quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Humoristas tentando o Doutorado?

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Os comediantes Tiririca (ao alto), Batoré, Pedro Manso e Dedé Santana (acima) são profissionais que levam muito sério o humor. Os quatro são candidatos a deputado nas próximas eleições, o que denota que estão empenhados em enriquecer (seus conhecimentos humorísticos, é claro) estudando com a galera mais engraçada deste país.

Ou então... eles estão apenas fazendo a melhor piada de suas vidas e o tapado aqui é que não está entendendo mais nada!

.(Teophanio Lambroso)

Alguns Catedráticos do Humor no Congresso Nacional

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sábado, 11 de setembro de 2010

As cinco estações

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Outono

“As coisas boas que fiz na vida talvez fiquem por aqui“, pensou. “As más, estas vão comigo, ao vento... se é que ainda está ventando.”

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Inverno

Sou muito caloroso contigo, eu sei. Por isso mesmo é que estou partindo: não quero que te queimes no frio inclemente que começa a me tomar.

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Primavera

A primeira e última vez que vi flores enfeitando o nosso lar foi no dia em que a encontrei com o moço que me trouxera um ramo de chifres.

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Verão

----. .Muito prazer, meu nome não é o que me deram quando nasci, mas aquele que será, um dia, esquecido por todos.

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Cantagalo*

Saltando do metrô na Estação Cantagalo. Atravessando o Corte. Pensando, bêbado: “Vai ver, cortaram tão fundo na pedra foi pra livrar os cabritos das cantadas do galo.”

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.*O Corte de Cantagalo, no Rio de Janeiro, liga os bairros de Copacabana e Lagoa, e fica entre os morros do Cantagalo e dos Cabritos.

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Imagem: do blog Balela, da escritora e fotógrafa Raíssa Medeiros.

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Office, sweet office – II

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Eu não gosto de ficar falando de trabalho fora dele. Mas, vocês vão me desculpar, hoje é inevitável.

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Há três semanas fiz uma postagem sobre o meu escritório (aqui), sem qualquer intenção que não a de apresentar a vocês, amigos leitores, um flagrante da minha árdua faina diária no cockpit de minha escrivaninha cativa na Adega da Praça. Não pretendia voltar ao assunto, mas... hoje é inevitável

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Imaginem que durante a semana retrasada bati ponto no escritório todos os dias, e ninguém me comunicou que haveria expediente extraordinário no sábado à tarde. Minto; o fotógrafo Americo Vermelho, membro da diretoria do blog Tira a mão do meu pé sujo, cujo escritório é geminado ao nosso nas dependências da Adega, comentou vagamente que talvez houvesse alguma atividade naquele horário. Mas não me revelou que o trabalho era de tal magnitude!

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Tratava-se, leitores, do trabalho que se vê na foto acima. Não era, reparem bem, um trabalho qualquer, já em fase de conclusão, praticamente pronto para ser arquivado. Não. Tratava-se de um processo, um volumoso processo em aberto... Eu diria até que em ESCANCARADO!

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E quando passei no escritório no próprio sábado, mas já de noitinha, do processo nada mais se sabia. O máximo que apurei é que teria sido enviado para uma vara de família, procedimento que considero imoral. Claro, pois quem não sabe que a nossa justiça, além de cega, é surda, muda e broxa, para dizer o mínimo? Portanto, o belo e volumoso processo passou o fim de semana numa vara inativa, sem ninguém que lhe desse a devida atenção carinhosa e ardente.

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Ora, sabendo que o escritório conta com um funcionário exemplar como eu, não seria mais lógico – e justo – que o processo fosse entregue aos meus cuidados? Todos sabem que eu viraria a noite se fosse necessário (e sempre é ) analisá-lo minuciosamente. Eu não hesitaria em sacrificar também todo o meu santo domingo para reanalisá-lo, com zelo redobrado, em seus mínimos, médios e máximos detalhes!

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Enfim, agora é tarde. O que me resta é continuar trabalhando com o afinco habitual e esperar que da próxima vez seja diferente. Porque – acreditem se puderem – é a 16ª ou 17 ª vez que um processo dessa grandiosidade surge no escritório sem que eu esteja presente. Sei não... ou sou o trabalhador mais azarado do mundo ou... tem traíra gorda no pedaço!

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Mais páginas do sigiloso e escultural processo

(clique nas fotos para ampliá-las)





Para folhear melhor todo o processo, veja o vídeo aqui.!!!


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O FRAMENGO precisa de você!!!

Não deixe de participar da nossa enquete (à esquerda), que visa à garantir ao time mais querido de Bangu I, II, III etc..uma sobrevida .nem que seja na segunda, na terceira ou (se o Senhor Jesus do técnico Silas ajudar) lá pela trigésima-sétima divisão do futebol brasileiro!!!.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Gotas Purgativas do Dr. Camelo

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“O que é que há de mais pesado para transportar?” — pergunta o espírito transformado em besta de carga, e ajoelha-se como o camelo que pede que o carreguem bem.


Vós dizeis-me: “A vida é uma carga pesada”. Mas, para que é esse vosso orgulho pela manhã e essa vossa submissão, à tarde?

No deserto têm vivido sempre os verídicos, os espíritos livres, como senhores do deserto; mas nas cidades residem os sábios célebres e bem alimentados: os animais de tiro.

Chamas-te livre? Quero que me digas o teu pensamento fundamental, e não que te livraste de um jugo.

Não me precaver: tal é a providência que preside ao meu destino.

E aquele que não quiser morrer de sede entre os homens deve aprender a beber em todos os vasos, e o que quiser permanecer puro entre os homens deve aprender a lavar-se em água suja.

O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher, o jogo mais perigoso.

Ai, meu irmão! Nunca viste uma virtude caluniar-se e aniquilar-se a si mesma?

Onde cessa a soledade principia a praça pública, onde principia a praça pública começa também o ruído dos grandes cômicos e o zumbido das moscas venenosas.

A nossa fé nos outros revela aquilo que desejaríamos crer em nós mesmos. O nosso desejo de um amigo é o nosso delator.

Desde que há homens, o homem tem-se divertido muito pouco: é esse, meus irmãos, o único pecado original.

Tranqüilo é o fundo do meu mar. Quem adivinharia que oculta monstros divertidos!

Realmente vive uma grande loucura na nossa vontade; e a maldição de todo o humano é essa loucura haver aprendido a ter espírito.

A mudança dos valores é mudança de quem cria.

É preciso honrar no amigo o inimigo. Podes aproximar-te do teu amigo sem passar para o seu bando?

Não poucos, que queriam expulsar os demônios, se meteram com os porcos.

Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.

É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.

Que pelo menos Nietzsche me perdoe por esta “exploração comercial” de trechos do seu Assim falava Zaratustra (eBookLibris, tradução de José Mendes de Souza). Porque o prof. Auterives Maciel certamente não me perdoará pela foto fora de foco.

(Divido a culpa com o prof. Marcelo Nicolau, que a publicou no Facebook.)

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Cuidado! Uma dessas gotas não pingou do Zaratustra. Para descobrir qual é, basta ler o livro inteiro.

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sábado, 28 de agosto de 2010

Felinos no cio

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Gatos

Para Glauconis e Piúla . . . . . . . . . .. . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Acordo em sua cama

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Enrodilhado e preguiçoso

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Feito um gato

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O pelo rabiscado

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Da umidade de você

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . As garras recolhidas

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ontem mesmo eu arranhava

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Hoje em sonhos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conquistei a presa

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . E acordei

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pacificado em cambraias

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eu sei que não preciso ronronar

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pra despertar

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sua atenção

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Mas desenrolo novelos como velas

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . À deriva

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Na tempestade

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Do colchão

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Chego porque quero

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sumo porque somos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Miados

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Nos muros da lua

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Que nos inventou

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Felinos no cio

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . De um quarto crescente

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Isto não é um poema; é uma letra. Foi concebida simultaneamente com uma canção-guia ---. que abandonei, para oferecer os versos, mudos, à mulher pela qual eu estava apaixonado. E Carla Capalbo, a musa, os musicou, com a sensibilidade e originalidade melódica que caracterizariam todas as 20 ou 30 composições que fizemos a partir de então, ao longo de quase três anos.

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Imagem: Mais uma foto extraída do excelente blog The hottest shit

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