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O não-nascido leva ao circo
as gargalhadas do falecido . . .
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O não-nascido leva ao circo
as gargalhadas do falecido . . .
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Não poderíamos deixar de postar aqui esta denúncia, não só por sua relevância histórico-sócio-político-econômico-religiosa, mas, sobretudo, em virtude da estrondosa repercussão negativa das três postagens anteriores de trechos da mesma fonte: os originais datilografados – e compulsivamente emendados à mão – da Autobiografia de um que nunca nasceu, de Fiophélio Nonato.
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Quem conta um conto
aumenta um ponto...
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Bem, só tenho uma saída: pedir um help ao Solano, que sabe tudo sobre ponto e três continhos. Ou sobre conto e três pontinhos, sei lá... Ele que decida por mim.
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– Alô!
– Solano?
– Não. Mariola.
– Prazer, Mariola. Aqui é o Paçoca. Eu queria falar com o Solano.
– Solano Lopes?
– Não, Guedes. Solano Guedes, o cara dos três continhos. Ou dos três pontinhos...
– Serve três porquinhos?
– Não. Só três pontinhos. Ou três continhos.
– Tá. Vou ver se tem algum desses aqui.
– Eu espero.
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– Alô!
– Solano?
– Sim.
– Solano Guedes?
– Não. Solano Lopes.
– Vá se danar!
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Bati o telefone na cara dele. Era o Solano mesmo, tenho certeza. O Guedes, safado, sempre me sacaneando. Mas hoje não estou pra brincadeiras. Azar o dele. Eu ia falar aqui sobre o livro que ele lançou, A história dos três pontinhos. Pois agora não vou mais. Ia dizer que é um trabalho muito bom, que pode ser lido com prazer por crianças de
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Ah, e jamais mencionarei que o livro saiu pela Vieira & Lent Casa Editorial.
. . . . . . . . . . . . . . . . . I.M.L.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . Na porta do boteco
. . . . . . . . . . . . . . . . . Com flores de coroas
. . . . . . . . . . . . . . . . . Que oferta às moças boas
. . . . . . . . . . . . . . . . . Ele ergue o seu caneco
Previsões sobre a folia dos . . . . .
voieurs no carnaval pela TV . . . .
. . . . . ... . Elza Magna
Para você que vai passar o carnaval em casa, rebolando só os olhos atrás de imagens picantes pela TV, posso prever que o Desfile das Escolas de Samba deste ano lhe reserva as seguintes surpresas libidinosas:
– Mais de uma centena de modelos, atrizes, ex-participantes do BBB e anônimas – estas em busca de uma brechinha (não a mesma que você) para garantir pelo menos seus 15 minutos de fama – vão aparecer com fantasias absolutamente imperceptíveis.
– A TV mostrará em close milhares de peitos, bundas e até mesmo algumas nesgas de xoxotas especialmente para vocês, tele-punheteiros.
– Aquela mulata de cabelos oxigenados, uma super peituda que quase levou vocês à loucura no carnaval de 2009, este ano vai aparecer mais turbinada ainda. E com os tapa-bicos bem menores!
– Algumas peladas contumazes aparecerão com fantasias muito discretas. Mas não desgrudem os olhos da telinha, voieurs, porque a qualquer momento uma alça de sutiã ou mesmo um elástico de calcinha vai arrebentar, “acidentalmente”, e mostrar tudo!
– E a melhor surpresa: além da Ângela Bismarck, mais três gostosonas aparecerão na Sapucaí completamente peladas. Ou quase, pois uma delas, mais recatada, desfilará de sandálias de dedo.
Olho na TV, mãos à “obra” e bom carnaval, taradões de todo o mundo!
Amor sem fronteiras - Coletânea de sublimes casos de amor estudados pela amoróloga Anga Mazle, como o de um apaixonado e harmonioso triângulo formado por uma porca-espinho heterossexual, uma ostra sapatão e um mandacaru misógino.
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A primeira vez que li Shakespeare eu mal completara meu primeiro ano de não-nascido. E ainda era analfabeto da sola dos pés para cima. Em português – porque, em espanhol, já começara a ler por influência dos meus sapatinhos de tricô Naique, e com um irretocável sotaque paraguaio. O inglês seiscentista, porém, eu o aprendi quase instantaneamente, desde que Hamlet começou a ser-me inoculado por Floris Bregh, uma bela morena que mora no Acre – numa aldeota onde, segundo ela mesma me contara por sinais de fumaça produzida por uma das queimadas que quase diariamente arrasam quarteirões inteiros de mata amazônica, "no verão o inferno é verde e o sol arde cada dia mais forte tentando, por enquanto em vão, amarelar tudo".
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Do 11º andar do jequitibá em que residia, até então preservado do fogo dos posseiros fazedores de pastos, Floris, como eu dizia, me inoculava Hamlet lançando doses redondas e certeiras de páginas da tragédia shakespeariana no quintal do meu semi-desabado casarão
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Se nenhuma dessas práticas condenadas pela sociedade o atrai, nem mesmo a mais perigosa delas – a boa leitura! –, esqueça o cara e deixe-se chegar até ele por acaso, talvez tangenciando papos bêbados de balcão num boteco sórdido; talvez grampeando no ônibus a ladainha tricotada pelas duas velhinhas do banco da frente; talvez convidando a primeira bela (ou belo) que lhe sorrir no elevador a seguir direto à cobertura do prédio para caçar estrelas numa noite de céu nublado; talvez até mesmo em casa, postando-se diante da TV sintonizada num programa de auditório, para, armado de um naipe de canetas hidrocor, decalcar em traços rápidos sobre o monitor todas as caretas e trejeitos do apresentador, até que da imagem transmitida só reste algumas centenas de fímbrias luminosas a animar o emaranhado de riscos coloridos que você a ela superpôs, compondo uma espécie de obra impressionista em surreal mutação constante. Enfim, permita-se encontrar William Shakespeare – ou ser por ele encontrado – em qualquer lugar em que lhe der na telha estar: exceto talvez num teatro, e não com certeza no palco – onde o velho Bill, em sua grandeza plena, nunca pisou nem jamais pisará, fosse com seus próprios pés, fosse ou seja com os pés de uma companhia teatral, inclusive e principalmente as shakespearianas.
Ce apreça que cortaro a lus e as carne já tá inté xeirando mau!!!
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