quarta-feira, 25 de maio de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
18 pelos 18 da Raíssa!
Nossa querida e talentosa amiga e blogueira Raíssa Medeiros (na foto acima, pousada) fez 18 anos ontem. Para comemorar (atrasado!) a data, o desinformação seletiva convidou 18 escritores: o andarilho Seu Juca Sem Fio, que nos apresentou a Raissa, e 17 escritores blogueiros – entre eles, Ana Jácomo (voando, à direita). Os textos são ilustrados por fotos de Raíssa, acompanhadas pela foto do perfil do respectivo autor. Tim-tim, Sra. Raíssa, convidados e leitores! . . (Anga, Elza, Teopha e Tuca)
Ana Jácomo
anajacomo.blogspot.com
Indagada, na entrevista, sobre aprendizados do tempo do casulo, a borboleta silenciou, movimentou as asas delicadamente, olhou para a margarida que acabara de abraçar, e sorriu. Contemplativa, revisitou na memória a atmosfera de alguns sentimentos que a pergunta lhe fez acessar. Findo o passeio, respondeu à repórter:
– Houve um momento em que o aperto foi tão extremo e aflitivo que eu imaginei não conseguir suportar. Eu nem sabia que, exatamente naquele ponto, a natureza tecia asas para mim, em silêncio, mas foi lá que senti que eu era feita também para voar. O aperto, entendi somente depois, era uma espécie de morte, um prenúncio da transformação, uma ponte que me levaria a outro modo de ser.
“É uma satisfação participar dessa homenagem. Toda felicidade para a Raíssa, que possa e saiba desembrulhar belos presentes ao longo do caminho.” – Ana Jácomo
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O Coração maior que o Mundo
António Cabrita
raposasasul.blogspot.com
Ter aos 18 anos o coração maior que o mundo, diz o meu amigo de 19, é
uma “dramatulugia do caraças”, e os trens enamoram-se dos girassóis e
o silêncio apresenta-se dopado na linha de partida. Foi aos 18 que o
Plutarco afirmou ter visto uma lebre que mudava de sexo em plena
corrida. Há que dar passos maior que a perna e evitar que o coração
fique entalado no quarto – que pelo menos tenha tantas teclas como o
piano onde a Alice escondia os burriés. O resto é fado, mas nesta
dramatulugia quem não se estampa fica espampanante. É uma ulugia do
caraças, ainda que quem não raíssa não saiba.
Oficina
Bípede Falante
bipedefalante.blogspot.com
Desenrola os panos e os contornos para desvendar labirintos. Desenrola devagar, girando os punhos e as pulseiras como quem dá corda em relógios, provando da textura e da essência de cada segundo. Desenrola os ponteiros. Desenrola as horas. E, de cada uma, retira o anti-horário de acarinhar memórias. Depois levanta, salta, rodopia. Vai brincar de grão, calendário e aço, confundir as datas e as bússolas de quem se permite uma existência de abalar palavras.
Metamorfose apoteótica
O ritual de passagem do Livro dos Recém-Vivos
Jenny Paulla
jennypaulla.blogspot.com
. . . . . . . .Vista o eu com um punhal
. . . . . . . .E rasgue o caminho pela floresta sombria
. . . . . . . .Deixe-se levar pelos sons que tilintam de vasilhas penduradas em arames
. . . . . . . .Distantes
. . . . . . . .Feche os olhos Respire
. . . . . . . .Abra com calma o grande livro
.
. . . . . . . .Não tente lembrar todas as línguas que aprendeu na torre dos céus
. . . . . . . .Agora criará sua língua santa Imutável e despida de glorificações
. . . . . . . .Fará o ritual dos 18
. . . . . . . .E se embriagará com borboletas furta-cores, desenhos surrealistas e fractais
. . . . . . . .Afundará os pés descalços na terra molhada e sentirá a pulsação
. . . . . . . .Que floresce e emana das profundezas
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. . . . . . . .Corra até perder todas as forças e chore pela dor que lateja
. . . . . . . .Anistia de todos os jazigos carregados
. . . . . . . .Largue-se
. . . . . . . .Completamente crua
. . . . . . . .Calmamente suculenta
. . . . . . . .Metamorficamente sua
poema de sedução para descaminho e descarrilo
Assis Freitas
mileumpoemas.blogspot.com
. . . . . . . . . . . . . . . . supostamente já tive idades mais queridas
. . . . . . . . . . . . . . . . em que sorriam verdes os lábios meus
. . . . . . . . . . . . . . . . o mundo era feito de alvíssaras
. . . . . . . . . . . . . . . . e eu nem tinha coração para imaginar
. . . . . . . . . . . . . . . . a sedução de tantos erros
. . . . . . . . . . . . . . . . na insólita passagem dos anos
segunda-feira, 23 de maio de 2011
domingo, 15 de maio de 2011
Pela fresta
Para Katinha, a terceira e mais bela teta do Paulim Saturnino.
Foi o teu mamilo direito que, pela fresta da blusa, piscou para mim no bar aqueles rosas de azular verdes anos acinzentados como os meus. Foram tuas ancas, a balançar diamantes degustáveis e guloseimas preciosas, que na tua ida ao banheiro esbarraram, derrubaram e mergulharam no meu copo todas as estrelas e cometas do meu bom senso paraguaio.
Foi a tua língua, pérola gel da tua ostra labial, que metamorfoseou-se em cardumes de borboletas e escorpiões para inundar de seiva vaginal todas as protuberâncias exteriores e vísceras que eu tinha e mais algumas criadas, alimentadas e devoradas por teus olhos, piões de gude incandescente, pipas que plantam luas no sol.
Foram tuas virilhas amazônicas cobertas pela densa mata onde moram teus dois vulcões que me engolfaram astronauta do teu além-infinito e me expeliram naúfrago de minha própria lava aquém-silêncio.
Foi o teu ventre atlântico que tragou todas as minhas esquadras e esquadrilhas de papel, enquanto minhas inabilidades manuais fingiam esculpir odes de ventania ao grande amor – relegando à gaveta os rascunhos para a bula do bálsamo que tu eras até que o auto-veneno que sou fizesse efeito.
Foi o teu pé esquerdo, o mais ecologicamente correto dos teus inumeráveis órgãos afetivo-sexuais, que me comunicou, num tiro de meta com a bunda mole da minha alma: – Vai à merda!
(E então nela cá estou, estilhaçado e mal perfumado, mas sem vergonha e serelepe, querendo saber se tudo está de fato decidido ou se ainda vamos ter o jogo de volta.
Fazer o quê? Teu mamilo direito continua a me piscar, em sonhos nas insônias sem fim, pela fresta esquerda do meu peito que teima em não cicatrizar, malgrado o persistente bombardeio de cataplasma de ponteiros de relógios digitais.)
terça-feira, 3 de maio de 2011
E Osama virou Iemanjá...
Será que na reunião em que o governo norte-americano decidiu perpetrar essa sandice não havia nenhum almirante, nenhum parente de pescador, ninguém que soubesse ou atinasse que é à beira-mar – qualquer mar! – que as famílias de marinheiros e pescadores desaparecidos no mar reverenciam a memória deles?
Pouparam os familiares, discípulos e fãs do líder assassinado de fazer longas peregrinações ao seu túmulo.
Há, portanto, que se reconhecer.: foi um gesto muito nobre, lírico até.
– Comemo o hômi e nos contaminemo, galera. Agora... aos ianques!!!
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
Ser e outras miudezas
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Ser
Ele não era o ipê no quintal. Ele não era o balanço no ipê do quintal. Ele não era o menino no balanço do ipê no quintal. Ele era (e ainda é) o quintal.
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Decisão
Se eu me pego um dia inteiro feliz ao lado dela, eu nunca mais me largo.
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Pó
Materialistas, jamais se imaginaram diante de Deus ou do Diabo. No velório de um, o adeus do outro: “A gente se vê, amigo, diante do Espanador.”
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Colo
Salvou-a da enchente e levou-a no colo até em casa. Como se fosse ela e não ele a rã, como se fosse ele e não ela o hipopótamo.
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Critério
Mataria mulheres: “Todas, da mais feia à mais bela. Não, da mais vil à mais pura. Não, da mais rica à... Merda! O que atrasa a vida da gente é esse tal de critério.”.
Sépia
Saiu de um canto da sala de onde nunca saíra nada. Os olhos uivavam faíscas de todas as cores, mas sépia era o silêncio dos lábios.
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A ponte
São um casal, de fato, se o que os liga é apenas uma velha ponte sem tráfego – exceto o aéreo, dos muitos que dela se jogam o tempo todo?
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O físico do tempo
“Os astros sabem que o tempo é de carne e osso”, concluiu enquanto observava o sol sangrar o entardecer.
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Janela da fama
Sentou na janela e gargalhou, cantou, fez careta, cuspiu, xingou a multidão lá embaixo, tirou a blusa, balançou os seios, tirou a saia e a calcinha, rebolou de quatro, desequilibrou-se e caiu doze andares, morrendo de rir.
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Amor sombrio.*
“Amo o chão que tu pisas”, disse a lesma, seduzida pela sombra da borboleta que voava.
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*.Inspirado em texto (abaixo) do blog El Loco de los Caramelos:
1- Un Gusanomio poeta.
Amo tu sombra” Escribió el Gusanomio poeta a su amada, y efectivamente cumplió su verso siendo un rastrero amor de verano.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Lula à Presidenta - 2: O preparo
Enfim, eis a nossa fantástica receita para fazer um delicioso prato de lula à milanesa substituindo o molusco cefalópode por luvas de cozinha. Como informamos na postagem anterior, tivemos um pequeno probleminha com nosso parceiro Teophanio, que precisou ser internado numa UTI depois de ingerir algumas garfa.das da excelsa iguaria criada por nós.
Queremos tranqüilizar a todos vocês, nossos queridíssimos leitores: as luvas de borracha passam bem. Já o Teopha, está meio tonto como sempre, mas já deixou a UTI, onde foi comprovado que seu delicado estado de saúde nada tinha a ver com uma possível indigestão causada pelas luvas. Os exames constaram que seu sangue apresentava elevadas dosagens de groselha, querosene, creolina e álcool gel. Parece que o vinho que compramos para acompanhar o prato não era dos melhores.
E vamos à receita:
Ingredientes e apetrechos
– Um par de luvas de cozinha. (À venda nas melhores lojas de R$1,99. Pra economizar mais um pouco, você pode usar esse par que tem aí na sua cozinha, essa nojeira que já devia ter ido pro lixo há tempos, né não, colega?)
– Um ferro a carvão. (Os elétricos têm custo direto mais baixo, porém andam consumindo mais árvores: as milhões que são submersas na construção das grandes barragens hi.drelétricas. É mais cristão queimá-las que afogá-las, certo?)
– Dois ovos. (Os do maridão não servem, querida. Se já os colheu, congele-os, para serem aproveitados em receita a ser postada em breve: Ana Maria à Braguilha.)
– ½ kg de farinha de rosca. (Sua rosca não passou no teste da farinha? Não tem problema. Guarde-a para a mesma receita com os ovos masculinos, não necessariamente no mesmo saco.)
– 10 kg de alho. (Mão pesada na hora de adicionar o alho. É ele que apura o sabor da lula fake, abafando eventual gosto de borracha queimada.)
– 200 g de manteiga francesa Président. (À venda nas melhores delicatessens de 1,99 euros. Se precisar baixar a taxa de colesterol, aumente a taxa de juros, substituindo a manteiga por Mantega.)
– Três garrafas de vinho paraguaio El Vinagrero, tinto. (Para evitar constrangimento com algum convidado mais frescalhão, baixe pela internet, imprima e cole na garrafa um rótulo de Roma.née.- .Conti.)
M.odo de preparar
. . . . . . . . . Elza – Eu coordeno os trabalhos, certo? Teopha, vá lavar as luvas lá no tanque. Tuca, leve o ferro pra encher de carvão. Anga, vá descascar alho.
. . . . . . . . . Anga – Oba!
. . . . . . . . . Tuca – Eu, sempre levando ferro.
. . . . . . . . . Teopha – Vá lavá as luvas lá.??? Tipo assim, Ivo viu a uva da véia?... Buchicho de baixinho no bucho da Xuxa?
. . . . . . . . . Elza – Lave as luvas e tudo isso bem lavadinho, Teopha. E depois você mesmo vai fatiá-las.
. . . . . . . . . Teopha – Devo calçá-las antes de meter o fa.cão?
. . . . . . . . . Anga – Não!... Você sabe que não como carne vermelha.
. . . . . . . . . Teopha – Vermelhas são essas luvas. Minha carne é alva e saborosa como minha alma. Sou um badejo melhorado.
. . . . . . . . . Tuca – Cadê o fio da tomada do ferro?
. . . . . . . . . Elza – Não falei que o ferro é a carvão, i.di.ota?
. . . . . . . . . Tuca – Vamos churrascar as luvas?
. . . . . . . . . Elza – É só seguir os passos na ilustração (acima) .que o Teopha fez. Você tem de passar as luvas para esticá-las bem.
. . . . . . . . . Teopha – Pega leve, Tuca. Se esticar de mais vão ficar a cara do Sílvio Santos.
. . . . . . . . . Elza – Tá abrindo esse vinho pra quê?
. . . . . . . . . Teopha – Pra encher a cara, ora. Ou você imagina que eu vá gastar vinho pra lavar a luva véia da vulva do Ivo?
. . . . . . . . . Anga – Teopha, você está bêbado!
. . . . . . . . . Teopha – Claro que estou. Alguém tinha de fazer o sacrifício de tomar uma garrafa inteira desse vinho vagabundo para experimentar.
. . . . . . . . . Tuca – E que tal.?
. . . . . . . . . Teopha – Querosene do bom, cara. Chato é o gosto de groselha e o cheiro de creolina.
. . . . . . . . . Elza – Pois bem, Teopha, poupe as outras duas garrafas do purgante, que são para acompanhar o prato. Agora, pessoal, já esticadas e picadas as luvas, tem de temperá-las e passá-las nos ovos.
. . . . . . . . . Tuca – O Teopha faz isso, que os meus têm alergia a luva de borra.cha muito temperada.
. . . . . . . . . Teopha – Tô fora. Os meus são alérgicos até a peitos de silicone caramelados.
. . . . . . . . . Elza – Não é nos de vocês, seus pacóvios. Tem de passar é nos ovos da galinha!
. . . . . . . . . Anga – Sabia que ia sobrar pra mim...
. . . . . . . . . Elza – Teopha, espalhe a farinha no prato. Tuca, pegue a manteiga francesa.
. . . . . . . . . Tuca – Nosso último tango em Paris, Elza Schneider?
. . . . . . . . . Elza – Tolinho. Dissolva logo a manteiga na frigi.deira pra fritarmos a petisca.da.
. . . . . . . . . Teopha – Ululalá! Petista.da frita!
. . . . . . . . . Anga – Petis-CA.-da, Teopha. As petistas que lhe dã.o mol.e já estão mais do que fritas.
. . . . . . . . . Teopha – Que isso, Anga! Todo mundo sabe que sou super--fi.el a todas elas.
. . . . . . . . . Tuca – Essas luvas fritando têm um cheiro tão brabo que até as canalhices do Teopha estão me cheirando bem.
. . . . . . . . . Elza – Psiu! Fale baixo senão os leitores podem acabar não aprovando totalmente a nossa receita.
. . . . . . . . . Teopha – Claro que eles vão aprovar. Eu quero até acrescentar que, caso alguém não encontre no..mercado as luvas de borracha, elas podem ser substituídas, sem qualquer perda de qualidade, por duas dúzias de camisinhas ou um par de havaianas usadas.
. . . . . . . . . TODOS – Vão nessa que é quentíssima, leitores. E bom apetite!
domingo, 17 de abril de 2011
Lula à Presidenta
Esta revolucionária receita substitui o molusco cefalópode por luvas de cozinha, produto igualmente de consistência borrachosa, difícil de mastigar e com gosto de orelha mal lavada, mas muitíssimo mais barato..Tuca, Anga, Teopha e eu criamos o prato, o testamos e o aprovamos – por um voto acidental a favor, duas abstenções por enjôo e uma por internação em UTI (do Teopha, que, ao que parece, contrariando a expectativa de muitos, sobreviverá).
Elza Magna
Tente controlar a sua curiosidade, que postaremos todos os ingrediente e o modo de preparar o nosso Lula à Presidenta assim que o Teopha receber alta do hospital e terminar de comer o prato fundo da iguaria que largou praticamente cheio.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Ninguém é de ferro
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Quem com ferro ferra, com ferro será ferrado.
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.............. .Caça à raposa
.............. .............. ... ....... ..... (João Bosco e Aldir Blanc)
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.............. .O olhar dos cães, a mão nas rédeas
.............. .E o verde da floresta
.............. .Dentes brancos, cães
.............. .A trompa ao longe, o riso
.............. .Os cães, a mão na testa:
.............. .O olhar procura, antecipa
.............. .A dor no coração vermelho
.............. .Senhoritas, seus anéis, corcéis
.............. .E a dor no coração vermelho
.............. .O rebenque estala, um leque aponta: foi por lá.
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.............. .Um olhar de cão, as mãos são pernas
.............. .E o verde da floresta
.............. .Oh, manhã entre manhãs
.............. .A trompa em cima, os cães
.............. .Nenhuma fresta
.............. .O olhar se fecha, uma lembrança
.............. .Afaga o coração vermelho:
.............. .Uma cabeleira sobre o feno
.............. .Afoga o coração vermelho
.............. .Montarias freiam, dentes brancos: terminou
.
.............. .Sonhos sempre incandescentes
.............. .Recomeçam desde instantes
.............. .Que os julgamos mais ausentes
.............. .Ah, recomeçar, recomeçar
.............. .Como canções e epidemias
.............. .Ah, recomeçar como as colheitas
.............. .Como a lua e a covardia
.............. .Ah, recomeçar como a paixão e o fogo

