Máximas quase mínimas
de Teophanio Lambroso








Estão finalmente demarcadas as Fronteiras do Universo.
São constituídas por uma barreira de “elétrons loucos”, partículas que se perderam dos respectivos núcleos e se juntaram entre si, caminhando permanentemente em fila indiana espiralada. A barreira formada por essas partículas é pardacenta e só deixa passar a luz em um sentido: de fora para dentro.
A Grande Barreira tem o formato de dois bagos (ovóides) comprimidos entre si.
No interior da Grande Barreira está situado o Sistema Solar, com o Sol, os Nove Planetas, os Satélites e os Cometas, com suas belas caudas.
Do lado de fora da Grande Barreira não existe nada.
Até 538 anos atrás, havia ali muitas estrelas – galáxias, pulsares, quasares, knimures, bambares – todas extintas devido a um surto de antimatéria que a OUS (Organização Universal de Saúde), infeliz ou felizmente, sequer classificou como uma pandemia de grau 1.
Contudo, a luz dessas estrelas leva milênios para chegar até aqui. Por isso a vemos nos dias que correm.
Alguns dos seres que habitavam além-barreira conseguiram viajar no anticosmo, antes do surto, e chegar à Terra. São os tatus, as patativas, os vírus de hepatite, os bacalhaus, os pica-paus, os otorrinolaringologistas e os quiabos.
A seguir, um tira-gosto especial, para enganar a fome dos mais a perigo:
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¨Mais uma soprada. Não me seguro, enfio a língua na boca da minha algoz. Pronto, passei da conta, penso. Mas, não, ela não interrompe o atendimento. Nem eu, as linguadas. Vai ficando mais lento o ritmo das sopradas, cada vez mais longas e caprichadas. Nós dois na cama, num boca a boca que vai saindo dos eixos e nos pondo a girar, lentamente, até 180 graus, noves fora, 69 – deliro. E ouço nossos gemidos, suspiros, estalos de língua, sussurros... a sirene da ambulância. Que corte! E mais outro: uma garotinha esganiça, “olha que lindo, mamãe, o presunto tá com o pinto durão”.
Tento ficar de pé e cair fora assim que a mamãe me chapa nas fuças um “seu tarado filha da puta”, mas a velhinha me acerta, de trivela, os dois testículos com um chute só. E ninguém perde a deixa. Chove palavrão, soco e pontapé. Vejo minha adorável atropeladora voltando para o carro e aciono, por ela, todo o tesão que ainda tenho pela vida. Consigo me levantar, furar o cerco de pancadas e correr, tonto e capengando, até o carro dela. Bato na escuridão do vidro da porta do carona, agarro a maçaneta, travada, e sorrio, cúmplice, mesmo sem poder ver se ela corresponde. De repente, é de novo só um carro afro com vidros afro-descendentes, sem ninguém dentro. Sim, logo a máquina arranca, me fazendo cair sentado. E avança o sinal, embora vários pedestres estejam atravessando a rua. Três com certeza teriam sidos atingidos, não fosse o alerta da sirene da ambulância – que, em alta velocidade, me acerta em cheio e vai em frente, alcançando ainda, rente à calçada, os três palermas.
“Coisa de profissional”, pensam meus bilhões de neurônios enquanto polvilham, no asfalto urbano deste entardecer cinzento, um céu estrelado que só se vê em plena noite nas áreas desertas ou pouco povoadas.
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Pois lembrar é quase só o que me resta. Era uma noite particularmente triste e lenta, a cabeça tão moída por dores e queixas que o corpo decidiu – já tentara antes! – abandoná-la.
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Levou consigo a mulher amada, isenta de pudores.
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Faz tempo.
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Mas, quando chegam as algaravias dos finais de ano, a lembrança dói. Embora cada vez menos.
Paulim Saturnino Figueiredo Zamagna ¨








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Depende, amoreco. Com insetos, evite abelhas, marimbondos e escorpiões, que são animaizinhos pouco afeitos ao amor verdadeiro. Aves, só de perua para cima (no seu caso, acho que uma codorna agüenta o tranquinho, cheia de amor pra dar). Mamíferos, em geral, são bem receptivos a um amor intenso e sincero. Até eqüinos amam com fervor e abalam corações entre a garotada do interior. Mas, se for macho, convém enrolar um cobertor em 3/4 do instrumento amoroso do bichinho: vai que ele só consiga envolver-se amorosamente com reciprocidade. Mas o que importa mesmo, meu doce Toshikiro, é que tudo seja feito com e por amor, muito amor!
