempos, né não, colega?)
– Um ferro a carvão. (Os elétricos têm custo direto mais baixo, porém andam consumindo mais árvores: as milhões que são submersas na construção das grandes barragens hi.drelétricas. É mais cristão queimá-las que afogá-las, certo?)
– Dois ovos. (Os do maridão não servem, querida. Se já os colheu, congele-os, para serem aproveitados em receita a ser postada em breve: Ana Maria à Braguilha.)
– ½ kg de farinha de rosca. (Sua rosca não passou no teste da farinha? Não tem problema. Guarde-a para a mesma receita com os ovos masculinos, não necessariamente no mesmo saco.)
– 10 kg de alho. (Mão pesada na hora de adicionar o alho. É ele que apura o sabor da lula fake, abafando eventual gosto de borracha queimada.)
– 200 g de manteiga francesa Président. (À venda nas melhores delicatessens de 1,99 euros. Se precisar baixar a taxa de colesterol, aumente a taxa de juros, substituindo a manteiga por Mantega.)
– Três garrafas de vinho paraguaio El Vinagrero, tinto. (Para evitar constrangimento com algum convidado mais frescalhão, baixe pela internet, imprima e cole na garrafa um rótulo de Roma.née.- .Conti.)
M.odo de preparar
. . . . . . . . . Elza – Eu coordeno os trabalhos, certo? Teopha, vá lavar as luvas lá no tanque. Tuca, leve o ferro pra encher de carvão. Anga, vá descascar alho.
. . . . . . . . . Anga – Oba!
. . . . . . . . . Tuca – Eu, sempre levando ferro.
. . . . . . . . . Teopha – Vá lavá as luvas lá.??? Tipo assim, Ivo viu a uva da véia?... Buchicho de baixinho no bucho da Xuxa?
. . . . . . . . . Elza – Lave as luvas e tudo isso bem lavadinho, Teopha. E depois você mesmo vai fatiá-las.
. . . . . . . . . Teopha – Devo calçá-las antes de meter o fa.cão?
. . . . . . . . . Anga – Não!... Você sabe que não como carne vermelha.
. . . . . . . . . Teopha – Vermelhas são essas luvas. Minha carne é alva e saborosa como minha alma. Sou um badejo melhorado.
. . . . . . . . . Tuca – Cadê o fio da tomada do ferro?
. . . . . . . . . Elza – Não falei que o ferro é a carvão, i.di.ota?
. . . . . . . . . Tuca – Vamos churrascar as luvas?
. . . . . . . . . Elza – É só seguir os passos na ilustração (acima) .que o Teopha fez. Você tem de passar as luvas para esticá-las bem.
. . . . . . . . . Teopha – Pega leve, Tuca. Se esticar de mais vão ficar a cara do Sílvio Santos.
. . . . . . . . . Elza – Tá abrindo esse vinho pra quê?
. . . . . . . . . Teopha – Pra encher a cara, ora. Ou você imagina que eu vá gastar vinho pra lavar a luva véia da vulva do Ivo?
. . . . . . . . . Anga – Teopha, você está bêbado!
. . . . . . . . . Teopha – Claro que estou. Alguém tinha de fazer o sacrifício de tomar uma garrafa inteira desse vinho vagabundo para experimentar.
. . . . . . . . . Tuca – E que tal.?
. . . . . . . . . Teopha – Querosene do bom, cara. Chato é o gosto de groselha e o cheiro de creolina.
. . . . . . . . . Elza – Pois bem, Teopha, poupe as outras duas garrafas do purgante, que são para acompanhar o prato. Agora, pessoal, já esticadas e picadas as luvas, tem de temperá-las e passá-las nos ovos.
. . . . . . . . . Tuca – O Teopha faz isso, que os meus têm alergia a luva de borra.cha muito temperada.
. . . . . . . . . Teopha – Tô fora. Os meus são alérgicos até a peitos de silicone caramelados.
. . . . . . . . . Elza – Não é nos de vocês, seus pacóvios. Tem de passar é nos ovos da galinha!
. . . . . . . . . Anga – Sabia que ia sobrar pra mim...
. . . . . . . . . Elza – Teopha, espalhe a farinha no prato. Tuca, pegue a manteiga francesa.
. . . . . . . . . Tuca – Nosso último tango em Paris, Elza Schneider?
. . . . . . . . . Elza – Tolinho. Dissolva logo a manteiga na frigi.deira pra fritarmos a petisca.da.
. . . . . . . . . Teopha – Ululalá! Petista.da frita!
. . . . . . . . . Anga – Petis-CA.-da, Teopha. As petistas que lhe dã.o mol.e já estão mais do que fritas.
. . . . . . . . . Teopha – Que isso, Anga! Todo mundo sabe que sou super--fi.el a todas elas.
. . . . . . . . . Tuca – Essas luvas fritando têm um cheiro tão brabo que até as canalhices do Teopha estão me cheirando bem.
. . . . . . . . . Elza – Psiu! Fale baixo senão os leitores podem acabar não aprovando totalmente a nossa receita.
. . . . . . . . . Teopha – Claro que eles vão aprovar. Eu quero até acrescentar que, caso alguém não encontre no..mercado as luvas de borracha, elas podem ser substituídas, sem qualquer perda de qualidade, por duas dúzias de camisinhas ou um par de havaianas usadas.
. . . . . . . . . TODOS – Vão nessa que é quentíssima, leitores. E bom apetite!