Teophanio Lambroso . .
Meu parceiro Tuca Zamagna anda todo empolgado com o novo CD de sua amiga Simone Guimarães, cantora e compositora de Santa Rosa de Viterbo, megalópole paulista cuja periferia abrange cidades como Franca, Sertãozinho e Ribeirão Preto. Para o Tuca, o disco, que será lançado em dezembro, é um dos mais bonitos que ele ouviu nos últimos tempos. Disse que ficou muito comovido com a escolha do repertório, todo ele de músicas cearenses, compostas por um tal de Isaac Cândido e letradas por diversos poetas, todos também cabeças-chatas da terra do Fagner – que aliás dá as caras (a tapa?) nessa bolachinha, intitulada Cândidos.
Nem ouvi o CD e já não gostei. Minha indisposição já começa pelo título. Por que Cândidos? Esse nome lembra o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que passou a vida toda mais preocupado com os índios do que com os inúmeros deveres de um graduado oficial na caserna. Lembra também o João Cândido, arruaceiro naval cognominado o Almirante Negro, por liderar a famosa Revolta da Chibata. Ora bolas, se era para homenagear alguma alta patente militar indisciplinada, que o CD se chamasse Castelos brancos, que além de soar muito mais poético homenagearia um indisciplinadíssimo marechal cearense – Humberto de Alencar Castelo Branco, primeiro ditador empossado pela trupe de trapalhões golpistas de 1964.
Pra piorar, o Tuca ainda veio me dizer que o Isaac Cândido é um puta talento, compositor de melodias sofisticadas e harmonias ousadas. Ah, sai pra lá. Talento pra mim têm os compositores de funk, pagode e forró eletrônico, que fazem as tchutchucas e preparadas sacudirem o esqueleto bem forrado de filé mignon e abanarem o abundante rabinho, encachorradíssimas pra cima do Teopha aqui. Isso, sim, é sofisticação e ousadia que tocam o coração e outros órgãos pulsantes do canalha do bem que vos bloga!
Não estou nessa, não, meu caro Tuca. Vão você e o (Brigadeiro?) Isaac procurar sua turma, que é essa com a qual a Simone Guimarães vive metida, nos palcos, nos discos e nas parcerias: Milton Nascimento, Dori Caymmi, Francis Hime, Ivan Lins, Toninho Horta, Guinga e outras estrelas que não brilham nem jamais brilharão no céu enluarado de mulheres lindas e gostosas do universo teophânico!
Pra não dizerem que não sou justo
A paulista Simone Guimarães nega a "raça", ao seguir na contramão da última moda em São Paulo, que é atacar ferozmente o povo nordestino, o qual, segundo uns autonomeados porta-vozes da classe média de Sampa, estaria eclipsando a cultura paulista e brecando o desenvolvimento político-econômico de seus próprios e superiores umbigos.
No entanto, para ninguém dizer que estou sendo injusto com a moça, psicografei de próprio punho uma mensagem (não do Além, que pra defunto não dou essas intimidades) da Simone Guimarães quando criança (essa da foto lá em cima). Pedi a ela, naturalmente, autorização para publicar o manuscrito aqui. Como a cantora me garantiu que nunca disse nem escreveu o que está no texto por mim recebido do passado, façamos de conta que a mensagem é mera ficção. (Mas, cá entre nós, leitor(a) amigo(a): veja como a garotinha já dava toda a pinta de que um dia trairia, com ímpios nordestinos, a casta casta mediana paulista de cujo ventre a ingrata nasceu!)
Mensagem do Aquém








