sábado, 3 de abril de 2010

Nossa enquete abala o mundo!

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.. . . . . . . . . . Teophanio Lambroso
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. . . . .Encerrada ontem, nossa enquete sobre os assuntos que os leitores do desinformação seletiva desejam ver postados aqui teve repercussão mundial. Choveram protestos procedentes dos mais diferentes pontos do planeta, de gente e grupos revoltados contra as pautas propostas por nós, sobretudo as referentes às aparições ubíquas do Tuca para mulheres alheias e ao Festival Microscópio do Caralho. Destaque especial para as inúmeras mensagens contendo ameaças e palavrões enviadas pela Associação de Proteção e Estímulo aos Moços de Bilau Microscópico – APEMBIM.

. . . . .Queremos agradecer aos nossos 62 leitores que votaram – e também aos outros três, que não votaram exercendo o seu sagrado e abjeto direito de se abster. A estes, prometemos não fazer qualquer tipo de retaliação – promessa que será mantida até que conquistemos um público mais expressivo, que nos possibilite pelo menos rivalizar com o BBB. E quando chegarmos lá, ai de vocês, trio de leitores que entra aqui de pijama, sandália de dedo e sem escovar os dentes!

. . . . .Para os votantes, informamos que hoje mesmo já teremos a primeira postagem referendada pela enquete! Vistam o habitual black tie, escovem os dentes e mantenham-se de prontidão para entrar aqui e lê-la.

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Beidos gom beidos, bode?

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Aqui vai mais uma história de !ALBUFAS SAFUBLA! – Fabulas bufalas, de Falasbu Bulafas Lafasbu. Desta vez, para contemplar os poucos que sabem português, oferecemos o texto original neste exótico idioma em extinção acompanhando, parágrafo por parágrafo, a tradução para o portugárabe.

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Beidos gom beidos, bode? . . .. . . .. . .

. . . . . .. . .(Peitos com peidos, pode?)

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A brinzibal adrazão durísdigo-arguidedôniga da beguena e bagada Gonzeizinha do Mado Vora era o zeio esguerdo de Zavira Galavadi. A zegunda, naduralmende, era o direido, gue não vigava muido adrás do oudro em bobularidade. Mas zó em bobularidade, borgue a vormosa e rejonjuda imigrande de Dasmasgo o dinha esdrábigo, e em dal grau gue o bigo e boa barde dele vigavam esgondidos zob o esguerdo.

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(A principal atração turístico-arquitetônica da pequena e pacata Conceicinha do Mato Fora era o seio esquerdo de Safira Kalafati. A segunda, naturalmente, era o direito, que não ficava muito atrás do outro em popularidade. Mas só em popularidade, porque a formosa e rechonchuda imigrante de Damasco o tinha estrábico, e em tal grau que o bico e boa parte dele ficavam escondidos sob o esquerdo.)

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Guando Zavira zaía de gasa o drânsido barava. Vorza de exbrezão, regonhezo, bois a zidade neza éboga gondava zomende gom drês garros em zirgulazão. Mas os bedesdres, dodos, zem ezezão, esdagavam zembre, esdubevados com aguela desgomunal obra-brima do Griador – ou do Gão, gonvorme diziam muidas vêmeas vísiga ou bziguigamende desbeidadas.

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(Quando Safira saía de casa o trânsito parava. Força de expressão, reconheço, pois a cidade nessa época contava somente com três carros em circulação. Mas os pedestres, todos, sem exceção, estacavam sempre, estupefatos com aquela descomunal obra-prima do Criador – ou do Cão, conforme diziam muitas fêmeas física ou psiquicamente despeitadas.)

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A vormidavelmende vornida moza, endredando, garezia de velizidade, de dando zer gomida abenas e dão-zomende gom os olhos. Gombromizo zério, ou um gasinho rábido gue voze, nenhum majo de Gonzeizinha ou vorasdeiro gueria gom ela. E o modivo deze desindereze era um zó: Zavira zovria de gonsdandes e inguráveis azezos de vladulênzia, gue broduziam um jeiro zimblesmende inzubordável. Nem o Zalomão da varmázia, gue não bazava um zó dia zem gomer lendilha, badada doze e rebolho, era gabaz de zoldar buns dão vedorendos.

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(A formidavelmente fornida moça, entretanto, carecia de felicidade, de tanto ser comida apenas e tão-somente com os olhos. Compromisso sério, ou um casinho rápido que fosse, nenhum macho de Conceicinha ou forasteiro queria com ela. E o motivo desse desinteresse era um só: Safira sofria de constantes e incuráveis acessos de flatulência, cujo cheiro era simplesmente insuportável. Nem o Salomão da farmácia, que não passava um só dia sem comer lentilha, batata doce e repolho, era capaz de soltar puns tão fedorentos.)

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De rebende, guando a inveliz suber-beiduda beidorrenda barezia devinidivamende gondenada à zolidão, a sorde lhe zorri de vorma inusidada e zudil. Eis gue jega à zidade o Bidágoras, esbezialisda em desendubimendo de esgodos; um rabaz begueno, muido begueno, guase migrosgóbigo, gom zeus oidenda e zingo zendímedros de aldura. Vardado bara drabalhar, borém, vigava um bouguinho menos baijo, bor gausa do gabazede do esgavandro gue usava em zuas ingurzões belas dubulazões zanidárias.

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(De repente, quando a infeliz super-peituda peidorrenta parecia definitivamente condenada à solidão, a sorte lhe sorri de forma inusitada e sutil. Eis que chega à cidade o Pitágoras, especialista em desentupimento de esgotos; um rapaz pequeno, muito pequeno, quase microscópico, com seus oitenta e cinco centímetros de altura. Fardado para trabalhar, porém, ficava um pouquinho menos baixo, por causa do capacete do escafandro que usava em suas incursões pelas tubulações sanitárias.)

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Voi baijão à brimeira visda. No insdande em gue gruzaram-ze na Braza da Madriz, Bidágoras esdaziou-ze não zó gom as imenzas dedas da zíria, mas dambém, gomo broglamou aos sede vendos, zem dabar as vendas: “Oh, zéus, o bervume da brimavera jegou em bleno oudono!” E Zavira, bor zeu durno, ao esgudar balavras dão gordeses, voi brovundamende vlejada bor Gubido, dando gue de brondo begou no golo o migro-majo e garregou-o bara gasa.

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(Foi paixão à primeira vista. No instante em que cruzaram-se na Praça da Matriz, Pitágoras extasiou-se não só com as imensas tetas da síria, mas também, como proclamou aos sete ventos, sem tapar as ventas: “Oh, céus, o perfume da primavera chegou em pleno outono!” E Safira, por seu turno, ao escutar palavras tão corteses, foi profundamente flechada por Cupido, tanto que de pronto pegou no colo o micro-macho e carregou-o para casa.)

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E voram velizes bara zembre. Azim dambém doda a zidade, borgue, não ze sabe gomo, a vladulênzia grôniga de Zavira bazou a imbregnar o ambiende gom as mais esblendorosas vragânzias vlorais. As desbeidadas de blandão, dodavia, não zozegaram o vajo, drombedeando gue Bidágoras lhe deria desendubido a dubulazão indesdinal, de esgavandro e dudo.

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(E foram felizes para sempre. Assim também toda a cidade, porque, não se sabe como, a flatulência crônica de Safira passou a impregnar o ambiente com as mais esplendorosas fragâncias florais. As despeitadas de plantão, todavia, não sossegaram o facho, trombeteando que Pitágoras lhe teria desentupido a tubulação intestinal, de escafandro e tudo.)

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Lizão da Vábula: Ze a velizidade não lhe abareze bela vrende, begue-a bor drás.

.(Lição da Fábula: Se a felicidade não lhe aparece pela frente, pegue-a por trás.)

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Leia mais fabulas bufalas aqui e aqui!

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domingo, 28 de março de 2010

A função do trabalho

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. .. . . .Prof. Edson Rocha Braga

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Como é sabido, o trabalho inibe o crescimento.

Testes realizados no campo, nas minas, nas fábricas, nos escritórios confirmam há muito essa teoria.

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. . . . . . . . . . Sem a menor margem de erro, comprovou-se que o ser humano pára de crescer tão logo se dedica ao trabalho.

. . . . . . . . . . Nas crianças, a inibição não chega a ser completa, mas já está também fartamente constatada. A realidade é que as crianças que trabalham não param de crescer totalmente, como os adultos. Mas elas só crescem fora dos períodos de trabalho – quando brincam, comem, dormem ou tomam banhinho. Verifica-se que em grupo sociais onde o hábito do trabalho infantil é acentuado – como em favela ou lavoura – as crianças crescem com mais parcimônia.

. . . . . . . . . . A inibição do crescimento proporcionada pelo trabalho nos permite observar quão sábia é a natureza, posto que se o ser humano continuasse crescendo após começar a trabalhar iria ter que trabalhar cada vez mais para manter o crescimento.

. . . . . . . . . . Esse círculo vicioso só poderia ser detido mediante o abate do indivíduo a tiros.

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Cumé quié, e-leitor?

Vote rapidinho na nossa enquete (canto superior esquerdo da página) para escolher as próximas postagens do blog. Você pode votar em mais de uma pauta. E se precisar saber mais sobre cada pauta, clique aqui.

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sábado, 27 de março de 2010

Seu Juca Sem Fio, um andarilho

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Conhecemos Seu Juca Sem Fio em Bangu, Zona Oeste do Rio, região pela qual ele circula, preferencialmente. Foi através dele que tivemos acesso aos originais da Autobiografia de um que nunca nasceu, de Fiophélio Nonato, de quem é amigo.

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Há tempos queríamos entrevistá-lo, mas não conseguíamos encontrá-lo. Agora isso se tornou possível porque descobrimos o endereço de um de seus “escritórios”, o Bar do Luís, em Vila Valqueire. E para lá fomos nós – Elza Magna, Anga Mazle, eu e Raíssa Medeiros, jovem e talentosa fotógrafa que nos foi apresentada pelo próprio Seu Juca. Ao ver a máquina fotográfica, ele logo perguntou: “É para a Playboy?” Rimos, e ele: “Se for para qualquer coisa menor, não posso, nem pelado nem vestido.”

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Tudo bem, vamos de ilustração mesmo para este longo papo (nesta e em pelo menos mais uma postagem) com o andarilho mais culto e misterioso do Rio.

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Tuca – Seu nome é Joaquim, Seu Juca?

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Seu Juca – Não, é Juca.

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Tuca – Mas, e o nome da certidão?

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Seu Juca – Sei não. Nem conheço essa senhora.

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Tuca – O senhor nunca usou o nome completo?

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Seu Juca – Tentei. Ninguém agüentou ouvi-lo até o fim. Mulher não agüenta nem um terço.

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Anga – Qual é o seu nome todo?

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Seu Juca – Juca Sem Fio de Telefone de Cabelo de Alta Tensão da Navalha da Meada de Todas As Outras Coisas Com Fio Ou Pavio Ou Desafio Quem Sabe O Que Se Pode Ou Não Se Pode Ser Ou Não Ser Nesta Vida Fiadora Desfiadora Enfiadora Desenfiadora Reenfiadora Quando Na Telha Lhe Dá Entrementes Outrossim Por Outro Lado...

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Anga – Tudo isso?

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Seu Juca – Essa não agüentou ouvir nem um décimo.

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Anga – Perdão.

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Seu Juca – Desculpar, eu posso. Perdoar, jamais. Perdão é coisa do Capeta.

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Elza – Não era de Deus?

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Seu Juca – Se era, foi. Possa ser que usou um tanto, largou num canto e o Demo levou.

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Tuca – O senhor é conhecido em toda a Zona Oeste do Rio. Sempre morou por aqui?

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Seu Juca – Nunca morei aqui. Na verdade, não morei um pouco em cada pedaçinho deste planeta.

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Anga – O senhor conhece o mundo todo?

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Seu Juca – Conheço esta Vila Valqueire em que estamos. Quando aqui não estou, desconheço. Não sei nem se é vila ou vilã. Mas... acho que me lembro vagamente de todo o Brasil.

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Elza – Esteve em todos os Estados?

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Seu Juca – Não, só nos que contam.

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Elza – Quais?

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Seu Juca – Os Unidos. Os nossos três não prestam nem pra troco.

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Anga – Três?

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Seu Juca – Ou quatro, se já inauguraram a Bahia.

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T.uca – Os três seriam Rio de Janeiro, São Paulo e...

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Seu Juca – Só os três que citei sem citar. Que esses dois aí não existem.

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Tuca – Estamos em Vila Valqueire, que fica na capital do Estado do Rio de Janeiro. Logo... nós também não existimos.

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Seu Juca – Vocês, não sei. Eu, por enquanto – por enquanto! – não dependo de lugar nenhum para existir ou não existir..

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Elza – O senhor pensa em se fixar, no futuro?

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Seu Juca – Jamais. O futuro é escorregadio, mais engraxado que mulher de mecânico. Antigamente, eu era dado a pensar, e muitas vezes pensei assim: amanhã eu faço. Acordava no dia seguinte e já era hoje. Quando não era ontem ou anteontem. Uma dádiva! Nunca precisei fazer nada, porque sempre deixo tudo para o amanhã que não chega nunca. Porque a Deus pertence, e o Cara é munheca, ruim de jogo pra meireles. Nem emprestar o futuro pra gente dar uma folheada o Garrucha empresta.

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Elza – Então por que o senhor frisou tanto que, POR ENQUANTO, não depende de lugar nenhum para existir?

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Seu Juca – Porque ando cismado que um dia eu vá morrer. E se isso de fato ocorrer, vou precisar de um chão. Todo defunto precisa de um chão, é o que eu acho. A única imoralidade que reconheço é a de defunto que fica por aí despido de chão. E o pior dos crimes é assassinar alguém e largar o seu corpo na rua, sem enterrar. Um grande desrespeito às autoridades, à sociedade, às famílias. Exceto a do assassinado.

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Anga – Exceto a do assassinado?

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Seu Juca – Sim. As famílias gostam de enterrar, elas próprias, os seus mortos. Mesmo que eles tenham sido baleados de tal maneira que mais pareçam um ralador de queijo do que um presunto normal. (Corre os olhos pelo chão, pensativo, e volta a falar, com ar professoral)... Queijo com presunto rima com mudar de assunto. Estou com fome.

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Tuca – Peça alguma coisa, é por nossa conta. Por favor, garçom, o Seu Juca vai querer...

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Seu Juca – Um ovo.

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Tuca – Só?

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Seu Juca – Com outro ovo. E pão por cima. (Virando-se para a Anga e apontando o MP3) Quando for tirar minhas palavras daí, minha filha, cuidado para não esquecer de botar o til no pão. Dois ovos com pao por cima não fica bem.

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Parada técnica (Elza teve um ataque de riso tão histérico com a história do “pao”, que tombou da cadeira, derrubando Anga e o nosso MP3, que pifou. Para continuar a entrevista, contamos com a gentileza do seu Luís, dono do boteco, que nos emprestou um velho gravador de rolo. Assim que Anga conseguir manejá-lo melhor e fizer a transcrição da fita, postaremos o restante da entrevista.) (Em tempo: Elza passa bem. Mas ainda tem umas recaídas quando vê – ou alguém fala em – pão.)



A segunda parte da entrevista está aqui.


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Alô, alô, e-leitores: Votem na nossa enquete (canto superior esquerdo da página) para a escolha das próximas postagens do blog. Votem em quantas pautas quiserem. Qualquer dúvida, saibam mais detalhes sobre cada uma das oito pautas teclando aqui.

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