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terça-feira, 22 de outubro de 2013

A menina dos ovos de ouro

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 Para Carla Diacov e Larca Vódica  .  .  .  .

Saiu apressada da casca,
bem antes da mãe findar o choco
e do pai cacarejar seus advérbios,
a menina.

Já engatinhava sem meias palavras
e ciscava com os joelhos a terra
e o mar e o céu e o tudo e o caos,
a menina.

“Nunca que vou botar um ovo
branquelo ou beje ou avermelhado” – –   
decidiu. – –  “Ovos meus serão todos
de ouro, ouro do bom, sem impureza
que não seja clorofila, cedilhas e
borboletas bêbadas xingando a mãe
dos órfãos” – –  ô tinhosa, a menina!

E saiu ela pelas ruas a catar
moedas e pauzinhos de picolé,
conchas e guimbas de cigarro,
tartarugas, cobras e lagartos,
hidrantes, clipes e astrolábios,
meninos a empinar carros-pipas,
freiras plantando bananeira
e pensamentos libidinosos
na peruca de corocas e carecas – –
agora, sim, prontinha para botar
                                            toneladas de ovos de ouro..

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

O Grande Desfile de Pin-ups - Especial Elke Maravilha

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A maravilha russa que revolucionou a estética carioca

“Um dia, por volta dos 18 anos, eu acordei, fui no meu armário e vi que só usava preto. 
Pensei: “Nada disso.” Peguei uma calça e rasguei toda, botei uma meia roxa, enchi a cara 
de batom, desgrenhei o cabelo e fui para a rua. Levei porrada. Meu dente entrou pelo lábio, 
tenho a marca até hoje. Pior foi tomar cuspida na cara, como aconteceu em Ipanema. 
É difícil ser a primeira, ousar, usar esse visual. Atualmente não assusto mais, mas tem
gente que acha que sou travesti. Agrado as minorias. Inclusive sou madrinha dos presidiários.”

“Na roça a gente não tinha acesso a quase nada. Mas quando eu voltei à Rússia, com 22 anos, entendi tudo. O coração da gente muda, mas o DNA, não. Foi aí que descobri por que eu gosto
 tanto dessa arte cheia de detalhes, de surpresas. Tem uma estética bizantina dentro de mim.”

‘‘Me casei oito vezes e sou amiga de todos os meus ex. Menos de um, que é psicopata. Um dia acordei de madrugada e ele estava sentado na poltrona vestido de Elke.’’

“Já tive homens mais velhos, 27 anos mais jovem e da mesma idade. Sou como aquela bicha 
da piada: não tenho tipo, tenho pressa.”

“Forças ocultas tiraram o programa Elke (SBT) do ar, ninguém me deu explicações. Quando 
eu dava 3, 4 pontos de ibope, estava bom. Quando subiu para picos de 15 pontos, acabou. 
Foi no dia seguinte ao que botei no ar um casamento gay.”

"Tem gente que é tão pobre, tão pobre, tão pobre... que só tem dinheiro."  

Elke Maravilha 

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Osso



Caio Julius Caesar*  .  .
Todo osso
me interessa à beça.

Todo osso
é duro, no duro
de roer... roer...
até lascar e provar
que é pouco osso;
no fundo, nenhum
vazio, só o macio
recheio meio
marrom bom-bom.

Todo osso
que se rói não dói:
é pura aventura,
ócio do negócio
de farejá-lo, caçá-lo
através dos séculos
com as presas acesas
para o saque
no qual o au-au,
latino, é latido
em trêfego grego:
“Os-te!... O-oooste!...”

E ele vindo, lindo,
impávido... grávido
de sua alma que me salva.

 
.  .   .   . . .  .  .    . *Também conhecido como Cesinha, é um vira-lata, autor do livro Poemas de um cão sem dono.


GLOSSÁRIO
Trêfego - Manhoso, ardiloso; Oste - Osso, em grego; Impávido - Destemido, sem medo; Glossário - Vocabulário em que se explicam palavras mortas ou agonizantes.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Eu sou neguinha?

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Você alguma vez já se pegou cantando uma música da qual não gosta? Isso acontece muito comigo. Mas esta manhã, meu inconsciente exagerou, e eu acordei cantarolando:

“... eu tava rezando ali completamente/ um crente, uma lente, era uma visão/ totalmente terceiro sexo/ totalmente terceiro mundo, terceiro milênio/ carne nua nua nua nua nua nua nua/ era tão gozado/ era um trio elétrico, era fantasia/ escola de samba na televisão/ cruz no fim do túnel, becos sem saída/ e eu era a saída, melodia, meio-dia dia dia/ era o que dizia:/ Eu sou neguinha? Eu sou neguinha? Eu sou neguinha?...”

Sai pra lá, abacaxi... tomei leite!

terça-feira, 3 de maio de 2011

E Osama virou Iemanjá...

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A
sepultura que deram a Osama fica no mundo inteiro!

Será que na reunião em que o governo norte-americano decidiu perpetrar essa sandice não havia nenhum almirante, nenhum parente de pescador, ninguém que soubesse ou atinasse que é à beira-mar – qualquer mar! – que as famílias de marinheiros e pescadores desaparecidos no mar reverenciam a memória deles?

Pouparam os familiares, discípulos e fãs do líder assassinado de fazer longas peregrinações ao seu túmulo.

Há, portanto, que se reconhecer.: foi um gesto muito nobre, rico até.

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Comemo o hômi e nos contaminemo, galera. Agora... aos ianques!!!

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terça-feira, 29 de março de 2011

Decassílabo afrodisíaco

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Teopha . . . . . . . . . . . . . .

– Mo-ô. Diz aquilo, diz.

– Aquilo o quê?

– Aquela poesia que eu se amarro.

– Não.

– Ah, meu poeta... eu fico tão excitadíssima.

– Por isso mesmo.

– Só o úrtimo velsinho, vai. Ocê diz ele e eu corro pra tumá banho frio.

– Tá bom, então.

– Oba!... Aqui, ben-nhê... Diz ele aqui na zoiota da zoreinha da tua musa...

– Hipopótamo varicoso e frígido.


* . . . . . . . * . . . . . . . *

Não gosto de falar dos nossos seguidores, a não ser para elogiar. Mas andei reparando no nosso mural de retratinhos deles e não pude deixar de me perguntar. Será impressão dos meus belos olhos mordazes ou alguns deles têm mesmo cara de bundão?

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Gotas Purgativas do Dr. Camelo

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“O que é que há de mais pesado para transportar?” — pergunta o espírito transformado em besta de carga, e ajoelha-se como o camelo que pede que o carreguem bem.


Vós dizeis-me: “A vida é uma carga pesada”. Mas, para que é esse vosso orgulho pela manhã e essa vossa submissão, à tarde?

No deserto têm vivido sempre os verídicos, os espíritos livres, como senhores do deserto; mas nas cidades residem os sábios célebres e bem alimentados: os animais de tiro.

Chamas-te livre? Quero que me digas o teu pensamento fundamental, e não que te livraste de um jugo.

Não me precaver: tal é a providência que preside ao meu destino.

E aquele que não quiser morrer de sede entre os homens deve aprender a beber em todos os vasos, e o que quiser permanecer puro entre os homens deve aprender a lavar-se em água suja.

O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher, o jogo mais perigoso.

Ai, meu irmão! Nunca viste uma virtude caluniar-se e aniquilar-se a si mesma?

Onde cessa a soledade principia a praça pública, onde principia a praça pública começa também o ruído dos grandes cômicos e o zumbido das moscas venenosas.

A nossa fé nos outros revela aquilo que desejaríamos crer em nós mesmos. O nosso desejo de um amigo é o nosso delator.

Desde que há homens, o homem tem-se divertido muito pouco: é esse, meus irmãos, o único pecado original.

Tranqüilo é o fundo do meu mar. Quem adivinharia que oculta monstros divertidos!

Realmente vive uma grande loucura na nossa vontade; e a maldição de todo o humano é essa loucura haver aprendido a ter espírito.

A mudança dos valores é mudança de quem cria.

É preciso honrar no amigo o inimigo. Podes aproximar-te do teu amigo sem passar para o seu bando?

Não poucos, que queriam expulsar os demônios, se meteram com os porcos.

Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.

É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.

Que pelo menos Nietzsche me perdoe por esta “exploração comercial” de trechos do seu Assim falava Zaratustra (eBookLibris, tradução de José Mendes de Souza). Porque o prof. Auterives Maciel certamente não me perdoará pela foto fora de foco.

(Divido a culpa com o prof. Marcelo Nicolau, que a publicou no Facebook.)

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Cuidado! Uma dessas gotas não pingou do Zaratustra. Para descobrir qual é, basta ler o livro inteiro.

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