domingo, 6 de junho de 2010

Maravilhas do Mundo Animal

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Este é Pelé, um das cães mais populares da orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Como você pode ver, trata-se de um indivíduo canino de excelente caráter, pautando sua vida por um comportamento sempre politicamente correto. Tanto que já recusou inúmeras propostas de políticos que procuram, neste ano de eleições, alguém capaz de limpar toda a merda que vêm fazendo na carreira.

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. --- . Ôrra, meu... que pena. Esse é o cara que . ..

. . eu precisava para ser meu vice!. . . . . .

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sábado, 5 de junho de 2010

Córte ou Côrte?

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. . . . . ..... . . .. ..... . . . . . ........Quem roeu a roupa do rei?

. . . . . ..... . . .. ..... . . . . . ........Quem ruiu de rir da rainha?

. . . . . ..... . . .. ..... . . . . . ........Quem da faca roubou o queijo

. . . . . ..... . . .. ..... . . . . . ........Crente que corte ele tinha?

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............... . . . . . . . . .... . . . . . ..... ..... . ............... . . . . . . . ; ; ; . . . . . . ...Elza Magna

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Ilustração extraída do blog da autora, aqui. . ...........
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quinta-feira, 3 de junho de 2010

A lua vem da Ásia

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Capítulo I (Novamente)

Campos de Carvalho. .


. . . . . ..Razão tinha eu de suspeitar. Dissipou-se afinal a cortina de fumaça que encobria em parte o mistério deste hotel internacional em que me jogaram há mais de vinte anos. Não estamos num hotel, e sim num tenebroso campo de concentração, com tortura e tudo, a julgar pela que me infligiram ontem.

. . . . . . . Levaram-me, logo pela manhã, a uma câmara de gás onde havia uma cadeira elétrica (que logo constatei ser uma cama e não uma cadeira) e na qual sem dúvida pretendiam extorquir-me algum segredo de Estado, de que sou portador mas sinceramente ignoro qual seja. Fizeram-me deitar nessa pseudo-cama, inteiramente nu e amarrado --- com toda uma equipe de guardas ao lado, disfarçados de enfermeiros --- e puseram-me na cabeça uma espécie de capacete de aço (um pouco mais confortável, sem dúvida) do qual saía ostensivamente um par de fios elétricos.

. . . . . . . Não me deram chance nenhuma de defesa, pois nada me perguntaram nem responderam a nenhuma das minhas perguntas, como se o meu caso já fosse um caso perdido e que tribunal nenhum pudesse mais apreciar. Atado como estava, e amordaçado como um cão raivoso, vi perfeitamente quando ligaram uma chave elétrica que se achava bem junto à porta de entrada e senti a morte despedaçar-se de encontro à minha cabeça, como se um bólide houvesse caído do espaço e fosse escolher justamente o meu crânio para campo de pouso. Não direi que gritei, mesmo porque não me sobrou tempo nem lucidez para isso --- mas o que afirmo é que me transformei instantaneamente num cadáver e me senti mais frio do que um cubo de gelo jogado na gaveta de uma morgue. Vez por outra um pálido reflexo de consciência assomava à minha cabeça imobilizada, e eu divisava o teto a uma distância infinita e ouvia disparatadas as vozes de meus algozes, como num quadro surrealista ou numa cena de grand-guignol; num segundo, porém, tudo se apagava de novo e eu voltava à minha condição de cadáver congelado, ao choque brutal de uma bomba que me estourava os miolos.

. . . . . Quando voltei a mim, após a ressurreição da carne, eu me encontrava deitado e imóvel no meio da minha cama, sem outro pensamento que não fosse o de respirar profundamente e de escutar bater o meu próprio coração, tão espantosas me pareciam essas coisas tão simples, mas que são em verdade espantosas e dignas da maior consideração.

. . . . . Agora pergunto: que querem de mim, realmente, esses senhores e essas senhoras que até ontem eu tomava por gerentes e criados de um hotel de luxo, embora estranhando sempre o regime severo de vigilância a que estava, como todos os demais hóspedes, sujeito dia e noite, e até mesmo durante o sono? Que segredo importantíssimo é esse que querem arrancar-me à força, lançando mão inclusive das mais terríveis ameaças, como essa extrema da cadeira elétrica, sem julgamento prévio e sem conforto ao menos de um confessor?

. . . . . (...)

. . . . . Estaremos porventura numa nova Inquisição, ou será a mesma antiga que nunca deixou de existir e que só agora, pela primeira vez, se fez sentir em toda a sua plenitude sobre meu peito cansado e meu olhar triste, por motivos que desconheço e que aos outros parecerão óbvios? (Serei tão herege assim, eu que nem sequer nunca pensei em criar um deus à minha imagem e semelhança e em adorá-lo como se adora um senhor todo-poderoso, com subserviente hipocrisia?) Ou será que efetivamente sou um agente secreto de alguma potência estrangeira --- tão secreto que eu mesmo não sei --- e, dotado de dupla personalidade, esteja no momento posando de santo, até que eles me provem o contrário e me lancem com a minha verdade em pleno rosto? Tudo é possível neste mundo de infinitas surpresas, e o que me resta, como a eles, é apenas aguardar que os acontecimentos se sucedam por si mesmos e que eu venha a revelar um dia, por bem ou por mal, meu terrível segredo, ou --- o que será mais triste --- minha desesperada inocência.

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Terceiro dos seis romances escritos por Campos de Carvalho, A lua vem da Ásia foi lançado em 1956.

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Leia mais textos dele no marcador que leva seu nome. Leia também a “entrevista” que fiz com ele no 12º aniversário de sua não-morte, aqui.

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terça-feira, 1 de junho de 2010

Facilitar por que, se dá para complicar?

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Placa localizada nas imediações do Enchantment Resort and Spa, em Sedona, no Arizona, EUA. Foto de Julie, do blog Scottsdale Daily Photo.


Você acha que essa ½ milha no limite de velocidade é preciosismo, frescura? Eu achei isso, a princípio. Mas depois, pensando melhor, entendi que as autoridades rodoviárias locais estão é querendo dar uma força aos coitados que sofrem à beça no spa para perder qualquer ½ quilozinho de toucinho.

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Sem escapatória

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Placa no Cemitério Cottingham, em Kingston-upon-Hull, Inglaterra. Publicada hoje pelo blog Hull and Hereabouts.
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Muito convidativa, não?

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Nachos em supositório?

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Placa pendurada na entrada do restaurante do Witch's Rock Surf Camp, em Tamarindo, Costa Rica. Foto de Dave, do blog
Tamarindo, Costa Rica Daily Photo.
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Pelo bem da freguesia, esperamos que o nachos costarriquenhos não sejam tão apimentados quanto a placa.
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Jesus disse: "Compre arte popular!"

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Esta lojinha foi fotografada por Randy, do blog Santa Fé Daily Photo. Fica na Canyon Road, no Arizona, EUA. Se ficasse no Aterro do Flamengo, teria vendido o estoque todo em abril, durante o mega-evento evangélico lá realizado.

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Clique na foto para ampliá-la, e você saberá também o que Moisés disse aos hebreus.

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sábado, 29 de maio de 2010

Quinze contos de réis

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1. O quadro

De início, não gostava do quadro: estava meio cheinha quando a retrataram. Hoje, está bem mais cheia. No quadro, porém, cada vez mais vazia.

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2. Privacidade

O respeito à privacidade é a base do casamento deles. Mesmo em casa, quando um deseja ver o outro, sempre combinam antes pelo celular.

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3. O pé frio

Perdeu os pais na infância, o único irmão na adolescência, a esposa durante a gravidez. A criança sobreviveu – sabe-se lá por quanto tempo.

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4. Forra

Chorou quando viu o cão mastigando a sua chupeta. Mas logo se acalmou e foi, engatinhando, à forra: roeu bem roído o osso do desafeto.

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5. Desconto

– Eu nunca o traí, amor. Quantos vezes já lhe jurei isso?

– Trinta e sete. Sem contar aquela do imbecil que enfartou na entrada do motel.

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6. Solução

A compulsão de comprar era tal que a sua cozinha já virara depósito. Incomodada, decidiu: “Vou comprar um fogãozinho para o banheiro.”

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7. A mulher mais linda

Nua, a seu dispor, na cama forrada de seda, a mulher mais linda do mundo. Até que abrisse os olhos e desse com o teto bolorento da cela.

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8. Sapoti

No balanço que pendia da sapota, empurrava a irmã tão alto que acabou engastando-a entre galhos. Correu para casa. “Mãe, a Lu virou sapoti!”

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9. Posição

Não era alto, dava para pular dali sem risco. Mas de um lado via uma multidão dizendo é isso; do outro, outra multidão dizendo não é.

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10. Pombo de louça

Atacava com a atiradeira os pombos que infestavam o quintal da vizinha. Aí surgiu a mulher, furiosa, brandindo cacos do pingüim.

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11. O rei não está nu

Saiu no carnaval vestido de rei, mas ladrões o puseram nu. Como ninguém disse nada, continuou a reinar na folia, fantasiado de nudista.

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12. Perfeição

Enfim, a perfeição como escritor: transmutara-se em livro. E acabou num sebo, onde esperaria o primeiro leitor até ser comido pelas traças.

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13. A ladeira

Saudava os passantes enquanto ia subindo a ladeira. Tão alegre e saltitante que todos viram, com clareza, que ele a estava descendo.

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14. O segredo

“Onde, diabos, eu guardei – se perguntava – o papel em que anotei o segredo do cofre?”

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15. Pesadelo

Seu pesadelo – toda a humanidade a cair num abismo – virou sonho: pára-quedas se abriram. Acordou ainda no ar, vendo os jacarés lá embaixo.

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Ilustrações: Vanessa Iacono (clique aqui para conhecer o seu blog)

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Leia mais 14 contos de réis aqui, 13 aqui, 12 aqui e 11 aqui.

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