terça-feira, 1 de junho de 2010

Sem escapatória

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Placa no Cemitério Cottingham, em Kingston-upon-Hull, Inglaterra. Publicada hoje pelo blog Hull and Hereabouts.
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Muito convidativa, não?

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Nachos em supositório?

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Placa pendurada na entrada do restaurante do Witch's Rock Surf Camp, em Tamarindo, Costa Rica. Foto de Dave, do blog
Tamarindo, Costa Rica Daily Photo.
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Pelo bem da freguesia, esperamos que o nachos costarriquenhos não sejam tão apimentados quanto a placa.
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Jesus disse: "Compre arte popular!"

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Esta lojinha foi fotografada por Randy, do blog Santa Fé Daily Photo. Fica na Canyon Road, no Arizona, EUA. Se ficasse no Aterro do Flamengo, teria vendido o estoque todo em abril, durante o mega-evento evangélico lá realizado.

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Clique na foto para ampliá-la, e você saberá também o que Moisés disse aos hebreus.

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sábado, 29 de maio de 2010

Quinze contos de réis

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1. O quadro

De início, não gostava do quadro: estava meio cheinha quando a retrataram. Hoje, está bem mais cheia. No quadro, porém, cada vez mais vazia.

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2. Privacidade

O respeito à privacidade é a base do casamento deles. Mesmo em casa, quando um deseja ver o outro, sempre combinam antes pelo celular.

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3. O pé frio

Perdeu os pais na infância, o único irmão na adolescência, a esposa durante a gravidez. A criança sobreviveu – sabe-se lá por quanto tempo.

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4. Forra

Chorou quando viu o cão mastigando a sua chupeta. Mas logo se acalmou e foi, engatinhando, à forra: roeu bem roído o osso do desafeto.

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5. Desconto

– Eu nunca o traí, amor. Quantos vezes já lhe jurei isso?

– Trinta e sete. Sem contar aquela do imbecil que enfartou na entrada do motel.

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6. Solução

A compulsão de comprar era tal que a sua cozinha já virara depósito. Incomodada, decidiu: “Vou comprar um fogãozinho para o banheiro.”

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7. A mulher mais linda

Nua, a seu dispor, na cama forrada de seda, a mulher mais linda do mundo. Até que abrisse os olhos e desse com o teto bolorento da cela.

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8. Sapoti

No balanço que pendia da sapota, empurrava a irmã tão alto que acabou engastando-a entre galhos. Correu para casa. “Mãe, a Lu virou sapoti!”

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9. Posição

Não era alto, dava para pular dali sem risco. Mas de um lado via uma multidão dizendo é isso; do outro, outra multidão dizendo não é.

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10. Pombo de louça

Atacava com a atiradeira os pombos que infestavam o quintal da vizinha. Aí surgiu a mulher, furiosa, brandindo cacos do pingüim.

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11. O rei não está nu

Saiu no carnaval vestido de rei, mas ladrões o puseram nu. Como ninguém disse nada, continuou a reinar na folia, fantasiado de nudista.

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12. Perfeição

Enfim, a perfeição como escritor: transmutara-se em livro. E acabou num sebo, onde esperaria o primeiro leitor até ser comido pelas traças.

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13. A ladeira

Saudava os passantes enquanto ia subindo a ladeira. Tão alegre e saltitante que todos viram, com clareza, que ele a estava descendo.

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14. O segredo

“Onde, diabos, eu guardei – se perguntava – o papel em que anotei o segredo do cofre?”

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15. Pesadelo

Seu pesadelo – toda a humanidade a cair num abismo – virou sonho: pára-quedas se abriram. Acordou ainda no ar, vendo os jacarés lá embaixo.

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Ilustrações: Vanessa Iacono (clique aqui para conhecer o seu blog)

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Leia mais 14 contos de réis aqui, 13 aqui, 12 aqui e 11 aqui.

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Desvendado o mistério da Atlântida!

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . Prof. Edson Rocha Braga




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O Segredo da Atlântida

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. . . . Ao iniciarem o estudo da linguagem dos golfinhos, os cientistas tinham em vista o objetivo maior de ensiná-los a colocar bombas em belonaves inimigas. Não contavam, porém, com o caráter rebelde desses animais, contrários à luta em prol das causas nacionais e mais chegados à alienação, ao nado livre e à permissividade sexual.

. . . . Dessa forma, o Projeto Golfinho fracassou em sua meta original. Mas, permitiu ao Homem desvendar finalmente o mistério da Atlântida.

. . . . Segundo o relato dos golfinhos, o Continente Perdido, antes de sê-lo, era berço de uma civilização em estágio avançadíssimo, onde já havia inclusive camisinha, vans, telefone celular, McDonald’s, economistas e todas essas coisas maravilhosas através das quais se pode aquilatar o progresso de um povo.

. . . . Pois tudo isso foi posto a perder por um único homem, o cientista M. Kroskiros, físico e especialista em robótica. Expulso da universidade onde trabalhava por flagrante de voyeurismo, Kroskiros passou a ganhar a vida na feira hippie, onde vendia suas miniaturas. Ele pintava cenas de déjeuner-sur-l’herbe em cabeças de alfinetes, unhas de sagüi e olhos de caranguejo, com rara mestria.

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Miniaturobotização

. . . . Seus trabalhos tiveram ótima saída, avolumando-se de tal forma as encomendas que o autor resolveu industrializá-los, aproveitando seus conhecimentos de físico. Construiu então um robô programado para construir sozinho outro robô, mas de metade do próprio tamanho. O novo robô construiria um outro menor, e assim por diante.

. . . . Kroskiros esperava desse modo obter miríades de robôs miúdos que se encarregariam de reproduzir com facilidade as suas minúsculas obras de arte.

. . . . Ocorreu, porém, um imprevisto. Ao invés de darem uma meia-trava em seu trabalho para pintar cenas de déjeuner, os robôs se mostraram donos de singular falta de imaginação: não faziam outra coisa senão produzir robozinhos cada vez menores. Quando procurou detê-los, Kroskiros não conseguiu mais achá-los, mesmo com a ajuda de um gigantesco microscópio.

. . . . Deu-se então a tragédia. No afã de construir sua meia cópia, um robozinho deu uma cacetada de mau jeito no núcleo de um átomo e desencadeou tremenda explosão, que fez voar caco de robozinhos, cientista, McDonald’s, celulares e todas essas coisas maravilhosas até a puta-que-pariu.

. . . . Um detalhe particularmente interessante no relato dos golfinhos: a Atlântida na verdade se chamava Pacífida, e não ficava situada nem no Atlântico nem no Pacífico - como tudo levava a supor - e sim no Oceano Índico.

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