. . . . . . . .. . .. .. . Acordei a sabe-se lá que horas. O dia nublado e o relógio de cabeceira parado conspiram: seis e doze –– da manhã ou da tarde? O corpo tira a si mesmo fora, incapaz de informar se dormira cinco ou treze horas.
. . . . . . . .. . .. .. . Amanheça ou anoiteça, prossigo nas indagações: estarei mesmo acordada, ou isso é parte do sonho? Se eu for até a porta pegar o jornal, há perigo de ler na primeira página sobre a minha prisão? Será mesmo crime passível de apedrejamento comer cachos de pistache com patê de feijão? Se quiser reincidir no delito –– e quero! –– encontrarei na geladeira tais iguarias de que nunca nem sequer ouvira falar? Ao ingerir a mistura, será ainda como se mastigasse e engolisse pregos azinhavrados? De novo regurgitarei borboletas amarelas? Sairão elas por aí, festejando a primavera recém-chegada, ou mais uma vez partirão como vespas e devorarão como cupins os olhos, o nariz , as orelhas, a boca e os balangandãs de todos os homens que se recusaram a ser como os idealizei?
. . . . . . . .. . .. .. . Enfim, ligo o computador, que me garante serem onze e três. Da manhã, me tranqüilizo, porque noite não é. Se bem que, no sonho, era –– ou é –– manhã a noite inteira...
Fonte da imagem:.http://daijoji.blogspot.com
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