.
“O que é que há de mais pesado para transportar?” — pergunta o espírito transformado em besta de carga, e ajoelha-se como o camelo que pede que o carreguem bem.
Vós dizeis-me: “A vida é uma carga pesada”. Mas, para que é esse vosso orgulho pela manhã e essa vossa submissão, à tarde?
No deserto têm vivido sempre os verídicos, os espíritos livres, como senhores do deserto; mas nas cidades residem os sábios célebres e bem alimentados: os animais de tiro.
Chamas-te livre? Quero que me digas o teu pensamento fundamental, e não que te livraste de um jugo.
Não me precaver: tal é a providência que preside ao meu destino.
E aquele que não quiser morrer de sede entre os homens deve aprender a beber em todos os vasos, e o que quiser permanecer puro entre os homens deve aprender a lavar-se em água suja.
Ai, meu irmão! Nunca viste uma virtude caluniar-se e aniquilar-se a si mesma?
Onde cessa a soledade principia a praça pública, onde principia a praça pública começa também o ruído dos grandes cômicos e o zumbido das moscas venenosas.
A nossa fé nos outros revela aquilo que desejaríamos crer em nós mesmos. O nosso desejo de um amigo é o nosso delator.
Desde que há homens, o homem tem-se divertido muito pouco: é esse, meus irmãos, o único pecado original.
Tranqüilo é o fundo do meu mar. Quem adivinharia que oculta monstros divertidos!
Realmente vive uma grande loucura na nossa vontade; e a maldição de todo o humano é essa loucura haver aprendido a ter espírito.
A mudança dos valores é mudança de quem cria.
É preciso honrar no amigo o inimigo. Podes aproximar-te do teu amigo sem passar para o seu bando?
Não poucos, que queriam expulsar os demônios, se meteram com os porcos.
Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.
É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.
Que pelo menos Nietzsche me perdoe por esta “exploração comercial” de trechos do seu Assim falava Zaratustra (eBookLibris, tradução de José Mendes de Souza). Porque o prof. Auterives Maciel certamente não me perdoará pela foto fora de foco.
(Divido a culpa com o prof. Marcelo Nicolau, que a publicou no Facebook.)
.
Cuidado! Uma dessas gotas não pingou do Zaratustra. Para descobrir qual é, basta ler o livro inteiro.


