domingo, 17 de janeiro de 2010

Poesia, o Amor a lê?

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Trecho da autobiografia
de um que nunca nasceu


O poema abaixo integra um romance cujos originais me foram encaminhados por Seu Juca Sem Fio, famoso andarilho da Zona Oeste do Rio de Janeiro. O autor da obra, Fiophélio Nonato, não pretende publicá-la. Pretendia, isto sim, conforme me contou o Seu Juca, queimar os originais, "como fez com vários outros livros que escreveu, e faria com esse também se eu não tivesse roubado a papelada".

Todos os capítulos do livro estão datilografados, mas a maioria deles compulsivamente emendada em caligrafia de difícil leitura. Gostei tanto, porém, dos trechos que consegui ler que estou empenhado em decifrar o romance todo. Se isto for possível, depois, através de Seu Juca, pretendo procurar Nonato e tentar convencê-lo a me autorizar o encaminhamento do livro a uma editora.

A história é impressionante. Ora é realista, conduzida a rédeas curtas pelo narrador, mas sempre com muito humor. Ora descamba para um lirismo quase piegas ou para o grotesco sem freios, lançando os personagens em episódios macabros, pornográficos e até escatológicos. Ou, ainda, a trama é às vezes subitamente envolvida por um surrealismo que reverte situações ou desfigura quase por completo determinados personagens, levando de roldão o próprio narrador na correnteza do inconciente que impõe novas e surpreendentes coordenadas de ação. O título do romance, manuscrito em letras garrafais no esfarrapado envelope de papel pardo que continha os originais, já dá uma boa idéia do seu conteúdo: Autobiografia de um que nunca nasceu.

O poema que aqui estamos postando surge num momento capital da história, quando o personagem-narrador chega a voltar-se contra si mesmo por causa de... Bem, isso já não é assunto para agora. Ao poema, pois!


Poesia, o Amor a lê?
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...................................“Ave MariAiram, feia desgraça,

...................... . .... ......Por AmirArimã é que busco Pã...”

.................................. ...... . ......(Onano Oileh Poift)

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Ao vento lançamos de louça em pétalas

asas diabéticas de açucareiro

melados de entremeio ao fogo excelso

quem sabe zé celso de orgasmos murchos

gorduchos tangarás dançando em visgo.

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Luziste em meu sangue como um semáforo

histérico surtado zumbi verde

a furtar vermelho até do amarelo

e pôr sela ao mangalho e transfugir

perua a rir do ganso mal afogado.

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Cantava-te em versos que nunca lias

mas ouvir bem esfingias com deleite

(dente por dente lei no meu pescoço

olho por olho Talião é o caralho)

qual burocrata descaracolando

sob tensa avalanche de uivos asmáticos

durex em meus astrolábios sem vírgulas:

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­Banhei-te em rios de begônias e tu

eras toda uma empada de bigornas

e enquanto mole eu chupava feliz

teu nariz escorrendo do meu olho

sinistro cocho de teus falsos estros

a mim me fizeste pirarucu

do teu baú de deuses entupido.

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“E questionar-te temi por que a fronha

azul medonha ainda envolvia o diálogo

monofásico com teus pares ímpares

(como indígenas prepúcios em anjos

ou sacis de tamanco descasados)

e nesses casos por isso é que calo

que me dói eu falo ou logo adeus digo.

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...Que pena que pena ah que pena que

ela já não é mais a m’nha pequena

mas eu gosto dela benjor assim

minúsculo espinho entre as flores secas

do palacete de entranhas expostas

onde da bosta vindo fui viver

ó verde que amarelo é atemporal...

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!!!Agora me há mal se eu não quebrar sim

o seu sem fim silêncio paleolítico

e do anímico âmbar recolher

meu ser que em sua carne não fez sentido

enquanto o meu sentido era a sua carne!!!

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???Depois renascer será como um morto

absorto em sua fútil febre glacial

e em sua calma espera pelas minhocas

que o irão em pó pespeidar no universo

de novos versos que o Amor não lerá???

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sábado, 16 de janeiro de 2010

Nova luz (de archote) sobre o Enigma da Pedra da Gávea

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Eminente jurisconsulto e artista plástico
suplementa o post do Prof. Rocha Braga



Recebemos como comentário à postagem O Enigma da Pedra da Gávea, de autoria do venerando Prof. Edson Rocha Braga, o texto que a seguir aqui reproduzimos, tendo em vista a sua relevante saliência histórica e, ainda, o renome, prenome e sobrenome de quem o remeteu. Ninguém menos que o respeitado desembargador-dechavador e célebre pintor microscopista hiper-realista Jorge Eduardo Alves de Souza, também fundador e primeiro interno do Instituto de Belas Artes Esquizóides Felipe Eduardo Pinel. (Ao lado, Alves de Souza quando jovem, auto-retratado por seu assistente e colega de cela Edgar Degas.)

Quem quiser ler primeiro o artigo do Prof. Rocha Braga, para não se perder nesse salseiro histórico-geográfico, clique aqui. Ou, se preferir, pode descer a barra de rolagem vertical por cerca de 746,2 metros, o equivalente a um mergulho do cocoruto do Cristo Redentor até o par de bocas sul do Túnel Rebouças. E vamos ao comentário do Mestre Jotaé:
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O que o Prof. Rocha Braga não esclarece é o fato de que àquela época, 352 anos e dois meses A.C., o nível do Oceano Atlântico estava muito mais alto (curiosamente apenas nas cercanias do Rio de Janeiro), razão pela qual tanto a Pedra da Gávea como o Pão de Açúcar configuravam-se como pequenas ilhas.
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O Governo Tamoio lançou então um concurso mundial de esculturas naquelas duas ilhas, obtendo apenas a participação do artista fenício Wyhlm Rhsjk e do escultor egípcio Ramsés Bounarotti, que se dispos a esculpir um Ibis no então Pãozinho de Açúcar.
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Ao cabo de quarenta e dois anos (o Prof. Braga somou a estes os três anos que durou o julgamento), as autoridades tamoias declararam um empate. Como não haviam previsto essa possibilidade, picaram os dois artistas e ensoparam-nos com inhame, servindo um banquete às comunidades carentes da que seria a futura Rocinha.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Eus, em nome da vida que resta

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Oremos pelos seres repulsivos criados

por Deus à sua imagem e semelhança

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Que sejamos eus um homem simples e bom. Que gostemos eus das folhas verdes nas quais não pisaremos nem mesmo quando, já amarelecidas pelo sol a cada verão mais causticante, quedarem-se todas ao chão de uma vez para sempre. Que sigamos eus em procissão sem rumo com os besouros lacraias minhocas baratas pulgas sanguessugas percevejos lesmas escorpiões... eles e eus que somos tementes ao deus que nos criou à sua imagem e semelhança. E logo, posto que não haverá de tardar para que as condições propícias à vida humana se esgotem neste planeta cujo nome se perderá junto com a memória do derradeiro homem – eus –, haveremos de nos elevar em oferenda ao pasto das espécies por ventura ou desventura escolhidas pela natureza para perdurarem, ainda que por brevíssimo tempo, tão-somente graças à nossa alma humana divinizada e à carne divina humanizada que elas devorarão em êxtase dionisíaco. Em nome da vida, pela eternidade da morte. Amém.

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Ilustra esta postagem o quadro Methusalem, do genial George Grosz (1893-1959).

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Enigma da Pedra da Gávea

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Peguem suas bóias que
a canoa vai virar com
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. . . . . . . . . . . . . . . ; . . . . . Prof. Edson Rocha Braga


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A Esfinge da Pedra da Gávea foi mesmo esculpida pelos fenícios.


Essa hipótese já era há muito aceita nos meios científicos, mas só agora pôde ser comprovada, com a recente descoberta do significado das inscrições milenares que ali existem.


Elas contam toda a história da esfinge.


Começou numa manhã de abril, quando uma nau fenícia tanto ou quanto extraviada tentava contornar a costa da América do Sul para descobrir o Caminho Marítimo para Tebas.


Do alto da gávea da embarcação, um fenício manco avistou no horizonte uma gigantesca montanha com o formato de uma girafa e imediatamente batizou-a de Pedra da Gávea, em homenagem ao local de onde ela fora avistada.


Os fenícios entraram pela Lagoa da Tijuca, aportaram perto de um roçado de mandioca dos tamoios (onde é hoje o Bar dos Pescadores). Deles souberam, por mímica, que a girafa fora esculpida pelos hititas, que haviam estado por ali questão de meses antes.


Como os hititas eram seus inimigos figadais, os fenícios decidiram não permitir de forma alguma que a girafa ali permanecesse. Pegaram alguns martelos e formões, subiram na pedra e começaram a trabalhar.


Quarenta e cinco anos depois, haviam conseguido transformar a girafa em uma esfinge: fora-se a marca dos hititas e ficara a dos fenícios, que tanto nos maravilha e embasbaca.


As inscrições somente não explicam a estranha razão que teria levado os hititas a esculpirem uma girafa na pedra, mormente sabendo-se que eles moravam longe. Suspeita-se seja este o verdadeiro Segredo dos Hititas.


Quanto à nau dos fenícios, afundou sem deixar vestígios na Lagoa dos Patos.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Meu ouvido-penico das mulheres

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Certas confissões que elas fazem
somente a um canalha do bem


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“Apertava meus peitos como quem aperta uma buzina. Daí, broxou e foi embora todo putinho só porque na terceira buzinada eu fiz 'fom-fom!'

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“Se o homem se esfrega demais, fico toda assaz.”

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“Não tento preconceito religioso com os homens com que transo. Pra mim, pagou, é tudo pagão.”

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“Na minha primeira vez, o cara já foi logo dizendo: 'No que eu gozar, desgruda, mina. Quem gosta de conchinha é tatuí.'

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“Para não apanhar no meio da transa, tive de explicar: ‘Tô rindo de você, não, amor. É que saco peludo me faz cócegas.’

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“Na cama, o que mais me irrita num homem é quando eu digo 'ah, isso não, de jeito nenhum, por nada desse mundo', e o idiota aceita e vai tentar outra coisa.

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“O pobrema dele era a jaculeição pescócia.”

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“Seduziu a mim e a muitas outras dizendo que dava três sem tirar de dentro. Dava mesmo, mas só pro namorado.”

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“Mole, era pequeno, mas empepinava bem.”

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"Pra broxa, nem que me pague eu dou."

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"Terminei, não porque ele tinha pau pequeno, mas por causa da pose de rei zulu que fazia toda vez que me brindava com aquele cotonete de 11 centímetros."

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“Se ficar babada por dentro fosse bom, eu me masturbava com quiabo.”

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“Além de enolme, a grande dele tinha precipúcio.”

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“Homem que é homem satisfaz, sem que eu precise pedir, todos os meus desejos sexuais. Principalmente, aqueles que eu nem sabia que tinha.”

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“Quando o cabra gozou e o cão chispou da varanda todo melecado, resolvi desembuchar: ‘Meu xibiu é mais em cima, esse daí é da rede.’

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Partes

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"Para amar uma mulher por inteiro
é preciso se dividir em mil pedaços."
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É noite. O cuco já não canta as horas, porque o cérebro, grudado feito uma craca no relógio, além de não permitir que a portinhola se abra, trava os dois ponteiros, senhor absoluto do tempo morto. Penduradas no lustre da sala, aceso, as pernas rebrilham, mas não têm forças nem para vagar à toa pelo teto. O fígado e o pâncreas se esparramam no armário de bebidas, entre garrafas de pinga, vodca, genebra, conhaque... todas vazias. A bunda está sentada, sem se perguntar para que, na bicicleta ergométrica. As tripas jazem na geladeira, sobre, envolvendo o pingüim, resignado, na sua passividade de louça. Os rins, o estômago e outras vísceras desapareceram, mas há tanto armário, tanta gaveta pela casa... Do saco, rasgado e separado do pênis, os testículos rolaram e foram adotados, como bolas de futebol, pelos três gatos. A cabeça, oca e sem o olho esquerdo, foi parar no tapete, junto com a barriga, vazia, e o peito, sem o coração, como se confabulassem sobre o problema comum da falta de estofo. Já os braços, o direito sem a mão, parecem tranqüilos embaixo da cama de casal, cruzados.

Muito antes de William Bernardes dizer boa noite, o olho esquerdo se fecha e cai – no sono e da poltrona – bem na palma da mão direita. Logo os dois se juntam, já na porta de casa, ao pênis, erecto, que controla com embaixadinhas o coração, ainda pulsando. E lá se vão os quatro para uma noite de orgia interminável, a iniciar-se num bar, assim que o coração, esmurrado pela mão direita e cabeceado pelo pênis, parar de bater, pronto para entrar na dança. Uma salsa – frenética, esquizofrênica, de tanto tesão de viver! Deflagrada pelo olho esquerdo que, ao despertar, sob a mesa em que os quatro se acoitam, reconhece, lá no fundo de um par de coxas entreaberto, o sorriso sem calcinha da parte mais enigmática da musa inspiradora do meu auto-esquartejamento.

Postagem de 30.11, repostada em virtude do acréscimo da ilustração de Hélio Jesuíno, extraída das páginas de Suíte Iconoclasta / Parte 3

domingo, 10 de janeiro de 2010

Um minuto de silêncio pelo ponto G

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Estou chocada, meio tonta, à deriva. Desde os 3 anos de idade passei a buscar obsessivamente o ponto G. Só o encontrei aos 27, e ele mudou radicalmente a minha vida nesses quatro anos, promovendo um espetáculo magnífico e constante de fogos de artifícios – sem artifícios! – nas minhas entranhas libidinosas.
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E eis que surge agora a notícia catastrófica: os cientistas decretaram que ele não mais existe. O esmigalharam com uma chinelada certeira, como se fosse a barata da vizinha em suas camas de seres frios e calculistas.
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O que será da minha vida daqui para frente – e mesmo para trás? O que faço com meus três gavetões repletos de consolos, bolinhas encordoadas, vibradores e molas de borracha especializados em tocá-lo com maestria e sensibilidade, em paradisíaca sinfonia orgástica? O que direi ao Zé Onofre, aquele chato barrigudo e catinguento cuja única virtude é o Quasímodo, seu pênis todo troncho que conseguia atingir sempre o ponto mágico agora riscado do meu mapa genital pela ciência empata-foda?
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Marquesa de Teves, Lili Valão, Tia Zezita, Márcia Corisco, Dona Celeuma, Perna Torta, La Roseteira, Dona Zizinha, Sra. Karrão, Srta. Karrão Junior, Lelepípeda, Marechala Cruz, Arielga Kelly, Doutooora, La Delizia Fuefita, Enfermeirinha Mallu, Enfermeirão Luana, Cabocla Marilinha 3.5, Verinha Curiboca, Sóror Maria do Perpétuo Socorro do Rego Grande, Rita Cadilac, Adelaide Carraro, Leila Diniz, Luz Del Fuego, Mata Hari, Lou Salomé, Justine de Sade, Lucrécia Bórgia, Cleópatra... grandes feiticeiras PHD em sexologia deste e do outro mundo, help, help... HELP!!!
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sábado, 9 de janeiro de 2010

Totalmente pelada na Sapucaí!

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Após duas cirurgias plásticas inusitadas, .

Ângela Bismarchi espera ansiosa o carnaval. . .




Foi realizada na última segunda-feira a segunda e última operação plástica de Ângela Bismarchi para o carnaval. A modelo, que no ano passado fez cirurgia para voltar a ser virgem, dessa vez foi mais longe, retirando os mamilos e a parte exterior da vagina, num procedimento conhecido como joint. A intenção é poder desfilar pelo Salgueiro totalmente nua e sem a necessidade de tapa-sexo.

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De acordo com Wagner Moraes, marido e também médico cirurgião plástico de Ângela Bismarchi, o procedimento joint consiste em retirar parte dos grandes lábios e ligá-los com uma cola especial, fazendo a vulva sumir. “É indolor e totalmente reversível”, garantiu Moraes. O médico disse ainda que os mamilos e os grandes lábios da modelo foram guardados em nitrogênio liquido, preservando assim totalmente a sua integridade.

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Ângela, de 37 anos, se diz muito ansiosa para mostrar a novidade na avenida. “Ficou lindo, totalmente exótico e bastante sensual. Está inchado ainda, mas dentro de duas semanas já poderei ver melhor o resultado." Ela acrescentou que o procedimento foi mais um sonho realizado. “Eu fiz isso pelos meus fãs, que eu adoro. E também era um grande sonho poder desfilar na avenida sem nenhuma conotação sexual, somente em louvor ao samba e ao meu corpo”, revelou.

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Leia o post abaixo clicando aqui:

Nuas, peladas e sem roupa no Carnaval!!!

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Drama de Angélica

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"Soprava o zéfiro/ ventinho úmido/
então Angélica/ ficou asmática"

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Não, não há nenhum drama, pelo menos que a Caras saiba, perturbando a paz cor de rosa com bolinhas azuis da conhecida apresentadora de TV. A Angélica de que estamos tratando é a da música gravada em 1943 por Alvarenga e Ranchinho, a mais criativa e engraçada dupla sertaneja de todos os tempos.

Abaixo um clip com a gravação original da dupla. E abaixo do clip, a letra dessa toada valsada, pioneira no uso exclusivo de versos terminados em proparoxítonas, recurso usado por outros letristas posteriormente - inclusive Chico Buarque, em Construção.

Em tempo: o clip talvez seja mais engraçado que a música, de tão ruim que é...



Drama de Angélica
(de Alvarenga e M. G. Barreto)

Ouve meu cântico/ quase sem ritmo
Que é a voz de um tísico/ magro esquelético
Poesia épica/ em forma esdrúxula
Feita sem métrica/ com rima rápida
Amei Angélica/ mulher anêmica
De cores pálidas/ e gestos tímidos
Era maligna/ e tinha ímpetos
De fazer cócegas/ no meu esôfago


Em noite frígida/ fomos ao Lírico
Ouvir o músico/ pianista célebre
Soprava o zéfiro/ ventinho úmido
Então Angélica/ ficou asmática
Fomos ao médico/ de muita clínica
Com muita prática/ e preço módico
Depois do inquérito/ descobre o clínico
O mal atávico/ mal sifilítico

Mandou-me célere/ comprar noz vômica
E ácido cítrico/ para o seu fígado
O farmacêutico/ mocinho estúpido
Errou na fórmula/ fez despropósito
Não tendo escrúpulo/ deu-me sem rótulo
Ácido fênico/ e ácido prússico
Corri mui lépido/ mais de um quilômetro
Num bonde elétrico/ de força múltipla

O dia cálido/ deixou-me tépido
Achei Angélica/ já toda trêmula
A terapêutica/ dose alopática
Lhe dei em xícara/ de ferro ágate
Tomou num folego/ triste e bucólica
Esta estrambólica/ droga fatídica
Caiu no esôfago/ deixou-a lívida
Dando-lhe cólica/ e morte trágica

O pai de Angélica/ chefe do tráfego
Homem carnívoro/ ficou perplexo
Por ser estrábico/ usava óculos
Um vidro côncavo/ o outro convexo
Morreu Angélica/ de um modo lúgubre
Moléstia crônica/ levou-a ao túmulo
Foi feita a autópsia todos os médicos
Foram unânimes no diagnóstico

Fiz-lhe um sarcófago/ assaz artístico
Todo de mármore/ da cor do ébano
E sobre o túmulo/ uma estatística
Coisa metódica/ como Os Lusíadas
E numa lápide/ paralelepípedo
Pus esse dístico/ terno e simbólico
Cá jaz Angélica/ moça hiperbólica
Beleza helênica/ morreu de cólica

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Uma dedilhada no seu duodeno!

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A amoróloga Anga Mazle dá boas
opções ao tal do beijo no coração


“É verdade, Anga, que esses beijos no coração que muitas pessoas ficam mandando pra todo mundo causam câncer na alma?”Enedina Camarão Secco

Não duvido nada, Enedina. Todo chavão é muito ressequido e superficial, e onde falta umidade e profundidade falta saúde, falta vida, não é verdade? Por que as pessoas temem ir fundo no amor? Porque não mandam logo um beijo de língua no ventrículo esquerdo? Ou um chupão na válvula mitral? Ou até mesmo um amasso, uma dedilhada, um rala-coco no fígado, na traquéia, no duodeno, nos rins... por que não?

Desde que seja, é claro, por e com amor, muito amor!
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Informe publicitário

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Auto-ajuda eletromagnética para antas

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Revista O Malho divulgava em 1903
aparelhos para curar a ignorância














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APARELHOS QUE DÃO PODERES IRRESISTÍVEIS
Dispensando aprendizagem pelos livros
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Aqueles cuja inteligência não compreender livros ou que não tiverem tempo para estudar poderão, mediante o pagamento de 60 mil réis, receber os dois Acumuladores Mentais (números 5 e 6), da Escola Oculista da Califórnia, cujos resultados são análogos aos dos livros; pois, conforme a instrução que os acompanha em uma caixinha com bolsa de seda, essência e pergaminho, fazem mexer a agulha de uma bússola a distância e têm influência rádio-psíquica sobre os elementos psíquicos, de maneira a constituir no ambiente uma espécie de torpedo espiritual que realizará a vontade concentrada no Acumulador. Operam em virtude da mesma lei de reversibilidade segundo a qual o fonógrafo reproduz a voz. Se a eletricidade mecânica produz um ímã, um ímã em movimento produz eletricidade; se as idéias tendem a transformarem-se em atos ou formas, estas, em dadas condições, produzem as idéias e como tais sugestionam. (...)

O Acumulador 5 é especial para neutralizar os males da inveja e produzir amor ou amizade; o 6 convém para fazer facilmente ganhar dinheiro em qualquer negócio ou profissão. Quando estes dois acumuladores estão reunidos em poder de uma mesma pessoa, suas virtudes são então extraordinárias, visto que DÃO O INTEIRO PODER MAGNÉTICO.
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domingo, 3 de janeiro de 2010

Reflexões e inflexões de um canalha do bem

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Máximas quase mínimas
de Teophanio Lambroso



Pela verdade eu não primo porque pela vida sou cunhado.
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Transar embaixo da cama é morte certa. Por vários meios, se o marido da sua amante tiver sono leve. Ou por esgotamento físico, se ele tiver sono pesado.
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Se quiser um homem para chamar de seu, garota, dê para mim uma só vez e pode me chamar assim pelo resto da vida.
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Eu – como digo ao meu vizinho sempre que ele me flagra comendo a mulher dele – não sou eu, não sou eu! #
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Eu até venderia a minha alma ao diabo, se o valor de mercado dela desse para comprar ao menos um pastel.
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Fundindo Charles Bukowski e W. C. Fields, meus ídolos: um sujeito que mantém a cozinha sempre arrumada e que trata como seres humanos a sogra, as ex-mulheres, crianças e cães deve ser imediatamente abatido a tiros.
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Se pretende transar com duas mulheres ao mesmo tempo, meu camarada, vá logo dizendo a cada uma delas: "A fulaninha até topa, mas disse que você é muito bunda mole."
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Das milhares de mulheres que eu quis comer, só comi três. Mas a estas somam-se algumas centenas de outras que comi sem querer, todas irmãs ou primas ou melhores amigas ou até mesmo filhas ou mães das mulheres que eu queria comer.

# Reciclado de uma velha anedota do Bob Hope.
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sábado, 2 de janeiro de 2010

Lição de respeito ao próximo

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Esperando a comida faladeira
terminar um papo pelo celular

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Supositório de limão contra a corrupção

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Tratamento do século XVIII poderia
dar jeito nos corruptos e corruptores¨


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O português Luís Gomes Ferreira foi licenciado cirurgião-barbeiro nos primeiros anos do século XVIII. Conheceu o Brasil vindo como médico de frotas mercantes que ligavam a metrópole à colônia. Em 1710, buscando ouro, seguiu para as lavras das Minas Gerais onde ficou por 20 anos, mudando-se constantemente de uma vila a outra. Observador astuto, compreendeu que nas Minas muitas doenças exigiam tratamentos diferentes dos que aprendera em Lisboa. Tratou de se informar não só sobre esses males, mas também sobre ervas e medicamentos caseiros já conhecidos na região, e passou a usá-los, tornando-se famoso pelas curas que conseguia. Retornou a Lisboa em 1731. O Erário Mineral (à direita, reprodução da capa original) foi publicado pela primeira vez quatro anos depois, com as devidas autorizações, da Corte e do Santo Ofício.

Dentre os males que Ferreira conheceu no Brasil e tratou com sucesso estava a então chamada corrupção do bicho, que atacava o reto intestinal e causava muitas mortes. Abaixo, o capítulo do livro dedicado à doença, que inclui a descrição do estranho – para não dizer bizarro – tratamento desenvolvido pelo médico e barbeiro lusitano.
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Quem sabe não temos algum médico-pesquisador tupiniquim tão sagaz como o Dr. Ferreira e disposto a adaptar esse eficaz tratamento da corrupção do bicho para combater a corrupção do homem, esse mal que grassa e desgraça (n)este país, atingindo milhões e milhões de brasileiros. E não estou me referindo aos corruptos e corruptores, é claro, mas a todos nós que sempre acabamos pagando o pato. Ou, para ser mais direto, numa analogia bem de acordo com a doença setecentista... tomando no sesso!

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Fonte: Erário Mineral / Luís Gomes Ferreira; org. Júnia Ferreira Furtado – Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro; Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2002.
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

As Fronteiras do Universo

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Mais uma colher de sopa
das bem cheias de
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Prof. Edson Rocha Braga




Estão finalmente demarcadas as Fronteiras do Universo.

São constituídas por uma barreira de “elétrons loucos”, partículas que se perderam dos respectivos núcleos e se juntaram entre si, caminhando permanentemente em fila indiana espiralada. A barreira formada por essas partículas é pardacenta e só deixa passar a luz em um sentido: de fora para dentro.

A Grande Barreira tem o formato de dois bagos (ovóides) comprimidos entre si.

No interior da Grande Barreira está situado o Sistema Solar, com o Sol, os Nove Planetas, os Satélites e os Cometas, com suas belas caudas.

Do lado de fora da Grande Barreira não existe nada.

Até 538 anos atrás, havia ali muitas estrelas – galáxias, pulsares, quasares, knimures, bambares – todas extintas devido a um surto de antimatéria que a OUS (Organização Universal de Saúde), infeliz ou felizmente, sequer classificou como uma pandemia de grau 1.

Contudo, a luz dessas estrelas leva milênios para chegar até aqui. Por isso a vemos nos dias que correm.

Alguns dos seres que habitavam além-barreira conseguiram viajar no anticosmo, antes do surto, e chegar à Terra. São os tatus, as patativas, os vírus de hepatite, os bacalhaus, os pica-paus, os otorrinolaringologistas e os quiabos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Pra lá do Kama Sutra!

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Sexo inédito até para você que já
experimentou de tudo
na cama

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. . . ...¨...¨. ¨. ¨. ¨¨ . ¨¨. ¨:. . ¨. ¨. ¨. . Elza Magna

Os sexólatras mais endeusados pela mídia, que já experimentaram o que há de mais romântico e sublime no sexo até mesmo soterrados numa cama superpopulada da Ilha de Caras, bem sabem o quanto é difícil criar alguma coisa realmente nova nessa área chiquérrima das Ciências Humanas. Mas o que é muito difícil para os fodocêntricos – e impossível, para a maioria chupa-dedo da Humanidade –, é fácil, facílimo, para uma pós-pós-pós-doutorada em Sexologia como eu, capaz inclusive de tirar balas e mais balas, seguidas, da pistola enferrujada de um velhinho!

Quem duvida que vá se lubrificando para acompanhar a série de receitas eróticas que estou preparando para postar aqui ao longo de 2010, cada uma abordando uma posição sexual absolutamente nova. Pois duvido eu que alguém não uive, muja ou relinche de prazer se experimentar, por exemplo, o Esculápio crocante às minhotas redondilhas. .
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Quem viver, gozará.

A seguir, um tira-gosto especial, para enganar a fome dos mais a perigo:




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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

B.O. Hussein

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"Os Estados Unidos são o
lugar onde tudo é possível."


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O B. O. do título desta postagem pode significar Boletim de Ocorrência. Assim como Hussein pode significar um sobrenome abandonado por outro B. O., o Barack Obama, como prefere ser chamado o jovem senhor que proferiu essas palavras – aqui usadas como epígrafe – há pouco mais de um ano, logo após vencer as eleições para síndico desse imenso condomínio à deriva em que sobrevivemos.

E é só o que tenho a dizer, meio atrasado porém antes que este ano termine. O resto deixo por conta do Amorim, excelente chargista, cartunista, quadrinistra e, antes de tudo, creio eu, o caricaturista brasileiro de traço mais original surgido nos últimos 30 anos. Esse ex-futuro proprietário de uma grande rede de padarias mantém uma redezinha de quatro ou cinco blogs (talvez um pouco mais, que não sou lá muito bom em aritmética), inclusive o Sátira, de onde surrupiei esta charge.
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