domingo, 13 de dezembro de 2009

Os bichos também amam

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Anga Mazle, amoróloga, só
admite zoofilia por amor


"Fazer amor com animais faz mal.?"Toshikiro Sukata

Depende, amoreco. Com insetos, evite abelhas, marimbondos e escorpiões, que são animaizinhos pouco afeitos ao amor verdadeiro. Aves, só de perua para cima (no seu caso, acho que uma codorna agüenta o tranquinho, cheia de amor pra dar). Mamíferos, em geral, são bem receptivos a um amor intenso e sincero. Até eqüinos amam com fervor e abalam corações entre a garotada do interior. Mas, se for macho, convém enrolar um cobertor em 3/4 do instrumento amoroso do bichinho: vai que ele só consiga envolver-se amorosamente com reciprocidade. Mas o que importa mesmo, meu doce Toshikiro, é que tudo seja feito com e por amor, muito amor!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Quem não tem cisne caça com marreco


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Tudo sobre o que não aconteceu
numa sexta-feira de céu nublado

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Manhã cinzenta de sexta-feira. Da varanda, tento ver a nesguinha de Lagoa Rodrigo de Freitas que integro à minha paisagem se me debruçar bem no parapeito, a milímetros de me estabacar no playground do prédio, três andares abaixo. Quase sempre consigo, como agora; raras vezes me estabaquei.

A pista de pedestres e ciclistas que circunda a lagoa está deserta, posso ver, espionando por entre as copas da dúzia de altíssimos paus-rei que moram bem em frente ao meu prédio, lá no lado ímpar desta Av. Epitácio Pessoa, habitado somente por árvores, gramados, postes, lixeiras públicas, quiosques às moscas ou falidos, cisnes-pedalinho e cocôs de cachorro.

Os pedalinhos estão estacionados lado a lado à beira d'água, de frente para cá e, portanto, de costas para a lagoa. Pensei em pegar minha câmera digital e registrar esse momento singular: os cisnes cabisbaixos, sem crianças pedalando suas vísceras para fazê-los nadar, todos de bunda para aquele monstrengo natalino muquirana que chamam de árvore, a essa hora meio árvore mesmo, descomunal pinheiro seco fincado na água.

Perdi a foto, porque o sol resolveu dar as caras e estragar tudo, alegrando de maneira revoltante a paisagem. Mas já estava perdida de todo jeito, porque câmera digital é um dos 21 bens de primeiríssima necessidade que ainda não comprei, nem ganhei – olha aí, gente que ainda me atura, meu aniversário e o Natal já estão na porta tentando tocar minha campanhia muda!

Para não postar a seco (tão seco como o monstrego apagado) esse texto típico de quem está sem assunto, surrupiei a foto abaixo do fotolog do meu amigo Paulim Saturnino, de Beagá.

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Simpáticos esses marrecos, não? Tão tranqüilos, tão fraternais, assim abraçadinhos à beira da Lagoa da Pampulha. Ou não será a Pampulha? Provavelmente não, pois lembra uma pia. E a Pampulha, dizem amigos de lá, já anda que nem a Rodrigo de Freitas, mais para vaso sanitário que para pia.
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Agoras atávicos e vindouros

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Sou um saudosista... não pelo que vivi, mas pelos
agoras – do amanhã e de antes de eu ter nascido






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Tenho saudade dos becos estreitos e sinuosos de Barcelona, com seu piso irregular de pedras de todas as idades e suas meigas prostitutas que, devido à falta de espaço, passariam por mim, completamente bêbado, a se roçarem sem nojo e até com aquele prazer verdadeiro às vezes gerado pela sedução profissional – que haveria de gerar também o dia em que eu me submeteria ao suplício de viver 1O, 12, sei lá quantas infinitas horas lá nas nuvens, empacotado no trambolho avoante que me levaria à força até lá, se não me batesse o desespero - de passar tanto tempo longe do chão e sem fumar - que me levará, isto sim, a quebrar uma janelinha qualquer da estrovenga e pular em alto mar para voltar, a bordo de um galeão corsário, ao meu Rio mais amado, este no qual:

Flano pelo velho Centro, já com os dias contados pelas obras que logo virão por decreto do Presidente Rodrigues Alves, e sob o comando desse prefeitinho dele, o irrequieto Chico Pereira Passos. Cruzo o Largo da Mãe do Bispo e sigo para o Largo da Carioca, ladeando o casario oitocentista condenado para a construção do tal Teatro Municipal. À rua que inaugurarão bem aqui, decerto vão dar um nome como Princesa Isabel, Joaquim Nabuco, 13 de Maio ou qualquer outro que recompense com sobras o bando de pretos forros miseráveis que serão despejados a bofetes desses cortiços que vão abaixo. Mas se esburacarem demais o largo para as obras do novo colosso cênico, vou logo avisando: algum gaiato, carioca típico, vai logo rebatizá-lo de Cu da Mãe do Bispo...

Agora, estou passando em frente ao bom e velho Teatro Lírico. Me pergunto: para que outro teatro se um dia ele será também posto abaixo como velharia, tal qual logo farão com o Lírico e, não demora muito, também com o São Pedro, assim que lhe arranjarem outro incêndio, dessa vez para queimar qualquer lembrança imperial? Se interessa saber, afirmo que não duvido nada se, para acabar com a moda, bem ao gosto de D. João e seus Pedros, de botar nome de santo em teatro, o rebatizarem homenageando alguma diva catita e voluptuosa... Não, delírio romântico meu; imagine se os republicanos têm colhões para isso; o mais provável é que o homenageado seja algum divo gorducho e cansado. João Caetano, por exemplo.

E já avisto o casario do Largo da Carioca, igualmente condenado, a maior parte para dar lugar ao Hotel Avenida, que será também o ponto final das linhas de bondes da Companhia do Jardim Botânico, dona do futuro belo prédio. Mas não dou mais do que cinco décadas para arrasarem o hotel e a deliciosa galeria Cruzeiro que funcionará em seu andar térreo. Afinal, o local já hoje é perfeito para nele plantarem um desses arranha-céus tenebrosos tão em voga em Nova Iorque.

Antes de adentrar o Largo da Carioca, paro em frente ao prédio da Imprensa Oficial e bato continência, contrito, jornalista engajado que sou aos ditames do poder constituído. Cruzo o largo apertando o passo, para poupar meus ouvidos do coro de araras que fazem, à esquerda, no longo tanque do chafariz que recebe as águas vindas das nascentes do rio Carioca, as lavadeiras com seus cantos de trabalho quase incompreensíveis, uma algaravia que mistura um português já meio manco com dialetos africanos. Penso em tomar um chocolate quente no Café da Ordem, na esquina com a Rua da Carioca, mas então me lembro: hoje tem função no Clube Bethoveen, lá na Praia da Glória. Entre as atrações lítero-musicais, Bilac declamando sonetos intragáveis de uma sua protegida, e uma francesa metida a cantora e atriz esganiçando umas árias de Caetano de Mattos Souza, padre baiano que nem botar música na pauta sabe. Mas as duas raparigas não são de se jogar fora, é o que garante o Afonso Henrique, um jovem escritor que já privou de licenciosas intimidades com ambas. Aliás, falando no Afonso, a grande atração da tarde será mesmo a reaproximação, por mim promovida, entre ele e o Machado. Este, bem mais velho e sem paciência, está mais ressabiado; diz que Afonso Henrique é um moleque sarcástico e maledicente. O outro não tem tanta queixa, só reclama que Machado de Assis fede a chouriço rançoso.

E vamos logo à tertúlia, decido. Mas quando dou meia volta e armo o primeiro passo para retomar a caminhada, o que tenho abaixo do pé direito armado e diante de meus olhos, estupefatos, é a Lagoa de Santo Antônio! E de toda a paisagem urbana do largo só resta, no alto, à direita, o Convento do dito santo e, do lado de lá da lagoa, um pequeno casebre, mais ou menos onde futuramente será erguido o prédio do Liceu de Artes e Ofícios. Pouco importa, não tenho medo de água nem pressa. Caminho lentamente lagoa a dentro em direção à Gloria, mesmo sabendo que terei de aguardar muitas décadas até que a urbanizem, de modo que os sobrados geminados onde funcionarão o Clube Bethoveen e o Hotel Suíço possam ser construídos e, principalmente, o moço Afonso Henrique e o velho Machado nasçam e cresçam até terem idade e papo condizentes com saraus lítero-musicais.

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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A mulher da minha vida

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"Pode-se ter centenas delas, mas ser, que é
o que conta, só se é por uma única na vida."

¨. . . . . . . .. . . . . . . . . . .. Teophanio Lambroso
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..(epigrafista e, em horas vagas como esta, contista)
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A mulher da minha vida na minha vida entrou quando eu estava parado em frente ao último prédio da Rua Pereira Silva, em Laranjeiras, esperando que dele descesse um pintor microscopista a quem eu havia encomendado um óleo hiper-realista de um singelo cardume de seis ou sete marlins azuis – o qual ele sugeriu pintar num caroço de arroz parboilizado, ao que eu contrapropus (e ele prontamente aceitou): ou nas costas de uma pulga empalhada ou nada feito.

A mulher da minha vida vinha subindo a ladeira, e à medida que se aproximava foi informando à minha vista cansada que:

Era bem morena, mais índia do que branca, mais negra do que índia, mais oriental do que negra, mais árabe do que oriental, mais loura do que qualquer escandinava;

Trajava um vestido branco estampado com pequenos círculos, triângulos, quadrados, trapézios, pentágonos, hexágonos e hipopótamos vermelhos; o modelo era justo, decotado e bem curto, a revelar um pneuzão fofíssimo, seios volumosos, que transcendiam o decote feito massa fermentada extravasando da forma, e coxas frondosas, tão frondosas que entre elas não havia espaço sequer para a passagem de um átomo de vento;

Tinha olhos grandes e amendoados, um verde mentolado e o outro roxo soco; nariz pequeno mas de ventas abanadas, quase abananadas, e ligeiramente arrebitado por dois rebites de alumínio e três de latão; ah, e um amplo sorriso debruçado numa beiçola carnuda e cravejado de todos os dentes da frente exceto dois e meio.

Quando a mulher da minha vida passou bem à minha frente, já era senhora absoluta e absolúvel de todos os meus pensamentos, que se diluíam em encachoeiradas continências pelo lado de dentro não só da testa como de toda a caixa craniana; e alvo de todos os meus desejos, concentrados em ereção flechante a céu aberto, graças, em parte não modesta, modéstia à parte, ao meu extraordinário dom de nunca lembrar de fechar o zíper do porta-flecha.

Ao sair lentamente da minha vida, subindo a ladeira de acesso à favela do Pereirão, bem mais íngreme que a rua, deduzi que a mulher da minha vida tinha uns 30 anos, embora não parecesse menos de 42. Tal dedução não fora instantânea, mas conclusiva, baseada em observação e reflexão profundas, perpetradas durante os vários segundos em que pude acompanhar a ascendente trajetória de vida da mulher da minha vida a caminho de casa. Mais do que a identidade temporal, que pouco ou nada representa, puder avaliar-lhe a alma, aflorada fosca, revestindo toda a extensão da pele de suas pernas, na forma de meias de nylon. E não pense que se tratava de um par de meias de nylon qualquer, pois que era, isto sim, pode pensar, daqueles especialmente ordinários, à venda somente nas piores bancas de camelôs da Central e de outros que tais.

Ó vasta e devotada alma que se sustentava sobre saltos altos caminhando por rua de paralelepípedos e ladeiras esburacadas, a envolver por completo tamanho par de guloseimas, ressalvadas aqui e ali clareiras dos mais diversos tamanhos, pelas quais transbordavam delicadas flores isoladas ou em buquês ou em touceiras ou mesmo em razoáveis pastos; tufos de pétalas, moitas de pétalas, matas de pétalas, supra-sumo petalino de sensualidade a que chamamos, tão feiamente, de celulite. (Com pesar, devo informar, às raras infelizes que não dispõem de ao menos dois generosos bocados de celulite para estofar-me as mãos, que essa espécie de carne pixaim é mais sensual e libidinável que, por exemplo, um empinado e suculento terceiro seio na testa.)

E essa é a história da minha relação com a mulher da minha vida. Nunca chegamos a nos falar, nunca trocamos um olhar, nunca mais a vi. Tudo que dela vim a saber desde então, passados 10 anos, três meses e 12 dias, me foi contando ontem à noite pelo pintor microscopista, a quem levei para restauração meu cardume de marlins azuis danificado por um espirro imprevisto da pulga empalhada. Contou-me ele o que soubera através de sua faxineira, também moradora do Pereirão e quase vizinha da mulher da minha vida. Não sei se falaram a verdade, não sei qual dos dois poderia estar mentindo, mas acrescento agora aos dados pessoais da mulher da minha vida, ainda que como adendo carente de comprovação, o que dele ouvi:

A mulher da minha vida já era mãe de quatro filhos de pais diferentes quando entrou na minha vida. Hoje, aos 25 anos, tem mais sete filhos e dois netinhos de igual procedência, um emprego de caixa de supermercado e 148 quilos.
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sob o Signo da Relatividade

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Mais uma desembraguilhada e
ínfima porciúncula cremosa de

Um tratado que não destrata tratantes mas trata – trato é trato! – de contratos tratorados pelo

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¨. . . . . . . . . . . .. . .. . . . . . . Prof. Edson Rocha Braga
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Finalmente, já pode ser divulgado o terrível segredo. Um segredo que, tornado público na época, teria mergulhado a Humanidade na mais negra confusão e histeria.

A responsabilidade da descoberta coube a A. Einstein, em 1905. Ele juntou a letra E (em caixa alta) com as letras m e c, e o número 2, e pôs um sinal de igual no meio, estabelecendo assim a equação E = mc2. Ao perceberem que ali estava, faceira, a famosa Teoria da Relatividade, os cientistas da época refizeram todos os seus cálculos e chegaram a uma catastrófica conclusão: uma vez que a luz não andava em linha reta, todos os horóscopos até então elaborados tinham sido trocados! As previsões de Peixes foram dirigidas aos nascidos em Escorpião, as de Câncer aos de Aquário, as de Virgem aos de Leão, as de Capricórnio aos de Touro, e assim por diante. Uma baderna!

Explicava-se, assim, o caos em que andava mergulhada a Humanidade.

Os cientistas avisaram imediatamente aos horoscopistas, para que providenciassem os reparos necessários. E conservaram o assunto sob o mais rigoroso sigilo, para não disseminar o pânico.

O segredo pode ser hoje revelado, posto que a Humanidade a estas alturas já está tão desorientada que dificilmente voltará aos eixos.
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domingo, 6 de dezembro de 2009

Dos estranhos poderes de Jacarécio Neves

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Mais um quadro do Jesuíno
(este, roubado) legendado ¨

- Uai, ocê reparou que esse traste não tem fiofó?
Cumé que ele dá conta de fazer tanta cagada
por esse estado de Minas tão grande, sô?
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(Este quadro integra a série Mar Interior, recém-postada pelo artista no blog Hélio Jesuíno e Cia. Ltda.)
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Na urgência do Miguel Couto, um tubarão virou boto!

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"No pronto-socorro do Andaraí
Tu entra cajá e sai caqui."
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. . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . .. . . . . . . . Hélio Jesuíno

O título desta postagem é parte da letra do samba O Sandoval tá mudado (Maurício Tapajós, João Nogueira e Aldir Blanc), bem como a epígrafe acima (esta redundância se impõe, porque, em postagem sobre atendimento hospitalar público, tudo pode acontecer, até epígrafe se estabacar no rodapé do texto, mal parada feito um epitáfio).

Lembrei-me desse ótimo samba por causa de uma amiga, Roseane Luz, minha querida Rose Karrão. Internada dias atrás no Hospital de Ipanema, para se operar de um quisto no ovário, acordou no dia seguinte com uma ótima notícia: já podia ir para casa. Da funcionária do hospital que lhe comunicou a alta recebeu também um envelope com o laudo pós-operatório. Como é curiosa e alfabetizada, Karrão tratou de lê-lo na hora, ainda a tempo de questionar a funcionária sobre o que lera. Pois não é que lá estava escrito que não encontraram quisto algum em nenhum de seus inúmeros ovários? Em compensação, para ela não sair de lá de mãos abanando, diagnosticaram um problema no divertículo intestinal (não, divertículo não é aquele vestíbulo que muitos usam para diversão).

Agora, nova radiografia revelou que o danado do quisto, ou seja lá o que for aquela mancha sem graça, continua lá, enchendo o saco do ovário da Rose. Pode ser uma ilusão de ótica radiológica. Ou, especulo com meus botões, uma projeção fantasmagórica do tal problema diverticular. A médica dela acha que deve ser feito um acompanhamento e, conforme a evolução, fazer uma cirurgia.

Bem, você decide, Karrão. Quanto a mim, fico só torcendo para que não seja necessário operar. Mas se for, espero que você o faça em outro hospital. Não que eu acredite que haja algum melhor, mas não custa dar uma variadazinha, né? Porque você já comprovou, minha revisora predileta: no Hospital de Ipanema, tu entra coração sem til e sai língua com trema! E, se os médicos estiverem num dia inspirado, pode até ganhar de brinde, conforme constará no laudo pós-operatório, uma operação de fimose...

Há precedentes, e bem mais graves. Como foi o caso do Sandoval, cuja mudança referida no título do samba é assim explicada, na letra, pelo Aldir: "Mas o pior sucedeu a um tio meu lá no Rocha Faria... ai, ai, ai, ai, entrou Sandoval, saiu Ana Maria!"¨
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O Motoperpétuopétuop

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Este é o primeiro de 1.001,07 tópicos de uma série que pretendo postar inteira aqui, no máximo até a segunda quinzena de maio de 2052:
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Obra-prima de um dos 17 mais geniais escritores, artistas plásticos, overloquistas e plantadores de boatos da família Braga (de Cachoeiro de Itapemirim - ES). Trata-se de ninguém menos, talvez mais que o¨
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¨. . . . . .. . . . . . . . .. . . . .. . . . .. . . . . Prof. Edson Rocha Braga

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O Motoperpétuopétuop foi inventado em 1942 em Barcelona, por Abdelkader Ofkir, refugiado marroquino de apenas 67 anos. O engenho conjugava: oito sistemas de roldanas fixas e três móveis; quatro alavancas e outros tantos pontos de apoio; dezoito molas espiraladas, uma bomba hidráulica; um par de elásticos; seis rodas dentadas; e uma manivela. Girada esta, o aparelho acrescentava meio erg ao impulso inicial. Daí para a frente, ia sempre num crescendo.

Três anos mais tarde, Abdelkader foi preso em Marrakesh por tráfego de fluência, estando até hoje desaparecido.

Quanto ao Motoperpétuoooo, continua passando de mãos em mãos, na clandestinidade, a uma velocidade incontrolável mas ainda pouco superior a uma vez e meia a da luz.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Antes tarde demais do que na hora certa?

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Não bato muito bem, não,
mas apanho, fácil, no ar...


Não queria tocar nesse assunto tão delicado, que envolve a honra de um herói nacional. Mas, venha cá, se eu sei de um crime e silencio sobre ele durante 15 anos, não posso ser considerado cúmplice, ou pelo menos culpado por omissão?

De leis, não manjo nada, mas a danada da intuição ficou me cutucando até eu falar, entende? Me perdoe, se eu estiver sendo inconveniente e desrespeitoso, ó grande El Cid, intrépido ainda que tão lerdo protetor dos meninos abandonados do MEP.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

De óculos como sem guarda-chuva

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Só óculos desaparecidos podem ver
o reino dos guarda-chuvas perdidos
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Eu pensava que só acontecia com guarda-chuvas, isso de todo mundo perder muitos e nunca ninguém achar algum. (Uma vez julguei ter achado um, num acesso de sorte, como eu me disse em tom triunfal – porque o céu, negro, já rugia uma tempestade daquelas. Mal desabou o toró eu abri, todo besta, meu belo guarda-chuva verde claro estampado com florzinhas vermelhas e amarelas. Me livrei da chuva, mas peguei uma ducha fortíssima, que o diabo do suposto guarda-chuva tinha um baita rombo na umbela.)

Pois acontece com óculos, também, esse lance de perdermos um monte deles e nunca acharmos um único par, pelo menos que nos sirva. (E o que é mais grave e misterioso: eles somem, principalmente, dentro de casa!) Vim a saber disso quando perdi meu primeiro exemplar da espécie, comprado poucas semanas antes, assim que meus olhos preguiçosos se recusaram a ler uma bula de colírio. De lá para cá já comprei dezenas e dezenas de óculos, que vou perdendo e reencontrando, perdendo e reencontrando... até que eles se cansam da brincadeira e somem para sempre. E não há meio de encontrá-los, pode acreditar. Nem contratando um detetive particular competente – ressalvando, não vou mentir, que isso eu só fiz três vezes.

Felizmente, no meu caso, esses desaparecimentos misteriosos só ocorrem com óculos de leitura, jamais com meu primeiro e único par de óculos para distância. Meu segredo: deixo-o sempre no mesmo lugar, amarrado com barbante ao pé da cama. Agora, por exemplo, acabei de procurar, em vão, todos os meus sete pares de óculos de leitura. Fazer o quê? Fechar o último livro do Paulo Coelho cujo nome esqueci agora, mas é aquele que fala sobre... sobre o que mesmo?... Bem, fechar o último livro do Saulo Joelho e sair para dar uma volta, ver se encontro um camelô de óculos. Se o encontrar, arranco-lhe da cara o precioso objeto e volto a jato para casa. Pouco importa se não me servirem. Faço qualquer sacrifício, uso até óculos para miopia, mal do qual não sofro (ainda!), para continuar lendo o Fauno Pentelho.

Antes de sair, lembro de pegar meus óculos para distância. Não encontro nenhuma das minhas quatro tesouras, mas corto o barbante com o isqueiro e ponho os óculos no bolso da camisa. Assim que saio do prédio, começa um chuva forte que nem rugir rugira. Como não tenho guarda-chuva há mais de 20 anos, vou em frente, correndo até a marquise do ponto de ônibus. Nem bem cheguei ao abrigo, já surge um buzum lá na curva. Ponho meus óculos para distância, que letreiro de ônibus eu só consigo ler a olho nu quando já não dá mais tempo de o motorista parar. Só então descubro que os óculos que libertei da escravidão ao pé da cama são... os de praia.
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sábado, 28 de novembro de 2009

Para quem não crê na justiça do capitalismo

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De sub-ajudante de faxina,
me tornei sócio do patrão!


Acabo de deixar de lado a vassoura, o esfregão e o espanador que vinha esgrimindo com afinco nas dependências do blog Hélio Jesuíno & Cia. Ltda. Agora, sou sócio do homi, cumpadis!
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Quem duvidar que leia em http://heliojesuino.wordpress.com/ o meu conto Cirandinha, postado hoje pelo Jesuíno. Aqui, vai só a ilustração - que, modéstia dele à parte, é quase tão excelente quanto o conto...
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E aproveitem, claro, para dar uma geral bem minuciosa na galeria do H. J. e nos textos dele, Sérgio Oiticica, Alexei Bueno, Marco Lucchesi e outros sócios do blog.
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GP Brasil de Fórmula Presidencial - II

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Zebuti Serra mantém a dianteira
mas sofre um apagão na traseira

Conforme prometido há quase uma semana, vamos começar agora a transmissão do GP Brasil de Fórmula Presidencial. É com você, Baldão Bueiro!

- Well, amis... finalmente estamos falando aqui do Planalto Central para todo o Brasil... Brasil-ziu-ziu!... onde já se desenrola... ou se enrola cada vez mais, sei lá... o Grande Prêmio Brasil... Brasil-ziu-ziu!... de Fórmula Presidencial... Como é uma prova brasileira, brasileiríssima... Brasil-ziu-ziu!... Ô, pessoal, dá um tempo com essa vinheta, né? Não é possível que ela fique entrando toda vez que eu fale no Brasil... Brasil-ziu-ziu!... ou em brasileiro... Brasil-ziu-ziu!... Tá legal, tá legal... Depois dança uma centena de cabeças e vocês ficam dizendo por aí que eu sou prepotente e autoritário!... Mas vamos ver o que tem pra nós o Cretino Macro, que está lá pertinho do líder da prova, o nosso Zebuti... Zebuti Serra do Brasiiiiiuuuu!!!.... cadê?... Zebuti Serra do Brasiiiiiuuuu!!!.... Agora era a hora da vinheta!... A-go-ra era a hora da vinheta!... É muita incompetência... É por isso que o Brasil... Brasil-ziu-ziu!... Brasil-ziu-ziu!... Brasil-ziu-ziu!... CHEGA!!!... É uma vez e chega, certo?... Fala, Cretino Macro!

- Zebuti Serra segue tranqüilo na ponta, Baldão! Nos últimos 5 dias, ele já percorreu fácil, fácil, quase 27 centímetros! Mas o problema é que...

- Muito bem, Cretino. Se tiver mais alguma informação, é só chamar, tá certo?

- Certo, Baldão. O problema é que...

- Certo, Cretino. O problema é que o Zebuti precisa arranjar mais um desabamento para aumentar essa vantagem. O povo adora um desabamento!

- Um apagão, Baldão!!!... Há cerca de um minuto, ocorreu um apagão na área em que o Zebuti está!

- Apagão??? E por que você não falou antes, Cretino cretino?... Também, já era de se esperar, né? Alguma eles tinham de inventar! Al-gu-ma eles tinham de inventar pra tentar segurar o Zebuti... É este, mes amis, é este o Brasil que temos aí... Brasil-ziu-ziu!... Não, agora não!... Não entra a vinheta quando eu falo DESTE Brasil!... Brasil-ziu-ziu!... Brasil-ziu-ziu!... Brasil-ziu-ziu!... Deu um apagão aqui também. Deu um apagão na cabeça desses idiotas que trabalham comigo! Vamos para os nossos comerciais....

– Demite, Doiscongoma! Demite uns 15... 15 não, uns 25... 30, pra arredondar!... O quê?... O microfone tá aberto?... Demite toda a equipe de aúdio também!... Como, não dá? Tem que dar, Doiscongoma!... Eu transmito de megafone se for preciso. Este é um evento importante para a porra do Brasil!... Brasil-ziu-ziu!... Puta que me pariu!!!

Voltaremos, leitores, a transmitir o GP Brasil de Fórmula Presidencial assim que for resolvido o problema do abaldão... digo, do apagão.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Crime hediondo na mídia esportiva!

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Jornalistas esquartejam
jogadores impunemente



Eu já evito ler a análise individual dos jogadores, aquela acompanhada de notas de zero a 10 que as páginas esportivas impressas e virtuais costumam publicar junto com a notícia relacionada ao resultado dos jogos de futebol. Se com bom espaço para informar os caras já cometem barbaridades analíticas e contra o idioma, imagine num texto super resumido, que exige maior poder de síntese.

Mas tudo bem, as análises absurdas não há como contestar, porque o analista esportivo tem todo o direito de ser uma besta quadrada. Se há quem pague por isso...

Tudo bem, também, com as aberrações de concordância e regência, os erros grosseiros de ortografia, pontuação e acentuação, o mal emprego de palavras... tudo isso já faz parte do jogo. São como as falhas do juiz, os buracos no gramado, os objetos jogados no campo por torcedores.

Só tem uma palavra, uma única palavrinha que há anos repórteres, locutores e até comentaristas vêm usando, com freqüência cada dia maior, e com o único objetivo, começo a desconfiar, de detonar as defesas orgânicas e psíquicas de idiotas, como eu, que lhes dão atenção. Refiro-me ao adjetivo disperso, empregado para definir a atuação desse ou daquele jogador que, na opinião do analista, passou os 90 minutos meio desligado, talvez pensando no programa que marcou para depois do jogo, uma bimbada com a maria chuteira que há dias o assedia pelo celular.

Caramba, será que neguinho não se toca que disperso não pode ser usado em relação a uma só pessoa, a não ser que antes o próprio jornalista ou alguém - munido de serrote, facão, machado... - tenha esquartejado o jogador e espalhado seus pedaços por vários lugares? Foi o que a tia disse que a Coroa portuguesa fez com o corpo de Tiradentes, não foi?

Se você conhece alguém da mídia esportiva que gosta de empregar disperso nesta acepção esquartejante, por favor, diga a ele, com toda a delicadeza, bem baixinho, se possível sussurrando-lhe ao pé do ouvido, de modo a evitar que o dispersante se irrite e, sabe lá, resolva dispersá-lo no ato: "É dispersivo..."
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O marido que é madrasta

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Elza Magna, sexóloga, resolve
um angustiante caso familiar



"Estou confusa e sofrendo muito. Tenho um caso com meu genro há anos, antes mesmo dele conhecer minha filha. Agora ela descobriu tudo e contou pro meu marido. Para minha surpresa, o pai aconselhou-a a deixar como está. Nem ralhou comigo. Como pode?" - Dolores Consuelo das Chagas

Simples, Dolores. Seu marido pegou o cara antes de vocês duas.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uns e outros - 1

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Traduzindo para o português
o que ele não sabe veire, pá!



As três obras aqui postadas são do Hélio Jesuíno, e fazem parte de uma série intitulada Uns e outros, da qual ele me passou meia-dúzia para que eu tentasse letrá-las. Ou seja, escrever uns contos curtos a serem ilustrados por elas.

Topei o desafio. Só que fiz histórias tão curtas que ficaram todas com cara de legenda de foto. Foi o que deu. Como reduzir a meras ilustrações trabalhos gráficos que falam por si? Minhas legendas, portanto, refletem somente o que, num determinado instante, olhando para cada obra, me saltou aos olhos. Nada têm a ver com o olhar do próprio Hélio nem com o de qualquer outra pessoa mentalmente saudável...

Se não surgir nenhuma reclamação, nenhum abaixo-assinado contra esta postagem, em breve eu posto os outros três quadros legendados.

(Clique sobre cada trabalho para ampliá-los.)

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Imagem é que nem mãe: só tem uma mas dá pra clonar

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Como duplicar as imagens
do blog sem arriscar a vida


Todas as imagens aqui postadas podem ser ampliadas. Basta um clique sobre elas para duplicá-las e dois cliques para tripricá-las ou quadruplicá-las, sei lá. (Se você ampliar a imagem ao lado, por exemplo, poderá ver que o monitor é da famosa marca Sunda, aquela que deu um trato na Raimunda.) Mas, atenção: em hipótese alguma clique três vezes! Senão pode acontecer uma das seguintes tragédias com seu computador:

1 - Ser ampliado junto com a imagem e ficar maior, bem maior que o cômodo em que está instalado, até atingir o equivalente a 1% do ego do Caetano Veloso;

2 - Ser infectado por um novo vírus que está deixando o pessoal da Microsoft de saco cheio. É o Bem, Amigos - um vírus que fala! E só sobre esportes, embora não entenda nem de jogo de bola de gude. Falando pelos cotovelos - todos os 15, porque é um vírus dos mais cotoveludos! -, ele não permite que você execute qualquer tarefa que não seja dar Ctrl + S para as obviedades e besteiras que diz;

3 - Transmitir, direto de um terreiro de umbanda evangélica, uma entrevista com um pastor pai de santo especialista em prever o que não acontecerá. O paranormal vai revelar os cem não-fatos mais importantes de 2010. Coisas como: no carnaval, as escolas de samba de São Paulo não desfilarão na Sapucaí; no Congresso Nacional, muitos deputados e senadores não farão nada, exceto jogar purrinha pelos corredores ou empacar embaixo das escadas para ver a calcinha de suas colegas; durante toda a campanha eleitoral, José Serra não aparará uma única vez o topete.
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Portadores de necessidades sexuais

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Poetar em maço de cigarro
pode causar câncer na musa?



Estava procurando certa carta do meu irmão Paulim Muleta, da época em que ele se internou na Universidade de Louvein para fazer o mestrado em Comunicação Social ou enlouquecer de melancolia naquela cidade que, quando tem uma meia-horinha de sol, o pessoal passa semanas e mais semanas de céu fechado enchendo a cara para celebrar o grande dia que fez sol. Não achei a tal carta, mas achei outras dele, todas enormes, quatro folhas pelo menos, datilografadas dos dois lados numa letrinha desgraçada, de máquina que deve ter sido feita para redigir bula de remédio. Comecei a reler uma história sobre o baita a perigo dele, então há meses batalhando para descolar uma mulher disposta a dar para um brasileiro durango, gordo, barbudo e paraplégico – digo, deficiente físico – digo, portador de necessidades especiais – digo... alguém sabe a última asneira politicamente correta que inventaram para dificultar ainda mais a compreensão do que seja um aleijado?

Bem, me lembro que no final Paulim acabou arranjando uma tranqueira alemã que o comeu cru, com casca e tudo – a roupa e as armações de ferro que sustentavam suas pernas no caminhar de muletas. Não me lembro se a fräulein voraz livrou a cara das muletas, nem cheguei a tirar essa dúvida, porque, de repente, do meio das folhas da carta, saltou um poeminha escrito num tasco de embalagem de roliúde (alguém sabe se alguma nova lei anti-fumo proíbe que se toque nesses nomes cancerígenos via net? ou se o Dráusio Varela já disse na grobo que poema escrito em papel de cigarro causa câncer de mama na musa?)

Me lembro da noite em que eu o escrevi. Estava no Lamas, mandando ver no chope com genebra, como vinha fazendo há semanas, para comemorar um dia de meia-horinha de sol dentro de mim. Eis o poema, que espero não tenha lambuzado de câncer a musa da ocasião:

Eu sabia que não devia olhar de novo
Mas a mulher tinha um olhar desses que reduzem a pó qualquer senso de dever,
Olhares que pousam na gente com ternura e de repente se fecham como alçapões
Abocanhando nossos olhos, lábios, língua, coração, sexo, conta bancária...
Nem pensar, nem pensar!

Não pensei, e a encarei.
Seus lindos olhos refletiam uma alegria tão intensa
Que, no ato, fiquei cego de paixão.
E a amei loucamente por vários chopes,
Até perceber que ela apenas flertava
Com o cartaz colado na parede atrás de mim.

Lamas, junho de 1974

A caricatura acima não é
muito fiel – mas quem o é?


Essa figura de ar apalermado e afrescalhado que desenhei não tem muito a ver com o Paulim. Ele é bem pior que isso. A touceira à esquerda, que parece maconha, é maconha. Mas é da vizinha dele em BH, uma prussiana hoje octagenária que veio da Bélgica na cola do mineirrinho charmosa e vive em concubinato com as muletas do mano há mais de dez anos, desde que ele se tornou cadeirante. (Ô palavrinha mais adequada, sô. Deve elevar bastante a auto-estima do usuário de cadeira de rodas, afinal rima com escada rolante. E com tratante, ignorante, elefante, traficante...)
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Efeito colateral

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Uma história de amor e sexo
ligeiramente picante no final

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. . . . . . . . .. . . , . .. . . . . . . . . . . . . . . . Hélio Jesuíno

Baixinha chupava um caralho no ritmo de quem escova os dentes quando está atrasado para um compromisso, e com a delicadeza de um bate-estaca. No primeiro jorro da ejaculação, tirava o pau da boca, cuspia pro lado – sempre em cima dos meus chinelos! – e continuava, até muito além do final, numa bronha ainda mais acelerada e rude que o boquete, alongando tanto o movimento para baixo que, quase sempre, acabava me acertando uns cascudos nos bagos. Se eu tentasse interromper propondo inverter o mando de campo do jogo oral, ou quisesse partir logo pra trepada, ela estrilava, à beira da histeria: “Ah, não, não, não. O que eu mais amo na vida é ver meu quentinhonhoco gozar gostoso enquanto eu sacudo seu pipiu e lambreco o lençol todo!”

Mas não foi por nada disso que a joguei pela janela.

Baixinha passou sua última semana de vida perguntando, com um ar estúpido, encharcado de piedade, toda vez que eu me recusava a beijá-la: “Ah, meu quentinhonhoco, seu dentinho ainda está delorido?” Bem, esse já seria um motivo justo para jogá-la pela janela. Ou a maldita mania de botar no lixo toda comida que encontrava na geladeira, para fazer outras, geralmente as mesmas, e com aquele tempero que, dizia ela, só eu faço igual eu. O mais irritante era que a comida “velha” tinha sido feita na véspera, e por ela mesma! Em compensação, jamais precisei me preocupar com a cozinha nos oito meses em que convivi com a Baixinha, nem lavar e passar roupa, nem fazer faxina na casa. Motivos suficientes para livrá-la da sentença de lançamento pela janela pelos crimes de desperdício de comida e de ser, com uma regularidade impressionante, um desastre afetivo-sexual.

Na verdade, talvez eu a tenha jogado pela janela somente por falta do que jogar pela janela. Já havia jogado o rádio-despertador, o aparelho de som, a TV, meu conjunto de halteres, um vaso de comigo-ninguém-pode e todos os volumes da Enciclopédia Britânica de 1958, única herança de meu pai. Mais cedo ou mais tarde teria mesmo de ser a Baixinha. Porque eu não agüentava mais aquela cantilena nojenta do marido dela, toda noite, na porta do prédio, embaixo da minha janela no terceiro andar: “Messimélia, meu amor, já saí do escritório e estou a caminho do nosso lar. Não demore muito, viu? Vou fazer aquele jantarzinho especial que você tanto aprecia, minha neguinhonhoca.”

Juiz, jurados, imprensa, opinião pública, amigos, família... ninguém entendeu que a morte da Baixinha, porra, foi apenas efeito colateral de um remédio amargo mas necessário: matar aquele corno despudorado. Mas como errei o alvo, tudo não passou de uma simples tentativa de assassinato. Se é que pode ser assim considerado tentar livrar a humanidade de um cretino já morto há pelo menos oito meses.
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domingo, 22 de novembro de 2009

É um Ri acho que passa na minha vida

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Sobre uma certa Senhora Raíssa
que clonou o título deste blog



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A expressão desinformação seletiva, encontrei-a no perfil do orkut dessa supracitada senhora, que lá atende por Ri acho. Meu blog assim batizado, já no ar, e não é que a figureta tem a cara de pau de rebatizar seu próprio blog com o nome que eu, generosamente, lhe havia surrupiado?

Sorte dela que sou um rapaz de bem, com sólida (um tanto pastosa, quase líquida e, vá lá, praticamente gasosa) formação judaico-cristã. Não vou à Justiça contra ela. Preferi acordar um duelo, em praça pública (São Salvador, no Flamengo) escolhida por mim, e com armas escolhidas por ela: bolinhas de miolo de pão. Não percam! Dia e hora serão anunciados em breve, aqui e no Jornal Nacional.

E eu ainda publico, movido por meu evangelhizado espírito de porco, um poema da adversária solerte. Nele, ela nos serve, não posso negar, uma boa porção da sabedoria e sensibilidade desenvolvidas em seus milenares 16 anos de vida:

Vermelho

Um desassossego carrega meu sono
E eu lembro do que queria deixar do outro lado
Tempo é frio,
Tem cheiro de madeira
E corre corroendo a mim e tudo mais
Não acredito no vermelho da paixão
Os pecados, sim, são cor de sangue
E a coragem, na verdade, pouco importa como vem
Eu fiz o que quis
Quis você pra me esconder
Pra me escoltar
Até fingi medo,
Mas nunca estive apaixonada
Como em romances frescos
Ou novelas bolivianas


Endereço do Desinformação Seletiva genérico:
http://pirilampooos.blogspot.com/
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GP Brasil de Fórmula Presidencial

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Zebuti Serra dispara na frente,
só não sabe em direção a quê


(Aguarde a transmissão. Nossa equipe já está a caminho do Planalto Central para cobrir o grande evento. Tenha paciência, pode atrasar um pouquinho, porque a rapaziada está indo a pé, carregando aquela porrada de equipamento sofisticado, inclusive barraca de camping, lampião, marmita... sabe como é, né?)
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