sábado, 30 de janeiro de 2010

Desaparições noturnas

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Três faces da Lapa boêmia
nos versos de Alexei Bueno

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. . . . . . . . . . . . . . . . . I.M.L.

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. . . . . . . . . . . . . . . . . Na porta do boteco
. . . . . . . . . . . . . . . . . Com flores de coroas
. . . . . . . . . . . . . . . . . Que oferta às moças boas
. . . . . . . . . . . . . . . . . Ele ergue o seu caneco

. . . . . . . . . . . . . . . . . De alumínio gravado
. . . . . . . . . . . . . . . . . Com o escudo do seu time,
. . . . . . . . . . . . . . . . . E conta o último crime,
. . . . . . . . . . . . . . . . . E olha o bordel fechado.

. . . . . . . . . . . . . . . . . Sorrindo no balcão,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Beberica e, prudente,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Fita a vaga onde, em frente,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Deixou o rabecão.

. . . . . . . . . . . . . . . . . Então, se há um que lhe peça
. . . . . . . . . . . . . . . . . Que lembre do seu carro,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Diz, dando um grosso escarro:
.. . . . . . . . . . . . . . . . .– Defunto não tem pressa.

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. . . . . . . . . . . . . . . . . OCASO
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. . . . . . . . . . . . . . . . . Os velhos travestis estão cansados.
. . . . . . . . . . . . . . . . . Suas custosas curvas se enrijecem.
. . . . . . . . . . . . . . . . . No queixo a barba surge. Os seios descem
. . . . . . . . . . . . . . . . . Assimetricamente orientados.


. . . . . . . . . . . . . . . . . Nos braços delicados crescem músculos,
. . . . . . . . . . . . . . . . . No lugar da peruca a calva aponta,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Todo o tórax se alarga, estranha afronta
. . . . . . . . . . . . . . . . . Aos ombros ontem frágeis e minúsculos.


. . . . . . . . . . . . . . . . . E, enfim cientes do tempo e seus esbulhos,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Dúbios, nas filas dos supermercados,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Ei-los que vão, duas vezes destronados,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Rumo ao fim, femininamente hercúleos.

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. . . . . . . . . . . . . . . . . GLÓRIA
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. . . . . . . . . . . . . . . . . Bêbado às duas da manhã,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Parei na loja de ovos e aves.
. . . . . . . . . . . . . . . . . Subi na grade e, em grande afã,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Cacarejei, de ecoar nas traves.

. . . . . . . . . . . . . . . . .
Os galos todos acordaram
. . . . . . . . . . . . . . . . . Cheios de brio e, num só coro,
. . . . . . . . . . . . . . . . . Com seu cacarejo enfrentaram
. . . . . . . . . . . . . . . . . O meu, mais forte, mais sonoro.


. . . . . . . . . . . . . . . . . Saltavam todas as galinhas.
. . . . . . . . . . . . . . . . . Penas voavam loja afora.
. . . . . . . . . . . . . . . . . Ligavam luzes nas vizinhas
. . . . . . . . . . . . . . . . . Casas. Parti. Criara a aurora.

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(
Os poemas I.M.L. e Glória são inéditos em livro. Ocaso integra Desaparições, obra recém-lançada de Alexei. Os três foram postados com mais oito poemas do autor no blog do artista plástico Hélio Jesuíno. De lá os surrupiei, junto com as ilustrações frações de um painel que Jesuíno fez para a abertura da postagem. Veja aqui.)

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Nuas, peladas ou sem roupa no Carnaval

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Previsões sobre a folia dos . . . . .

voieurs no carnaval pela TV . . . .

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. . . . . ... . Elza Magna

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Para você que vai passar o carnaval em casa, rebolando só os olhos atrás de imagens picantes pela TV, posso prever que o Desfile das Escolas de Samba deste ano lhe reserva as seguintes surpresas libidinosas:

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­ – Mais de uma centena de modelos, atrizes, ex-participantes do BBB e anônimas – estas em busca de uma brechinha (não a mesma que você) para garantir pelo menos seus 15 minutos de fama – vão aparecer com fantasias absolutamente imperceptíveis.

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– A TV mostrará em close milhares de peitos, bundas e até mesmo algumas nesgas de xoxotas especialmente para vocês, tele-punheteiros.

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– Aquela mulata de cabelos oxigenados, uma super peituda que quase levou vocês à loucura no carnaval de 2009, este ano vai aparecer mais turbinada ainda. E com os tapa-bicos bem menores!

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– Algumas peladas contumazes aparecerão com fantasias muito discretas. Mas não desgrudem os olhos da telinha, voieurs, porque a qualquer momento uma alça de sutiã ou mesmo um elástico de calcinha vai arrebentar, “acidentalmente”, e mostrar tudo!

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– E a melhor surpresa: além da Ângela Bismarck, mais três gostosonas aparecerão na Sapucaí completamente peladas. Ou quase, pois uma delas, mais recatada, desfilará de sandálias de dedo.

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Olho na TV, mãos à “obra” e bom carnaval, taradões de todo o mundo!

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LIVROS QUE DEUS ME LIVRE! - II

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Se você não tem saco para ler coisa
pesada, não perca esses lançamentos!




A insustentável inteligência emocional da menina que roubava empinadores listrados do alquimista de Sofia Da Vinci - Versão em português de 27 best sellers admiravelmente embaralhados e condensados num livro de 44 páginas pelo onisciente Prof. Edson Rocha Braga. Ideal para iniciantes em literatura descartável.


O tal do desodorante nasal -
Teophanio Lambroso analisa o lançamento no mercado do primeiro desodorante multiuso – contra cecê, chulé, mau-hálito, peido etc., seus e alheios. "Passou nas narinas, adeus catingas!", diz o slogan do produto. O autor testou exaustivamente a novidade em suas três fragrâncias: rosa, pimenta e mulher. Diz que a primeira é enjoativa, a segunda só baiano agüenta, e a terceira é ótima, pois tudo fica com cheiro de mulher. “Mas é um tanto estranho – assinala – ir para a cama com minhas namoradas sentindo nelas o mesmo cheiro da minha avó."


Como transformar esterco de burro em ouro de tolo -
Mais um compêndio de alquimia caseira da barraqueira Paula Ramster, a maga diarista que fez patê do marido galinha durante peregrinação a Santiago do Chile, de helicóptero, a fim de entrevistar o poeta Pablo Neruda, que se recusou a recebê-la em seu mausoléu para a entrevista.


Amor sem fronteiras - Coletânea de sublimes casos de amor estudados pela amoróloga Anga Mazle, como o de um apaixonado e harmonioso triângulo formado por uma porca-espinho heterossexual, uma ostra sapatão e um mandacaru misógino.

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Shakespeare em drágeas de papel

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Mais um trecho da autobigrafia
daquele cara que nunca nasceu



Já postamos duas vezes aqui no blog trechos da Autobiografia de um que nunca nasceu, de Fiophélio Nonato. O trecho de hoje faz parte do primeiro dos três anexos do livro, e é o único que não tem título definido. Ou pelo menos assim me parece, pois há um título datilografado "Sementes híbridas de frutos estéreis" e riscado; e um segundo, escrito a lápis "Receitas para vencer na vida sem precisar nascer" e (mal) apagado com borracha. Fora isso, foi carimbado no alto da página o seguinte: "Arquivado e foda-se!" Mas esse mesmo carimbo aparece também em diversos capítulos do livro que têm título.

O texto que selecionamos é um dos poucos com mais de 15 linhas dentre os 23 que compõem o Anexo I. Vamos a ele:



A primeira vez que li Shakespeare eu mal completara meu primeiro ano de não-nascido. E ainda era analfabeto da sola dos pés para cima. Em português – porque, em espanhol, já começara a ler por influência dos meus sapatinhos de tricô Naique, e com um irretocável sotaque paraguaio. O inglês seiscentista, porém, eu o aprendi quase instantaneamente, desde que Hamlet começou a ser-me inoculado por Floris Bregh, uma bela morena que mora no Acre – numa aldeota onde, segundo ela mesma me contara por sinais de fumaça produzida por uma das queimadas que quase diariamente arrasam quarteirões inteiros de mata amazônica, "no verão o inferno é verde e o sol arde cada dia mais forte tentando, por enquanto em vão, amarelar tudo".

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Do 11º andar do jequitibá em que residia, até então preservado do fogo dos posseiros fazedores de pastos, Floris, como eu dizia, me inoculava Hamlet lançando doses redondas e certeiras de páginas da tragédia shakespeariana no quintal do meu semi-desabado casarão em Vila Valqueire, e justo na boca do bebê aqui – que por ali engatinhava à cata de caracóis e insetos para comer. Mas as bolinhas de Hamlet eram mais gostosas, e me chegavam como um raio ao coração e ao cérebro, órgãos que em nós, não-nascidos, são um só, aconchegado entre o estômago e o fígado, e nos proporciona uma sensação muito agradável de fome saciada quando ingerimos um texto que valha a pena, seja através da leitura convencional, seja muito mais através de petardos de páginas bem emboladinhas recebidos, goela abaixo, de uma bela mulher. Se você, leitor, por acaso não conhece Floris, nem outra mulher bonita com a sua mira miraculosa, experimente comer por si mesmo algum texto curto shakespeariano – um soneto, digamos, que não será refeição pesada, talvez até mais leve que um canapé light feito na hora por uma quituteira de bons bofes e más intenções sensuais. Caso ainda assim o bardo inglês não lhe passe pela garganta, intragável tanto quanto o são para muita gente a ostra (mesmo sem a concha), o caviar (mesmo sem ter de pagá-lo) e a buchada de bode (mesmo com o sal de fruta de logo após), não o coma: beba-o, que ele também sabe ser líquido, e denso e aveludado como um bom licor francês ou italiano; ou fume-o, e poderá desfrutar sabor e aroma superiores aos dos melhores charutos cubanos; ou aperte unzinho, se possível em seda bíblia subtraída, por exemplo sugestivo, a ‘A comédia dos erros’, e dê doisinhos básicos; ou então bata meio soneto numa carreira fina e curta e cafungue-o a plenos pulmões.

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Se nenhuma dessas práticas condenadas pela sociedade o atrai, nem mesmo a mais perigosa delas – a boa leitura! –, esqueça o cara e deixe-se chegar até ele por acaso, talvez tangenciando papos bêbados de balcão num boteco sórdido; talvez grampeando no ônibus a ladainha tricotada pelas duas velhinhas do banco da frente; talvez convidando a primeira bela (ou belo) que lhe sorrir no elevador a seguir direto à cobertura do prédio para caçar estrelas numa noite de céu nublado; talvez até mesmo em casa, postando-se diante da TV sintonizada num programa de auditório, para, armado de um naipe de canetas hidrocor, decalcar em traços rápidos sobre o monitor todas as caretas e trejeitos do apresentador, até que da imagem transmitida só reste algumas centenas de fímbrias luminosas a animar o emaranhado de riscos coloridos que você a ela superpôs, compondo uma espécie de obra impressionista em surreal mutação constante. Enfim, permita-se encontrar William Shakespeare – ou ser por ele encontrado – em qualquer lugar em que lhe der na telha estar: exceto talvez num teatro, e não com certeza no palco – onde o velho Bill, em sua grandeza plena, nunca pisou nem jamais pisará, fosse com seus próprios pés, fosse ou seja com os pés de uma companhia teatral, inclusive e principalmente as shakespearianas.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cêu xurrasco quaze gratuíto!

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Não perda eça xanse, pessuau!!!


PROMOSSÃO EXPETACULÁ
POR FALÊNSIA SEM VORTA!

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Aucatra, xuleta, piscanha, largato, xam, assém, múscolu, perniu, salcixão, drobadinha (buxo), cocha e aza de frangu...

Iço tudo a presso cum 70% de dez conto!!!


Inda aleva de grassa, corassão e figo de galinha mais uns oço pros caxorro!
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Ce apreça que cortaro a lus e as carne já tá inté xeirando mau!!!

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Caco desbunda ator de Picasso

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Com a arte maior não se brinca
nem quando a bunda é ridícula!


NOVA IORQUE - Durante apresentação teatral no Metropolitan Museum of Art, uma expectadora trapalhona tropeçou na própria língua e meteu um caco cortante que deixou ainda mais desbundado O Ator (imagem), de Pablo Picasso.

O Museu novaiorquino não divulgou a identidade da mulher, mas socorreu imediatamente O Ator, que deverá passar por uma cirurgia plástica a fim de reconstituir seus parcos dotes traseiros.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ora, Pipocas!

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Para aumentar a minha coleção de
Braga de Cachoeiro de Itapemirim



. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Marília Braga



Ao chegar na pequena sala de espera do médico, sentei-me diante de duas velhinhas que conversavam animadamente. Velhas amigas, uma acompanha a outra, pensei.


Cumprimentei-as educadamente:


– Boa tarde!


– Boa tarde! – cada uma respondeu.


E continuaram conversando, mas me olhavam de vez em quando com a curiosidade com que as velhinhas olham para outras pessoas em consultórios médicos: "Qual será a doença dela? Alguma dor ou mal estar que eu ainda não experimentei?”


Peguei uma revista e comecei a folheá-la.


– O doutor hoje está muito atrasado – disse a mais falante, puxando conversa.


– Ah, é? As senhoras estão esperando há muito tempo?


– Sim, sim. Estamos aqui há... pipoca!


Será que ela disse pipoca? – pensei, atribuindo a dúvida a alguma falha auditiva.


– Imagine só – continuou ela –, no mês passado quando estive aqui, eu estava sentindo uma... pipoca... uma dor do lado esquerdo, e o doutor achou que podia ser... pipoca!


Agora não havia dúvida, ouvi bem direitinho. Com toda certeza ela havia dito pipoca. Hesitei alguns segundos, mas finalmente não resisti e perguntei:


– Me desculpe, a senhora disse... pipoca?


Antes que ela respondesse, sua amiga me informou:


– Não ligue, não. Ela teve um AVC um tempo atrás, e quando não se lembra de alguma palavra diz... pipoca.


Terminada a minha consulta, aproveitei que havia uma farmácia em frente e entrei para comprar um pote de... pipoca... como é mesmo o nome daquele creme para... pipoca... Ih, essa coisa é contagiosa, ora, pipocas!


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O não nascido ataca outra vez!

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Mais uns trechos da autobiografia
do estrambólico Fiophélio Nonato



Sensibilizados com a estupidez de três leitores que manifestaram discreto entusiasmo com a postagem de Poesia, o Amor a lê?, resolvemos democraticamente ignorar as pouquíssimas centenas de protestos irados contra a divulgação do referido poema e, mais do que depressa, postar trechos de outro capítulo da Autobiografia de um que nunca nasceu, antes que o blog e seus administradores e colaboradores sejam virtualmente apedrejados. Se vai chover pedras, que sejam pedregulhos reais!

Os três trechos que juntamos aqui são bem mais lights que o supracitado poema. Foram pinçados do Capítulo 27 da obra, e não porque nos pareçam os mais relevantes, mas tão-somente porque são os únicos que estão mais ou menos legíveis no emaranhado de emendas que constitui a maior parte dos originais do livro de Fiophélio Nonato. Pela ordenação que o autor estabeleceu, este capítulo aparece antes de vários outros de numeração inferior, inclusive o 2, que pela lógica comum deveria ser o primeiro, uma vez que não existe um Capítulo 1.

O Capítulo 27, todo ele é dedicado ao período em que, emancipando-se aos 15 anos e deixando a casa dos catadores de lixo que o criaram em Vila Valqueire, Fiophélio vai morar com uma coroa de 27 (arrá!) e uma cadela sarnenta num conjugado de 16,5 metros quadrados, em Ramos. Abandonado pela mulher três dias depois, fica tão indignado que resolve se transformar num avestruz.

Eis os trechos:



Compartilho convosco, meus diletos piolhos, carrapatos e pulgas, os respingos dessa caprichada punheta que inaugura meu dia em pleno nascer da lua. Admito que o avestruz que ora vos amamenta com sangue e vos confeita com esperma acordou hoje um pouco tarde mesmo, e com a cachorra! – embora sem a cachorra. Pois é, a Ana Maria, nossa vira-lata amada e imunda,
está no cio, e resolveu pular a cerca enquanto eu dormia e se mandar desta sauna apertada em que vivemos para dar uma saracoteada de biquíni pelo Piscinão. Já viram, né? A essa hora da noite, toda a cachorrada vadia de Ramos e arredores ainda deve estar se esbaldando com ela, tudo embolado dentro do pocilgão, protagonizando a maior suruba aquática da história do bairro.

. . . . . . . (...)


Não se passou um só dia,

nesta minha vida tão parca

em realizações espetaculares

mas quase infinita,
se já não o for por inteiro, sabe-se lá –,

sem o cotidiano orgulhar-me

e muito!... dos presentes ganhos:

dores fincadas bem fundo no peito
tanto quanto alumbramentos
por aves, com aves, sempre as aves,
que um avestruz só com elas
ou por elas se deixa tocar.


Um dia é uma condor azul

que me beija, com toda paixão

latente lá pelas moleiras do mundo,

e o coração me arranca e leva

para plantar no inferno dos céus:

e eu lhe sorrio e lhe sou grato.

Outro dia pode ser uma colibri

a vir rebolar-se no ar que respiro

só para me sugar até o fim o néctar

cultivado às pétalas da flor da pele:

e eu lhe sorrio e lhe sou grato.


Ave aves! Sou-lhes todo gratidão...

e ansiosa e alucinante espera,

dê-se a isso o nome que se der:

carência, neura, piti, viadagem...

saudade, nunca, nem fodendo!

que saudade, nas aves, não existe além,

não é uma pena, uma pluma perdida,

mas a mais pura e inseparável parte nossa,

e a mesma que a maioria dos homens,

beócios ensurdecidos pelo apego
ao seu
macio chãozinho forrado de bosta,

nem sabem que é a própria libido,

apenas a porra da sua sagrada libido

que, dadivosa, sussurra: voe, sua besta...


........ ..... (...)

Já imaginou um avestruz enrabando uma cambaxirra dentro do elevador?

Pois era o que eu fazia todo fim de tarde, de segunda a sexta, durante a maior parte dos quase cinco meses em que trabalhei como ascensorista de um prédio de 34 andares plantado bem na olhota efervescente do Centro da cidade, mas não tão bem como eu me plantava na olhota efervescentemente centrada nas nádegas fartas e sacolejantes da Dezinha, a cambaxirra em questão.


Dava cinco da tarde, o formigueiro pegava fogo, a cada andar um mundaréu de gente se acotovelando e trocando cusparadas para entrar logo num dos elevadores e conquistar a glória de chegar em casa uns 47 segundos mais cedo. Nem bem a porta se abria um terço, o elevador era invadido por uma manada feroz, os de trás botando pressão no rabo dos da frente, principalmente quando o de trás era homem e o rabo da frente era de mulher boa. Aí... “Epa, já tem vinte aqui dentro, meu (minha) senhor(a)”, eu dizia. “Um a mais, um a menos, não faz diferença”, argumentava o (a) cara de pau (buceta), que sempre, sei lá por que, era algum(a) rolha de poço que equivalia no mínimo a duas pessoas normais e lá vai banha. Mas eu era inflexível. Completada a lotação, não entrava mais ninguém, mesmo que fosse um anão tísico e perneta. Daí eu tinha sempre de agüentar sem chiar os olhares mais tenebrosos, não só dos barrados como dos que já haviam entrado. Olhares de alguém-peidou-mal-no-elevador-e-claro-que-foi-você-seu-avestruz-asqueroso-filho-da-puta. Juro que era exatamente isso que aquele enxame de olhos dizia, embora até hoje eu não possa atinar como essa gente consegue imaginar uma avestruz progenitora rodando bolsinha por aí.


Sobe desce sobe desce sobe desce sobe desce sobe desce... e de repente, já perto das 18 horas, o movimento decaía rapidamente, até o ponto de eu passar mais de cinco minutos parado no térreo. E eis que se acendia a luzinha divinal do 29º andar, onde Dezinha trabalhava até as 17 e depois se punha debruçada na janela, a folhear uma revista cretina qualquer a fim não só de fazer hora até o prédio ficar quase vazio, mas também de adequar o espírito para aturar o avestruz pateta aqui e, principalmente, desamarrotar a bundaça que passara o dia todo achatada na cadeira, para me oferecê-la já lisinha e empinadona, sempre em retumbante afronta à lei da gravidade e sei lá quantas outras leis muito mais poderosas que, tão logo fossem criadas, seriam prontamente afrontadas por – como ela adorava que eu o chamasse: le prodigieux derrière de mademoiselle
cambaxirrá.

Não vou entrar em detalhes sobre o que acontecia entre mim e Dezinha depois que eu parava o elevador bem lá em cima, quase invadindo a casa de máquinas, porque sou muito discreto e pundonoroso com relação a qualquer história que tenha cu de mulher minha no meio. Mas... não resisto a uma ligeira confidência. Raras coisas nesta vida podem ser tão sublimes quanto tentar ajustar o vaivém sexual ao ritmo quente mas descompassado daquela bateria de gente socando as portas do elevador nos andares mais altos por quase uma hora, cada vez mais aflita para descer logo e sem coragem de encarar no máximo 34 andares de escada. Ou, vá lá, 37, se incluirmos as três escadas rolantes das sobrelojas, àquela altura já desligadas.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O PINTO QUE SATISFAZ

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Apresentadora do Jornal Nacional
leva, ao vivo, uma dura do Pinto


Bem, foi no Jornal Nacional da TVI, a Globo de Portugal. Mas se aconteceu na terrinha, não custa sonhar que um dia possa acontecer aqui também. Veja no vídeo abaixo um entrevistado, o advogado e jornalista Antonio Marinho (!) Pinto, arrasar com a âncora sem alça Manuela Moura Guedes e seu "jornalismo" manipulador.



Quem quiser ler mais sobre o assunto, entre no Cloaca News clicando aqui. Obrigada pela dica, Prof. Armindo Fábio Rodrigues.
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domingo, 17 de janeiro de 2010

Poesia, o Amor a lê?

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Trecho da autobiografia
de um que nunca nasceu


O poema abaixo integra um romance cujos originais me foram encaminhados por Seu Juca Sem Fio, famoso andarilho da Zona Oeste do Rio de Janeiro. O autor da obra, Fiophélio Nonato, não pretende publicá-la. Pretendia, isto sim, conforme me contou o Seu Juca, queimar os originais, "como fez com vários outros livros que escreveu, e faria com esse também se eu não tivesse roubado a papelada".

Todos os capítulos do livro estão datilografados, mas a maioria deles compulsivamente emendada em caligrafia de difícil leitura. Gostei tanto, porém, dos trechos que consegui ler que estou empenhado em decifrar o romance todo. Se isto for possível, depois, através de Seu Juca, pretendo procurar Nonato e tentar convencê-lo a me autorizar o encaminhamento do livro a uma editora.

A história é impressionante. Ora é realista, conduzida a rédeas curtas pelo narrador, mas sempre com muito humor. Ora descamba para um lirismo quase piegas ou para o grotesco sem freios, lançando os personagens em episódios macabros, pornográficos e até escatológicos. Ou, ainda, a trama é às vezes subitamente envolvida por um surrealismo que reverte situações ou desfigura quase por completo determinados personagens, levando de roldão o próprio narrador na correnteza do inconciente que impõe novas e surpreendentes coordenadas de ação. O título do romance, manuscrito em letras garrafais no esfarrapado envelope de papel pardo que continha os originais, já dá uma boa idéia do seu conteúdo: Autobiografia de um que nunca nasceu.

O poema que aqui estamos postando surge num momento capital da história, quando o personagem-narrador chega a voltar-se contra si mesmo por causa de... Bem, isso já não é assunto para agora. Ao poema, pois!


Poesia, o Amor a lê?
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...................................“Ave MariAiram, feia desgraça,

...................... . .... ......Por AmirArimã é que busco Pã...”

.................................. ...... . ......(Onano Oileh Poift)

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Ao vento lançamos de louça em pétalas

asas diabéticas de açucareiro

melados de entremeio ao fogo excelso

quem sabe zé celso de orgasmos murchos

gorduchos tangarás dançando em visgo.

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Luziste em meu sangue como um semáforo

histérico surtado zumbi verde

a furtar vermelho até do amarelo

e pôr sela ao mangalho e transfugir

perua a rir do ganso mal afogado.

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Cantava-te em versos que nunca lias

mas ouvir bem esfingias com deleite

(dente por dente lei no meu pescoço

olho por olho Talião é o caralho)

qual burocrata descaracolando

sob tensa avalanche de uivos asmáticos

durex em meus astrolábios sem vírgulas:

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­Banhei-te em rios de begônias e tu

eras toda uma empada de bigornas

e enquanto mole eu chupava feliz

teu nariz escorrendo do meu olho

sinistro cocho de teus falsos estros

a mim me fizeste pirarucu

do teu baú de deuses entupido.

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“E questionar-te temi por que a fronha

azul medonha ainda envolvia o diálogo

monofásico com teus pares ímpares

(como indígenas prepúcios em anjos

ou sacis de tamanco descasados)

e nesses casos por isso é que calo

que me dói eu falo ou logo adeus digo.

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...Que pena que pena ah que pena que

ela já não é mais a m’nha pequena

mas eu gosto dela benjor assim

minúsculo espinho entre as flores secas

do palacete de entranhas expostas

onde da bosta vindo fui viver

ó verde que amarelo é atemporal...

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!!!Agora me há mal se eu não quebrar sim

o seu sem fim silêncio paleolítico

e do anímico âmbar recolher

meu ser que em sua carne não fez sentido

enquanto o meu sentido era a sua carne!!!

....

???Depois renascer será como um morto

absorto em sua fútil febre glacial

e em sua calma espera pelas minhocas

que o irão em pó pespeidar no universo

de novos versos que o Amor não lerá???

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sábado, 16 de janeiro de 2010

Nova luz (de archote) sobre o Enigma da Pedra da Gávea

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Eminente jurisconsulto e artista plástico
suplementa o post do Prof. Rocha Braga



Recebemos como comentário à postagem O Enigma da Pedra da Gávea, de autoria do venerando Prof. Edson Rocha Braga, o texto que a seguir aqui reproduzimos, tendo em vista a sua relevante saliência histórica e, ainda, o renome, prenome e sobrenome de quem o remeteu. Ninguém menos que o respeitado desembargador-dechavador e célebre pintor microscopista hiper-realista Jorge Eduardo Alves de Souza, também fundador e primeiro interno do Instituto de Belas Artes Esquizóides Felipe Eduardo Pinel. (Ao lado, Alves de Souza quando jovem, auto-retratado por seu assistente e colega de cela Edgar Degas.)

Quem quiser ler primeiro o artigo do Prof. Rocha Braga, para não se perder nesse salseiro histórico-geográfico, clique aqui. Ou, se preferir, pode descer a barra de rolagem vertical por cerca de 746,2 metros, o equivalente a um mergulho do cocoruto do Cristo Redentor até o par de bocas sul do Túnel Rebouças. E vamos ao comentário do Mestre Jotaé:
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O que o Prof. Rocha Braga não esclarece é o fato de que àquela época, 352 anos e dois meses A.C., o nível do Oceano Atlântico estava muito mais alto (curiosamente apenas nas cercanias do Rio de Janeiro), razão pela qual tanto a Pedra da Gávea como o Pão de Açúcar configuravam-se como pequenas ilhas.
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O Governo Tamoio lançou então um concurso mundial de esculturas naquelas duas ilhas, obtendo apenas a participação do artista fenício Wyhlm Rhsjk e do escultor egípcio Ramsés Bounarotti, que se dispos a esculpir um Ibis no então Pãozinho de Açúcar.
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Ao cabo de quarenta e dois anos (o Prof. Braga somou a estes os três anos que durou o julgamento), as autoridades tamoias declararam um empate. Como não haviam previsto essa possibilidade, picaram os dois artistas e ensoparam-nos com inhame, servindo um banquete às comunidades carentes da que seria a futura Rocinha.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Eus, em nome da vida que resta

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Oremos pelos seres repulsivos criados

por Deus à sua imagem e semelhança

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Que sejamos eus um homem simples e bom. Que gostemos eus das folhas verdes nas quais não pisaremos nem mesmo quando, já amarelecidas pelo sol a cada verão mais causticante, quedarem-se todas ao chão de uma vez para sempre. Que sigamos eus em procissão sem rumo com os besouros lacraias minhocas baratas pulgas sanguessugas percevejos lesmas escorpiões... eles e eus que somos tementes ao deus que nos criou à sua imagem e semelhança. E logo, posto que não haverá de tardar para que as condições propícias à vida humana se esgotem neste planeta cujo nome se perderá junto com a memória do derradeiro homem – eus –, haveremos de nos elevar em oferenda ao pasto das espécies por ventura ou desventura escolhidas pela natureza para perdurarem, ainda que por brevíssimo tempo, tão-somente graças à nossa alma humana divinizada e à carne divina humanizada que elas devorarão em êxtase dionisíaco. Em nome da vida, pela eternidade da morte. Amém.

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Ilustra esta postagem o quadro Methusalem, do genial George Grosz (1893-1959).

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Enigma da Pedra da Gávea

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Peguem suas bóias que
a canoa vai virar com
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. . . . . . . . . . . . . . . ; . . . . . Prof. Edson Rocha Braga


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A Esfinge da Pedra da Gávea foi mesmo esculpida pelos fenícios.


Essa hipótese já era há muito aceita nos meios científicos, mas só agora pôde ser comprovada, com a recente descoberta do significado das inscrições milenares que ali existem.


Elas contam toda a história da esfinge.


Começou numa manhã de abril, quando uma nau fenícia tanto ou quanto extraviada tentava contornar a costa da América do Sul para descobrir o Caminho Marítimo para Tebas.


Do alto da gávea da embarcação, um fenício manco avistou no horizonte uma gigantesca montanha com o formato de uma girafa e imediatamente batizou-a de Pedra da Gávea, em homenagem ao local de onde ela fora avistada.


Os fenícios entraram pela Lagoa da Tijuca, aportaram perto de um roçado de mandioca dos tamoios (onde é hoje o Bar dos Pescadores). Deles souberam, por mímica, que a girafa fora esculpida pelos hititas, que haviam estado por ali questão de meses antes.


Como os hititas eram seus inimigos figadais, os fenícios decidiram não permitir de forma alguma que a girafa ali permanecesse. Pegaram alguns martelos e formões, subiram na pedra e começaram a trabalhar.


Quarenta e cinco anos depois, haviam conseguido transformar a girafa em uma esfinge: fora-se a marca dos hititas e ficara a dos fenícios, que tanto nos maravilha e embasbaca.


As inscrições somente não explicam a estranha razão que teria levado os hititas a esculpirem uma girafa na pedra, mormente sabendo-se que eles moravam longe. Suspeita-se seja este o verdadeiro Segredo dos Hititas.


Quanto à nau dos fenícios, afundou sem deixar vestígios na Lagoa dos Patos.

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